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Diversidade parasitária em aves domésticas e silvestres em reabilitação

Revista Agrária Acadêmica

agrariacad.com

doi: 10.32406/v7n6/2024/30-38/agrariacad

 

Diversidade parasitária em aves domésticas e silvestres em reabilitação.

Parasitic diversity in domestic and wild birds undergoing rehabilitation.

 

Sandra Márcia Tietz Marques 1, Gabriela Caetano Bitencourte2

 

1- M. V. – Departamento de Patologia Clínica Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre/RS. E-mail: santietz@gmail.com
2- Discente – Faculdade de Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre/RS. E-mail: bitencourtegabi@gmail.com

 

Resumo

 

Este estudo relata a diversidade parasitária em aves domésticas e silvestres através de exames de fezes. Um total de 224 aves (17 Ordens e 59 espécies) estava sob cuidados clínicos no Núcleo de Reabilitação e Conservação de Animais Silvestres da Faculdade de Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil, nos anos de 2018, 2019, 2022 e 2023. As fezes foram processadas pelas técnicas de Willis-Mollay e de Lutz. A prevalência geral foi 34,8% (78/224). Os ovos de parasitos encontrados nos exames parasitológicos pertencem a: Capillaria (36%=28/78), Isospora spp. (35%=27/78), Ascaridia (10,2%=8/78), Eimeria (8%=6/78), Trichostrongylus (5,2%=4/78), Anisakis spp. em pinguim rei (2,6%=2/78), Strongyloides (1,3%=1/78), Trematódeo (1,3%=1/78) e Raillietina (1,3%1/78) em Pavo cristatus. A rotina na coleta de fezes é relevante para a identificação da fauna parasitária de aves silvestres. Os resultados obtidos podem ser usados no estabelecimento de programas de proteção à saúde de espécies de aves ameaçadas de extinção.

Palavras-chave: Aves silvestres. Eimeria spp. Capillaria spp. Ascaridia spp. Exame parasitológico.

 

 

Abstract

 

This study reports parasite diversity in domestic and wild birds through fecal examinations. A total of 224 birds (17 Orders and 59 species) were under clinical care at the Center for Rehabilitation and Conservation of Wild Animals at the Veterinary Faculty of the Federal University of Rio Grande do Sul, Brazil, in the years 2018, 2019, 2022 and 2023. The feces were processed using the Willis-Mollay and Lutz techniques. The overall prevalence was 34.8% (78/224). The parasite eggs found in parasitological examinations belong to: Capillaria (36%=28/78), Isospora spp. (35%=27/78), Ascaridia (10.2%=8/78), Eimeria (8%=6/78), Trichostrongylus (5.2%=4/78), Anisakis spp. in king penguin (2.6%=2/78), Strongyloides (1.3%=1/78), Trematode (1.3%=1/78) and Raillietina (1.3%1/78) in Pavo cristatus. The routine collection of feces is relevant for identifying the parasitic fauna of wild birds. The results obtained can be used to establish health protection programs for endangered bird species.

Keywords: Wild birds. Eimeria spp. Capillaria spp. Ascaridia spp. Parasitological exams.

 

 

Introdução

 

Aves silvestres são hospedeiras de uma grande variedade de parasitos, que atuam como agentes primários de enfermidades, com manifestações clínicas graves e até óbito, ou se apresentam como oportunistas para animais debilitados ou estressados. O estresse é um fator influenciador porque atua como imunossupressor e pode transformar um parasitismo natural em uma infecção com sinais clínicos e o diagnóstico possibilita avaliar o potencial de animais silvestres como propagadores de doenças infecciosas e as alterações da dinâmica dentro das populações silvestres em decorrência da sua prevalência (GODOY; CUBAS, 2011). Em relação ao indivíduo, a determinação do estado parasitológico revela-se fundamental quando um animal chega a um centro de tratamento e de reabilitação, especialmente animais caquéticos, com sinais gastrintestinais ou emergências.

