Ícone do site Revista Agrária Acadêmica

Programa de luz em frangos de corte – maximizando o desempenho e bem-estar – breve revisão de literatura

Revista Agrária Acadêmica

agrariacad.com

doi: 10.32406/v6n6/2023/37-45/agrariacad

 

Programa de luz em frangos de corte – maximizando o desempenho e bem-estar – breve revisão de literatura. Light program in broiler chickens – maximizing performance and welfare – brief literature review.

 

Fábio Aurélio Moreira1, Gabriely Amaro de Oliveira Borges2, Gabriel Lopes Tamiozo3, Simara Márcia Marcato4

 

1– Mestrando do Programa de Pós-graduação em Produção Sustentável e Saúde Animal – Universidade Estadual de Maringá – UEM, Campus Umuarama – PR. E-mail: fabioaurelio_cia@hotmail.com
2– Mestranda do Programa de Pós-graduação em Produção Sustentável e Saúde Animal – Universidade Estadual de Maringá – UEM, Campus Umuarama – PR. E-mail: gabriely.aborges@gmail.com
3– Docente do Curso de Medicina Veterinária – Universidade Estadual de Maringá – UEM, Campus Umuarama – PR. E-mail: gabrieltamiozo@hotmail.com
4– Zootecnista. Dra. Docente do Programa de Pós-Graduação em Produção Sustentável e Saúde Animal – Universidade Estadual de Maringá – UEM, Campus Umuarama – PR. E-mail: simaramm@yahoo.com.br

              

Resumo

O Brasil é o segundo maior produtor de carne de frango a nível global, com cerca de 33% destinados à exportação. O consumo é elevado devido à acessibilidade econômica e às características nutricionais. Na produção avícola, a implementação de programas de luz em frangos de corte é crucial para otimizar o desempenho zootécnico e comportamental, otimizando a conversão alimentar. Este artigo científico tem como objetivo explorar a influência dos programas de luz no ciclo de produção avícola, analisando fatores como fotoperíodo, intensidade luminosa e espectro de luz. Para o estudo, utilizou-se SciELO, Google Scholar e Manual de Manejo de Frangos de Corte Cobb e Ross, priorizando publicações contemporâneas. A compreensão desses elementos visa não apenas aprimorar a eficiência produtiva, mas também promover práticas de manejo alinhadas com o bem-estar animal e os princípios de sustentabilidade na avicultura de corte.

Palavras-chave: Avicultura de corte. Programas de luz. Eficiência produtiva. Bem-estar animal.

 

 

Abstract

Brazil is the second-largest global producer of chicken meat, with approximately 33% destined for export. Consumption is high due to economic accessibility and nutritional characteristics. In poultry production, the implementation of lighting programs for broilers is crucial to optimize zootechnical and behavioral performance, enhancing feed conversion. This scientific article aims to explore the influence of lighting programs on the poultry production cycle, analyzing factors such as photoperiod, light intensity, and light spectrum. The study utilized SciELO, Google Scholar and Cobb and Ross Broiler Management Manual, prioritizing contemporary publications. Understanding these elements aims not only to improve production efficiency but also to promote management practices aligned with animal welfare and sustainability principles in broiler farming.

Keywords: Broiler farming. Lighting programs. Production efficiency. Animal welfare.

 

 

  1. Introdução

 

O Brasil ocupa atualmente a segunda posição no ranking mundial de produção de carne de frango e é, adicionalmente, o maior exportador desse alimento em escala global, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2023).

A carne de frango tem ganhado cada vez mais destaque na mesa dos brasileiros nos últimos anos devido às suas características como uma proteína leve, saudável, versátil e acessível. Além disso, é fonte importante de aminoácidos essenciais, vitaminas e apresenta baixo teor de gordura. Em 2022, o consumo médio registrou 45,2 kg por habitante, de acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA, 2023).

A atração de consumidores de diferentes classes sociais pela carne de frango está em razão de seu baixo custo, intrinsicamente ligado às vantagens competitivas presentes na cadeia produtiva como o rápido ciclo comercial, viabilidade de uma estrutura organizacional verticalizada e adoção contínua de novas tecnologias que contribuem no crescimento constante da produção (RECK; SCHULTZ, 2016).

