Monitoramento da mastite subclínica em ovelhas Santa Inês criadas a pasto sob clima tropical úmido

Revista Agrária Acadêmica

Agrarian Academic Journal

Volume 3 – Número 5 – Set/Out (2020)

doi: 10.32406/v3n52020/108-115/agrariacad

 

Monitoramento da mastite subclínica em ovelhas Santa Inês criadas a pasto sob clima tropical úmido. Monitoring of subclinical mastitis in Santa Ines ewes raised on pasture under tropical humid climate.

 

Caio Tácito Gomes Alvares1, Soraia Vanessa Matarazzo1, Bianca Mendes Maciel2, Maíra Corona da Silva3

 

1- Departamento de Ciências Agrárias e Ambientais, Universidade Estadual de Santa Cruz – DCAA/UESC, Ilhéus, Bahia, Brasil. E-mail: ctgalvares@uesc.br, svmatarazzo@uesc.br

2- Departamento de Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Santa Cruz – DCB/UESC, Ilhéus, Bahia, Brasil. E-mail: bmmaciel@uesc.br

3- Médica Veterinária Autônoma, Vila Velha, Espírito Santo, Brasil. E-mail: maira_corona@hotmail.com

 

Resumo

 

A ocorrência de mastite subclínica foi monitorada através do California Mastitis Test (CMT) em 30 ovelhas Santa Inês ao parto no período de lactação e pós-desmame convencional, totalizando 15 semanas. Em cada semana, as 60 metades mamárias foram avaliadas pelo CMT. Os testes negativos predominaram em todas as semanas do período de lactação (56,2%), contra 18,3% de testes positivos. Em contrapartida, no período pós-desmame, houve um aumento significativo de testes positivos (43,8%) com redução dos testes negativos, 20% (p < 0,001). O monitoramento do CMT permitiu concluir que ovelhas Santa Inês criadas a pasto sob clima tropical úmido submetidas ao desmame convencional apresentam aumento expressivo na ocorrência de mastite subclínica.

Palavras-chave: CMT. Desmame. Lactação. Manejo sanitário. Ovino de corte.

 

 

Abstract

 

The occurrence of subclinical mastitis was monitored using the California Mastitis Test (CMT) in 30 Santa Ines ewes at lambing in the lactation and post-weaning period, totaling 15 weeks. Weekly, the 60 udder halves were evaluated by the CMT. Negative tests predominated in all weeks of the lactation period (56.2%), against 18.3% of positive tests. In contrast, in the post-weaning period, there was a significant increase in positive tests (43.8%) with a reduction in negative tests, 20% (P<0.001). This monitoring led to the conclusion that Santa Inês ewes raised on pasture under a humid tropical climate submitted to conventional weaning have a significant increase in the occurrence of subclinical mastitis.

Keywords: CMT. Lactation. Meat sheep. Sanitary management. Weaning.

 

Introdução

 

A ocorrência de mastite subclínica, mesmo em rebanhos destinados a produção de carne, tem merecido destaque dentre os fatores limitantes relacionados à sanidade e produtividade dos ovinos. Essa enfermidade pode levar à redução no ganho de peso dos cordeiros e causar aumento na mortalidade, além de comprometer a vida útil da matriz devido à insuficiente produção e qualidade do leite (ARSENAULT et al., 2008; FIM JÚNIOR et al., 2014). Uma vez implantada, a mastite subclínica influencia negativamente a relação mãe-cria, proporcionando mudanças severas de comportamento que culminam com perdas zootécnicas (OLIVEIRA et al., 2012).

O California Mastitis Test (CMT) é um método prático para diagnóstico de mastite subclínica, principalmente para condições de campo, a exemplo da Agricultura Familiar. Baseia-se na detecção indireta do aumento do número de leucócitos no leite, através da reação que resulta na ruptura deles. Alguns autores observaram elevada acurácia na relação entre CMT e contagem de células somáticas – CCS. Admite-se que as glândulas mamárias estão infectadas a partir de 1+, o que pode corresponder ao mínimo 300.000 células somáticas/mL de leite (MARTINS et al., 2013; MORAES et al., 2018).

Apesar da possibilidade de ocorrência de resultados falso-positivos ou falso-negativos, diversos estudos demonstraram viabilidade da utilização desta técnica, tanto em rebanhos leiteiros quanto em rebanhos de corte, em especial na raça Santa Inês (GONZÁLEZ-RODRIGUEZ; CÁRMENES, 1996; SILVA et al., 2010). Esta raça merece destaque pela produção de carne, eficiência reprodutiva e valor adaptativo, o que ampliou sua utilização como raça materna em diversos rebanhos. Contudo, também sendo uma boa produtora de leite, eleva a possibilidade de ocorrência de mastites (MELO et al., 2008; McMANUS et al., 2010).

