Hipocalcemia e cetose – principais doenças metabólicas da vaca leiteira durante o período de transição – uma revisão de literatura

Revista Agrária Acadêmica

Agrarian Academic Journal

doi: 10.32406/v4n5/2021/130-141/agrariacad

 

Hipocalcemia e cetose – principais doenças metabólicas da vaca leiteira durante o período de transição – uma revisão de literatura. Hypocalcemia and ketosis – main metabolic diseases of the dairy cow during the transition period – a review.

 

Mylena Garcia Proto1*, Milena Cristina Bernardo de Barros1, Bruna Stanigher Barbosa2
 
1- Discente do Curso de Medicina Veterinária – Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio – CEUNSP – Salto – SP, Brasil.
2- Docente do Curso de Medicina Veterinária – Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio – CEUNSP – Salto – SP, Brasil.
*Autor para correspondência: mylenagarciap@outlook.com

 

Resumo

 

Com o aumento da produção leiteira, surge a necessidade de manter os animais saudáveis, evitando assim grandes perdas econômicas devido à baixa produtividade. Durante o período de transição, as vacas leiteiras ficam susceptíveis ao aparecimento de doenças infecciosas e de desequilíbrios metabólicos devido à grande mudança em sua alimentação, podendo esta ser pobre em nutrientes necessários para a manutenção do escore corporal do animal, com isso, a ingestão de matéria seca diminui até 40% enquanto o gasto energético aumenta devido a produção de leite e do colostro, entrando em estado de balanço energético negativo.

Palavras-chave: Bovinocultura leiteira. Doenças de produção. Febre do leite. Acetonemia. Afecções metabólicas.

 

Abstract

 

With the increased production demand in the dairy industry comes the need to keep animals healthier, thus avoiding large economic losses due to low productivity. During the transition period, dairy cows are susceptible to the onset of infectious diseases and metabolic imbalances due to the big change in their diet, it could be poor in needed nutrients to maintain the animal’s body score, with this, the dry matter intake decreases up to 40% while energy expenditure increases due to milk and colostrum production, getting into a negative energy balance state.

Keywords: Dairy cattle. Dairy disease. Milk fever. Acetonemia. Metabolic disorders.

 

 

Introdução

 

O Brasil é um dos maiores produtores de leite, ocupando a terceira posição no ranking mundial (FAOSTAT, 2010) com atualmente 34.844.932 mil litros produzidos (IBGE, 2020), destacando-se por sua grande relevância socioeconômica dentre as atividades agropecuárias. Devido ao aumento populacional, surge a necessidade da intensificação da produção de leite para suprir as necessidades de consumo, com isso, a indústria leiteira vem crescendo grandemente nos últimos anos (MORAES, FILHO, 2017, p. 784). Com este aumento da produtividade e intensificação da bovinocultura leiteira há a indispensabilidade de maior rendimento das vacas, podendo resultar no enfrentamento de grandes desafios metabólicos, como por exemplo o desenvolvimento de doenças associadas ao período de transição, devido principalmente a carência de manejo nutricional correto, em que na maioria das vezes não atende à demanda nutricional necessária nos diferentes estágios de lactação (FIORENTIN et al., 2018, p. 630).

O período de transição é uma fase desafiadora, tanto para os animais quanto para os produtores, pois caracteriza-se por ser um período no qual a vaca apresenta-se mais susceptível ao aparecimento de distúrbios metabólicos, principalmente de forma subclínica, onde o animal não apresenta sinais clínicos evidentes e fica passível à ocorrência de outras doenças e até mesmo o óbito devido ao diagnóstico tardio. Isto ocorre devido as intensas mudanças que seu metabolismo é submetido no início da lactação, podendo desenvolver deficiências bromatológicas de minerais como o cobre, zinco e fósforo; e doenças metabólicas como cetose, acidose metabólica, hipomagnesia, hipocalcemia, entre outras (FIORENTIN et al., 2018, p. 630).

Estudos apontam que a maioria dos animais submetidos a alta produtividade e que não possuíam nutrição adequada, principalmente durante o período de transição, apresentaram problemas metabólicos associados ao fim da gestação e início da lactação, períodos em que a demanda metabólica é mais alta (PELIZZA et al., 2019, p. 742). Durante esta fase de adaptação metabólica, as vacas também ficam susceptíveis ao aparecimento de diversas outras afecções relacionadas a diminuição da resposta imune celular, a diminuição de anticorpos no periparto, estresse térmico, genética e doenças infecciosas como a mastite e a metrite (MELO et al., 2016, p. 723); (REIS et al., 2016, p. 588). O diagnóstico precoce é essencial para evitar prejuízos reprodutivos decorrentes dos elevados custos de tratamentos adicionais, diminuição da produção, descarte do leite contaminado e aumento do intervalo entre partos, e proporcionar bem-estar ao animal, aumentando a expectativa de vida do mesmo e contribuindo para que sua produção de leite e taxa de concepção aumente de forma simbiótica (COLTURATO et al., 2021, p. 2); (REIS et al., 2016, p. 588).

Portanto, devido a gravidade e ocorrência crescente das doenças metabólicas na indústria do setor leiteiro, o grande desafio é reduzir os custos e tornar a produção mais rentável, evitando o gasto adicional com tratamentos dos animais acometidos. Atualmente há grandes avanços na área da saúde, nutrição, genética e manejo visando a melhora e aumento da eficiência produtiva, porém o melhor método de prevenção e controle destas afecções ainda é o manejo nutricional correto (COLTURATO et al., 2021, p. 2).

O objetivo deste trabalho é realizar um levantamento bibliográfico sobre hipocalcemia e cetose, as principais afecções de origem metabólica que acometem o gado leiteiro durante o período de transição, caracterizando sua etiologia, fisiopatogenia, diagnóstico, tratamento e os principais métodos de prevenção.

 

Desenvolvimento

 

Para a escrita deste trabalho, utilizou-se as bases de dados PUBMED, PUBVET e SCIELO. Foram empregados como descritores para as pesquisas, os termos: período de transição, afecções metabólicas, cetose em vacas leiteiras e hipocalcemia no período de transição. As buscas não foram limitadas por idiomas, sendo que a maioria dos artigos escolhidos foram em português, inglês e espanhol. Ao total foram utilizados 32 artigos científicos publicados nos últimos 6 anos.

 

Revisão de Literatura

 

Período de Transição

 

Na cadeia produtora de leite, as vacas de alta produção passam por importantes mudanças metabólicas ao longo da gestação, principalmente no terço final e no início da lactação. Isto devido às necessidades nutricionais requeridas pelo feto e futuramente pela lactogênese (FILHO et al., 2017, p. 1230).

Com a intensificação significativa da produção de leite nos últimos anos, as alterações metabólicas tornam-se cada vez mais frequente no periparto, representando assim um enorme desafio para os animais e produtores. Desta forma, por definição, o período de transição corresponde aos vinte e um dias antes e após o parto. O que torna este período tão desafiador, é o fato de que enquanto a ingestão de matéria seca diminui drasticamente, as exigências nutricionais das vacas aumentam na mesma proporção, resultando invariavelmente no balanço energético negativo e acarretando diversas doenças metabólicas (AIRES et al., 2016, p. 1574); (AIRES et al., 2020, p. 553).