As significativas transformações no sistema produtivo, marcadas pelo elevado nível tecnológico e pela integração entre avicultores e a agroindústria, conferem maior dinamismo à atividade, colocando-a em uma posição privilegiada quando comparada a outras atividades pecuárias no Brasil. Para os produtores, esse sistema assegura não apenas o escoamento eficiente da produção e a disponibilidade de assistência técnica, mas também a obtenção de insumos de qualidade superior, a garantia de produção ininterrupta, facilidade de acesso a crédito e rápida incorporação de inovações tecnológicas (OLIVEIRA et al., 2015).

O progresso notável na avicultura é resultado da convergência de vários fatores, incluindo o aprimoramento genético dos animais associado ao refinamento na nutrição, à implementação de técnicas de biosseguridade, a atenção à ambiência e a adoção de manejo específico. Essa abordagem integrada propicia um aprimoramento significativo no desempenho zootécnico das aves (UBABEF, 2013). Entre os inúmeros avanços na área de ambiência, destaca-se a importância crucial dos programas de iluminação na criação de frangos de corte, dada a sua influência no desenvolvimento, comportamento e saúde das aves (KRISTENSEN et al., 2007).

Os programas de luz desempenham um papel fundamental tanto no desempenho eficaz dos frangos quanto no bem-estar geral do lote. Estes programas são concebidos antecipadamente, considerando as modificações que ocorrem em fases predeterminadas do ciclo de vida das aves e são ajustados de acordo com a meta de peso final estabelecida pelo mercado (COBB, 2019).

Não é viável empregar um único programa de luz padronizado em âmbito global, sendo necessário adaptar as recomendações de acordo com as condições climáticas, o tipo de galpão e os objetivos específicos do produtor. O emprego incorreto desse programa pode acarretar prejuízos no ganho médio diário (GMD) e comprometer o rendimento avícola. É preciso também observar minuciosamente o desempenho do lote, a densidade nutricional e o consumo de alimentos e água durante a elaboração do programa (COBB, 2019).

 

  1. Metodologia

 

Para a realização dessa breve revisão de literatura a respeito da influência de diferentes tipos de luminosidades na criação de frangos de corte, utilizou-se para a pesquisa a base de dados dos indexadores de periódicos científicos Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Google Scholar e Manual de Manejo de Frangos de Corte Cobb e Ross, devido à confiabilidade dos conteúdos e à disponibilidade de estudos contemporâneos. Adicionalmente, priorizou-se trabalhos publicados nos últimos 5 anos. Para a busca foram utilizados os termos “programa de luz em frangos de corte”, “avicultura de corte” “manejo de aves de corte”, “iluminação” e “ambiência”.

Após a seleção dos conteúdos, os assuntos foram agrupados conforme os temas a serem abordados nas categorias do artigo, sendo eles: importância da iluminação em frangos de corte; ciclos de luz e esquemas de iluminação; efeitos no comportamento e bem estar; tecnologias avançadas e inovações. Os critérios de exclusão incluíram artigos que abordavam programas de luz já em desuso, os que não enfatizavam sobre programas de luz em frangos de corte e artigos que abordavam iluminação para galinhas poedeiras, codornas e/ou outras espécies de aves.

 

  1. Revisão de literatura

2.1 Importância da iluminação em frangos de corte

 

A importância do sistema de iluminação no aviário não está restrita apenas à suplementação artificial, mas também à fonte de luz, comprimento de onda, intensidade luminosa, frequência e a distribuição espacial das lâmpadas, o que pode afetar os resultados finais em termos de qualidade e quantidade da produção (DEEP et al., 2010).

Sabemos que as aves possuem a visão mais acentuada em relação aos demais animais, característica essencial para a sua sobrevivência. Os olhos possuem sensibilidade à luz vermelha, amarela e azul, semelhante aos seres humanos. Ainda possuem sensibilidade à luz ultravioleta que facilita encontrar os alimentos, além de uma sensibilidade adicional específica para movimentos muito rápidos, o que facilita o rastreamento de insetos ou algum perigo (PECHE, 2017).

Segundo Mendes et al. (2010) as aves possuem dois tipos de células fotorreceptoras na retina dos olhos, sendo estas os bastonetes e cones, responsáveis pelas condições normais de visão durante o dia. A visão das aves diferencia-se da humana por ser tetracromática, e não tricromática. Isso se dá pelo número superior de cones, resultando em uma alta sensibilidade à luz (PRESCOTT; WATHES, 2001).

