Efeito da poda verde sobre a produção e qualidade das estacas da porta enxerto Paulsen 1103

Revista Agrária Acadêmica

Agrarian Academic Journal

doi: 10.32406/v5n5/2022/1-8/agrariacad

 

Efeito da poda verde sobre a produção e qualidade das estacas da porta enxerto Paulsen 1103. Effect of green pruning on the production and quality of cuttings of the rootstock Paulsen 1103.

 

Marco Aurélio de Freitas Fogaça1*, Paulo Evandro de Costa2, Marcio Lima Nilton Mautone3, Antonio Romagna4, Marcus Júlio Toebe5, Renato Lazzari6

 

1*- Professor Doutor no Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Campus Bento Gonçalves – Av. Osvaldo Aranha, 540 – Bento Gonçalves – RS, Brasil, CEP 95700-206. E-mail: marco.fogaca@bento.ifrs.edu.br
2- Aluno do Curso de Pós-Graduação em Viticultura do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Campus Bento Gonçalves. E-mail: paulo_evandrocosta@hotmail.com
3- Engenheiro Agrônomo, aluno do Curso Superior de Tecnologia em Viticultura e Enologia pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Campus Bento Gonçalves. E-mail: marciomautone@gmail.com
4- Engenheiro Agrônomo, Especialista em Viticultura – Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Campus Bento Gonçalves. E-mail: antonio.romagna@bento.ifrs.edu.br
5- Tecnólogo em Horticultura pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Campus Bento Gonçalves. E-mail: marcus.toebe@bento.ifrs.edu.br
6- Aluno do Curso de Tecnologia em Horticultura pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Campus Bento Gonçalves. E-mail: renato_lazzari@hotmail.com

 

Resumo

 

O objetivo deste experimento foi em avaliar o efeito da poda verde sobre a produção e qualidade das estacas do porta enxerto de videira Paulsen 1103, utilizou-se dois tratamentos: sem poda verde e com poda verde. Variáveis avaliadas: produção e qualidade das estacas, sendo diferenciadas segundo seu diâmetro, para enxertia de mesa (diâmetro: 0,8cm a 1,2cm) e para plantio a campo, produção de porta enxerto enraizados (diâmetro: 0,5cm a 0,7cm). No ciclo 2018 a poda verde aumentou produção de estacas para enxertia de mesa (55,17%), sem afetar a produção.ha-1. Em 2019, houve aumento produção.ha-1 em 49,4% e da produção de estacas para enxertia de mesa.

Palavras-chave: Raiz. Propagação. Enxertia. Viticultura.

 

 

Abstract

 

The objective of this experiment was to evaluate the effect of green pruning on the production and quality of cuttings of the grapevine rootstock Paulsen 1103, using two treatments: without green pruning and with green pruning. Variables evaluated: production, and quality of cuttings, differentiated according to diameter, for table grafting (diameter: 0.8cm to 1.2cm) and for field planting, production of rooted rootstock (diameter: 0.5cm to 0.7cm). In the 2018 cycle green pruning increased production of cuttings for table grafting (55.17%), without affecting production.ha-1. In 2019, there was an increase in production.ha-1 by 49.4% and in the production of cuttings for table grafting.

Keywords: Root. Propagation. Grafiting. Viticulture.

 

 

Introdução

 

A região sul concentra a maior parte da viticultura do país, segundo o IBRAVIN (2017), e o Rio Grande do Sul possui 40 mil hectares de vinhedos, onde trabalham aproximadamente 15 mil em viveiros comerciais, que utilizam a técnica de enxertia de mesa para produção famílias, cultivando uma área média de 2,4 hectares por produtor. Estas áreas necessitam de mudas para reposição de falhas e novos plantios, sendo comum o produtor adquirir mudas de porta enxertos enraizados e fazer a enxertia destes nas falhas e vinhedos novos. A enxertia de campo responde por cerca de 70% das mudas plantadas nos vinhedos, sendo apenas 30% são adquiridas de mudas. A utilização de porta-enxertos ocorreu na viticultura no final do século XIX, para controlar a filoxera (Daktulosphaira vitifoliae), sendo considerado um dos mais efetivos mecanismos de controle biológico em pragas da agricultura, sendo posterior incorporado várias outras características que beneficiam as plantas enxertas.

