Ícone do site Revista Agrária Acadêmica

Processo de uso e ocupação do solo e suas implicações na Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana

Revista Agrária Acadêmica

agrariacad.com

doi: 10.32406/v8n4/2025/35-48/agrariacad

 

Processo de uso e ocupação do solo e suas implicações na Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana. Land use and occupation process and its implications in the Aquidauana river basin.

 

Silvia Cananda Dau Fontes1, Jonas de Sousa Correa2, Cristiano Pereira da Silva3, Guilherme Silvério Aquino de Souza4, Patrícia Vieira Pompeu4

 

1- Discente do Curso de Engenharia Florestal, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS, Campus Aquidauana/MS – Brasil. E-mail: daucananda@gmail.com
2- Docente do Curso de Engenharias e Saúde, Centro Universitário Estácio de Campo Grande, Campus Campo Grande/MS – Brasil. E-mail: jonas.scorrea@professores.estacio.br
3- Docente do Centro Estadual de Educação Profissional Hércules Maymone, Campus de Campo Grande/MS – Brasil. E-mail: cpsilva.cetec@gmail.com
4- Docente do Curso de Engenharia Florestal, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS, Campus Aquidauana/MS – Brasil. E-mails: guilherme.souza@uems.br, patricia.pompeu@uems.br

 

Resumo

 

O processo de antropização em bacias hidrográficas provoca significativas alterações nos aspectos paisagísticos e nos parâmetros quali-quantitativos dos corpos hídricos, afetando diretamente a disponibilidade de água nos rios. Este trabalho teve como objetivo realizar uma análise temporal do uso e ocupação do solo na Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana e área de entorno inserida na Bacia Hidrográfica do Rio Miranda. Foram analisados os efeitos do uso antrópico e da cobertura do solo no entorno do rio Aquidauana, principal corpo hídrico em foco nesse estudo. A Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana se origina em São Gabriel do Oeste/MS e deságua no rio Miranda, que por sua vez se conecta ao rio Paraguai, abrangendo os municípios de Anastácio e Aquidauana/MS. A metodologia incluiu uma análise temporal de dados de precipitação, cota do rio, histórico de inundações e temperatura, visando verificar os possíveis impactos ao longo da bacia. Dentre os resultados obtidos, verificou-se que, ao longo do período analisado, ocorreram substituições das áreas de vegetação nativa de mata ciliar por atividades e práticas agropecuárias. As análises de precipitação e cota indicaram a ocorrência de períodos de enchentes, contribuindo para as alterações no entorno do rio Aquidauana. Além disso, foi observado um aumento significativo da temperatura média dentro da bacia hidrográfica. Caracteriza-se de suma importância manter atualizados esses tipos de dados para auxiliar futuras políticas públicas e tomadas de decisão, visando uma melhor organização do espaço dentro da Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana.

Palavras-chave: Corpos hídricos. Fitofisionomia. Antropização.

 

 

Abstract

 

The process of human intervention in hydrographic basins significantly alters landscape aspects and the qualitative-quantitative parameters of water bodies, directly impacting water availability in rivers. This study aimed to conduct a temporal analysis of land use and land cover in the Aquidauana River hydrographic basin and the surrounding area within the Miranda River Basin. The effects of anthropogenic land use and cover on the surrounding of the Aquidauana River, the main water body in focus in this study, were analyzed. The study area is delimited by the Aquidauana River basin, which originates in São Gabriel do Oeste/MS and flows into the Miranda River, which in turn connects to the Paraguay River, covering the municipalities of Anastácio and Aquidauana/MS. The methodology included a temporal analysis of precipitation data, river gauge height, flood history, and temperature, to verify potential impacts throughout the studied basin. Among the results obtained, it was found that, throughout the analyzed period, there was a replacement of native riparian forest areas with agricultural and livestock activities. Analyses of precipitation and gauge height indicated the occurrence of flood periods, contributing to the changes around the Aquidauana River. Furthermore, a significant increase in the average temperature within the hydrographic basin was observed. In conclusion, it is of utmost importance to keep these types of data updated to assist future public policies and decision-making, aiming for better spatial organization within the Aquidauana River hydrographic basin.

Keywords: Water bodies. Phytophysiognomy. Anthropization.

 

 

Introdução

 

A Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana abrange, aproximadamente, 21.369 km². Localizada nas regiões Norte e Centro-Oeste do estado de Mato Grosso do Sul, sua nascente encontra-se na Serra de Maracaju, região norte do estado, e deságua no rio Miranda, na região do Pantanal com extensão do seu principal curso hídrico de 620 km. O baixo e médio curso do rio Aquidauana estão inseridos no Pantanal Sul-mato-grossense, enquanto o alto e a outra parcela do médio curso pertencem ao domínio do Cerrado (SEPLAN-MS, 1990).

Os processos de antropização na bacia, entre eles, práticas silviculturais, agrícolas, pastagens e atividades turísticas acentuam-se temporalmente. Na região dos municípios de (Aquidauana e Anastácio) / MS, o leito do rio se caracteriza como rio de planície devido à declividade do terreno até sua afluência para o rio Miranda, influenciando na velocidade do corpo hídrico, acarretando susceptibilidade nos processos de inundações em períodos chuvosos (FERNANDES; ANUNCIAÇÃO, 2014; ANDRADE et al., 2020).