Desta forma, o objetivo deste estudo foi utilizar a ferramenta do CMT para monitorar a mastite subclínica desde a lactação até o pós-desmame em ovelhas Santa Inês criadas em um modelo de sistema de produção a pasto sob condições de clima tropical úmido.

 

Material e Métodos

 

O experimento foi conduzido nos meses de agosto a dezembro de 2018 em uma unidade produtiva localizada no litoral do município de Ilhéus-BA (14º48’S e 39º03’O), região caracterizada pelo clima tropical úmido (Af) na classificação de Köppen, precipitação anual média 2035mm, temperatura média 24,3ºC e umidade relativa 85,4±4,0% (INMET, 2018).  Foram utilizadas 30 ovelhas da raça Santa Inês ao parto, com uma cria cada, pluríparas, com peso vivo médio de 46,5±5,7 kg, idade entre 24 e 36 meses e escore de condição corporal médio (ECC) 2,9±0,3 na escala de 1 a 5 (RUSSEL et al., 1969). Todas as ovelhas e crias foram mantidas em pastagem de Brachiaria humidicola durante o dia (8h às 17h). Antes de serem liberadas para o pasto, recebiam suplementação concentrada (farelo de milho, farelo de soja, 15% de proteína bruta) na proporção de 1% do peso vivo. Ao final da tarde eram contidas em abrigo com suplementação de capim picado (Pennisetum pupureum). Água e sal mineral eram fornecidos ad libitum. As crias foram amamentadas do nascimento até a 11ª semana pós-parto, considerado “período de lactação”, quando foram então submetidas ao desmame total. O período da 12ª a 15ª semana foi considerado “pós-desmame”.

A cada semana, da primeira a 15ª pós-parto, 60 metades mamárias das 30 ovelhas foram monitoradas através inspeção e palpação. A ocorrência de mastite subclínica foi avaliada utilizando-se em cada metade mamária a técnica California Mastitis Test – CMT, com uso de kit comercial. Para se coletar o leite, realizou-se a assepsia das mãos do operador, lavando-as com água e sabão, desinfecção com uso de álcool a 70% e secagem com papel toalha, bem como lavagem dos tetos das ovelhas, secagem com papel toalha e aplicação de álcool a 70%. Foram desprezados os primeiros jatos de leite para então se utilizar 2,0 mL de leite para 2,0 mL do reagente bromocresol. As reações foram expressas segundo SCHALM; NOORLANDER (1957): negativo (mistura líquida, sem formação de precipitação), traços (leve precipitação, podendo desaparecer com a continuação dos movimentos da placa), “1+” (fraco positivo, precipitação distinta, sem entretanto formar gel), “2+” (claro positivo, mistura espessa, com alguma formação de gel) e “3+” (forte positivo, com distinto gel formado, podendo aderir à placa). Foram também identificadas metades mamárias que se apresentaram sem leite. Todas as avaliações do teste foram realizadas pelo mesmo operador durante todo o estudo. No período de lactação foram realizadas 660 avaliações (60 amostras da primeira à 11ª semana) e no período pós-desmame, 240 (60 amostras da 12ª a 15ª semana), totalizando 900 avaliações.

A ocorrência de mastite subclínica foi comparada entre as fases de lactação e pós-desmame e entre os testes de CMT negativos e positivos (1+ a 3+) em cada semana. Em ambas as comparações, foi utilizado o teste do Qui-Quadrado (GraphPad Prism, versão 6, GraphPad Software, Califórnia, USA). Diferenças foram consideradas significativas a P< 0,01.

 

Resultados e Discussão

 

Os resultados da avaliação do CMT nos períodos de lactação e pós-desmame estão dispostos na Tabela 1.

 

Tabela 1 – Avaliação de metades mamárias de ovelhas Santa Inês criadas a pasto nos períodos de lactação e pós-desmame através do California Mastitis Test (CMT)

Teste de CMT Período de Lactação1 Período Pós-Desmame2 Lactação x Pós-Desmame4
N3 % N %
Sem leite 38 5,8 41 17,1 P < 0,0001
Negativos 371 56,2 48 20,0 P < 0,0001
Traços 130 19,7 46 19,2 NS
1+ 84 12,7 45 18,8 NS
2+ 32 4,8 42 17,5 P < 0,0001
3+ 5 0,8 18 7,5 P < 0,0001
Total 660 100 240 100

1Período de lactação: 1ª a 11ª semana pós-parto; 2Período Pós-Desmame: 12ª a 15ª semana pós-parto. 3N = número de metades mamárias monitoradas no período. 4Lactação x Pós-Desmame: teste Qui-Quadrado.