Segundo Kuhn (2007), a enxertia de campo define-se como, a união de parte do ramo da copa, com uma ou duas gemas, a uma planta de porta-enxerto enraizada, sendo feita de forma manual, com canivete e tesoura de poda. Na enxertia de mesa, processo é realizado com uma máquina que une copa à estaca de porta enxerto (degemado), a formação do calo ocorre em um ambiente de temperatura e umidade a controlada, sendo que o diâmetro (0,7 a 1,2cm) e o tamanho da estaca (28cm), possui padrões pré-estabelecidos, o método apresenta alta eficiência e rendimento (Figura 1) .

 

                              T1                                                              T2

Figura 1 – Plantas do porta enxerto Paulsen 1103 (Vitis berlandiere x Vitis rupestris), submetidos a duas práticas de manejo T1 – sem poda verde e T2 – com poda verde. Ciclo 2019, Bento Gonçalves, RS.

 

O sucesso da enxertia é função da compatibilidade entre o porta enxerto e o enxerto, embora exista uma grande variedade de porta enxertos disponíveis, no entanto, a produção vitícola da região sul concentra sua produção de mudas nos porta enxerto o Paulsen 1103 (Vitis berlandieri x Vitis rupestris), que apresenta como características: bons índices de pega na enxertia, boa formação de raízes, elevado vigor e rendimento de estacas no matrizeiro, adapta-se a solos de textura arenosa a argilosa (0 a 60% de argila), de drenagem variada (tolera seca e umidade) e  seu pH ideal fica entre 5,5 a 7, (BALLESTER-OLMOS, 1993), o porta enxerto SO4 (Vitis berlandieri x Vitis riparia), também muito utilizados na fronteira Oeste, embora apresente excelentes característica para produção de mudas é pouco utilizado na Serra Gaúcha pela sua sensibilidade a Fusariose.

A escolha do porta-enxerto, bem como sua sanidade, vigor e estado nutricional, nível de carboidratos, são de vital importância para produção de mudas, ele tem efeito direto na produção, pois, em função de imprimir características a copa, afeta a produtividade e qualidade dos cachos da videira. Isso porque o desenvolvimento vegetativo do cultivar copa é influenciado pelo porta-enxerto, sendo que porta-enxertos mais vigorosos podem imprimir mais vigor a copa, consequentemente influenciando a frutificação. Brighenti et al. (2011) obteve melhor equilíbrio em parte vegetativo e frutificação no Cabernet Sauvignon enxertado sobre o 101-14 Mgt e aumento da massa foliar e menor produção utilizando o Paulsen 1103. Concordam com essa afirmação Shaffer et al. (2004), indicando que as características de um porta-enxerto, vão além do controle fitossanitário, sendo um forte aliado para o controle do crescimento das plantas e consequente na relação produção x qualidade da frutificação.

Embora a enxertia de campo, seja ainda a maior forma de propagação da videira utilizada no Brasil (SOUZA, 1996), a enxertia de mesa nos últimos 50 anos vem substituindo esta forma de produzir mudas e implantar vinhedos.  A enxertia de mesa é uma técnica de produção de mudas de videira, empregada nos países de expressão vitícola mundial, começou a ser desenvolvida principalmente na França, Itália e Alemanha desde os anos 40, a França e Itália são os principais países produtores de mudas que adotam este método (REGINA, 2002).  No Brasil, estudos abordando esta técnica já são realizados desde os anos 90 (SOUZA, 1999), sendo em 1992 a empresa Almadén vinhos finos localizada Santana do Livramento/RS, utilizou essa técnica parda produção de mudas para seus vinhedos, produzindo mais de 100 mil mudas ano. No entanto, este método foi utilizado de forma efetiva para produção de mudas a partir dos anos 2000. Umas das dificuldades para produção de mudas por esta técnica é o elevado investimento inicial (câmara de estratificação, câmara fria, máquinas de enxertia, etc.), que eleva o custo de produção, sendo que o valor médio do porta enxerto responde por 5 a 8% do custo da muda, valor que é repassado ao custo final da muda.

A enxertia de campo  apresenta um custo mais acessível no tocante a produção da muda, muitas vezes o próprio viticultor produz os porta enxertos e realiza a enxertia, no entanto, vários fatores limitam essa técnica, sendo os mais importantes: maior tempo para o início da produção, em caso de falhas no pegamento do porta enxerto e enxertia, necessidade da produção e manutenção dos porta-enxertos até o momento da enxertia, processo lento e depende a disponibilidade de enxertadores, mas a principal dificuldade deste método é a obtenção de porta enxertos e principalmente gemas da variedade copa sadios, que faz com que seja grande risco de produção mudas contaminadas por doenças (PIRES; BIASI, 2003).