O período de transição tem como característica as alterações hormonais, anatômicas, fisiológicas e metabólicas nas vacas, e todas essas alterações objetivam o preparo do corpo do animal para o parto e, também para a lactação. No entanto, todas essas mudanças predispõem a doenças metabólicas, principalmente quando associadas a um manejo nutricional falho, afetando diretamente a saúde das vacas, seu desempenho produtivo e reprodutivo, e o aumento na taxa de descarte do rebanho (FILHO et al., 2017, p. 1230). Além disto, neste período crítico, um outro desafio para as vacas leiteiras é manter o equilíbrio dos minerais, principalmente o cálcio e magnésio (MAZZUCO et al., 2019, p. 2).

De uma forma geral, as doenças que acometem os animais leiteiros durante o período de transição são causadas pela combinação de alguns fatores, como o nível de produção incongruente com a ingestão de nutrientes, fornecimento de dieta, ambiente ou manejos inadequados. Mulligan e Doeherty (2008, p. 4) consideram que a chave para o bem-estar animal da bovinocultura leiteira e para o lucro do produtor é o manejo alimentar adequado, o qual tem impacto direto na saúde do rebanho (MULLIGAN; DOEHERTY, 2008, p. 4).

Uma forma muito utilizada para monitorar a saúde do rebanho leiteiro atualmente nas propriedades é o acompanhamento dos parâmetros metabólicos. Estes indicam através de exames laboratoriais, onde os metabólitos sanguíneos são analisados, a condição nutricional, as variações metabólicas dos animais e a saúde do rebanho (FILHO et al., 2017, p. 1230).

 

Hipocalcemia

 

Etiologia e Fisiopatogenia

 

A hipocalcemia é uma patologia que gera prejuízos à produção leiteira, levando a queda significativa da lactação dos animais afetados. É caracterizada como metabólico-nutricional, ou seja, a vaca se torna incapaz de manter a homeostase em seu próprio organismo devido às alterações sofridas em períodos como o parto, a colostrogênese e lactogênese na glândula mamária, e também pela concentração do cálcio no processo de ontogênese do feto (MAZZUCO et al., 2019, p. 2). Esta patologia tem como etiologia o déficit nutricional de matéria seca e concentrados, possuindo um papel importante no nível de insulina e diminuição da ruminação (FABRIS et al., 2021, p. 3).

A hipocalcemia afeta 50% das vacas as quais não recebem uma dieta profilática com sais aniônicos nas refeições e, 30% das vacas que recebem esta dieta são diagnosticadas como subclínica (FIORENTIN et al., 2018, p. 632). Segundo um estudo realizado por Ramella (2020, p. 879), a cada fase de lactação que a vaca é submetida, as chances de desenvolver hipocalcemia aumentam em 9%, e vacas idosas também possuem dificuldade em ter a disfunção metabólica revertida. Esse aumento nas vacas idosas é explicado por este mesmo estudo pelas seguintes razões: diminuição significativa nos receptores de calcitriol que estão depositados nos enterócitos, redução dos osteoblastos e osteoclastos que participam da remodelação óssea e também na redução nos receptores do hormônio paratireoide nas células renais (RAMELLA et al., 2020, p. 879).

O cálcio corresponde até 2% em todo o organismo do animal, possuindo diversas funções, como mineralização dos ossos, normalização metabólica, coagulação do sangue, contratilidade dos músculos e passagem de impulsos nervosos (MAZZUCO et al., 2019, p. 2). O cálcio é existente na corrente sanguínea de duas formas diferentes 1) Ionizada: 45% do cálcio está centralizado dessa forma, sendo considerado a forma ativa e aproveitável, e 2) Orgânica: corresponde aos outros 55% restantes (FABRIS et al., 2021, p. 3).

O magnésio tem função importantíssima na normalização do cálcio no organismo, o seu déficit atinge diretamente o metabolismo do cálcio, fazendo com que ocorra a diminuição do hormônio da paratireoide e a dessensibilização dos tecidos em relação ao PTH. Devido a esta conexão, elevando os níveis de Mg na dieta, pode proporcionar a diminuição e subsequente controle da doença. Já o fósforo impossibilita o metabolismo do cálcio, fazendo com que ocorra a diminuição da forma ativa da vitamina D e resulte na baixa reabsorção óssea e absorção intestinal (CATARINA et al., 2021, p.70); (MOREIRA et al., 2017p. 1018).

 

Manifestações Clínicas

 

As manifestações clínicas primárias apresentadas pelos animais são: ataxia, depressão, tremores musculares, decúbito external, anorexia, dispneia e cabeça voltada para o flanco. Em casos crônicos pode-se observar a perda de consciência e coma. Além disto, a hipocalcemia pode levar ao aparecimento de doenças secundárias como: retenção de placenta, atonia ruminal, metrite, endometrite, mastite e entre outras doenças do sistema reprodutor feminino (MAZZUCO et al., 2019, p. 2).

Considera-se um quadro de hipocalcemia clínica quando o animal inicia a manifestação de sintomas, podendo ser subdividida em três estágios. O primeiro estágio ocorre quando a concentração de cálcio no sangue está entre 5,5 e 7,5 mg/dL, porém o animal ainda consegue ficar em estação, apresentando leves alterações como mugido frequente, excitação, dispneia, ataxia e tremores nos músculos. O segundo estágio ocorre quando a concentração de cálcio no sangue se encontra entre 3,5 e 6,5 mg/dL, onde o animal já não consegue mais se sustentar em estação, mantendo-se na posição de decúbito esternal e apresentando taquicardia, extremidades geladas, anorexia, depressão, temperatura baixa e muflo seco. O terceiro estágio ocorre quando a concentração do cálcio no salgue está por volta de 2mg/dL e o animal apresenta sintomas graves, como não responder a estímulos externos, músculos completamente flácidos, decúbito lateral podendo culminar em coma. No último estágio o animal apresentará um prognóstico ruim, com poucas horas de vida (FABRIS et al., 2021, p. 4).

 

Diagnóstico

 

Para um diagnóstico preciso e confiável, são indicadas análises sanguíneas das concentrações séricas de cálcio, porém o diagnóstico clínico baseado no histórico da fêmea e sintomatologia também pode ser realizado (FABRIS et al., 2021, p. 5); (MOREIRA et al., 2017, p. 1014).

A hipocalcemia é considerada subclínica quando nas análises sanguíneas o cálcio está entre 5,0mg/dL e 8,0mg/dL (ARÉVALO et al., 2021, p. 2). Já na forma clínica da doença, na qual o animal apresenta sintomatologia, é possível diagnosticar quando as análises sanguíneas do cálcio estão menores que 5,0 mg/dl (FABRIS et al., 2021, p. 5).

 

Tratamento e Profilaxia

 

O protocolo mais utilizado para tratar a hipocalemia clínica em bovinos leiteiros é baseado na utilização do gluconato de cálcio (20 a 30%), na dose adequada de 1g de cálcio a cada 45 kg por via intravenosa de forma lenta (FABRIS et al., 2021, p. 5).

O manejo nutricional empregado durante as três últimas semanas pré-parto, utilizando-se a dieta aniônica tem sido muito utilizado de forma preventiva à hipocalcemia subclínica. Esta dieta caracteriza-se por apresentar maior concentração de ânions quando comparada com as concentrações de cátions, que são os eletrólitos da dieta. Assim, a dieta aniônica apresenta valores de diferença cátion-ânion da dieta (DACD) negativos. As vacas que são submetidas a essa dieta conseguem lidar melhor com a queda de cálcio no momento do parto, uma vez que o fornecimento de uma dieta aniônica torna o pH do sangue mais ácido, e a acidez do sangue estimula a ação do paratormônio e vitamina D, que causam a mobilização do cálcio dos ossos para o sangue, aumentando também a absorção intestinal e reduzindo a excreção de cálcio por via urinária. Depois do parto ocorre a suspensão da dieta, fazendo com que a acidose metabólica ocasionada seja corrigida, juntamente com a urina e a eliminação de cálcio, que retornam ao normal, facilitando com que a concentração de cálcio na corrente sanguínea seja maior (RAMELLA et al., 2020, p. 876).