A fauna parasitária é diversificada devido à grande quantidade de ordens e espécies de aves (YOSHINO et al., 2009; HANNON et al., 2016; LIMA et al., 2017; MARQUES et al., 2018; MELO et al., 2021), entretanto, ascaridiose, capilariose e coccidiose são as afecções parasitárias mais diagnosticadas em aves silvestres e exóticas, responsáveis por diarreia, perda de peso e, com frequência, morte (ILIĆ et al., 2018; TAMARA et al., 2019). A capilariose é a de maior interesse sanitário na medicina de aves, pois é prevalente em Psitacídeos, Passeriformes, Columbiformes, Galliformes e aves rapinantes (ILIĆ et al., 2018; GURGEL et al., 2021; MELO et al., 2021; RZAD et al., 2021). Portanto, a identificação de parasitos para controlar as doenças em aves reforça a necessidade de estudos parasitológicos, importante para entender a dinâmica e a potencial transmissão para outros animais e seres humanos (PAPINI et al., 2012).

A rotina na inclusão de exames para a identificação da fauna parasitária fornece subsídios à equipe clínica do Núcleo de Reabilitação e Conservação de Animais Silvestres (Preservas) na tomada de decisão quanto à inclusão do tratamento parasitário, auxiliando na rápida recuperação das aves quando da presença de patologias concorrentes. O presente trabalho objetivou conhecer a diversidade parasitária, através de exames de fezes de aves domésticas e silvestres atendidas sob cuidados clínicos no Preservas nos anos de 2018, 2019, 2022 e 2023.

 

Material e métodos

 

Local do alojamento das aves

 

O Núcleo de Conservação e Reabilitação de Animais Silvestres (Preservas) do Hospital de Clínicas Veterinárias (HCV) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) realiza atendimento a animais de vida livre, principalmente vítimas de ações antrópicas, além de pets não-convencionais, como aves, roedores e lagomorfos. Os animais de vida livre são oriundos de resgates realizados por populares, pela prefeitura da cidade de Porto Alegre e prefeituras de municípios vizinhos, e Comando Ambiental da Brigada Militar do estado do Rio Grande do Sul (CABM-RS), ou de parcerias com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA-RS) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

As aves são fichadas e cadastradas no setor de recebimento de pacientes do Hospital antes da avaliação clínica e procedimentos especializados são realizados no Preservas. Cada animal é alojado separadamente em gaiola ou viveiro.

 

Exames parasitológicos

 

Foram enviadas ao Laboratório de Helmintoses da UFRGS amostras fecais de 224 espécimes de aves silvestres de vida livre, de cativeiro e aves domésticas, recebidas no Núcleo de Reabilitação e Conservação de Animais Silvestres para atendimento clínico, nos anos de 2018, 2019, 2022 e 2023.  A tabela 1 apresenta a lista de 59 espécies de aves de 17 ordens e o total de amostras fecais enviadas para exames coproparasitológicos no Laboratório de Helmintoses Favet/UFRGS, Porto Alegre, em 2018, 2019, 2022 e 2023.

 