 

Em todas as semanas de avaliação, três metades mamárias apresentaram-se 100% sem leite. O fim da produção de leite em outras metades mamárias ocorreu a partir da 10ª semana de lactação, e o percentual sem leite se acentuou após o desmame (P<0,0001). Os testes negativos foram predominantes em todo período de lactação (56,2%), contudo, após o desmame, este percentual diminuiu (20,0%) em detrimento do aumento significativo de testes positivos (1+ a 3+), de 18,3% na lactação para 43,8% no pós-desmame (P<0,0001). Este aumento percentual foi mais pronunciado em 2+ e 3+. Os resultados obtidos com traços se mantiveram constantes nos períodos estudados.

Considerando que matrizes ovinas passam por diversos ciclos reprodutivos, a ocorrência de pouca ou nenhuma produção de leite em algumas metades mamárias durante uma lactação pode ser tanto uma limitação zootécnica ou mesmo consequência da própria mastite subclínica decorrente de lactações anteriores, especialmente em rebanhos que não passam por manejo orientado de desmame, o que pode proporcionar inclusive alterações no parênquima mamário (NOGUEIRA et al., 2013). Trata-se de uma enfermidade muito estudada e presente em vários rebanhos ovinos no mundo, tanto de leite quanto de corte, com etiologia principalmente bacteriana e influência de contaminação ambiental (CONTRERAS et al., 2007). A frequência de traços apresentada neste estudo ao longo de todas as semanas, do parto ao pós-desmame (19,5%) é um exemplo de que pode haver leve contagem de células somáticas nas glândulas mamárias sem necessariamente a evolução para mastite subclínica, alguns estudos inclusive consideram o resultado de traços como CMT negativo ou que tetos não infectados podem apresentar CMT com traços (LAFI, 2006; NOGUEIRA et al., 2013).

Com relação aos testes negativos, há diversos relatos dessa frequência na literatura. ARSENAULT et al. (2008) identificaram testes negativos de 65 a 57% com o avanço da lactação; 57% também foi encontrado por González-Rodríguez; Cármenes (1996), contudo outros estudos apontam testes negativos variando entre 73,3% e 90,7% (SILVA et al., 2010; PEIXOTO et al., 2010). Coutinho et al. (2006) salientaram que a qualidade do manejo do rebanho interfere diretamente na frequência de testes negativos, mesmo que agentes microbianos estejam presentes e identificados.

A comparação entre testes negativos e positivos (1+ a 3+) em cada semana de lactação (1ª a 11ª) e de pós-desmame (12ª a 15ª) está representada na Figura 1.

Figura 1 – Frequência (%) semanal de testes CMT negativos e positivos (1+ a 3+) em ovelhas Santa Inês criadas a pasto. Período de lactação, 1ª a 11ª semana; período pós-desmame, 12ª a 15ª semana. Casos negativos x positivos: p < 0,01 da 1ª a 14ª semana (teste Qui-Quadrado).

 

Em todas as semanas da lactação, a frequência de testes negativos foi superior (P<0,01). Já no período pós desmame, os testes positivos passaram a ter frequência superior (P<0,01), da semana 12 a 14, não se observando diferença significativa na 15ª semana. A porcentagem de ovelhas com CMT positivo para mastite subclínica durante a lactação está de acordo com outros estudos que abordam uma prevalência variando entre 10 e 30% (CONTRERAS et al, 2007; SANTANA et al., 2016). No entanto, no que se refere ao período pós-desmame, os resultados neste estudo foram superiores aos encontrados na literatura. Este aumento no escore de CMT pode ser explicado pelo acréscimo fisiológico de leucócitos neste período com concomitante redução do volume do leite, já que o CMT detecta indiretamente a presença destes leucócitos. Esta alteração está relacionada com o aumento da defesa imunitária próxima à secagem, quando a glândula mamária necessita se recuperar das infecções existentes e evitar novas infecções (CUCCURU et al., 1997; MORAES et al., 2018). A restrição da amamentação reduz o estímulo da sucção e interfere na secreção de prolactina no organismo materno, com consequente queda de produção de leite (MONTIEL; AHUJA, 2005), portanto, pode influenciar na ocorrência de mastite subclínica. A possível diminuição da secreção de prolactina e consequente produção de leite pode contribuir para o aumento da relação entre células somáticas / volume de leite nestas ovelhas (McDOUGALL et al., 2001). Corroborando estes estudos, Blagitz et al. (2008) relataram aumento da porcentagem de polimorfonucleares no período pós desmame de ovelhas Santa Inês, juntamente com elevação do CCS e CMT.

Embora o pico de lactação (entre 3ª e 4ª semana pós parto) seja identificado como o momento crítico de ocorrência de mastite subclínica (PEREIRA et al., 2014), isto não foi observado neste estudo. Em contrapartida, vale salientar que a elevada frequência de testes CMT positivos no pós-desmame tende a ser um fator limitante da produção de cordeiros nos ciclos reprodutivos seguintes, visto que casos de mastite subclínica provocam diminuição da quantidade e qualidade do leite nas glândulas mamárias acometidas (MARTINS et al., 2013). Neste contexto, estudos realizados por Zafalon et al. (2015) identificaram 59,8% de manutenção de casos de mastite subclínica entre duas lactações consecutivas de ovelhas Santa Inês.