Segundo Patelli (2017, p. 20), o controle de potássio na forragem é também um método profilático à doença. O autor cita que concentrações elevadas de potássio na alimentação podem ocasionar diversas complicações, que ocasionam a hipocalcemia. Também se cita que a administração de cálcio via oral no dia que antecede o parto e 24 horas após apresentaram resultados positivos, e o autor destaca que o manejo nutricional deve ser rigoroso mesmo quando adotado outros métodos profiláticos (PATELLI et al., 2017, p. 20).

 

Cetose

 

Etiologia e Fisiopatologia

 

A cetose é uma doença metabólica que ocorre durante o período de transição e se caracteriza pelo aumento dos níveis de corpos cetônicos (ácido acetoacético – AcAc, acetona – Ac, e β-hidroxibutirato – BHB) na corrente sanguínea, leite, urina e tecidos dos animais acometidos. Acontece geralmente nas primeiras semanas da lactação, porém pode ser observada em qualquer fase em que ocorra um balanço energético negativo, sendo o período mais crítico da doença entre a segunda e a nona semana pós-parto (DELAMURA et al., 2020, p. 2); (SCHNEIDER et al., 2020, p. 2). Afeta principalmente os animais que não receberam alimentação rica em pastagens, volumosos e concentrados de boa qualidade, não atingindo o consumo ideal de matéria seca (pelo menos 4% do peso vivo) no período pré-parto, com isso, não possuem nutrientes suficientes para suprir suas funções vitais e para a produção do leite ao mesmo tempo, influenciando na qualidade do mesmo (KARLSSON, et al., 2020, p. 8922); (LEIRA et al., 2018, p. 2).

Durante aproximadamente 2 semanas pré-parto e durante o início da lactação, a ingestão de matéria seca deve aumentar, sendo pelo menos 4% do peso vivo da vaca. A matéria seca é a porção restante do alimento, rico em fibras, que permanece após a eliminação de toda a água e é onde estão armazenadas as proteínas, minerais e carboidratos necessários para a produção do leite com teor de gordura adequado, porém, devido ao alto custo das rações, na maioria das vezes o animal não consegue atingir essa porcentagem de consumo diário devido a insuficiência de alimentos de qualidade ofertado durante este período, prejudicando severamente a qualidade do leite (CARVALHO et al., 2020, p. 120); (HARDER et al., 2019, p. 7205); (LEIRA et al., 2018, p. 7).

Com a baixa ingestão de matéria seca e a necessidade elevada de energia, gordura e proteína, as reservas de gordura são destinadas para a formação do glicerol durante a gliconeogênese com o intuito de atender as demandas da lactação (WANG et al., 2021, p. 12). Assim, a vaca inicia o processo de lipólise devido a necessidade de suporte energético como combustível durante o período de transição, entrando em estado de balanço energético negativo (NEB), no qual ocorre a quebra das ligações éster das moléculas de glicerol e ácidos graxos das células adiposas, permitindo a formação de ácido graxos livres. Estes serão captados pelo fígado e sofrerão β – oxidação na mitocôndria, formando acetil-CoA que, junto com o oxalacetato, fará a síntese de citrato e formação de ATP, porém a reação oxidativa não se completará devido à insuficiência de oxalacetato resultante do balanço energético negativo, ocasionando na formação de aceto acetato, β-hidroxibutirato e acetona, que são os corpos cetônicos causadores da cetose, caracterizada como acetoacidose do organismo do animal quando os níveis de corpos cetônicos é superior a 10 mg/dL (DELAMURA et al., 2020, p. 4); (WANG et al., 2021, p. 12); (YANG et al., 2019, p. 558).

 

Manifestações Clínicas

 

A cetose pode ocorrer nas formas clínicas e subclínicas, sendo a última a mais comum. A cetose subclínica é determinada pela concentração sérica de ácido β-hidroxibutírico (BHBA) maior ou igual a 3,00 mmol/L, responsável pelos maiores prejuízos na indústria leiteira devido à escassez de sinais clínicos expressos pelos animais neste estágio, chegando a ser maior do que 40% dos casos de cetose em vacas leiteiras (KUPCZYŃSKI et al., 2020, p. 8). Já na cetose clínica, a concentração sérica de ácido β-hidroxibutírico (BHBA) é 1,20-2,90 mmol/L, incidente apenas em 2 a 20% dos animais (DELAMURA et al., 2020, p. 3); (YANG et al., 2019, p. 1). Na cetose clínica, é possível detectar facilmente perda de peso, quebra brusca na produtividade de leite, anorexia, hipoglicemia, acetonemia e cetonuria, podendo em casos mais graves apresentar sintomas neurológicos e irem a óbito (DELAMURA et al., 2020, p. 3). No caso da cetose subclínica, há a redução significativa da produção de leite e do desempenho reprodutivo devido ao diagnostico tardio, além disso, também aumentam as chances de incidência de outras doenças associadas ao período de transição, como metrite, mastite e hipocalcemia (febre do leite) (LEIRA et al., 2018, p. 6).

 

Diagnóstico

 

O diagnóstico da cetose é feito com base no histórico e nas manifestações clínicas. Animais com cetose apresentam quebra brusca na produtividade de leite, perda de peso e cheiro característico de acetona na respiração e no leite, sendo necessário experiencia clínica para percepção do último (GERON et al., 2018, p. 138).

Já o diagnostico laboratorial baseia-se na mensuração de corpos cetônicos presentes no sangue, urina e leite das vacas. Nos casos de cetose o β-hidroxibutirato (BHB), principal corpo cetônico, apresenta níveis elevados no sangue (CAMPOS et al., 2005, p. 5). Atualmente pode-se utilizar para diagnóstico a campo testes rápidos eletrônicos portáteis e bio sensíveis através de um aparelho que afere a glicose e β-hidroxibutirato (BHB) no sangue, ou através de fitas reativas que detectam o β-hidroxibutirato (BHB) na urina (GERON et al., 2018, p. 138).

O método de nitroprussiato de Rothera também é muito utilizado no diagnóstico da cetose, no qual utiliza-se uma gota de urina ou leite como amostra, junto com o reagente do teste em uma superfície plana, em que poderemos observar a mudança de cor para rosa ou roxo. Quando houver a presença de acetona na amostra, mais intensa será a cor e maior será a concentração do mesmo, conforme Figura 1 e 2 (GEISHAUSER et al., 1998, p. 439); (SCHNEIDER et al., 2020, p. 3).

 

Figura 1 – Teste de Rothera em fita reagente para corpos cetônicos na urina, em que quanto maior a concentração, mais intensa será a coloração. Fonte: Adaptado de Bioscience, 2021.

 

Figura 2 – Teste de Rothera, em que o nitroprussiato de sódio reage com o acetoacetato e a acetona, obtendo coloração translúcida quando negativo (A), e coloração púrpura quando positivo (B). Fonte: Adaptado de Atlas das Provas Bioquímicas, 2014.