Os impactos nas mudanças das paisagens são decorrentes dos grandes processos de modificação das áreas naturais por outros usos do solo, bem como a desintegração das áreas com cobertura florestal através das ações antrópicas (MATSUSHITA et al., 2006; PEREIRA et al., 2023).

O relevo e a forma de como ele é utilizado e ocupado pelas ações humanas são fatores que mais contribuem para o desenvolvimento de impactos ambientais, alterações paisagísticas e inundações. Como apontado no CEPED (2012), “As áreas de mata ciliar em torno dos rios e as planícies de inundação são locais que periodicamente são atingidos pelo transbordamento dos cursos de água, fazendo parte da dinâmica natural dos rios”.

Além disso, a precipitação também é um fator influenciador dos eventos hidrológicos. Ter conhecimento das condições climáticas e geomorfológicas da região é de extrema importância para o entendimento das inundações.

Para mitigar os desafios e promover o sucesso das políticas públicas de gestão sustentável, o monitoramento das mudanças ambientais é crucial. A maneira mais eficaz de realizar esse acompanhamento é por meio do sensoriamento remoto multitemporal, que fornece dados relevantes sobre os aspectos ambientais (LOPES et al., 2010; DIAS; FIGUEIRÔ, 2020).

A cobertura vegetal é um dos fatores mais importantes na ocorrência de inundações em bacias hidrográficas. De acordo com Tucci (2004), ela é fundamental para a retenção de água no solo e o aumento da infiltração, o que reduz o volume e a velocidade do escoamento superficial e, consequentemente, minimiza a erosão do solo. No entanto, Vieira, Guedes e Scarano (2025) alertam para a alarmante taxa de supressão e queimada de matas nativas para práticas agropecuárias extensivas, especialmente na região norte do Brasil, o que agrava esse cenário.

A bacia do rio Aquidauana possui uma compartimentação geomorfológica que atravessa duas áreas: áreas de planície (planície Pantaneira) e áreas de planalto (serra de Maracaju), e, envolve uma área de grande diversidade e sociodiversidade (SEPLAN-MS, 1990; POLVERE, 2022).

Com o propósito de contribuir para os estudos de uso e ocupação do solo e seus efeitos sobre a bacia, o presente trabalho analisou temporalmente o uso e a ocupação do solo na Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana e sua área de entorno inserida na Bacia Hidrográfica do Rio Miranda.

 

Material e métodos

 

Área de estudo

 

A área utilizada para o estudo da análise ambiental abrange toda a área da Bacia Hidrográfica em que o Rio Aquidauana está inserido, que corresponde à Bacia Hidrográfica do Rio Miranda. Para fins deste trabalho, essa área será denominada de Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana, por ser o foco desse estudo. Trata-se de um afluente do Rio Paraguai,  localizado na região Centro-Oeste do Estado de Mato Grosso do Sul (Figura 1).

 

Figura 1 – Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana e área de entorno da Bacia do Rio Miranda, localização geográfica da área de estudo e divisão dos munícipios. Fonte: elaborado pela autora.

 

Coleta de dados

 

A coleta de dados para a análise ambiental foi realizada através do “website” do Mapbiomas, por onde foram baixadas imagens de cobertura e uso do solo da coleção 6.0 em uma série temporal no período de 1985 a 2020 com um intervalo a cada cinco anos. As classificações de uso e cobertura do solo referente à coleção, são baseadas em mosaicos Landsat gerados em cartas IBGE 1:250.000 para cada ano, incluindo até 102 bandas e índices por pixel, contendo métricas temporais e frações do modelo espectral de mistura, onde cada mosaico é feito pela inclusão espacial das diferentes cenas Landsat que estão existentes em cada carta e pela inclusão temporal pixel a pixel, no intuito de melhorar os resultados da classificação (MAPBIOMAS, 2019).

Para os dados de precipitação e nível de água existentes na Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana foram coletados dados do portal HidroWeb (Tabela 1).

Os dados de precipitação e nível do rio Aquidauana foram analisados através de elaboração de histórico dos dados disponibilizados pela HidroWeb, coletados pela estação de monitoramento da Agência Nacional de Águas (ANA). A elaboração do histórico foi efetuada a partir do sistema de informação hidrológica versão 1.3.0.005, este atua para organizar os dados para melhor visualização, possibilitando identificar quais foram os excessos pluviométricos, bem como quais foram os níveis de rio (cota) que caracterizaram inundações nos municípios.

 

Tabela 1 – Relação das estações pluviométricas e fluviométricas (Aquidauana/MS). Fonte: elaborado pela autora.
Nome Estação
Código
Latitude
Longitude
Responsável
Aquidauana
66945000
-20.4783
-55.8014
ANA
São Jerônimo
1755004
-17.1667
-55.9833
ANA
Iguaçu
1955000
-19.9447
-55.7944
ANA
Entre Rios
1956003
-19.6967
-56.2828
ANA
São Sebastião
01956008
-19.3592
-56.4092
ANA
Centro
02055000
-20.4567
-55.6714
INMET
Cipolândia
02055001
-20.1278
-55.3933
ANA
Taboco
02055004
-20.0703
-55.6453
ANA

 

Também foi realizada, a coleta do histórico de temperatura no Instituto Nacional de Meteorologia (INMET, 2020), no período compreendido entre 1931 a 2020. A estação usada foi a de Campo Grande/MS: Código – 83611, com latitude -20.447252 e longitude -54.722641.