Os porta enxertos são produzidos em matrizeiros onde rusticidade das variedades cultivadas, faz com que poucas práticas de manejo sejam necessárias, se compararmos com o matrizeiro da variedade copa das videiras. No entanto, a produção de mudas no viveiro é muitas vezes limitada, pela baixa produtividade e qualidade o que denota erros no processo de produção. 

Informações sobre a produtividade por hectare disponibilizadas em bibliografia são muito variáveis com ampla faixa de variação muito ampla (100 a 300 mil estacas/ha/ano), onde são citados valores que distam mais de 100 mil estacas entre o valor mínimo e o máximo produzido por hectare. Porta enxertos vigorosos  como o Paulsen 1103 e o SO4,  apresentam altos níveis de  produção de estacas por hectare, enquanto que porta enxertos de baixo vigor como 101-14 Mgt (Vitis riparia x Vitis rupestris) e o 420 A (Vitis riparia x Vitis rupestris), apresentam valores médios a baixos de produção de estacas.

A informações sobre a prática de manejo realizadas no matrizeiro variam muito entre viveiristas, dentre elas a poda verde dos matrizeiros. Segundo Mandelli (2006), a radiação solar, a temperatura do ar aliada a umidade relativa do ar e a precipitação pluviométrica são os elementos meteorológicos que mais exercem influência sobre o desenvolvimento da videira, sendo que a poda verde forma de desbrota e eliminação das feminelas, que visam beneficiar os ramos que tem potencial produtivo de estacas de qualidade e diminuir ramos de baixo calibre, que não podem ser utilizados para produção de mudas de porta enxerto ou enxertadas.

A videira apresenta um comportamento de crescimento variado entre as épocas de cultivo, sendo afetado principalmente pelas condições ambientais em cada ciclo em particular. Por ser uma planta exigente em luz, a videira requer elevada insolação durante o período vegetativo, sendo que a forma como a planta é conduzida, afeta a variação na interceptação de luz e provoca mudanças em seu comportamento fisiológico e fenológico, interferindo no desenvolvimento da planta (NEIS et al., 2010). Um dos órgãos vegetais mais influenciados pela intensidade da radiação é a folha, a poda verde reduz a área foliar das plantas, que pode reduzir a cortina verde, mas sendo feita de forma seletiva, possibilita redução da competição pelos fotoassimilados produzidos pela fotossíntese, concentrando nos ramos eleitos para produção de estacas, aumentando o  volume de  estacas com  diâmetro de maior calibre em detrimento dos ramos mais finos.

No caso dos matrizeiros de porta enxerto, é de fundamental importância a qualidade das estacas fornecidas (diâmetro, nível de reservas e sanidade), em menor nível de importância temos a rendimento de estacas, embora, estacas de diâmetro entre 0,5 a 0,6cm, possam ser utilizadas para produção de mudas de porta enxerto, o objetivo principal do matrizeiro, é a produção de mudas pela técnica de enxertia de mesa, feita por máquina que tem seu uso limitado ao diâmetro da estaca, que devem se situar -se entre  de 0,7 a  1,2cm, diâmetros inferiores a 0,7cm ficam similar ao diâmetro de corte da lâmina, e superiores a 1,2cm com frequência danificam a lâmina.

Considerando que a poda verde realizada de forma direcionada pode viabilizar a produção de estacas mais aptas para produção de mudas por enxertia de mesa, o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da poda verde sobre a qualidade e produção de estacas de porta enxertos Paulsen 1103.

 

Material e métodos

 

O experimento foi realizado nos ciclos  2018 e 2019, no matrizeiro de porta enxerto da Estação Experimental de Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, campus de Bento Gonçalves, localizado no distrito de Tuiuty, Bento Gonçalves – RS,  latitude 29° 30’ 26’’ S  e  longitude  51° 34’45’’ W, altitude média de 480 metros. A região apresenta clima temperado quente (Cfb), segundo a classificação climatológica de Köppen, que apresenta temperatura média anual de 17,2 °C, precipitação média anual de 1725 mm (frequência média anual de precipitação de 120 dias), média relativa umidade do ar de 64% de 77%, insolação média anual de 2200 horas e 410,2  horas de frio (GROHS, 2013). Segundo os critérios de classificação climática geovitícola, a Serra Gaúcha apresenta um clima temperado quente e úmido, de noites temperadas (TONIETTO, 2012).