 

Os principais diagnósticos diferenciais para cetose são: deslocamento do abomaso, cistite, reticulite traumática, pielonefrite ou diabetes. As vacas apresentam maior chances de serem descartadas do rebanho quando diagnosticadas até 7 dias pós-parto, perdendo cerca de 2 kg de leite no primeiro mês da lactação, portanto o diagnóstico precoce da cetose é essencial para evitar grandes perdas produtivas e reprodutivas. (GEISHAUSER et al., 1998, p. 439); (SCHNEIDER et al., 2020, p. 3).

Sabe-se que o bem-estar das vacas pode ser inferido de várias formas, e uma delas é através das taxas de ruminação. Portanto um método inovador para o diagnóstico precoce da cetose subclínica é através da observação do tempo e da taxa de ruminação das vacas, utilizando biomarcadores como coleiras eletrônicas que realizam o monitoramento da ruminação em tempo real, rastreando as mudanças de pressão e o intervalo entre as mastigações, conforme Figura 3 (ANTANAITIS et al., 2020, p. 2); (LEIRA et al., 2018, p. 6).

 

Figura 3 – Coleira eletrônica para monitoramento de ruminação em tempo real.  Fonte: dairyreporter.com (2019)

 

Tratamento e Profilaxia

 

Para instituir o tratamento da cetose, o correto é primeiramente restaurar os níveis de glicose e de oxaloacetato no sangue o quanto antes através da administração de glicose por via intravenosa e glicocorticoides, e iniciar uma dieta rica em ácido propiônico, reduzindo a produção de corpos cetônicos e aumentando a gliconeogênese através de administração de fármacos simples como propilenoglicol, glicose e glicerina (ZHAO et al., 2020, p. 2).

A profilaxia deve iniciar antes mesmo do parto com o intuito de diminuir a lipólise no período de lactação, evitando o balanço energético negativo em excesso e melhorar a eficiência alimentar, portanto, o manejo das vacas e as dietas pré e pós-parto devem respeitar os estágios da curva de lactação e ser ideais para cada animal, considerando o nível de produtividade, a idade, condição corporal, estágio da lactação, sendo estrategicamente formulada para evitar o excesso ou escassez de peso da vaca e possuir a quantidade necessária de energia para a produção do leite e para manter as condições corpóreas em homeostase, ser ricas em cobalto, fosforo e iodo, e evitar a queda da ingestão de matéria seca no pós-parto através da otimização da ingestão de concentrados. (ANTANAITIS et al., 2020, p. 3); (BLOCH et al., 2019, p. 1); (DELAMURA et al., 2020, p. 5); (FIORENTIN et al., 2018, p. 630); (LEIRA et al., 2018, p. 9).

 

Considerações Finais

 

O período de transição é um período crítico tanto para as vacas leiteiras de alta produção, quanto para o produtor. É preciso um manejo nutricional adequado para cada rebanho, considerando o nível da produção, a idade das fêmeas, o estágio da lactação e a condição corporal, evitando o aparecimento de doenças metabólicas relacionadas ao período de transição, como a hipocalcemia e a cetose.

Portanto, é possível prevenir o aparecimento de doenças secundárias metabólicas através de um planejamento adequado de manejo nutricional e com dietas ricas em ingredientes de qualidade e formuladas especificamente para vacas leiteiras, respeitando as necessidades nutricionais de cada uma das fases da reprodução.

 

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Recebido em 31 de agosto de 2021

Retornado para ajustes em 20 de outubro de 2021

Recebido com ajustes em20  de outubro de 2021

Aceito em 27 de outubro de 2021

Caracterização do conhecimento de pecuaristas gaúchos da serra do sudeste sobre o carrapato Rhipicephalus microplus

Revista Agrária Acadêmica

Agrarian Academic Journal

doi: 10.32406/v4n5/2021/114-129/agrariacad

 

Caracterização do conhecimento de pecuaristas gaúchos da serra do sudeste sobre o carrapato Rhipicephalus microplus.* Characterization of knowledge about the Rhipicephalus microplus tick among cattle ranchers in the serra do sudeste range in Rio Grande do Sul state.*

 

Karine Moreira Krause1, Sandra Márcia Tietz Marques2, José Fernando Piva Lobato3

 

* Trabalho de Conclusão de Curso da primeira autora
1- Curso de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Rua Dr. Campos Velho, 1888/1011, Porto Alegre – RS. Autor para correspondência: E-mail: karinekrause@yahoo.com.br.
2- Faculdade de Veterinária – UFRGS – Porto Alegre – RS.
3- Faculdade de Agronomia – UFRGS – Porto Alegre – RS.

 

Resumo

 

O objetivo desta pesquisa foi determinar o conhecimento de 70 pecuaristas dos municípios de Caçapava do Sul e Lavras do Sul, Rio Grande do Sul, sobre o carrapato Rhipicephalus microplus, através da aplicação de questionário estruturado. Os resultados às questões das áreas de terra das propriedades mostram que 27%, 26%, 21,5%, 20% e 5,5% , tem mais de 500 ha, entre 150 a 300 ha, entre 300 a 500 ha, de 50 a 150 ha e menos de 50 ha, respectivamente; 75% dos produtores criam mais de 100 bovinos em suas propriedades; 84,3% têm pastagem cultivada para os bovinos e 15,7% só possuem campo nativo; 87,14% dos produtores relataram a Tristeza Parasitária Bovina como a principal doença transmitida por carrapatos e 76% realizam consulta de carrapaticidas por indicação de médico veterinário. Foram citadas 13 formulações e/ou associações de carrapaticidas. O teste de biocarrapaticidograma é uma ferramenta nova para 58,6% dos pecuaristas. A forma de controle realizada pelos produtores é tardia, com o uso de carrapaticidas químicos. 

Palavras-chave: Bovinos de corte. Carrapaticidas. Censo agropecuário. Manejo.

 

 

Abstract 

 

The purpose of this research project was to determine knowledge of the Rhipicephalus microplus tick among  seventy cattle ranchers in the Caçapava do Sul and Lavras do Sul municipalities in Rio Grande do Sul State, through completing a structured questionnaire. The replies to the questions on the land areas covered by the properties show that 27%, 26%, 21.5%, 20% and 5.5% cover more than 500 hectares, between 150 and 300 hectares, between 300 and 500 hectares, between 50 and 150 hectares, and under 50 hectares, respectively; 75% of the ranchers are raising more than 100 head of cattle; 84.3% have cultivated grazing pastures and 15.7% have only native grasslands; 87.14% of the ranchers rated bovine babesiosis as the main tick-borne disease, and 76% checked out tick control products recommended by veterinarians. They mentioned 13 formulations and/or associations of tick control products. The tick control biogram test is a new tool for 58.6% of these cattle ranchers. Producers use late control, based on tick control chemicals.

Keywords: Agricultural census. Beef cattle. Stewardship. Tick control products.

 

 

Introdução

 

O carrapato-do-boi Rhipicephalus (Boophilus) microplus é a espécie de maior distribuição geográfica e de importância econômica para os países produtores de bovinos em áreas tropicais e subtropicais (GODOI; SILVA, 2009). R. microplus são carrapatos monoxenos, ordem Ixodida, associados à disseminação de diversas e importantes doenças nos bovinos com maior incidência no verão. Todos os estágios do parasito podem transmitir a doença, inclusive por via transovariana (TAYLOR; COOP; WALL, 2017). O ectoparasitismo é considerado um dos maiores problemas da atividade pecuária no Brasil, como das Américas do Sul, Central, África e Oceania (MENDES et al., 2019).