Tabela 1 – Relação quantitativa de amostras fecais de aves (espécies e ordens) sob cuidados do Preservas e processadas no Laboratório de Helmintoses da FAVET/UFRGS, nos anos de 2018, 2019, 2022 e 2023.
ORDEM
ESPÉCIE
NOME COMUM
N
Accipitriformes
Harpagus diodon
Rupornis magnirstis
Gavião-bombachinha
Gavião-carijó
2
3
Anseriformes
Spatula versicolor
Marreca-cricri
1
Cathartiformes
Coragyps atratus
Urubu-preto
1
Charadriiformes
Vanellus chilensis
Larus dominicanus
Quero-quero
Gaivotão
2
1
Columbiformes
Columbia picui
Zenaida auriculata
Rolinha-picuí
Pomba-de-bando
1
7
Cuculiformes
Coccyzus melacoryphus
Crotophaga ani
Piaya cayana
Papa-lagarta-acanelado
Anu-preto
Alma-de-gato
3
2
1
Caprimulgiforme
Nyctidromus albicollis
Bacurau
1
Falconiformes
Caracara plancus
Falco sparverius
Micrastur semitorquatus
Milvago chimachima
Carcará
Quiri-quiri
Falcão-relógio
Gavião-carrapateiro
10
1
2
1
Galliformes
Gallus gallus
Melegaris gallopavo
Ortalis guttata
Pavo cristatus
Penelope purpurascens
Phasianus colchicus
Galo doméstico
Peru-selvagem
Aracuã
Pavão-azul
Jacu-de-penacho
Faisão-de-coleira
18
1
2
2
1
8
Gruiformes
Aramides saracura
Aramus guarauna
Porphyrio Martinica
Saracura-do-brejo
Carão
Frango d’água
2
1
1
Passeriformes
Cyanocorax caeruleus
Cyanocompsa brissonii
Molothrus bonariensis
Pitangus sulphuratus
Saltator similis
Serinus canaria
Thraupis sayaca
Turdus rufiventris
Paroaria coronata
Pygochelidon melanoleuca
Gubernatrix cristata
Passer domesticus
Gralha-azul
Azulão
Chupim
Bem-te-vi
Trinca-ferro-verdadeiro
Canário-belga
Sanhaço cinzento
Sabiá-laranjeira
Cardeal
Andorinha-de-coleira
Cardeal amarelo
Pardal
3
1
2
7
2
8
2
3
7
1
6
1
Pelecaniformes
Bubulcus íbis
Theristicus caudatus
Plegadis chihi
Garça-vaqueira
Curicaca
Caraúna
4
2
1
Piciformes
Colaptes campestris
Ramphastos dicolorus
Pica-pau-do-campo
Tucano-do-bico-verde
2
8
Psitaciformes
Amazona aestiva
Amazona pretrei
Ara ararauna
Melopsittacus undulatus
Myiopsitta monachus
Nymphicus hollandicus
Psittacula krameri
Psephotus haematonotus
Brotogeris chiriri
Papagaio-verdadeiro
Papagaio-charão
Arara-canindé
Periquito-australiano
Caturrita
Calopsita
Periquito-de-colar
Periquito-dorso-vermelho
Periquito-de-encontro-amarelo
13
3
3
2
14
12
1
2
1
Sphenisciformes
Aptenodytes patagonicus
Pinguim-rei
2
Strigiformes
Asio clamator
Athene cunicularia
Bubo virginianus
Strix hylophila
Strix virgata
Tyto alba
Coruja-orelhuda
Coruja-buraqueira
Jacurutu
Coruja listrada
Coruja-do-mato-neotropical
Coruja-das-torres
1
3
3
1
19
1
Suliformes
Nannpterum brasilianum
Biguá
8
TOTAL
 
 
224

 

As fezes foram coletadas do piso da gaiola/viveiro imediatamente após a observação da defecação da ave ou recolhidos das bases das gaiolas por estagiários e residentes, encaminhadas ao laboratório e examinadas por demanda, de imediato ou mantidas sob refrigeração (4°C – 10°C) por até 12 horas do recebimento.

As amostras foram submetidas às técnicas de Willis-Mollay (princípio da flutuação com solução de cloreto de sódio, densidade 1,20) e de Lutz (princípio da sedimentação espontânea com água), conforme Taylor et al. (2017). Fezes positivas para a presença de oocistos foram colocadas em placas de Petri contendo 2,5% de dicromato de potássio na proporção de uma parte de fezes para cinco da solução e mantidas em temperatura ambiente por até sete dias para permitir a esporulação e diferenciação entre os gêneros Isospora e Eimeria (DOLNIK, 2006). A identificação de oocistos foi estabelecida com base em dados morfométricos previamente descritos (VASCONCELOS et al., 2013; BERTO et al., 2014). A prevalência percentual foi determinada calculando o número de amostras positivas multiplicada por 100 e divididas pelo número total de amostras. Este estudo foi realizado com aprovação do Comitê de Ética no Uso de Animais (CEUA/34703).