 

Análise de dados

 

Para a análise do uso e cobertura do solo desta bacia hidrográfica foram adquiridas as imagens em raster da coleção 6.0 do Mapbiomas, com paleta contendo referências para os códigos de legenda. As análises e processamento de dados foram efetuados em ambiente SIG usando “software” livre QGIS versão 3.16.4 with GRASS 7.8.5. As imagens foram utilizadas para compor uma série temporal com o intervalo a cada cinco anos compreendendo o período de 1985 a 2020, nesse intervalo foram observadas e analisadas as seguintes classes: Floresta, Formação Natural Não Florestal, Agropecuária, Área Antropizada e Corpos d’Água.

A adequabilidade ambiental no Código Florestal também foi analisada a partir da criação de um buffer ao longo de toda a extensão do Rio Aquidauana. O buffer é um procedimento realizado através da plataforma QGIS que possibilita a delimitação de áreas de preservação. Desse modo foi possível analisar a concordância com o Art. 4 do Código Florestal Lei 12.651/2012 que trata a respeito das delimitações das Áreas de Preservação Permanente (APP).

 

Resultados e discussão

 

As classes que obtiveram diminuição entre os anos de 1985 para 2020 foram floresta e corpos d’água. De acordo com a Tabela 2, as classes que obtiveram maior aumento em suas áreas são: Formação natural não florestal, Agropecuária e Área antropizada. Resultados em consonância observados por Silva (1999), IBGE (2018) e Polvere (2022), onde destacam as atividades como agropecuárias como a principal fonte econômica nas regiões do entorno da Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana, como a pecuária de corte e leite (1999 até 2018) e Silvicultura (2020). Pastagem com manejo, apresentaram interferências antrópicas de alta intensidade. Essa classe ocupa a maior parte da bacia e ratifica a principal atividade econômica da região.

 

Tabela 2 – Apresentação das classes com os valores em porcentagem de acordo com os seus respectivos anos.
Mudança do uso e ocupação do solo na Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana (%)
Classes
1985
1990
1995
2000
2005
2010
2015
2020
Floresta
44,78
42,55
39,00
36,84
34,52
34,19
33,68
32,64
Formação natural não florestal
10,02
9,77
10,20
10,27
10,23
10,21
10,30
10,29
Agropecuário
43,53
46,21
49,71
52,23
54,63
54,96
55,42
56,48
Área antropizada
0,22
0,20
0,21
0,22
0,22
0,22
0,24
0,27
Corpos d’água
1,45
1,28
0,87
0,44
0,40
0,41
0,36
0,33

 

Conforme Rodrigues e Leite (2018) e Polvere (2022), a remoção da vegetação nativa, principalmente das matas ciliares, próximo das margens do rio Aquidauana, para a inserção de pastagens, prejudica a infiltração da água no solo, além de que a utilização dessas pelo gado, promovem compactação do solo e facilitam caminhos preferenciais para o escoamento superficial, aumentando o risco de erosão. Segundo os mesmos autores, áreas agrícolas, também contribuem para alterar a fitofisionomia do local, sendo áreas cultivadas para os plantios temporários e permanentes de lavouras, utilizadas para produção de alimentos, fibras, combustíveis e outras matérias-primas.

É uma classe que ocupa uma significativa porcentagem na região, com avanço da Silvicultura, principalmente na região sudeste e nordeste do estado, que são grandes polos de produção de grãos e agora madeira do estado de Mato Grosso do Sul. Comprovando isso, Jóia e Anunciação (2013) e Jóia et al. (2018), descreveram que as áreas de predomínio de monoculturas de soja, de cana-de-açúcar e de eucalipto tiveram crescimento em área principalmente no médio e alto curso do rio Aquidauana.

Observa-se que o ano de 1985 a classe de floresta era a que apresentava maior porcentagem na bacia hidrográfica delimitada, apresentando um valor de 44,78%. Porém, em 35 anos diminui para 32,64% da área total da bacia, principalmente devido ao aumento da classe agropecuária, registrando 43,53% em 1985 para 56,48% em 2020, e aumento da classe de área antropizada que subiu de 0,22% em 1985 para 0,27% em 2020. Já a classe de uso formação natural não florestal subiu de 10,02 em 1985 para 10,29 em 2020.

A classe de corpos d’água diminui ao longo dos anos em 1985 esta apresentava um valor de 1,45% da bacia hidrográfica e no ano de 2020 reduziram para 0,33%. O Estado de Mato Grosso do Sul apresentou a maior perda de superfície de água, com redução de 57%, diminuindo de 1,3 milhão de hectares do ano de 1985 e apresentando somente 589 mil hectares no ano de 2020. Esse fenômeno é explicado pela transformação de floresta natural em áreas de agricultura e pecuária, que como consequência causa interferência na temperatura local, bem como, alterando as nascentes e podendo ocasionar assoreamento dos rios. a expansão urbana e da agricultura no alto curso da bacia acaba implicando em situações degradantes, como inundações periódicas e erosões, no médio e baixo curso da bacia. Destacam-se também tema relação de ligação à construção de represas com superfícies de água submetidas à perda de água por evapotranspiração para atmosfera (MAPBIOMAS, 2020).