A infestação do gênero Rhipicephalus está 95% nas pastagens e 5% no corpo do animal. Ocorre com maior prevalência em países de clima tropical e subtropical, especialmente naqueles com maior umidade e calor (CAMPOS JUNIOR; OLIVEIRA, 2005). É amplamente distribuído no Brasil, o qual possui o maior rebanho bovino comercial mundial, estimado em 214 milhões de animais (ABIEC, 2021). É a principal forma de transmissão de patologias de alta morbidade e mortalidade como a anaplasmose e a babesiose bovina. Essas doenças também estão associadas aos prejuízos marcados pela infestação por carrapatos, os quais causam diminuição na produção, anemia e até mesmo causam o óbito de bovinos (CORDOVÉS, 1997). É encontrado durante o ano todo em 66% dos municípios brasileiros (HORN; ARTECHE, 1985; SILVA; ROCHA, 2004). Estudos de avaliação do prejuízo econômico na América do Sul consideraram ter o Brasil perdas de 2,5 milhões de cabeças de gado, o que representa a perda de 75 milhões de quilogramas de carne, 1,5 bilhão de litros de leite, 8,6 milhões de dólares por danos secundários e 25 milhões de dólares em acaricidas químicos para combater as infestações por carrapatos (GOMES, 1998). Somente na cadeia produtiva bovina do Brasil, o carrapato-do-boi gera um prejuízo de 3,2 bilhões de dólares/ano, desencadeado tanto por gastos diretos quanto indiretos (GRISI et al., 2014).

O controle do Rhipicephalus microplus é primordial para o bem-estar do animal, manejo sanitário e rendimento financeiro do pecuarista. O controle químico ainda é a forma mais eficaz de combate deste ectoparasito, mas o manejo inadequado dos acaricidas tem contribuído para o aparecimento de resistência de populações aos produtos disponíveis no mercado. Embora existam alguns métodos alternativos, o controle de R. microplus está quase exclusivamente relacionado ao tratamento químico com acaricidas (CAMPOS JUNIOR; OLIVEIRA, 2005). É necessário o conhecimento dos produtos os quais os carrapatos já desenvolveram resistência, evitando assim o seu uso. Atualmente, existem seis princípios ativos disponíveis no mercado para o controle do carrapato: piretróides, organofosforados, amidínico, fenilpirazol, benzoilfenilureia e lactonas macrocíclicas (GOMES; KOLLER; BARROS, 2011). Todavia, alguns princípios ativos já não apresentam eficácia satisfatória, o que justifica o surgimento de populações resistentes. O produto de referência no combate ao carrapato bovino é a ivermectina, com propriedades anti-helmínticas, acaricidas e inseticidas. A ivermectina é um antiparasitário de amplo espectro, injetável, indicado para combater os principais nematódeos e cestódeos (LE GALL; KLAFKE; TORRES, 2018).

O controle e tratamento com o uso de substâncias homeopáticas tem sido uma possibilidade para controle dos carrapatos, ainda que não existam evidências de que esses produtos possam provocar resistência nos mesmos. Estudos com princípios ativos de plantas ainda estão no início. Trabalhos com óleos essenciais e concentrados emulsionáveis de eucalipto (Eucalyptus) e rotenóides extraídos do timbó (Derris urucu) mostraram-se promissores no controle desse acarino (SILVEIRA et al., 2014).

A criação de bovinos resistentes ao carrapato ainda seria a forma mais eficaz, econômica e ecológica de controle do carrapato na pecuária de corte e leiteira. Isso porque, com essa estratégia, não há gastos com insumos e não produz resíduos para o meio ambiente (MENDES et al., 2019). 

Este estudo teve como objetivo fazer um levantamento sobre a percepção e o conhecimento de pecuaristas da região sudeste do Rio Grande do Sul (municípios de Caçapava do Sul e Lavras do Sul) sobre o carrapato (Rhipicephalus microplus), através de questionário elaborado pelos autores e aplicado pela primeira autora.

 

Material e métodos

 

O estudo foi realizado em 70 propriedades rurais focadas na pecuária de corte dos municípios de Caçapava do Sul e Lavras do Sul, na Serra do Sudeste, Rio Grande do Sul, no período de março a abril de 2021. Caçapava do Sul é um dos municípios mais antigos do Rio Grande do Sul, com população de 33.548 habitantes, de estações climáticas bem definidas, com 450 metros de altitude e localiza-se a uma latitude de 30º30’44” Sul e a uma longitude de 53º29’29” Oeste. Lavras do Sul possui 7.480 habitantes estando distante 320 km da capital gaúcha, Porto Alegre, e localiza-se a uma latitude de 30°48’46” Sul e a uma longitude de 53°53′ 42” Oeste (IBGE, 2019). As principais atividades econômicas desses municípios são a agropecuária e a agroindústria.

Os pecuaristas responderam a um questionário e foram informados dos objetivos da pesquisa. Foi assegurada a confidencialidade das informações prestadas, cuja participação foi voluntária, assinando o consentimento livre e esclarecido, sem submissão a nenhum contato físico ou procedimento que implicasse em risco, tão pouco os dados pessoais e de localização foram determinados. 

Os dados da pesquisa foram coletados por meio de questionário individual estruturado, auto-aplicável, com questões fechadas e semiabertas que contemplam os seguintes aspectos: variáveis relacionadas à propriedade (local, área de terra em hectares [ha], número de trabalhadores, número animais), ao manejo nutricional (área de pastagem, tipo de pastagem, suplementação alimentar) e sanitário (vacinas, vermífugos e controle de carrapatos), além da percepção da infestação do carrapato bovino sobre a criação. O questionário foi composto por uma identificação, opcional, do participante, 19 perguntas de única escolha (objetivas), 10 de múltipla escolha e sete questões dissertativas, sendo a última delas (questão 37) para o entrevistado deixar um comentário sobre os carrapaticidas. A partir das respostas obtidas foi realizada a tabulação dos dados, determinadas as percentagens dos resultados e realizadas análises descritivas por meio de frequências absoluta e relativa. Todas as informações acerca das variáveis coletadas foram fornecidas por uma pessoa da propriedade. O projeto desta investigação foi aprovado pelo CEP/UFRGS, parecer no 4.836.728.

 

Resultados 

 

Em 2021 foram entregues 70 questionários para serem respondidos por produtores rurais do sudeste do estado do Rio Grande do Sul, 61 com residência em Caçapava do Sul e nove de Lavras do Sul, 67,2% são proprietários, 21,8% são apenas arrendatários e 11% arrendam terras para agregar à sua produção agropecuária. 

A área de terras para a produção pecuária e agrícola ficou assim determinada: 27%, 26%, 21,5%, 20% e 5,5%, respectivamente, áreas de mais de 500 ha, entre 150 a 300 ha, entre 300 a 500 ha, de 50 a 150 ha e menos de 50 ha, com 75% dos produtores criando acima de 100 bovinos de corte. Para os trabalhos nas propriedades, 41,5% têm um funcionário, 22,8% não têm funcionários, 14,3% têm cinco funcionários, 11,4% têm dois funcionários, 5,7% têm quatro funcionários e 4,3% têm três efetivos nos trabalhos de campo.

Os tipos de manejos das pastagens citados no questionário foram os seguintes: utiliza o sistema rotativo (33%); utiliza o sistema contínuo (13%); cultivam azevém no inverno e pastagem de verão (16%); faz a integração soja e pastagem (13%); 6% utiliza o sistema extensivo (criação de animais em áreas grandes, em pastos extensos onde o gado é deixado livre), enquanto que 3% o sistema intensivo (os animais são direcionados para espaços menores em um sistema único de confinamento); 7% fazem, apenas, roçadas dos potreiros e 9% não respondeu a questão. 