Sistemas produtivos precários, com baixa qualidade no manejo sanitário, combinados com clima úmido e elevada precipitação pluviométrica, proporcionam cenário propício à ocorrência desta enfermidade, principalmente pela possibilidade de contaminação ambiental (OLIVEIRA et al., 2012; ZAFALON et al., 2016). Portanto, a importância deste monitoramento se torna útil pela aplicabilidade no campo, bem como pela melhoria da gestão da saúde do rebanho, preconizando higiene e profilaxia. Tornam-se possíveis tomadas de decisão quanto às estratégias de manejo, tanto para cordeiros, a exemplo de desmame precoce ou controle de mamada (MAVROGENIS et al., 1995; SOUZA; SIMPLÍCIO, 1999), como para as glândulas mamárias, como manejo de secagem e antibioticoterapia (MELO et al., 2008; SANTANA et al., 2016).

 

Conclusões

 

Ovelhas Santa Inês criadas a pasto sob clima tropical úmido apresentam CMT positivos em todo o período de lactação, porém com predominância de testes negativos. Por outro lado, com manejo convencional de desmame total, a ocorrência de mastite subclínica se acentua no período pós-desmame, superando os casos negativos no rebanho.

 

Referências bibliográficas

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Recebido em 25 de julho de 2020

Retornado para ajustes em 13 de outubro de 2020

Recebido com ajustes em 19 de outubro de 2020

Aceito em 22 de outubro de 2020

Comparação de testes coproparasitológicos em criadouro comercial de psitacídeos exóticos

Revista Agrária Acadêmica

Agrarian Academic Journal

Volume 3 – Número 5 – Set/Out (2020)

doi: 10.32406/v3n5/2020/100-107/agrariacad

 

Comparação de testes coproparasitológicos em criadouro comercial de psitacídeos exóticos. Comparison of coproparasitological tests in commercial breeding of exotic psittacids.

 

Marina Camargo de Sousa1, Julia Ronzani Vial1, Rodrigo Hidalgo Friciello Teixeira1, Andrea Cristina Higa Nakaghi1

 

1- Medicina Veterinária, Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade de Sorocaba – UNISO – Sorocaba/SP – Brasil. E-mail: mel-marina@hotmail.com, rhftzoo@hotmail.com

 

Resumo

 

Aves da ordem psitaciforme, composta pela família Psittacidae e Loridae possuem diversas características tornando-as de maior frequência mantidas como animais de companhia, promovendo o aumento de criadouros no Brasil. O presente estudo analisou a especificidade e sensibilidade de três diferentes testes coproparasitológicos, Willis, Hoffman e Direto de fezes, por meio de testes estatísticos: Qui-Quadrado e Kappa. Foram coletadas 70 amostras de fezes de psitacídeos exóticos de um criadouro comercial e estas submetidas aos três testes, totalizando 210 exames coproparasitológicos. Entre os exames realizados 29,5% foram positivos para ovos de nematódeos, cestódeos e oocistos. Exames coproparasitológicos apresentam baixo custo, possuem importância clínica, indicando a população de endoparasitas e tratamentos terapêuticos.

Palavras-chave: Aves exóticas. Exame de fezes. Endoparasitas.

 

 

Abstract

 

Birds of the psittaciform order, composed by the Psittacidae and Loridae family have several characteristics making them more frequently kept as companion animals, promoting the increase of breeding sites in Brazil. The present study aimed to analyze the specificity and sensitivity of three different coproparasitological tests, Willis, Hoffman and Direto de feces, through statistical tests: Chi-Square and Kappa. 70 fecal samples of exotic parrots were collected from a commercial breeding site and these were submitted to the three tests, totaling 210 coproparasitological exams. Among the tests performed, 29,5% were positive for nematode eggs, cestodes and oocysts. Coproparasitological exams are inexpensive, have clinical importance, indicating the population of endoparasites and therapeutic treatments.

Keywords: Wild birds. Fecal tests. Endoparasites.