 

Resultados e discussão

 

A prevalência geral foi de 34,8% (78/224) de exames fecais positivos para helminto ou protozoário diagnosticados de aves silvestres e domésticas. A tabela 2 apresenta os resultados por gênero parasitário. 

 

Tabela 2 – Parasitos gastrointestinais detectados em amostras fecais de aves recebidas pelo Hospital de Clínicas Veterinárias da UFRGS/RS, nos anos de 2018, 2019, 2022 e 2023.
PARASITO                   
AVE
N
Anisakis spp.
Pinguim rei*
2
Ascarídae 
 
 
 
 
Biguá
Faisão-de-coleira
Pavão**
Trinca-ferro
Galo/galinha
2
2
1
1
1+1**
Capillaria spp.
Bem-te-vi
Biguá
Carão
Carcará
Coruja-buraqueira
Faisão-de-coleira
Gaivota
Galo/galinha
Papagaio-charão
Pavão
Sabiá-laranjeira
Caraúna
4
4
1
3
1
6
1
2
1
2
2
1
Eimeria spp.
Galo/galinha
Pavão
5
1
Isospora spp
Azulão
Canário
Carão
Cardeal-amarelo
Coruja-da-torre
Coruja listrada
Faisão
Garça vaqueira
Gavião-bombachinha
Sanhaço
Sanhaço-cinzento
Tucano-do-bico-verde
Canário-belga
1
1
1
7
1
2
4
1
1
2
1
1
4
Raillietina spp.
Pavão***
1
Strongyloides spp.
Galo/galinha
1
Trematódeo
Jacurutu
1
Trichostrongylus
Biguá
Coruja-buraqueira
3
1
Total
 
78 (34,8%)
* necropsia; ** Capillaria spp. + Ascaridia spp.; *** Capillaria spp. + Raillietina spp.

 

De 224 aves recebidas para atendimento, 78 apresentaram ao menos um gênero parasitário. O diagnóstico de rotina é imprescindível para a avaliação da saúde dos animais, colaborando com a redução de óbitos e a transmissão de zoonoses. Entretanto, são poucos os trabalhos focados em diagnóstico parasitológico de rotina. O setor de recebimento de animais silvestres em conjunto com o laboratório de diagnóstico parasitológico, trabalha com protocolo de exames de fezes na detecção de infecções que orientam o tratamento em aves domésticas e silvestres. Esta checagem permite melhor controle sanitário das aves e dos locais de alojamento, que é estimulado pela rapidez e baixo custo dos exames parasitológicos. 

A transmissão entre espécies é possível em ambientes de cuidados gerenciados, onde a mistura de diversas espécies de aves aumenta o risco de exposição a parasitos não adaptados ao hospedeiro quando os cuidados higiênico-sanitários não são monitorados e em ambientes de circulação de muitas pessoas, como em ambientes universitários. Comparado com ambientes naturais, isso oferece maiores oportunidades para “salto de espécie” ou transmissão oportunista esporádica entre espécies, bem como “troca de hospedeiro” – relação hospedeiro-patógeno, refletindo um processo adaptativo e evolutivo (ARAUJO et al., 2015; JARAMILLO; RIVERA-PARRA, 2018). Embora as infecções possam ser acidentais, densidades populacionais mais altas e ambientes de criação que mantêm espécies mistas tornam a isosporose clínica uma preocupação devido ao potencial de estresse e altas cargas de parasitos ambientais (BARBÓN et al., 2019; OLIVEIRA et al., 2018). Isso é particularmente preocupante para espécies raras e ameaçadas de extinção, bem como aquelas criadas para soltura na natureza que podem expor populações de vida livre ameaçadas por diversos patógenos.