A energia contida nos fótons presentes na luz é transformada em estímulos nervosos que regulam o ritmo circadiano, também chamado de biorritmo (representa o controle fisiológico das atividades metabólicas do indivíduo através da luz), coordenando eventos bioquímicos e comportamentais que influenciam no desempenho das aves (ARAÚJO et al., 2011).

Desta forma, um controle adequado da luz pode trazer um conforto necessário às aves, pois considerando que possuam a visão acentuada podem manifestar uma irritabilidade na forma de estresse. Assim, é possível desencadear uma série de problemas comportamentais, fazendo com que estes animais se tornem agressivos, observando-se até a prática do canibalismo e a presença de uma hierarquia dentro do lote. Além disso, os frangos dominados, em sua maioria, não se alimentam  adequadamente o bebem pouca água, o que leva a uma queda significativa na produção de carne e aumento no percentual de mortalidade (ALBINO; BASSI, 2017; LUDTKE et al., 2010).

 

2.2 Ciclos de luz e esquemas de iluminação

 

Na criação de frangos de corte, diversos programas de luz, contínuo, intermitente e crescente, em diferentes intensidades, têm sido propostos com o objetivo de alcançar condições ambientais satisfatórias para a obtenção de animais com maior ganho de peso, melhor conversão alimentar, qualidade de carcaça superior e livre de alterações metabólicas (NASCIMENTO et al., 2006)

O programa de luz contínuo fornece às aves um fotoperíodo de mesma intensidade durante todo o ciclo de crescimento e proporciona condições para o máximo consumo e ganho de peso, pelo acesso aos comedouros. Neste tipo de programa de luz, os mais utilizados são 24 horas de luz/dia ou 23 horas de luz/dia e 1 hora de escuro/dia (RUTZ; BERMUDEZ, 2004).

Todavia, em suas pesquisas, Lardner & Classen (2010), concluíram que o fotoperíodo constante de 23 horas de luz não é aceitável para o bem-estar, porque a produtividade, a saúde, o comportamento (aumento da letargia e redução do conforto) e a fisiologia são afetados com esse fotoperíodo. Os programas de luz intensa resultam no aumento da incidência de problemas locomotores em aves (MORAES et al., 2008). Além disso, há um crescimento acelerado, mas o desenvolvimento de órgãos como coração e pulmões não acompanha o aumento do peso e crescimento total da ave, afetando o bem-estar e podendo causar síndromes metabólicas, como ascite e morte súbita (KAWAUCHI et al., 2008).

Já o programa de luz intermitente proporciona ciclos repetidos de luz e escuro dentro de um período de 24 horas, melhorando o consumo de alimentos pelos frangos, e reduzindo a produção de calor durante o período de escuro. Frangos de corte submetidos a um programa de luz intermitente tem tendência a apresentar maior produtividade, menor incidência de morte súbita e de problemas locomotores, quando comparado aos submetidos a um programa de luz contínua (NASCIMENTO et al., 2006).

No programa de luz crescente o fotoperíodo é aumentado conforme avança a idade do frango, visando reduzir o consumo de ração e taxa de ganho de peso, sem afetar o desenvolvimento esquelético do animal. Dessa forma, o esqueleto suporta a velocidade do desenvolvimento da massa muscular se constituindo de um crescimento de forma harmoniosa (MORAES, 2006). Frangos expostos a fotoperíodos crescentes tendem a apresentar maior produção de androgênios, responsáveis pelo ganho compensatório na fase final do período de criação (COBB, 2009).

De acordo com o manual de manejo de frango de corte Ross (2018), a implementação de programas de iluminação adequados são imprescindíveis para o desenvolvimento dos frangos de corte. Nos estágios iniciais, até 7 dias de idade, recomenda-se um fotoperíodo longo de 23 horas de luz e 1 hora de escuridão, com intensidade luminosa de 30-40 lux, garantindo uma ingestão adequada de alimentos e água, otimizando assim o crescimento, a saúde e o bem-estar das aves. Após essa idade, aconselha-se um período de escuridão de aproximadamente 5 horas (5-10 lux), para prevenir comportamentos anormais, reduzir os impactos negativos na conversão alimentar, taxa de crescimento e mortalidade, e manter o bem-estar das aves.