Para Paiva et al. (2024), a supressão da vegetação natural para inserção das monoculturas, pastagens, práticas agropecuárias e até urbanização, em diversas áreas brasileiras, vem transformando a superfície terrestre (STEPHEN al., 2019; ZALLES et al., 2021), implicando em mudanças nos processos climáticos, visto que diferentes coberturas vegetais resultam na ocorrência de temperaturas superficiais do solo diferentes, causando alterações tanto em áreas urbanas como em áreas rurais (GUILHERME et al., 2020; FERREIRA et al., 2020; SOARES et al., 2022; SILVEIRA et al., 2023; PEREIRA et al., 2024).

Fenômenos como aquecimento global e mudanças climáticas regionais, associadas a estudos de bacias hidrográficas, desmatamento florestal, manejo de pastagem e atividade pecuárias, são compreendidos a partir de estudos, a exemplo daqueles que investigam a Temperatura Superficial do Solo (TSS) e sua relação com outros parâmetros, por exemplo, os tipos de usos da terra (GUILHERME et al., 2020; PEREIRA et al., 2024). Segundo Paiva et al. (2024), as bacias hidrográficas são unidades geográficas utilizadas na gestão e planejamento de corpos hídricos brasileiros, considerando que deve, para a gestão efetiva, haver integração entre todos os aspectos da paisagem, ou seja, os seus componentes físicos, biológicos e antrópicos (OMM, 1992).

Os resultados obtidos através da análise de imagens (Figura 2), é evidenciado as mudanças de uso e cobertura do solo no território da Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana e sua área de entorno, situado no Estado de Mato Grosso do Sul. Observa-se que houve um grande aumento em relação à classe agropecuária na bacia hidrográfica delimitada, e que com o passar dos anos esse aumento vem ser tornando cada vez mais notório, substituindo as áreas que eram até então ocupadas por florestas. A conversão de áreas de vegetação natural para áreas de pastagens ocorreu de forma intensa na Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana. Sendo a supressão da vegetação natural na bacia consequência do avanço das implantações de pastagens (RODRIGUES; LEITE, 2017).

Através das análises feitas pelo buffer para observar a adequabilidade no Código Florestal, pode-se observar que ainda para o ano de 2020 a 2024, há uma parcela significativa das classes de agropecuária e área antropizada inseridas nas áreas que deveriam ser áreas de preservação permanente conforme o Art. 4 do Código Florestal Lei 12.651/2012. A análise não foi comparada com os períodos anteriores, pois, foram encontradas diferenças na resolução espacial dos mapeamentos.

Em que, os períodos anteriores apresentam uma resolução espacial inferior, dificultando a análise. No entanto, para Reis et al. (2014), o pastejo do gado dificultam a regeneração de áreas florestais nativas, quando estão inseridas nas áreas de criação, sendo incipiente o entendimento de como os remanescentes respondem ao impacto do gado e de outros manejos associados. Nos estudos não foram observadas diferenças entre as estratégias de manejo da pastagem para nenhum dos indicadores avaliados no componente da regeneração florestal, na média dos dois anos e quatro períodos de avaliação. Isso mostra que a prática agropecuária deva atender as orientações prevista no Art. 4 do Código Florestal Lei 12.651/2012.

 

Figura 2 – Lapso temporal da Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana/MS e sua área de entorno entre os anos de 1985-2020. Fonte: elaborado pela autora.

 

Em relação aos dados de inundação do rio Aquidauana, de acordo com o IMASUL/GRH-MS e Defesa Civil, atualizado pelo estudo hidrológico, ao atingir 600 cm de Cota o rio Aquidauana entra em estado de alerta, e ao atingir 800 cm é classificado como estado de emergência (IMASUL, 2018).

De acordo com Polvore (2020) esses fenômenos naturais são potencializados pela intensificação da urbanização, exploração de recursos naturais e alterações ambientais. Além disso, a frequência e magnitude das inundações também dependem de vários fatores, como a intensidade da precipitação, taxa de infiltração de água no solo, características morfométricas e morfológicas da bacia de drenagem e outros diversos fatores.

Conforme a Tabela 3, foi possível catalogar o histórico de inundações nos municípios de Aquidauana e Anastácio, com seus respectivos anos, meses e cotas. Ao todo foram registradas 18 enchentes como classificação de estado de emergência. Com destaque aos anos de 2011 e 2018 em que proporcionaram enchentes extremas com 1070 e 1045 cm de cota do rio respectivamente. A vulnerabilidade ambiental decorrente de eventos climáticos extremos torna a sociedade suscetível a enchentes frequentes, e vale ressaltar que áreas antrópicas estão inseridas em APP na planície de inundações na várzea do rio Aquidauana (FERNANDES; ANUNCIAÇÃO, 2014).