Para o manejo alimentar, 84,3% das propriedades têm pastagens cultivadas para bovinos, enquanto 15,7% só possuem pastagens naturais. Os tipos de pastagens cultivados nas propriedades rurais para a alimentação do gado são diversos, com preferência por azevém e aveia, conforme apresentado na Figura 1.

 

Figura 1 – Forrageiras produzidas por pecuaristas (n) de Caçapava do Sul e Lavras do Sul/RS. Fonte: elaboração própria.

 

A maioria dos pecuaristas fornece suplementos minerais (88,5%), 33% utilizam ração, 6% feno e 3% silagem. O manejo sanitário com as vacinas foi um item importante para compor este estudo. Os produtores utilizam mais de um tipo de vacina (Figura 2), a da febre aftosa, obrigatória até abril de 2020, a maioria imuniza para brucelose (obrigatória no calendário vacinal para fêmeas entre três a oito meses) e raiva. 

Na Figura 2, para as vacinas reprodutivas (Leptospirose, Rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR) e diarreia viral bovina (BVD) foram citadas por 19, 15 e 14 pecuaristas, respectivamente, por afirmarem ser de maior impacto para a criação de animais, impedindo manifestações clínicas como febre, diarreia, aborto e até mesmo a morte do animal.

 

Figura 2 – Profilaxia contra as principais doenças descritas por pecuaristas (n) de Caçapava do Sul e Lavras do Sul/RS. Fonte: elaboração própria.

 

Na Figura 3 mostra o espectro de princípios ativos. Esses anti-helmínticos são administrados a cada dois meses, por 65,5% dos produtores, três vezes ao ano por 21%, duas vezes ao ano por 10,5% e uma vez ao ano por 3%.

 

Figura 3 –  Preferência de anti-helmínticos utilizados no manejo sanitário de bovinos de Caçapava do Sul e Lavras do Sul/RS. Fonte: elaboração própria.

 

A percepção dos pecuaristas com relação ao carrapato foi a seguinte: 69 pecuaristas responderam que tem carrapato nas suas propriedades. Quanto ao nível de infestação no rebanho bovino, a percepção dos produtores correspondeu a 30% com pouca infestação (cerca de 5 teleóginas/animal), 37,5% citaram uma infestação média (6 a 20 teleóginas/animal), 28% uma infestação alta (20 a 50 teleóginas/animal), enquanto 4,5% relataram infestações incontáveis de teleóginas nos animais. Essa classificação da infestação por quantidade de teleóginas/animal está baseada em Gonzales (1995).

Na Figura 4 mostra as bases químicas utilizadas nas propriedades rurais. Foram citadas 13 formulações e/ou associações de carrapaticidas, com predomínio do Cipermetrina + Clorpirifós + Citronelal, seguido de Fluazuron.

 

Figura 4 – Princípios ativos dos carrapaticidas utilizados por pecuaristas de Caçapava do Sul e Lavras do Sul/RS no controle de R. microplus. Fonte: elaboração própria.

 

Destes resultados da Figura 4, 54,2% dos entrevistados irão usar o mesmo carrapaticida na próxima vez, enquanto 45,8% não vão repetir o princípio ativo no manejo seguinte. Os critérios de escolha do antiparasitário de 76% dos produtores foi por orientação do médico veterinário, 18,5% consultam o balconista da agropecuária e 5,5% ouvem as indicações dos vizinhos.

A aplicação dos acaricidas nas propriedades dos participantes da pesquisa ocorre mensalmente em 47%, apenas quando veem o carrapato no animal em 22%, trimestralmente em 10%, somente quando necessário em 14%, 5,5% fazem o controle estratégico (início no final da época desfavorável ao carrapato no campo, quando existem baixas populações de larvas) e 1,5% faz aplicações a cada seis meses.

Na Figura 5 descreve a apresentação das formas dos carrapaticidas mais citados pelos pecuaristas. Foram classificados em: Carrapaticidas de Contato, aplicados por meio de pulverização, imersão ou “pour on”; Carrapaticidas Sistêmicos, aplicados por meio de injeções subcutâneas ou intramusculares. Os tipos “pour on” são formulados para serem utilizados por derrame no lombo do bovino, ou pulverização em ambos os lados da linha mediana dorsal.

 

Figura 5 – Forma de aplicação de carrapaticidas eleitos por pecuaristas (n) de Caçapava do Sul e Lavras do Sul/RS. Fonte: elaboração própria.

 

Com relação ao biocarrapaticidograma, 58,6% nunca fez o teste, enquanto 41,4 % realizaram a coleta das teleóginas para ser analisada a sensibilidade desses ectoparasitos. Concomitante a essa informação, 83% sabem da importância de realizá-los, outros 17% não sabem do que se trata.

Na Figura 6 identificamos as respostas dos pecuaristas quanto às raças bovinas criadas em suas propriedades rurais. A maioria dos produtores criam Braford, seguido de Brangus, Aberdeen Angus e Red Angus. 

 

Figura 6 – Raças de bovinos criadas nas propriedades rurais (n) de Caçapava do Sul e Lavras do Sul/RS. Fonte: elaboração própria.

 

Dos 70 participantes da pesquisa, 50 criam Braford, 29 Brangus, 24 Aberdeen Angus e 21 Red Angus. O gado misto foi a escolha de criação de 19 produtores rurais e apenas 4 possuem as raças Nelore e Charolês.

Do total de pecuaristas, 53% afirmam fazer seleção bovina para amenizar a infestação do carrapato, enquanto 47% não fazem nenhum tipo de seleção. Dentre aqueles que realizam algum tipo de seleção, 83,7% escolhem a raça que acreditam ser a mais favorável, outros 10,8% fazem a seleção por pelo curto e liso e apenas 5,5% acabam vendendo os animais mais infestados e mais sensíveis. Com relação ao Bos indicus, 60% já fez ou faz este cruzamento e 40% nunca se interessou em fazer este tipo de cruzamento.  

Quando perguntados se selecionavam bovinos de pelo curto e liso para reduzir a infestação do carrapato e suas consequências, 67,5% afirmaram que sim, enquanto 32,5% não se preocupam com esta característica. A maioria dos pecuaristas (89,5%) concordam que os cruzamentos com raças taurinas são um redutor da infestação do carrapato nos animais, mas 10,5% não concordam ou desconhecem o assunto. A TPB foi citada em 87% dos questionários como a principal doença causada por R. microplus, 7% elegeram a anemia, 1,5% citaram febre maculosa e 4,5% não souberam responder a pergunta.

A Figura 7 mostra os meses de maiores infestações nas propriedades, abrangendo desde a primavera ao outono, de forma quantitativa.

 

Figura 7 – Percepção de pecuaristas (n) de Caçapava do Sul e Lavras do Sul (RS) sobre os meses de maior infestação de R. microplus nos bovinos. Fonte: elaboração própria.

 

Março e fevereiro foram os meses mais citados nessa pesquisa, em 65% e 58,5% dos questionários, respectivamente, sendo que 42% dos produtores citam esses dois meses conjuntamente. Os meses que contemplam a primavera: outubro, novembro e dezembro foram citados 14%, 20% e 31,5%, respectivamente. Apenas três participantes afirmaram que todos os meses do ano percebem o carrapato-do-boi em suas propriedades.