As plantas do porta enxerto de videiras Paulsen 1103 (Vitis berlandiere x Vitis rupestris), foram plantadas em 2006, cultivados em sistema horizontal, composto por um arame central que sustenta a planta e dois arames laterais distanciados a 25cm um do outro, os quais sustentam a brotação. A altura de tronco é 90cm, e o espaçamento é 1,0m entre plantas e 2,5m entre filas, formando uma densidade de planta de  4000 plantas/ha (Figura 1).

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado com dois tratamentos e seis repetições, considerando uma planta como unidade experimental, onde os tratamentos foram: sem poda verde – T1 e com poda verde – T2. No tratamento T2, a poda verde foi realizada na última semana do mês de dezembro, retirando-se todas as feminelas dos ramos desenvilvidos na faixa de uma metro de cada lado do tronco da planta, e eliminação de todos os brotos fracos e abaixo da linha do tronco da planta.

Em dois períodos distintos do ciclo vegetativo 2019-2020, segunda semana de agosto, fase de dormêncio das plantas, foi realizada a poda dos ramos a duas gemas do tronco, Os ramos podados foram cortados com o comprimento aproximado de 28cm e no mínimo duas gemas, utilizando-se fita métrica, posterior foram separados em duas categorias de diâmetro (medidos com paquímetro digital), estacas para enxertia de mesa com diâmetro de 0,8cm a 1,2cm e estacas  com diâmetro entre 0,4cm a 0,7cm, que são usadas para plantio a campo ou estufa para produção de mudas de porta enxerto.

Foram avaliados a quantidade estacas por planta e estimada por hectare nas duas categorias de diâmetro.

 

Resultados e discussão

 

Os resultados obtidos nos dois anos de experimento demonstraram que a poda verde aumentou a produção de estacas com diâmetro para enxertia de mesa no ciclo 2019, sem afetar a produção por hectare, no ciclo 2019 ocorre aumento tanto da produção de estacas para enxertia de mesa como a produção de estacas por hectare (Tabela 1).

A rusticidade das variedades de porta enxertos utilizados, faz com que poucas práticas de manejo sejam necessárias, quando comparadas com as variedades copa, no entanto, as respostas obtidas na pesquisa demonstram que a redução da densidade dos ramos pela desbrota e retirada das feminelas (T2), afetaram a atividade fisiológica e crescimento dos ramos remanescentes nas plantas do Paulsen 1103, proporcionando o aumento o diâmetro dos ramos e o aumento da produção por hectare. Segundo Poni (2003), as intervenções em verde quando realizados de maneira precoce, ainda quando os ramos se apresentam ineficientes fotos sinteticamente apresentam duplo propósito, não afetam produção de foto assimilados e em contrapartida favorecem a crescimento dos ramos remanescentes, fator que concorda com os dados obtidos.

 

Tabela 1 – Produtividade e qualidade do matrizeiros do porta enxerto Paulsen 1103 (Vitis berlandieri x Vitis rupestres), submetido a poda verde.  Tratamentos: T1 – sem poda verde (SPV), T2 – Manejo com poda verde (CPV), ciclo 2018 e 2019, Bento Gonçalves – RS.
Variáveis
SPV-T1
2018
CPV-T2
2018
SPV-T1
2019
CPV-T2
2019
CV
%
Número de estacas (0,8 a 1,2cm)
15,04b
30a
19,2b
33,5a
42,95
Número de estacas (0,4 a 0,7cm)
24,83a
11,84b
14b
23a
19,62
Número de estacas por planta
43,66ab
41,4ab
34,55b
51,09a
20,97
Número de estacas (0,8 a 1,2cm) /ha
61.600b
120.000a
82.208ab
112500a
36,38
Número de estacas (0,4 a 0,7cm) /ha
103.200a
45.600b
56.000b
94.000a
20,17
Número total estacas /ha
164800ab
165600ab
138208b
206500a
20,97
**Médias seguidas de mesma letra na linha não diferem estatisticamente pelo teste de Duncan, com 5% de significância. *CV%: coeficiente de variação.