 

Tabela 3 – Histórico de inundações dos munícipios de Aquidauana e Anastácio (SNIRH, 2020).
Ano
Mês
Cota (cm)
2011
Março
1070
2018
Fevereiro
1045
1997
Dezembro
988
2000
Março
982
1990
Maio
950
2013
Abril
946
2016
Janeiro
934
2001
Novembro
914
2010
Janeiro
898
1991
Março
896
2014
Dezembro
887
2006
Março
880
1989
Janeiro
839
1987
Fevereiro
836
2005
Dezembro
836
2012
Junho
832
2007
Fevereiro
824
1992
Maio
814

 

O recorte temporal da série histórica compreende um período de cinquenta e dois anos, entre janeiro de 1969 e abril de 2018, de dados diários de cota do Rio Aquidauana. Há registros de 2021 como sendo um dos eventos mais recentes. Tal período é importante pelos sucessivos registros de inundações e cheias a partir de 1970. Quando se estuda inundações, a caracterização do regime do rio é dada pelas máximas e mínimas vazões históricas, podendo assim, ter facilidade na compreensão dos índices mais elevados e as menores demandas que uma seção do rio pode ter, estabelecendo assim, dados quantitativos de médias históricas.

As médias mensais de precipitação e cota com intervalo de 20 em 20 anos (Figura 3). Comparando os períodos de 1980 a 2000 e 2000 a 2020, observa-se uma elevação nas médias mensais de chuva para a maioria dos meses, com exceção dos meses de março, abril e junho que diminuíram a concentração de chuvas como mostra no gráfico. Os episódios extremos climáticos onde ocorre uma elevação nos volumes de precipitação e temperatura se caracterizam no período sazonal de primavera, de verão e outono, eventos estes que estimulam situações climáticas anormais (SANTOS; LOUBET; ANDRADE, 2012).

 

Figura 3 – Precipitação e cota média mensal para os períodos de 1980 a 2000 e 2000 a 2020 para a Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana.

 

Observa-se que a cota do rio acompanha os valores de precipitação, aumentando no período chuvoso e diminuindo no período seco e sendo mais elevadas no período de 2000 a 2020 nos meses acompanhados pela elevação da precipitação.

Segundo Fernandes e Anunciação (2014) episódios de transbordamento do rio Aquidauana fortalece a ideia de que as estratégias de uso e ocupação da planície de inundação na margem do rio Aquidauana e dos tributários, são ocasionados por questões de impactos ambientais relacionado as ações antrópicas e se tornaram fator determinante nos processos relacionados aos desastres naturais que atingem a população estabelecida neste espaço.

Observa-se que a temperatura média se encontra em constante crescimento ao longo dos anos, apresentando uma clara diferenciação entre os períodos climáticos avaliados, fator muito importante a se considerar dentro de uma bacia, pois se trata de eventos relacionados às mudanças climáticas como representa o gráfico (Figura 4).

 

Figura 4 – Representação gráfica da série temporal de temperatura média mensal da cidade de Campo Grande/MS.

 

Diversos fatores estão correlacionados com as mudanças climáticas, dentre eles as principais manifestações de alterações são: a mudança de temperatura, precipitação, biodiversidade e umidade relativa do ar. As mudanças climáticas são responsáveis por causar impactos seja de forma direta ou indireta para a população através de vários fatores, como, por exemplo, aumento da temperatura dentre outros eventos extremos como enchentes e furacões (CONRADO et al., 2000). Em relação ao aumento da temperatura e bacias hidrográficas, Paiva et al. (2024) destacam que em regiões ou áreas com menor densidade de cobertura vegetal, como áreas de pastagem, savanas e monoculturas, ocorrem temperaturas mais altas em comparação com as classes com maior densidade de vegetação como áreas florestais estacional semi-decidual aluvial e Floresta estacional, onde são sempre verde com dossel emergente, indicando que a conservação da vegetação contribui para que as temperaturas superficiais dos solos sejam mais baixas. Isso implica diretamente na manutenção de corpos d´água, córregos, afluentes, rios e bacias hidrográficas.

Neves et al. (2014) ressaltam ainda que os usos indevidos das bacias hidrográficas e em seu entorno, podem comprometer a produtividade a longo prazo, inclusive da própria produção agropecuária. Krenak (2019) por exemplo, evidencia que na cultura ocidentalizada, comumente, as formas atuais de uso da terra são justificadas como sendo necessárias à manutenção da economia, construindo junto à população a ideia equivocada de que a manutenção dos ecossistemas esteja dissociada do desenvolvimento social.

 

Conclusão

 

Conclui-se que através das análises de dados foi possível verificar as mudanças do uso e ocupação do solo para a Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana e sua área de entorno ao longo do período analisado, ressaltando uma substituição das áreas de vegetação natural por outras classes de uso. As análises de precipitação e cota, pode-se compreender a dinâmica das enchentes, bem como quais foram às mudanças ocorridas dentro do período estudado.

Também foi possível verificar o aumento da temperatura dentro da bacia delimitada, resultado principalmente oriundo das mudanças climáticas globais. Assim, caracteriza ainda como importante manter esses dados atualizados para auxiliar políticas públicas na melhor maneira de organização do espaço dentro da Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana.

 

Conflitos de interesse

 

Não houve conflito de interesses dos autores.