Na questão da identificação das regiões onde as teleóginas se fixam, os participantes elegeram várias partes do corpo, sendo o pescoço (80%) e o úbere (65,5%) os mais citados nos questionários. Além disso, o saco escrotal, o entre pernas e a vulva aparecem em 27%, 14% e 7% dos questionários, respectivamente. Dentre os participantes da pesquisa, 41 (58,5%) não visualizam carrapatos em outros animais da fazenda, 15 (21,5%) citaram os cachorros, 14 (20%) os cavalos, seis (8,5%) citaram os ovinos e dois não responderam.

Para reduzir a infestação de carrapatos, 45 pecuaristas (64%) fazem melhorias nas forrageiras como, por exemplo, adubação, roçadas das pastagens naturais, maior número de subdivisões e ajuste da lotação animal. Já os cruzamentos de seus animais com zebuínos foi citado por 25 produtores (36%) como estratégia para reduzir as infestações. Dezessete afirmaram trocar o carrapaticida (24%) e 12 trocariam a maneira de aplicação do produto (17%).

 

Figura 8 – Percepção de pecuaristas (n) de Caçapava do Sul e Lavras do Sul (RS) sobre as consequências pelo R. microplus na saúde dos bovinos. Fonte: elaboração própria.

 

Dentre as consequências do carrapato na saúde dos bovinos (Figura 8), a perda de peso foi observada por mais de 71% dos entrevistados. Além disso, 37% identificaram a baixa condição corporal de seus animais, assim como o anestro por 18,5% e o aborto por 10%. Apenas 11% dos entrevistados não relataram perdas em consequência da infestação de carrapatos.

A Figura 9 descreve a percepção dos pecuaristas sobre a eficiência dos carrapaticidas usados e disponíveis no comércio local.

A última questão do questionário, dissertativa, teve seus resultados categorizados segundo a sua frequência na Figura 9. Dentre as respostas, 22% dos participantes avaliaram como pouco eficazes os carrapaticidas disponíveis nas lojas agropecuárias locais, 16% indicam a necessidade de novas moléculas conjuntamente com o manejo adequado das propriedades, 15% classificam como ineficazes e, 10%, afirmam não ter um produto que funcione 100%. Por outro lado, 9% consideram os carrapaticidas eficazes de um modo geral, e 3,5% estão satisfeitos apenas com os resultados dos acaricidas utilizados em banhos de imersão. Ainda entre as respostas, 12% afirmam ser os acaricidas mal utilizados pelos produtores e somente 1,5% utilizam e dizem estar satisfeito com o antiparasitário homeopático.

 

Figura 9 – Percepção dos produtores da eficácia dos carrapaticidas disponíveis na lojas agropecuárias de Caçapava do Sul e Lavras do Sul/RS. Fonte: elaboração própria.

 

Discussão 

 

R. microplus está presente em 98,57% das propriedades participantes da pesquisa, nas quais a maioria dos pecuaristas (37,5%) percebeu uma infestação de até 20 teleóginas/dia/animal. Na maioria dos questionários constatou-se que os meses de março (65%) e fevereiro (58,5%) são indicados como os de maior infestação, revelando a ausência de tratamentos estratégicos no início da primavera conforme recomendado por Alves-Branco et al. (2008). Entretanto, 4,3% dos produtores responderam “todos os meses do ano”, denotando a perda de controle da infestação em seus campos e ausência de práticas integradas de controle para evitar os prejuízos daí decorrentes.

Dentre os participantes, todos utilizam carrapaticidas químicos. A forma de aplicação mais comum foi o “pour-on” (80%), por possibilitar fácil aplicação pelo operador e praticidade no tratamento químico. Em 70% dos questionários o uso dessa forma aparece conjugada com a injetável, ou seja, carrapaticidas de contato são utilizados de forma concomitante ou intercalada com carrapaticidas sistêmicos. Duas ou mais formas de aplicação de carrapaticidas são usadas por 47% dos produtores. 

A pesquisa identificou que 47% dos pecuaristas realizam aplicação ou banho com acaricidas uma vez ao mês, o que é muito acima do recomendado. Outra resposta frequente foi “apenas quando se vê o carrapato no animal” em 22% e apenas 5,5% fazem o controle preventivo. As infestações em muitas destas propriedades são tratadas com carrapaticidas apenas a partir da visualização do carrapato nos animais, o que não se constitui a melhor estratégia, já que é recomendado o tratamento preventivo (GONZALES, 2003; ALVES-BRANCO et al., 2008). Nesse sentido, é possível identificar, assim como em outras pesquisas já realizadas (LEITE; ROCHA, 1999), que a aplicação de acaricidas pelo grau de infestação é muito subjetiva, dependendo de cada proprietário, resultando em uma alta frequência de aplicações e banhos carrapaticidas. Essa alta frequência seleciona e propaga o alelo de resistência por pressão de seleção (FURLONG; MARTINS, 2000), em outras palavras, “favorece a propagação de carrapatos cada vez mais resistentes” (KUNZ; KEMP, 1994 citado por ROCHA et al., 2006, p. 1239).  

Quando questionados sobre produtos carrapaticidas a Cipermetrina + Clorpirifós (Couro Limpo e Colosso – nomes comerciais), Fluazuron (Fluatac e Altis) e o Amitraz (Triatox) são as bases químicas usadas pelos pecuaristas. Dentre eles, a Cipermetrina e o Amitraz também foram as bases mais encontradas nos estudos de Rocha et al. (2006) e Furlong e Martins (2000) em Minas Gerais. Os princípios à base de benzoilfenilureia (Fluazuron) são dos últimos fármacos lançados no mercado. Apesar disso, essas moléculas já apresentam relatos de resistência ao carrapato no estado do Rio Grande do Sul (RECK et al., 2014). 

Ainda sobre os princípios ativos utilizados pelos pecuaristas, pode-se identificar fármacos que possuem aplicação tanto como vermífugo quanto como carrapaticida: os endectocidas. Em 12% dos questionários foram citadas a abamectina, a doramectina e a ivermectina (lactonas macrocíclicas). Esse duplo uso de lactonas macrocíclicas foi verificado também em produtores de criação de gado de corte, no México, resultando em um risco ≥ 6 vezes/ano maior de selecionar populações de carrapatos resistentes, em relação a propriedades que não utilizam esses princípios ativos (VIVAS et al., 2006). Dos pecuaristas, 64% dão vermífugos a seu gado, em geral, a cada dois meses com dosificações preventivas.

O recomendado seria fazer exame de fezes pelo método de OPG (número de ovos por grama), coprocultura (cultura de fezes), entre outros métodos importantes no controle da verminose. Nesse sentido, a aplicação acaba se dando sem critério específico e com recorrência desnecessária e com risco de selecionar populações de carrapatos resistentes.  

Em 76% dos questionários foi informado ser a escolha dos acaricidas por orientação do médico veterinário, 18,5% consultam o balconista da agropecuária e 5,5% ouvem as indicações dos vizinhos. Contudo, muitas vezes, esse médico veterinário citado diz respeito ao veterinário presente nas agropecuárias, ou seja, não significa visitas veterinárias regulares nas propriedades para a orientação correta de quando e como realizar o tratamento e do princípio ativo adequado. 