 

 

Introdução

 

Os psitacídeos são aves sociáveis, de plumagem exuberante, inteligência e competência de imitar diversos sons e por apresentarem tais características são as aves de maior frequência a serem mantidas como animais de companhia. A ordem psittaciformes é formada pela família Psittacidae (araras, periquitos, papagaios, maritacas), Cacatuidae (cacatuas e calopsitas) e Loridae (lóris e lorikeets), ambas estão distribuídas em regiões tropicais. O Brasil possui a maior diversidade de psitacídeos, seguido pelo continente australiano em número de espécies. Atualmente no Brasil o mercado de animais pet não convencionais está em desenvolvimento exigindo maior necessidade de médicos veterinários e demais técnicos. Coletas de amostras biológicas como exames coproparasitológicos são comumente empregados na rotina como método auxiliar e devem ser utilizados como parte da avaliação geral das aves, durante exames preventivos e de rotina, auxiliando no diagnóstico de endoparasitas. A sanidade dessas aves pode ser prejudicada através do acometimento por endoparasitas, como helmintos e protozoários, onde a gravidade da infecção irá depender da higidez do paciente, podendo ser assintomática, sintomática ou levar ao óbito (CUBAS; SILVA RAMOS; CATÃO-DIAS, 2014).

A infecção por endoparasitas em aves silvestres exóticas mantidas em criatórios particulares está relacionada a falha na higienização dos recintos e comedouros, qualidade da água fornecida, alimentação inadequada e erro no manejo dos tratadores. É importante instituir exames preventivos e periódicos de fezes as aves do plantel (AYRES et al., 2016; CARNEIRO; CALAIS JÚNIOR; FREIRE MARTINS, 2011). A coloração de fezes com aparência normal varia de marrom a verde e apresenta uma ligeira consistência de liquida a firme, tais características dependem da dieta empregada, entre outros fatores. Aves com excrementos anormais apresentam poliúria (aumento na quantidade de urina), coloração de urato além de branca ou bege-clara, diarreia podendo apresentar excrementos com sangue ou alimentos mal digeridos. É comum a presença de bolhas nas fezes de aves que apresentam o quadro de diarreia (TULLY; DORRESTEIN; JONES, 2010).

Os exames coproparasitológicos devem ser empregados como parte da rotina na avaliação geral das aves (CUBAS; SILVA RAMOS; CATÃO-DIAS, 2014). De acordo com Menezes et al. (2013) a utilização de exames parasitológicos nas fezes é um importante procedimento laboratorial empregado na análise clínica, pois esses podem indicar o nível de parasitismo e o tratamento específico que deverá ser utilizado. Tais procedimentos não são invasivos, ou seja, não é necessário conter os animais. A precisão do diagnostico parasitário através de coproparasitológico dependera da coleta, transporte e conservação adequada da amostra. As amostras nunca devem entrar em contato com o gelo e nunca devem ser congeladas, até a realização do exame. Tais precauções evitam que ocorra a eclosão dos ovos resultando em exames negativos ou incorretos, pois a maioria das técnicas empregadas é usada para a visualização de ovos (MONTEIRO, 2011). Há vários métodos que podem ser empregados na identificação de ovos (TAYLOR; COOP; WALL, 2010).

As técnicas de flutuações são as preferidas para analisar fezes, pois não há presença de sujidade, sendo possível fazer a melhor visualização dos ovos, cistos e oocistos. Nessas técnicas são utilizadas soluções saturadas com elevada densidade promovendo a flutuação dos ovos, cistos e oocistos presentes nas fezes, fazendo com que eles permaneçam na superfície do sobrenadante. Entre elas está a Técnica de Willis – Mollay (Flutuação e solução salina): essa técnica é muito utilizada para ver se há ou não presença de ovos de helmintos, cistos e oocistos de protozoários.

Essa técnica é de fácil visualização ao microscópio, pois o sal não dificulta a visualização dos parasitas. Técnicas de sedimentação são utilizadas para pesquisar ovos pesados, como de trematódeos e cestódeos. Estre elas, está a Técnica de Hoffman (Sedimentação simples), é utilizada para a detecção de ovos pesados de trematodas e cestodas, onde as fezes devem ser diluídas em água ou solução fisiológica e deixadas em repouso de dez a vinte minutos. Depois devem ser coadas enquanto são depositadas no cálice de sedimentação. A amostra deve repousar por mais quinze minutos. Deve-se descartar o líquido sobrenadante e com o auxílio de uma pipeta, coletar algumas gotas de sedimento que fica depositado no fundo do cálice e colocá-lo em uma lâmina. Esta deve ser levada ao microscópio. A técnica de exame direto é barata, fácil e rápida, não sendo necessário o uso de muitos equipamentos (MONTEIRO, 2011). Exame Direto de Fezes: a maioria dos ovos e larvas são detectados por esse método, porém como a quantidade de fezes utilizada nesse teste é pequena, ocorre apenas detecções maciças de infecções parasitárias (TAYLOR; COOP; WALL, 2010). É fundamental avaliar quais métodos laboratoriais possuem maior especificidade, sensibilidade e menor exigência de recursos financeiros (MENEZES et al., 2013).