 

Contribuição dos autores

 

Silvia Cananda Dau Fontes – coleta de dados, interpretação dos resultados e redação; Jonas de Sousa Correa – interpretação dos resultados e revisão do texto; Cristiano Pereira da Silva – interpretação dos resultados e revisão do texto; Guilherme Silvério Aquino de Souza – redação, revisão do texto e coorientação; Patrícia Vieira Pompeu – ideia original, orientação e correções.

 

Agradecimento

 

A Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS), unidade de Aquidauana/MS.

 

Referências bibliográficas

 

ANDRADE, B. S.; SILVA, M. H. S.; OLIVEIRA, A. K. M.; ALHO, C. J. R. Análise espaço-temporal das mudanças na cobertura vegetal e uso da terra de 1995 a 2015 no Pantanal do Abobral, Mato Grosso do Sul. Caderno Prudentino de Geografia, v. 3, n. 42, p. 101-121, 2020. Disponível em: <https://revista.fct.unesp.br/index.php/cpg/article/view/7000>. Acesso em: 17 fev 2025.

CEPED. Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres. Atlas brasileiro de desastres naturais: 1991 a 2012. 2ª ed. rev. ampl. Florianópolis: CEPED UFSC, 2013, 120p. Disponível em: <https://www.ceped.ufsc.br/wp-content/uploads/2024/08/RIODEJANEIRO_mioloWEB.pdf>. Acesso em 17 jun 2025.

CONRADO, D.; MUNHOZ, D. E. A.; SANTOS, M. C.; MELLO, R. F. L.; SILVA, V. B. Vulnerabilidades às mudanças climáticas. Rio de Janeiro: IIEB, 2000, 10p. Disponível em: <https://iieb.org.br/wp-content/uploads/2019/01/artigo_vulnerabilidades.pdf>. Acesso em: 12 dez 2024.

DIAS, N. O.; FIGUEIRÔA, C. F. B. Potencialidades do uso de geotecnologias para a gestão e planejamento de unidades de conservação. Revista de Geografia, v. 10, n. 2, p. 283-302, 2020. https://doi.org/10.34019/2236-837X.2020.v10.30000

FERNANDES, E. F. L.; ANUNCIAÇÃO, V. S. Análise ambiental no baixo curso do rio Aquidauana: organização do espaço e impactos repercutidos na planície de inundação da cidade de Aquidauana/MS. In: Congresso Brasileiro de Geógrafos, 8., 2014. Anais… Vitória, ES: AGB, 2021. Disponível em: <http://www.cbg2014.agb.org.br/resources/anais/1/1404137553_ARQUIVO_AGB_Enviado.pdf>. Acesso em: 17 fev 2025.

FERREIRA, F. L. S.; PEREIRA, E. B.; LABAKI, L. C. Fatores associados à distribuição da temperatura das superfícies em áreas urbanas: zonas climáticas locais e características espectrais. Ambiente Construído, v. 21, n. 1, p. 237-262. 2021. https://doi.org/10.1590/s1678-86212021000100504

GUILHERME, A. P.; BIUDES, M. S.; MOTA, D. S.; MUSIS, C. R. Relationship between soil cover type and surface temperature. Sociedade & Natureza, v. 32, p. 515-525, 2020. https://doi.org/10.14393/SN-v32-2020-47462

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Monitoramento da Cobertura e Uso da Terra. 2018. Disponível em: <https://www.ibge.gov.br/geociencias/cartas-e-mapas/informacoes-ambientais/15831-cobertura-e-uso-da-terra-do-brasil.html?edicao=27217>. Acesso em: 17 fev 2025.

IMASUL. Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul. Boletim mensal de fevereiro 2018. Disponível em: <https://www.imasul.ms.gov.br/wp-content/uploads/2018/03/Boletim-Mensal-Fev-2018.pdf>. Acesso em: 10 fev 2025.

INMET. Instituto Nacional de Meteorologia. Série histórica de dados climáticos da estação Campo Grande. Brasília, DF: INMET, 2020. Disponível em: http://www.inmet.gov.br/portal/index.php?r=clima/dadosHistoricos. Acesso em: 17 jun 2025.

JÓIA, P. R.; ANUNCIAÇÃO, V. S. Inundações urbanas e vulnerabilidade socioespacial na cidade de Aquidauana. Geografia, v. 22, n. 2 p. 5-23, 2013. https://doi.org/10.5433/2447-1747.2013v22n2p05

JÓIA, P. R; ANUNCIAÇÃO, V. S; PAIXÃO, A. A. Implicações do uso e ocupação do solo para o planejamento e gestão ambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana, Mato Grosso do Sul. Revista Interações, v. 19, n. 2, p. 343-358, 2018. https://doi.org/10.20435/inter.v19i2.1404

KRENAK, A. Ideias para adiar o fim do mundo (nova edição). São Paulo, SP: Editora Companhia das Letras. 2019, 104p. Disponível em: <https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535933581/ideias-para-adiar-o-fim-do-mundo-nova-edicao>. Acesso em: 17 fev 2025.

LOPES, F.; MIELNICZUK, J.; OLIVEIRA, E. S.; TORNQUIST, C. G. Evolução do uso do solo em uma área piloto da região de Vacaria, RS. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 14, n. 10, p. 1038-1044, 2010. https://doi.org/10.1590/S1415-43662010001000003

MAPBIOMAS. Plataforma de mapas e dados. Mosaicos Landsat. 2019. Disponível em: <https://brasil.mapbiomas.org/mosaicos-landsat/?cama_set_language=pt-BR>. Acesso em: 10 fev 2025.