É fundamental respeitar as legislações locais para o planejamento de programas de iluminação e para a realização de ajustes que se fizerem necessários. No período que antecede o abate (3 dias), é possível aumentar a exposição à luz (23 horas de luz) para facilitar a suspensão dos alimentos, devido a estabilização dos padrões de ingestão e acalmar as aves para a captura. No entanto, tal prática requer cautela devido aos potenciais efeitos adversos na conversão alimentar (ROSS, 2018).

 

2.3 Efeitos no comportamento e bem estar

 

A implementação de um programa de luz apropriado resulta em uma eficiência aprimorada na conversão alimentar, particularmente nos estágios finais de crescimento. Observa-se uma redução na mortalidade associada a condições como a síndrome de morte súbita, ascite e distúrbios esqueléticos. Este conjunto de efeitos contribui para um aumento no bem-estar dos animais quando é proporcionado um ritmo biológico normal, incluindo períodos adequados de descanso (ROSS, 2014).

O estímulo luminoso percebido pelas aves ocorre por meio de fotorreceptores hipotalâmicos, que atuam na conversão dos sinais eletromagnéticos que chegam até eles através das fibras nervosas em forma de sinais hormonais, secretando o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), que desencadeia todo o processo de liberação, ou de inibição de hormônios, como é o caso do (LH) hormônio luteinizante e o (FSH) hormônio folículo estimulante. Estes hormônios, conforme as quantidades de luz fornecida, podem ou não ser estimulados, sendo os principais reguladores das características sexuais secundárias, comportamentais e de reprodução (ARAÚJO et al., 2011).

Diferentemente de mamíferos, a percepção de sinais luminosos em aves é predominantemente mediada pela via “transcraniana” em vez dos olhos. Isso ocorre devido à estimulação de fotorreceptores extra-retinais presentes na glândula pineal e tecidos cerebrais, parte posterior do hipotálamo (ROCHA, 2008; MOBARKEY et al., 2010).

O período escuridão desempenha papel relevante na eficiência da conversão alimentar, uma vez que a energia conservada durante o repouso contribui para esse processo (AVIAGEN, 2012). A alternância entre período de luz e escuro estimula a produção de melatonina, que atua na imunidade e é um antioxidante poderoso com propriedades similares às da vitamina E. A melatonina atua eliminando os radicais livres no organismo, que são responsáveis por causar danos às células. Dessa forma, esse hormônio desempenha papel fundamental na manutenção da saúde celular, destacando-se pela proteção das células do miocárdio (COBB, 2009; ACUÑA-CASTROVIEJO et al., 1997).

Quanto ao alojamento dos pintinhos, é imprescindível verificar as condições ambientais para garantir um desenvolvimento adequado e estimular o apetite. Isso inclui assegurar que a taxa mínima de ventilação esteja estabelecida para evitar correntes de ar e que a intensidade de luz seja suficiente para promover a ingestão de ração e água, mantendo uniformidade em todo o alojamento. Observar atentamente o comportamento dos pintos nas primeiras duas horas é de extrema importância para garantir que as condições do alojamento estejam adequadas. Recomenda-se, também, realizar a pesagem em massa de uma amostra das aves, calculando a média de peso corporal (AVIAGEN, 2018).

Em conformidade com Ross (2018), ambientes caracterizados por climas quentes, e em situações em que a capacidade de controle do ambiente é restrita, como em galpões abertos, é necessário programar períodos sem iluminação artificial para otimizar o conforto das aves. Uma estratégia eficaz consiste em retirar temporariamente o acesso aos alimentos durante o calor do dia, enquanto proporciona um período de iluminação à noite para permitir que as aves se alimentem durante as horas mais frescas.

Alterações abruptas, como redução significativa nas horas de luz, resulta em diminuição imediata do consumo de alimentos, peso corporal e eficiência alimentar. Embora, ao longo do tempo, essas aves possam ajustar o comportamento alimentar em resposta a tais mudanças, é recomendável implementar alterações graduais no programa de iluminação, abrangendo fotoperíodo e intensidade de luz. Adicionalmente, uma transição gradual no período de escuridão ou claridade pode ser vantajosa. A atividade de alimentação atinge seu ponto máximo logo após a iluminação ser iniciada e permanece elevada por aproximadamente 1 hora antes de as luzes serem desligadas. A utilização de sistema de amanhecer e anoitecer, que proporciona transições suaves ao longo de 15 a 45 minutos, resulta na chegada gradual das aves aos comedouros, reduzindo aglomerações. O manejo da iluminação, incluindo a gestão das horas de luz e escuridão, bem como a distribuição ao longo do dia, tem impacto significativo na produtividade e bem-estar dos frangos de corte. Essas aves se beneficiam de padrões distintos de claro e escuro, criando respectivamente períodos para atividade e descanso. Diversos processos fisiológicos e comportamentais básicos seguem os ritmos diurnos normais (ROSS, 2018). Logo, ciclos definidos de luz e escuridão possibilitam que os frangos de corte vivenciem os padrões naturais de crescimento, desenvolvimento e comportamento.