Este trabalho tem como objetivo analisar a especificidade e sensibilidade dos testes Direto de Fezes, Willis e Hoffman, comparar seus resultados e indicar qual apresentou maior eficácia. Através da técnica Direta de fezes e detectar a presença de endoparasitas, Willis a presença de ovos de helmintos e cistos e oocistos de protozoários, Hoffman a presença de ovos pesados de trematodas e cestodas. Após realização dessas técnicas serão analisados os resultados e em seguida os comparados os indicando qual destas possuem maior eficiência.

 

Material e métodos

 

Realizou-se a coleta de 70 amostras de fezes de psitacídeos exóticos de um criadouro particular comercial. As amostras foram submetidas a três diferentes testes coproparasitológicos, Willis, Direto de fezes e Hoffman, totalizando 210 testes. As aves estavam acomodadas em gaiolas suspensas, não possuíam acesso a animais contactantes externos e os comedouros e bebedouros ficavam isolados dos locais contaminados com fezes. De acordo com Monteiro (2011) foi coletado pelo menos 5g de fezes para realização de alguns métodos. Foi realizada a identificação das amostras coletadas de acordo com o número das gaiolas, quantidade de animais presentes nas mesmas, sexo, faixa etária e espécie das aves. Realizou-se o acondicionamento das fezes em potes plásticos e posteriormente em uma caixa térmica com gelo promovendo a baixa temperatura para conservação das amostras. No mesmo dia da coleta realizou-se o encaminhamento das amostras ao laboratório de parasitologia da Universidade de Sorocaba (UNISO) e as mesmas submetidas aos testes: Exame Direto de Fezes, de acordo com Taylor e colaboradores (2010), foi colocada uma pequena quantidade de fezes na lâmina e nesta acrescentou-se uma gota d’água em cima da mesma. Essa pequena porção de fezes foi dissolvida e corada com lugol, posteriormente a lâmina foi coberta com uma lamínula e visualizada ao microscópio. Teste de Willis, segundo Monteiro (2011) as amostras foram diluídas separadamente em solução saturada de sódio, coadas e despejadas em tubos de testes até a formação de um menisco. Em seguida, foram sobrepostas ao menisco de cada tubo uma lâmina e aguardou-se durante 15 minutos. Por diferença de densidade entre a solução saturada de sódio os ovos acabaram flutuando aderindo a lâmina. Em seguida uma lamínula foi disposta sobre o líquido presente na lâmina e este foi examinado ao microscópio. Teste de Hoffman, de acordo com Monteiro (2011), as fezes foram diluídas em água e deixadas em repouso entre 10 a 20 minutos, depois coadas e adicionou-se novamente o líquido no cálice de sedimentação. Foram novamente deixadas em repouso por mais 15 minutos. Em seguida o líquido sobrenadante foi descartado e coletado algumas gotas do sedimento presente ao fundo do cálice, sendo este adicionado em uma lâmina e corado com lugol. Adicionou-se uma lamínula sobre o líquido e utilizou-se microscópio para análise da lâmina.

Realizou-se a análise estatística através de dois testes: Qui-Quadrado, buscou-se a frequência esperada e a frequência observada. Após as frequências serem encontradas foi estabelecido um nível de confiança, nesse estudo α foi 0,05 e definido o grau de liberdade, obtido através de k-1, onde k é o total de resultados que a variável apresenta (BONAFINI, 2012). Teste estatístico coeficiente Kappa.

 

Resultados

 

Realizou-se três diferentes testes: Exame Direto de Fezes, Hoffman e Willis nas amostras coletadas, totalizando 210 testes coproparasitológicos em 70 amostras, para os três métodos de diagnóstico. Entre os exames coproparasitológicos realizados, 63/210 (30%) foram positivos, onde, o método de Willis apresentou 33/63 (52,38%) de resultados positivos; o método de Hoffman 19/63 (30,15%) de resultados positivos e o método Direto de fezes, 11/63 de amostras positivas (17,46%) (Gráfico 1).

 

Gráfico 1 – Porcentagem dos resultados positivos encontrados em cada teste

Fonte: Própria (2019)

 

 

Utilizando as três diferentes técnicas detectou-se ovos de nematódeos em 61/63 (96,82%) e ovos de cestódeos em 9/63 (14,28%). Através desse estudo somente em uma amostra (1,58%) constatou-se oocistos, onde o mesmo foi detectado apenas através do teste de Willis (Gráfico 2).

 

Gráfico 2 – Detecção de ovos de nematódeos, cestódeos e oocistos através dos três diferentes tipos de testes

Fonte: Própria (2019)

 

 

Para determinar a presença de diferenças significativas entre os três métodos coproparasitológicos os resultados coletados foram submetidos ao teste Qui-Quadrado, indicando que o valor de Qui-Quadrado calculado, 11,808 ultrapassou o tabelado, onde o nível de significância era de 5% (5,991). Logo houve diferença significativa. Refutou-se a hipótese nula (H0) e aceitou-se a hipótese alternativa (H1). Portando houve diferença significativa estatisticamente comprovada entre os três testes (Tabela 1).