                    

Outro fator que contribui para embasar a reposta acentuada a T2, é localização das feminelas, que ocorre na base do ramo, mais próximos das folhas desenvolvidas (exportadoras de carboidratos), diferente das folhas do ápice do ramo do porta enxerto. Com relação a posicionamento da vegetação retirada, estas apresentam uma exposição solar mais eficiente, situam-se um nível acima das folhas do porta enxerto (Figura 1). Segundo Winkler et al. (1974), a parte superior do dossel vegetativo, apresenta maior captação de luz, consequente pela maior produção carbo-hidratos e taxa de desenvolvimento, característica similares as obtidas a cortina vegetal do experimento (Figura 1), ou seja, a redução da vegetação pela poda, reduz a competição por luz, beneficiando a cortina vegetal remanescente.

Para Poni (2003), quanto mais cedo intervenção em verde, mais rápido ocorre a resposta em termos de reposição da área foliar, que no caso de experimento, seria a emissão de novas feminelas. Embora ocorra esta resposta por parte da planta, Castro et al. (2006) cita que na produção de uvas, a retiradas dos brotos é mais barata e mais fácil, quanto estes possuem 15 a 20cm de comprimento. No experimento, a brotação do tronco do tronco é pouco significativa , sendo eliminada no início da brotação, no caso das feminelas em função da época poda verde encontravam-se dentro destes limites, considerando que  foi realizado em final de dezembro quando a taxa de crescimento das plantas  inicia sua estabilização que ocorre normalmente até fevereiro (JUNGES et al., 2019).

A avaliação do ponto de vista econômico, levando em consideração o custo total de execução da pratica de poda verde e o ganho em produção de estacas para enxertia de mesa, demonstra ser viável e rentável, pois, à estaca é um dos insumos que limita a produção de mudas, outro fator importante é o custo da terra onde estão estaladas as matrizes, muitas áreas de viveiros são arrendadas, e em função da utilização de muita mão de obra, necessita localizar-se próximo de centros urbanos,
elevando os custo com investimentos em áreas de produção lembrando que nos viveiros é necessário a rotação das áreas de produção das mudas, o que justifica o investimento em práticas que aumente a produção de estacas por área de matrizeiro. O ganho médio por hectare com o incremento de produção de estacas.ha-1  avaliados, chegou a R$ 25.527,00 considerando o preço médio de comercialização das estacas em R$ 0,60 por estacas. O custo médio de mão de obra para a realização de poda verde em um hectare de videira é de 20 dias homem, considerando o valor da mão de obra em R$ 130,00 para um dia de trabalho, o custo total para a realização do manejo seria de R$ 2.600,00 por hectare de acordo com a experiência dos viveiristas do ramo.

O resultado do trabalho com o incremento do manejo de poda verde pode trazer um rendimento líquido de aproximadamente R$ 23.000,00 por ha, com apenas uma intervenção, considerando que outras intervenções poderiam ser realizadas, esse valor pode reduzir ou se manter lembrando que existe uma grande procura por estacas para enxertia, e o valor da muda situou-se entre 8 e 10 R$ em 2021, que não supriram a demanda do mercado. Não existe um padrão de m2 área foliar por estaca para enxertia de mesa produzida, ou número de ramos por m2, são poucas as informações disponíveis sobre estes parâmetros, no entanto, as respostas fisiológicas das variedades copas em crescimento e desenvolvimento de ramos são similares, a aplicação da poda verde, sugere-se nos próximos experimentos, aumentar o número de tratamentos, quanto as épocas e número de intervenções, considerando que e o volume de estacas finas ainda é alto e variaram entre 20 a 50% do total de estacas produzidas nos dois anos pesquisados (Tabela 1).

 

Conclusão

 

A prática de poda verde propiciou aumento da produção de estacas por planta e por hectare, com diâmetro para enxertia de mesa.

As plantas que sofreram prática de poda verde, tiveram sua produção menos afetada pelo período de restrição hídrica que ocorreu no ciclo vegetativo de 2019.

Na média dos dois anos do experimento, a poda verde mostrou ser uma prática eficiente para aumentar da produção de estacas destinadas a enxertia de mesa nas plantas do porta enxerto Paulsen 1103.