 

2.4 Tecnologias avançadas e inovações

 

A implementação de programas de iluminação possibilita a manipulação dos parâmetros comportamentais e produtivos das aves. Nesse contexto, a aplicação da luz está totalmente integrada às práticas contemporâneas de criação. É necessário realizar um planejamento adequado do programa de iluminação, considerando critérios de produção e legislação, visando alcançar um desempenho otimizado (MENDES et al., 2010).

Assim, em virtude de sua relação direta com o desenvolvimento e a saúde das aves, a iluminação apropriada desempenha um papel significativo na obtenção de resultados zootécnicos e econômicos superiores na atividade avícola. Além disso, há perspectiva de redução do consumo de energia elétrica (KAWACHI et al., 2008; MORAES et al., 2008).

Os olhos dos frangos de corte apresentam maior sensibilidade e capacidade de perceber um espectro de comprimento de onda mais amplo em comparação aos olhos humanos. Essa característica implica que o ambiente no qual essas aves estão inseridas pode apresentar uma iluminação mais intensa do que a percepção humana ou do que indicaria uma medição convencional de lux. Ao realizar a mensuração da intensidade da luz no aviário, é relevante empregar medidores do tipo Gallilux, os quais consideram o espectro e a intensidade percebidos pelas aves. Caso seja necessário utilizar um medidor de luz convencional, é possível recorrer a tabelas de conversão para transformar as medidas de lux em Gallilux, seguindo as instruções fornecidas. Essa prática garante uma avaliação mais precisa da iluminação no contexto visual específico das aves (ROSS, 2018).

Ainda de acordo com Ross (2018), a análise comparativa de diversos comprimentos de onda da luz monocromática, mantendo uma intensidade equivalente, revela uma aparente taxa de crescimento superior em frangos de corte expostos a comprimentos de onda na faixa de 415-560 nm (do violeta ao verde), em comparação com aqueles expostos a > 635 nm (vermelho) ou a luz de amplo espectro (branco).

Diversos tipos de lâmpadas podem ser empregados em programas de luz em frangos de corte, sendo as mais comuns as incandescentes, fluorescentes ou de LED (diodo emissor de luz). As lâmpadas incandescentes proporcionam uma ampla faixa espectral, mas possuem eficiência energética limitada. Em contrapartida, as lâmpadas fluorescentes apresentam maior eficiência, embora sua intensidade diminua ao longo do tempo, resultando em vida útil relativamente curta. Para minimizar a tremulação/cintilação, a frequência das luzes fluorescentes deve ser mantida tão alta quanto possível. Já as lâmpadas de LED apresentam maior eficácia e permitem a escolha de cores específicas. Apesar do custo inicial elevado, essas lâmpadas possuem vida útil significativamente mais longa (ROSS, 2018).

Em aviários com condições ambientais controladas, produtores têm empregado dispositivos de controle de intensidade luminosa, conhecidos como dimmers, para ajustar a iluminância de maneira regular e em breves intervalos durante o período de criação dos frangos. Essa prática consiste em regular a atividade das aves, visando a mitigação de problemas ósseos e o estímulo do sistema cardiovascular, conforme indicado por Lewis e Morris (2006).

 

  1. Considerações finais

 

Estudos e pesquisas abordados neste artigo reforçam a importância do programa de luz na criação de frangos de corte, evidenciando sua influência direta sobre diversos aspectos zootécnicos e comportamentais das aves. A manipulação cuidadosa dos parâmetros luminosos, como fotoperíodo e intensidade da luz, emerge como uma prática essencial para otimizar o desempenho produtivo, o bem-estar animal e, por conseguinte, a eficiência econômica da produção avícola. A compreensão aprofundada das interações entre o programa de luz e as respostas fisiológicas das aves proporciona uma base sólida para estratégias de manejo mais refinadas e adaptáveis às condições específicas de criação. Ademais, percebe-se a necessidade contínua de pesquisas aprofundadas e abordagens inovadoras no campo, visando à maximização dos benefícios proporcionados pela adequada gestão da iluminação na avicultura de corte.