 

Tabela 1 – Resultado Qui-Quadrado calculado maior que o resultado tabelado

Testes Frequência observada Frequência esperada (FOFE)^2/FE Resultado
Willis

Hoffman

Direto

33

19

11

21

21

21

(33-21)^2/21

(19-21)^2/21

(11-21)^2/21

6,857

0,190

4,761

Resultado Qui-Quadrado calculado: 6,857 + 0,190 + 4,761= 11,808

Fonte: Própria (2019)

 

 

O teste Qui-Quadrado foi novamente utilizado para determinar quais testes apresentavam diferença significativa quando comparados. Willis x Direto de Fezes: o valor do Qui-Quadrado calculado 11,808 ultrapassou o tabelado 3,841. Logo houve diferença significativa ao nível de 5%, refutou-se a hipótese nula (H0) e aceitou-se a hipótese alternativa (H1). Portando houve diferença significativa estatisticamente comprovada entre os três testes Willis e Direto (Tabela 2 e 3).

 

Tabela 2 – Valores com o grau de liberdade e o nível de significância, onde o nível de significância é equivalente ao Qui-Quadrado tabelado.

Grau de liberdade 1
Nível de significância 5% = 3,841

Fonte: Própria (2019)

 

 

Tabela 3 – Resultado Qui-Quadrado calculado maior que o resultado tabelado

Teste Frequência Observada Frequência Esperada (FO-FE)^2/FE Resultado
Willis

Direto

33

11

22

22

(32-22)^2/22

(11-22)^2/22

5,5

5,5

Resultado Qui-Quadrado calculado: 5,5 + 5,5 = 11

Fonte: Própria (2019)

 

 

Willis x Hoffman: O valor de Qui-Quadrado calculado, 3,768 não ultrapassou o tabelado 3,841. Logo não houve diferença significativa ao nível 5% (3,841), refutou-se a hipótese alternativa (H1) e aceitou-se a hipótese nula (H0). Portando não houve diferença significativa estatisticamente comprovada entre os testes Willis e Hoffman.

Hoffman x Direto: O valor de Qui-Quadrado calculado 2,132, não ultrapassou o tabelado 3,841. Logo não houve diferença significativa ao nível de 5% (3,841), refutou-se a hipótese alternativa (H1) e aceitou-se a hipótese nula (H0). Portando não houve diferença significativa estatisticamente comprovada entre os testes Hoffman e Direto (Tabela 6 e 7).

Para determinar e apontar qual a acurácia individual dos testes coproparasitológicos os resultados coletados foram submetidos ao teste coeficiente Kappa, onde Willis apresentou acurácia de 78,7%, Hoffman 50% e Direto de fezes 50% (Gráfico 3).

 

Gráfico 3 – Resultado da acurácia individual de cada teste realizada através do teste coeficiente Kappa.

Fonte: Própria (2019)

 

 

Discussão

 

A realização de exames coproparasitológicos é um importante procedimento no decorrer da análise clínica de animais selvagens, pois além de indicarem a carga parasitária, também promove o direcionamento a um tratamento com maior especificidade, evitando a utilização indiscriminada de antiparasitários. Segundo Ayres (2016) há poucos trabalhos relatando a ocorrência de parasitas gastrointestinais em aves silvestres criadas em cativeiro e os que existem contemplam um pequeno número de animais. Durante o estudo não eram esperados números altos de testes positivos, pois as aves utilizadas ficavam em gaiolas suspensas, não acessando suas fezes, seus comedouros e bebedouros estavam isolados dos locais contaminados e suas gaiolas sem acesso a animais contactantes externos. Porém, mesmo com as devidas precauções, de 210 testes realizados, 62 apresentaram resultados positivos. O teste coproparasitológico Direto de fezes é de fácil execução e menor custo quando comparado aos outros dois testes, porém, há presença de sujidade na lâmina o que dificulta sua leitura. A técnica de Hoffman carece de maior tempo em sua execução, pois há necessidade de sedimentação das fezes e descarte do sobrenadante em intervalos de 20 a 15 minutos. Segundo Monteiro (2011) as técnicas de flutuações, como o teste de Willis, o mais utilizado pela simples execução para analisar fezes, não apresentam sujidade no campo de visualização do microscópio, promovendo melhor visualização de ovos, cistos e oocistos.