Este estudo mostrou a diversidade parasitária em aves domésticas e silvestres através de exames de fezes processados nos anos de 2018, 2019, 2022 e 2023.  A prevalência geral foi 34,8% (78/224) e Capillaria spp. foi o mais prevalente (36%), concordando com Freitas et al. (2002), Cubas et al. (2014) e Santos et al. (2015), seguido do protozoário Isospora spp. (35%), embora relato de Snak et al. (2014), investigando fezes de 37 espécies de aves cativas no Zoo de Cascavel (PR) foi de 55,7%, enquanto Boll et al. (2017) registraram este parasito em aves originárias de tráfico, apreendidas e locadas  no Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), na cidade de Sapucaia do Sul (RS), com prevalência de 55,6%. Marques et al. (2019) avaliaram fezes de aves provenientes do Núcleo de Reabilitação e Conservação de Animais Silvestres (Preservas) da Faculdade de Veterinária (UFRGS) e registraram prevalência  de 38,8% (80/206) e 45,8% (38/80), 40% (26/80) e 27,6% (16/80), respectivamente, em 2015, 2016 e 2017; e Carneiro et al. (2011) estudando aves exóticas (coleiros, trinca-ferros, calopsita, canário belga e azulão) no estado do Espírito Santo relataram prevalência de 38,89%, semelhante a outros estudos no Brasil, sem haver necessariamente sintomatologia clínica associada. Entretanto, Melo et al. (2013) registraram em aves cativas no estado da Paraíba a frequência de 44.3% para a presença de nematóides, cestóides e/ou acantocéfalos, sendo relatados pela primeira vez em Psittaciformes e Accipitriformes no estado da Paraíba. Melo et al. (2021) avaliaram parasitos em aves silvestres cativas no Zoológico de Goiânia e aves de vida livre em seu entorno, identificando ovos de Ascaridia spp. e Capillaria spp. Ilić et al. (2018) investigaram endoparasitos de aves em três jardins zoológico na Sérvia,  cuja presença de parasitos foi estabelecida em 51,96% (Belgrado), 46,16% (Palić) e 16,66% (Bor) das aves testadas, com presença de oocistos de coccídeos, ovos de Capillaria spp, Heterakis spp, Trichostrongylus spp, Ascaridia spp, Syngamus trachea. Carrera-Játiva et al. (2018) estudaram aves em cativeiro e em liberdade no Jardim Zoológico de Bristol (Inglaterra) e de um total de 348 amostras fecais de 32 espécies de aves foram detectados parasitos em 31% (45/145) das amostras de aves em cativeiro e em 65,5% (133/203) das amostras de aves de vida livre, incluindo Heterakis spp., capilarídeos, oxiurídeos, estrongilídeos, trematódeo e protozoários (Eimeria spp., Isospora spp., Caryospora sp. e Entamoeba spp.) e ascarídeos, cujos resultados indicam que aves em cativeiro e em liberdade podem compartilhar parasitos. Do mesmo modo as aves deste estudo mostram o caráter cosmopolita e mundial das espécies de parasitos. De acordo com os relatos citados, pode-se observar uma semelhança na prevalência de animais parasitados em comparação com o presente estudo. Quanto às espécies de parasitos encontradas neste, houve uma relevância na quantidade de achados de Capillaria spp. (35,8%) e Isospora spp. (34,6%) que também foram descritas em outros trabalhos.

 

Conclusões

 

Todos os táxons de parasitos foram relatados anteriormente na avifauna de ambientes em cativeiro e silvestres. Capillaria spp. foi o nematódeo mais frequente. A rotina na coleta de fezes é relevante para a identificação da fauna parasitária de aves silvestres. Os resultados obtidos podem ser usados no estabelecimento de programas de proteção à saúde de espécies de aves ameaçadas de extinção.

 

Conflitos de interesse

 

Não houve conflito de interesses dos autores.

 

Contribuição dos autores

 

Sandra Márcia Tietz Marques – ideia original, orientação, leitura, execução dos EPF, escrita e interpretação das obras, revisão do texto e correções; Gabriela Caetano Bitencourte – leitura de literatura, execução dos EPF, correções e na escrita do texto.

 

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Recebido em 25 de julho de 2024

Retornado para ajustes em 7 de janeiro de 2025

Recebido com ajustes em 8 de janeiro de 2025

Aceito em 13 de janeiro de 2025

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