MAPBIOMAS. Plataforma de mapas e dados. Superfície de água no Brasil reduz 15% desde o início dos anos 90. 2020. Disponível em: <https://mapbiomas.org/superficie-de-agua-no-brasil-reduz-15-desde-o-inicio-dos-anos-90>. Acesso em: 10 fev 2025.

MATSUSHITA, B.; XU, M.; FUKUSHIMA, T. Characterizing the changes in landscape structure in the Lake Kasumigaura, Japan using a high-quality GIS dataset. Ladscape and Urban Planning, v. 78, n. 3, p. 241-250, 2006. https://doi.org/10.1016/j.landurbplan.2005.08.003b

NEVES, L. F. S.; NEVES, S. M. A. S.; CANALE, G. R. Análise da fragmentação de Cerrado na bacia hidrográfica do rio Aguapeí, Porto Esperidião (MT): um estudo de caso a partir das geotecnologias e métricas da paisagem. Ateliê Geográfico, v. 8, n. 2, p. 130-149, 2014. https://doi.org/10.5216/ag.v8i2.21557

OMM. Organização Meteorológica Mundial. Declaração de Dublin e Relatório da Conferência internacional sobre água e meio ambiente. 1992. https://www.agda.pt/geral/declaracao-de-dublin

PAIVA, S. L. P; KREITLOW, J. P; LIMA, L. P. A; PAULO, S. R; NEVES, S. M. A. S; GAIO, D. C. Variação da temperatura superficial na Bacia Hidrográfica do Córrego Piraputanga/MT, Brasil. Revista Brasileira de Geografia Física, v. 17, n. 2, p. 914-930, 2024. https://doi.org/10.26848/rbgf.v17.2.p914-930

PEREIRA, L.; ANGELINI, L. P.; DANELICHEN, V. H. M.; GOMES, L. F. Avaliação espaço-temporal da transformação do uso e ocupação da terra e seus impactos na temperatura da superfície em Rio Verde -GO. Revista Brasileira de Geografia Física, v. 17, n. 1, p. 494-507, 2024. https://doi.org/10.26848/rbgf.v17.1.p494-507

PEREIRA, M. P.; RIBEIRO, I. F. N.; REATEQUIM FILHO, A.; FIGUEIREDO, S. M. M. Avaliação temporal da cobertura vegetal na área da Floresta Estadual do Antimary utilizando imagens de satélite. Scientia Naturalis, v. 5, n. 2, p. 589-599, 2023. https://doi.org/10.29327/269504.5.2-8

POLVERE, R. R. Dinâmica hidrológica do rio Aquidauana e seus impactos na cidade de Aquidauna/MS. 69f. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-graduação de Recursos Naturais, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Campo Grande, 2022. Disponível em: <https://repositorio.ufms.br/handle/123456789/8768>. Acesso em 17 jun 2025.

REIS, M. S.; LADIO, A.; PERONI, N. Landscapes with Araucaria in South America: evidence for a cultural dimension. Ecology and Society, v. 19, n. 2, p. 1-14, 2014. http://doi.org/10.5751/ES-06163-190243

RODRIGUES, L. P.; LEITE, E. F. Dinâmica do uso e cobertura da terra na Bacia Hidrográfica do Rio Aquidauana, MS. In: PEREZ FILHO, A.; AMORIM, R. R. (Orgs.). Os Desafios da Geografia Física na Fronteira do Conhecimento. Campinas, SP: UNICAMP, p. 6817-6825, 2017. https://doi.org/10.20396/sbgfa.v1i2017.1873

SANTOS, F. C.; LOUBET, E.; ANDRADE, V. S. A. Chuva e imprensa na cidade de Aquidauana/MS no período de 1978 a 2011. Revista Geonorte, v. 3, n. 4, p. 552-565, 2012. Disponível em: <https://www.periodicos.ufam.edu.br/index.php/revista-geonorte/article/view/1855>. Acesso em: 17 fev 2025.

SEPLAN-MS. Secretaria de Planejamento e Coordenação Geral. Governo do Estado do Mato Grosso do Sul. Atlas Multirreferencial. Campo Grande, MS: SEPLAN-MS, 1990, 28p. Disponível em: <https://biblioteca.ibge.gov.br/biblioteca-catalogo?id=230947&view=detalhes>. Acesso em: 17 fev 2025.

SILVA, A. M. Aplicação de técnicas de geoprocessamento no estudo das relações entre os processos erosivos e sedimentológicos de bacia hidrográfica. 241f. Tese (Doutorado em Ciências de Engenharia Ambiental) – Escola de Engenharia Ambiental, Universidade DE São Paulo, São Carlos, 1999. Disponível em: <https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18139/tde-10062024-112513/en.php>. Acesso em: 17 fev 2025.

SILVEIRA, P. C.; CAMPOS, C. G. C.; SÁ, E. A. S.; BIFFI, L. J.; DALRI, J. C. Análise das superfícies urbanas para identificação de ilhas de calor através da aplicação de índices radiométricos e da temperatura da superfície. Revista Brasileira de Climatologia, v. 33, n. 19, p. 329-353, 2023. https://doi.org/10.55761/abclima.v33i19.16322

SNIRH. Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos. Portal HidroWeb. 2020. Disponível em: <https://www.snirh.gov.br/hidroweb/apresentacao>. Acesso em: 10 dez 2021.