O método estatístico Qui-Quadrado é um método que tem como objetivo comparar proporções e verificar hipóteses de associações entre variáveis qualitativas, utilizando-se a frequência observada, que diz respeito ao que as amostras dos testes coproparasitológicos nos relataram e a frequência esperada, proveniente das amostras que queremos verificar a procedência. Esse teste estatístico é utilizado quando as frequências observadas são provenientes de amostras aleatórias e a frequência esperada da soma de todas as frequências observadas é dividida pelo número de categorias. Após encontrar as frequências foi estabelecido o nível de confiança (α = 0,05) e definido o grau de liberdade (BONAFINI, 2012). Os resultados foram observados através de hipótese nula (H0), que decide o sentido de rejeitar-se (assumindo que é falsa) ou não se rejeitar (assumindo que é verdadeira) e através da relação entre os parâmetros chegou-se a uma conclusão (LOUREIRO; GAMEIRO 2011). O método estatístico coeficiente Kappa é definido como uma medida de associação utilizada para descrever e testar o grau de concordância, confiabilidade e precisão (PERROCA; GAIDZINSKI, 2003), que determina a acurácia, e esta por sua vez, indica o grau ou estimativa que o teste é capaz de determinar, o verdadeiro valor do que está sendo medido, informando os resultados verdadeiros ou o quanto se afasta do mesmo (ANDRADE; ZICKER, 1996). Pode-se identificar que o teste de Willis possuiu acurácia maior que os demais testes. Quando Willis foi comparado com o teste Direto de fezes através do Qui-Quadrado ficou demostrado diferença estatisticamente comprovada. As técnicas de sedimentação, como o teste de Hoffman, são utilizadas para pesquisar ovos de maior densidade e maiores tamanhos, como de trematódeos e cestódeos, entretanto, com esse estudo, algumas amostras possuíram resultados positivos utilizando o teste de Willis e quando as mesmas amostras foram submetidas ao teste de Hoffman apresentaram resultados negativos.

 

Conclusão

 

Pode-se concluir através dos resultados obtidos pelo método estatístico Qui-Quadrado que houve diferença estatisticamente comprovada entre os testes de Willis e Direto de fezes. Quando comparados os testes coproparasitológicos Willis x Hoffman e Hoffman x Direto de fezes utilizando o mesmo método estatístico, determinou-se que não houve diferença estatisticamente comprovada entre os mesmos. Com o método coeficiente Kappa, foi possível determinar que a acurácia do teste coproparasitológico Willis é maior com relação aos testes de Hoffman e Direto de fezes. O fator relevante do presente estudo é a associação de métodos estatísticos provando a eficiência de testes coproparasitológicos, em detrimento a outros métodos.

 

Referências bibliográficas

 

ANDRADE, A. L. S. S.; ZICKER F. Avaliação de Testes Diagnósticos. Métodos de Investigação Epidemiológica em Doenças Transmissíveis. Organização Pan-americana da Saúde e Fundação Nacional de Saúde/Centro Nacional de Epidemiologia, v. 1, p. 21-30, 1996.

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BONAFINI, F. C. Estatística. São Paulo: Person Education do Brasil, 2012, 153p.

CARNEIRO, M. B.; CALAIS JÚNIOR, A.; FREIRE MARTINS, I. V. Avaliação coproparasitológica e clínica de aves silvestres e exóticas mantidas em criatórios particulares no município de Alegre – ES. Revista Ciência Animal Brasileira, Goiânia, v. 2, n. 3, p. 525-529, 2011.

CUBAS, Z. S.; SILVA RAMOS, J. C.; CATÃO-DIAS, J. L. Tratado de Animais Selvagens. 2ª ed. São Paulo: Roca, 2014, 2640p.

LOUREIRO, L. M. J.; GAMEIRO, M. G. H. Interpretação crítica dos resultados estatísticos para lá da significância estatística. Revista de Enfermagem Referência, v. 3, n. 3, p. 151-162, 2011.

MENEZES, R. A. de O.; GOMES, M. do S. M.; BARBOSA, F. H. F.; MACHADO, R. L. D.; ANDRADE, R. F. de; COUTO, A. A. R. D`A. Sensibilidade de métodos parasitológicos para o diagnóstico das enteroparasitoses em Macapá – Amapá, Brasil. Revista de Biologia e Ciência da Terra, Sergipe, v. 13, n. 2, p. 66-73, 2013.

MONTEIRO, S. G. Parasitologia na Medicina Veterinária. 1ª Ed. São Paulo: Roca, 2011, 370p.

PERROCA, M. G; GAIDZINSKI, R. R. Avaliando a confiabilidade interavaliadores de um instrumento para classificação de pacientes – coeficiente Kappa. Revista da Escola de Enfermagem da USP. São Paulo, v. 37, n. 1, p. 72-80, 2003.

TULLY, T. N. J; DORRESTEIN, G. M; JONES, A. K. Clínica de Aves. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010, 344p.

TAYLOR, M. A.; COOP, R. L.; WALL, R. L. Parasitologia Veterinária. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010, 1052p.

 

 

Recebido em 21 de julho de 2020

Retornado para ajustes em 3 de outubro de 2020

Recebido com ajustes em 22 de outubro de 2020

Aceito em 25 de outubro de 2020