Quando questionados sobre o biocarrapaticidograma, 83% responderam saber da importância de realizá-lo. Contudo, apenas 41,4% dos participantes já fizeram o teste, que está disponível gratuitamente, por exemplo, no Instituto de Pesquisas Desidério Finamor, em Eldorado do Sul, RS. O biocarrapaticidograma é uma técnica simples e eficiente de controle do parasitismo, por meio do qual é possível identificar o princípio ativo mais adequado para combater a infestação em cada local. Com a realização anual deste teste “evitam-se falhas nos tratamentos, a formação de resistência às drogas pelo carrapato e a venda forçada de produtos ineficazes pela indústria de medicamentos” (KOHEK JUNIOR, 2015, p. 7).

Quanto à questão do uso do mesmo acaricida em uma próxima vez, as respostas positivas superam as negativas em apenas 8,4%, ou seja, pouco mais da metade dos entrevistados pretendem continuar utilizando o mesmo produto. Isto permite concluir que apenas pouco mais da metade dos entrevistados estão satisfeitos com os resultados do último princípio ativo usado. Muitos desses proprietários afirmaram usar mais de um produto simultaneamente. Saliente-se que a troca de produtos de maneira indiscriminada e sem critérios favorece a seleção de populações resistentes de carrapatos a todos os carrapaticidas simultaneamente (FURLONG; MARTINS, 2000). 

Nas respostas, 22% afirmaram ser “pouco eficazes” os carrapaticidas existentes e 11% acreditam ser eficazes, desde que haja uso e manejo correto do produto. Conforme Ferreto (2013), quando o produtor questiona a eficiência de determinado carrapaticida, comumente ele o troca indiscriminadamente por outros produtos, com mesmo princípio ativo ou não, e/ou realiza um elevado número de aplicações durante o ano, práticas também identificadas nessa pesquisa.

A raça Braford (3/8 Nelore x 5/8 Hereford) ou outros graus de sangue de Nelore foram as mais citadas pelos participantes da região, seguida de Angus. Cardoso et al. (2019) afirmam estar entre as características fenotípicas mais citadas como de maior relevância para a adaptação da raça Braford estão a pigmentação ocular, o comprimento do pelame e, especialmente, a resistência ao carrapato. Os zebuínos, quando cruzados com o gado europeu, transmitem a característica da resistência aos carrapatos, na mesma proporção em que houve o cruzamento (GONZALES, 1995). Segundo Pradel (2016), corroborando pesquisas anteriores, a maior proporção de genes Bos indicus nos biótipos dos bovinos favorece o controle do R. microplus e pode ser utilizado para diminuir o número de tratamentos carrapaticidas. 

Taurinos não selecionados para pelos curtos e lisos demonstram a correlação positiva com a infestação por carrapatos (VERÍSSIMO et al. 2002 citado por ROCHA et al., 2006). Nessa perspectiva, 67,5% relataram fazer a seleção de animais de pelo curto e liso, sob o critério de escolha da raça e seus cruzamentos com zebuínos, que possuem pele fina e resistente à ectoparasitos. 

No quesito imunização, a vacina da brucelose foi a mais citada (80%), já que a mesma é obrigatória no calendário vacinal de fêmeas entre três a oito meses. Essa recorrência, inferior a 100%, pode ter relação com o fato de algumas propriedades somente fazerem a recria e/ou a terminação do gado. A da Febre Aftosa, por outro lado, foi mencionada apenas em 60% dos questionários, podendo ter relação com o fato do Rio Grande do Sul ter vacinado oficialmente a última vez em abril de 2020, agora aguardando a oficialização de estado livre da febre aftosa sem vacinação (BRASIL, 2020). 

Quando questionados sobre suas estratégias para redução dos carrapatos, as respostas mais frequentes foram: o manejo das pastagens naturais com roçadas e adubações nas pastagens cultivadas (64%), a cruza com zebuínos (36%) e a troca do princípio ativo do carrapaticida (24%). Dentre os manejos das pastagens realizados, poucos (13%) têm a integração de lavouras de soja com pastagens de inverno. Esta integração, além de uma outra renda agrícola ao pecuarista, permite aos proprietários o plantio de aveia e azevém, ou a perenização de azevém via sementação anual e posterior plantio da oleaginosa. Além disso, ao encontro do tema analisado, “essa interligação é potencialmente favorável, já que o consórcio pecuária/agricultura promove um excelente controle da fase de vida livre desse parasito” (GONZALES, 2003 citado por SANTOS, 2009). 

Das suplementações possíveis, 62 (88,5%) pecuaristas fornecem sal mineral para seus animais. Pesquisas têm demonstrado (ARENALES; MORAES; MORAES, 2006 citado por SIGNORETTI  et al., 2010) ter a adição de um antiparasitário homeopático à essa suplementação resultar na redução da infestação de R. microplus, diminuindo a necessidade de banhos acaricidas, além de colaborar para um controle ecológico e mais sustentável (KEMER et al., 2020), podendo beneficiar a saúde e o bem estar animal (HONORATO, 2006). Entre os participantes da pesquisa, apenas um produtor respondeu utilizar há três anos um antiparasitário homeopático junto ao sal mineral para o controle do carrapato, obtendo resultados satisfatórios.

Pesquisas têm concluído (PRADEL, 2016) que o controle do carrapato deve ser feito de forma integrada, com medidas de manejo que combatam sua fase de vida livre no campo, com a aplicação correta dos produtos carrapaticidas, levando em conta os aspectos epidemiológicos do carrapato específicos de cada propriedade. Nesse sentido, as respostas ao questionário permitiram identificar a falta de controle do carrapato com base em conhecimentos técnicos científicos e integrados na região. Ocorre o privilegiamento do controle químico, com diferentes formas e alta frequência de aplicação, sem a realização de testes conhecidos como o biocarrapaticidograma.

Na região de condução deste questionário e no Brasil, o uso dos acaricidas constitui o principal instrumento de controle do carrapato. Além disso, nessa pesquisa foi possível identificar o uso frequentemente incorreto, sem considerar os conhecimentos básicos do ciclo do parasito, o controle estratégico no início da primavera, as frequências recomendadas, o manejo dos animais nas áreas de pastoreio, o uso do biocarrapaticidograma e as características climáticas da região para a tomada de decisão do controle do parasito no animal e no meio ambiente. 

O cruzamento com raças zebuínas ou novas derivadas destes cruzamentos se faz necessário, associadas a características auxiliares, para a diminuição da infestação do R. microplus, sendo uma forma mais eficaz, econômica e ecológica no controle da infestação, nos gastos com acaricidas, na poluição ambiental e no bem-estar dos animais.

 

Conclusões

 

Os carrapaticidas utilizados mostraram ser um indicador de pouca efetividade. Os pecuaristas reconhecem a perda de peso e de condição corporal dos bovinos devido a infestação por R. microplus. 

O teste de biocarrapaticidograma raramente é utilizado para a avaliação de resistência ao princípio ativo.

O médico veterinário das lojas agropecuárias é, na maior parte das vezes, consultado, mas não é realizada visita às propriedades para análise da situação específica em seus múltiplos condicionadores para maior ou menor grau de infestação e princípio ativo a ser realizado.  

A aplicação de questionário com os produtores rurais mostrou ser uma excelente ferramenta para o diagnóstico e caracterização do sistema produtivo e da propriedade.

 

Conflito de interesse

 

Os autores relatam não haver qualquer conflito de interesse.

 

Agradecimento

 

À bibliotecária Ana Vera Finardi (FAVET/UFRGS) pela correção das referências bibliográficas conforme normas da ABNT.

 

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Recebido em 14 de julho de 2021

Retornado para ajustes em 5 de agosto de 2021

Recebido com ajustes em 7 de outubro de 2021

Aceito em 23 de outubro de 2021