SOARES, G. A. S.; LIMA, A. S.; BANDIM, C. G. A.; BARROS, J. P. F. G.; GALVÍNCIO, J. D. Annual surface temperature variability with thermal images from Landsat 8: a case study from the Boa Viagem neighborhood, Recife – PE. Journal of Hyperspectral Remote Sensing, v. 12, n. 2, p. 75-87, 2022. https://doi.org/10.29150/2237-2202.2022.252392

STEPHENS, L.; FULLER, D.; BOIVIN, N.; RICK, T.; GAUTHIER, N.; KAY, A.; MARWICK, B.; ARMSTRONG, C. G.; BARTON, C. M.; DENHAM, T.; DOUGLASS, K.; DRIVER, J.; JANZ, L.; ROBERTS, P.; ROGERS, J. D.; THAKAR, H.; ALTAWEEL, M.; JOHNSON, A. L.; VATTUONE, M. M. S.; ALDENDERFER, M.; ARCHILA, S.; ARTIOLI, G.; BALE, M. T.; BEACH, T.; BORRELL, F.; BRAJE, T.; BUCKLAND, P. I.; CANO, N. G. J.; CAPRILES, J. M.; CASTILLO, A. D.; ÇILINGIROGLU, Ç.; CLEARY, M. N.; CONOLLY, J.; COUTROS, P. R.; COVEY, R. A.; CREMASCHI, M.; CROWTHER, A.; DER, L.; LERNIA, S.; DOERSHUK, J. F.; DOOLITTLE, W. E.; EDWARDS, K. J.; ERLANDSON, J. M.; EVANS, D.; FAIRBAIRN, A.; FAULKNER, P.; FEINMAN, G.; FERNANDES, R.; FITZPATRICK, S. M.; FYFE, R.; GARCEA, E.; GOLDSTEIN, S.; GOODMAN, R. C.; GUEDES, J. D.; HERRMANN, J.; HISCOCK, P.; HOMMEL, P.; HORSBURGH, K. A.; HRITZ, C.; IVES, J. W.; JUNNO, A.; KAHN, J. G.; KAUFMAN, B.; KEARNS, C.; KIDDER, T. R.; LANOË, F.; LAWRENCE, D.; LEE, G.-A.; LEVIN, M. J.; LINDSKOUG, H. B.; LÓPEZ-SÁEZ, J. A.; MACRAE, S.; MARCHANT, R.; MARSTON, J. M.; MCCLURE, S.; MCCOY, M. D.; MILLER, A. V.; MORRISON, M.; MATUZEVICIUTE, G. M.; MÜLLER, J.; NAYAK, A.; NOERWIDI, S.; PERES, T. M.; PETERSON, C. E.; PROCTOR, L.; RANDALL, A. R.; RENETTE, S.; SCHUG, G. R.; RYZEESKI, K.; SAINI, R.; SCHEINSOHN, V.; SCHMIDT, P.; SEBILLAUD, P.; SEITSONEN, O.; SIMPSON, I. A.; SOLTYSIAK, A.; SPEAKMAN, R. J.; SPENGLER, R. N.; STEFFEN, M. L.; STOROZUM, M. J.; STRICKLAND, K. M.; THOMPSON, J.; THURSTON, T. L.; ULM, S.; USTUNKAYA, M. C.; WELKER, M. H.; WEST, C.; WILLIAMS, P. R.; WRIGHT, D. K.; WRIGHT, N.; ZAHIR, M.; ZERBONI, A.; BEAUDOIN, E.; GARCIA, S. M.; POWELL, J.; THORNTON, A.; KAPLAN, J. O.; GAILLARD, M.-J.; GOLDEWIJK, K. K.; ELLIS, E. Archaeological assessment reveals Earth’s early transformation through land use. Science, v. 365, n. 6456, p. 897-902, 2019. https://doi.org/10.1126/science.aax1192

TUCCI, C. E. M. Hidrologia: ciência e aplicação. 3ª ed. Porto Alegre: ABRH, 2004, 943p.

VIEIRA, A. L. M.; GUEDES, R. F.; SCARANO, F. R. Fatores históricos associados à conversão florestal na região de Carajás. Biodiversidade Brasileira, v. 15, n. 1, p. 195-208, 2025. https://doi.org/10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i1.2698

ZALLES, V.; HANSEN, M. C.; POTAPOV, P. V.; PARKER, D.; STEHMAN, S. V.; PICKENS, A. H.; PARENTE, L. L.; FERREIRA, L. G.; SONG, X.-P.; HERNANDEZ-SERNA, A.; KOMMAREDDY, I. Rapid expansion of human impact on natural land in South America since 1985. Science Advances, v. 7, n. 14, p. 1-11, 2021. https://doi.org/10.1126/sciadv.abg1620

 

 

 

Recebido em 17 de fevereiro de 2025

Retornado para ajustes em 17 de junho de 2025

Recebido com ajustes em 18 de junho de 2025

Aceito em 20 de junho de 2025

Sair da versão mobile