 

Conflitos de interesse

 

Não houve conflito de interesses dos autores.

 

Contribuição dos autores

 

Fábio Aurélio Moreira – seleção dos artigos, leitura e interpretação das obras, escrita e correções; Gabriely Amaro de Oliveira Borges –  escrita e correções; Gabriel Lopes Tamiozo – escrita e correções; Simara Márcia Marcato‎ – orientação e correção final.

 

Referências bibliográficas

 

ABPA. Associação Brasileira de Proteína Animal. Relatório Anual 2023, 2023, 75p. https://abpa-br.org/abpa-relatorio-anual/

ACUÑA-CASTROVIEJO, D.; CRESPO, E.; MARTIN, M. et al. Melatonin as a cell neuroprotector: experimental  and  clinical  studies. Journal  Physiology Biochemical, v. 53, n. 1, p. 54, 1997.

ALBINO, J. J.; BASSI, L. J. Bicagem e canibalismo em frangas e galinha de postura. Concórdia: Embrapa Suínos e Aves, 2005, 2p.

ARAÚJO, W. A. Z.; ALBINO, L. F. T.; TAVERNARI, F. C.; GODOY, M. J. S. Programa de luz na avicultura de postura. Revista CFMV, ano XVII, n. 52, p. 58-65, 2011. https://www.cfmv.gov.br/revista-cfmv-edicao-52-2011/comunicacao/revista-cfmv/2018/10/30/

AVIAGEN. Manejo da Fase de Crescimento – Frango de Corte. Newsletter, 2012. https://aviagen.com/assets/Tech_Center/BB_Foreign_Language_Docs/Portuguese/Manejo-da-Fase-de-Crescimento-Frango-de-Corte.pdf

COBB. Manual de Manejo de Frango de Corte. Cobb-Vantress, 2019, 105p. https://www.cobb-vantress.com/assets/Cobb-Files/Broiler-Guide-2019.pdf

DEEP, A.; SCHWEAN-LARDNER, K.; CROWE, T. G.; FANCHER, B. I.; CLASSEN, H. L. Effect of light intensity on broiler production, processing characteristics, and welfare. Poultry Science, v. 89, n. 11, p. 2326-2333, 2010. https://doi.org/10.3382/ps.2010-00964

IBGE. Instituto Brasileira de Geografia e Estatística. Cresce o abate de bovinos, frangos e suínos no 1º trimestre de 2023. https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/37070-cresce-o-abate-de-bovinos-frangos-e-suinos-no-1-tri-de-2023

KAWAUCHI, I. M.; SAKOMURA, N. K.; BARBOSA, N. A. A.; AGUILAR, C. A. L.; MARCATO, S. M.; BONATO, M. A.; FERNANDES, J. B. K. Efeito de programas de luz sobre o desempenho e rendimento de carcaça, cortes comerciais e vísceras comestíveis de frangos de corte. Ars Veterinária, v. 24, n. 1, 59-65, 2008. https://doi.org/10.15361/2175-0106.2008v24n1p59-65

KRISTENSEN, H. H.; PRESCOTT, N. B.; PERRY, G. C.; LADEWIG, J.; ERSBOLL, A. K.; OVERVAD, K. C.; WATHES, C. M. The behaviour of broiler chickens in different light sources and illuminances. Applied Animal Behaviour Science, v. 103, n. 1/2,  p. 75-89, 2007. https://doi.org/10.1016/j.applanim.2006.04.017

LARDNER, K. S.; CLASSEN, H. Programa de luz para frangos de corte. Aviagen, 2010. https://eu.aviagen.com/assets/Tech_Center/BB_Foreign_Language_Docs/Portuguese/Iluminao-para-Frangos-de-Corte-Verso-Final.pdf

LEWIS, P.; MORRIS, T. Poultry Lighting – the Theory and Practice. United Kingdom: Northcot, 2006, 168p.

LUDTKE, C. B.; CIOCCA, J. R. P.; DANDIN, T.; BARBALHO, P. C.; VILELA, J. A. Abate humanitário de aves. Melhorando o bem-estar animal no abate. Rio de Janeiro: Sociedade Mundial de Proteção Animal – WSPA, 2010, 120p. https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/producao-animal/arquivos-publicacoes-bem-estar-animal/programa-steps-abate-humanitario-de-aves.pdf

MENDES, A. S.; REFFATI, R.; RESTELATTO, R.; PAIXÃO, S. J. Visão e iluminação na avicultura Moderna. Revista Brasileira de Agrociência, v. 16, n. 1-4, p. 5-13, 2010. https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/CAST/article/view/2001

MOBARKEY, N.; AVITAL, N.; HEIBLUM, R.; ROZENBOIM, I. The role of retinal and extra-retinal photostimulation in reproductive activity in broiler breeder hens. Domestic Animal Endocrinology, v. 38, n. 4, p. 235-243, 2010. https://doi.org/10.1016/j.domaniend.2009.11.002

MORAES, D. T.; LARA, L. J. C.; BAIÃO, N. C.; CANÇADO, S. V.; GONZALEZ, M. L.; AGUILAR, C. A. L.; LANA, A. M Q. Efeitos dos programas de luz sobre desempenho, rendimento de carcaça e resposta imunológica em frangos de corte. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 60, n. 1, p. 201-208, 2008. https://doi.org/10.1590/S0102-09352008000100028

MORAES, D. T. Efeitos dos programas de luz sobre o desempenho, rendimento de abate, aspectos econômicos e resposta imunológica em frangos de corte. 51p. Dissertação (Mestrado) – Escola de Veterinária, Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006. https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/31922

NASCIMENTO, V. M.; ABREU, P. G.; COLDEBELLA, A.; PAIVA, D. P.; JAENISCH, F. R. F. Influência da cortina e do programa de luz no desempenho produtivo de frangos de corte e no consumo de energia elétrica. Concórdia: Embrapa Suínos e Aves. Comunicado Técnico, 437, 2006, 4p. https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/443722/influencia-da-cortina-e-do-programa-de-luz-no-desempenho-produtivo-de-frangos-de-corte-e-no-consumo-de-energia-eletrica

OLIVEIRA, L. G.; FREITAS, D. C.; BATALHA, M. O.; ALCÂNTARA, R. L. C. Gerenciamento de riscos na cadeia agroindustrial de frango: análise da perspectiva dos avicultores em Ubá, Minas Gerais. Revista Produção Online, v. 15, n. 4, p. 1305-1325, 2015. https://doi.org/10.14488/1676-1901.v15i4.1908

PECHE, G. A. A visão e o ambiente dos frangos de corte. Avinews, 2017. https://avinews.com/pt-br/visao-ambiente-frangos-corte/

PRESCOTT, N. B.; WATHES, C. M. Light, Poultry And Vision. In: 6th International Symposium in Livestock Environment, 2001, Louisville, Proceedings… ASAE Publication Number 701P, 2001.

RECK, A. B.; SCHULTZ, G. Aplicação da metodologia multicritério de apoio à decisão no relacionamento interorganizacional na cadeia da avicultura de corte. Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 54, n. 4, p. 709-728, 2016. https://doi.org/10.1590/1234-56781806-94790540407

ROCHA, D. C. C. Características comportamentais de emas em cativeiro submetidas a diferentes fotoperíodos e relações macho:fêmea. 392p. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2008. https://www.locus.ufv.br/handle/123456789/1694

ROSS. Manual de Manejo de Frangos de Corte. Ross an Aviagen Brand,  2018, 147p. https://pt.aviagen.com/assets/Tech_Center/BB_Foreign_Language_Docs/Portuguese/Ross-BroilerHandbook2018-PT.pdf

RUTZ, F.; BERMUDEZ, V. L. Fundamentos de um programa de luz para frangos de corte. In: MENDES, A. A.; NAAS, I. A.; MACARI, M. (Eds.). Produção de Frangos de Corte. Campinas: FACTA, p. 157-168, 2004.

UBABEF. União Brasileira de Avicultura. Relatório anual UBABEF: produção de ovos de consumo Brasil. 2013.

 

 

Recebido em 27 de dezembro de 2023

Retornado para ajustes em 26 de janeiro de 2024

Recebido com ajustes em 26 de janeiro de 2024

Aceito em 30 de janeiro de 2024

Sair da versão mobile