 

Referências bibliográficas

 

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Recebido em 22 de outubro de 2022

Retornado para ajustes em 24 de novembro de 2022

Recebido com ajustes em 28 de novembro de 2022

Aceito em 29 de novembro de 2022

Condenação de carcaças por tuberculose bovina em um abatedouro frigorífico sob Sistema de Inspeção Federal (SIF) na região central de Rondônia – Brasil

Revista Agrária Acadêmica

Agrarian Academic Journal

doi: 10.32406/v5n4/2022/88-96/agrariacad

 

Condenação de carcaças por tuberculose bovina em um abatedouro frigorífico sob Sistema de Inspeção Federal (SIF) na região central de Rondônia – Brasil. Carcass condemnation for bovine tuberculosis in a slaughterhouse under federal inspection system (SIF) in central Rondônia – Brazil.

 

Ederson Alves de Souza1, Paulo Henrique Gilio Gasparotto1, Rodrigo Lopes Medeiros1, Alini Osowski2, Jerônimo Vieira Dantas Filho3, José Ivaldo de Siqueira Silva Júnior2, Maria das Dores Silva Araújo4, Jomel Francisco dos Santos5*, Luiz Donizete Campeiro Junior5

 

1- Médico Veterinário – Centro Universitário São Lucas, Curso de Medicina Veterinária – JI-PARANÁ/RONDÔNIA, BRASIL.
2- Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Animal – BOTUCATU/SÃO PAULO, BRASIL.
3- Zootecnista – Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, Universidade Federal de Rondônia – UNIR, ROLIM DE MOURA/RONDÔNIA, BRASIL.
4- Zootecnista – Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE, RECIFE/PERNAMBUCO, BRASIL.
5- Docente do Curso de Medicina Veterinária, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia – IFRO, JARU/RONDÔNIA, BRASIL.
*Autor para correspondência: E-mail: jomel.santos@ifro.edu.br

 

Resumo

 

O Mycobacterium bovis é o principal causador da tuberculose bovina, sendo uma das principais zoonoses que apresentam grande impacto econômico e na saúde pública. Objetivou-se com esta pesquisa, avaliar a ocorrência de tuberculose bovina em carcaças através da inspeção post mortem em um abatedouro frigorífico sob Sistema de Inspeção Federal (SIF) localizado na região central de Rondônia. Analisou-se, por meio da estatística descritiva, a quantidade total de bovinos abatidos, de carcaças condenadas por tuberculose, a média trimestral e média total de ocorrência de tuberculose bovina. A ocorrência de lesões sugestivas de tuberculose bovina em carcaças no abatedouro frigorífico estudado confirma a importância da fiscalização e inspeção das carnes.

Palavras-chave: Mycobacterium bovis. Pecuária. Linhas de inspeção.

 

 

Abstract

 

Mycobacterium bovis is the main cause of bovine tuberculosis, being one of the main zoonoses that have a great economic and public health impact. The objective of this research was to evaluate the occurrence of bovine tuberculosis in carcasses through post mortem inspection in a slaughterhouse under the Federal Inspection System (SIF) located in the central region of Rondônia. The total number of slaughtered cattle, carcasses condemned for tuberculosis, the quarterly average and the total average of bovine tuberculosis occurrence were analyzed using descriptive statistics. The occurrence of lesions suggestive of bovine tuberculosis in carcasses in the slaughterhouse studied confirms the importance of inspection and inspection of meat.

Keywords: Mycobacterium bovis. Livestock. Inspection lines. 

 

 

Introdução

 

A pecuária de corte brasileira se consolidou nos últimos anos como importante produtora de alimentos e se inseriu no mercado internacional, ocupando uma das primeiras colocações entre os maiores exportadores de carne bovina. Neste contexto, a pecuária de corte transformou-se também em importante elemento na captação de divisas para o país (EMBRAPA, 2013). Dados do IBGE (2019) mostram que no 1º trimestre de 2019, foram abatidas 7,77 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária, e produção de 1,91 milhões de toneladas de carcaças bovinas. Dentre as zoonoses alimentares detectadas durante o exame post mortem destaca-se a tuberculose, enfermidade grave que apresenta grande impacto econômico e na saúde pública (PINTO, 2003).

A condenação de carcaças por tuberculose bovina é um dos maiores problemas tanto para pecuaristas quanto para abatedouros frigoríficos. Por ser uma doença de evolução crônica, de efeito debilitante, com importante repercussão mundial e com grandes prejuízos para a pecuária brasileira, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) criou o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), com o objetivo de diminuir o impacto negativo dessas zoonoses na saúde humana e animal, além de melhorar a competitividade da pecuária nacional (BRASIL, 2006).

Atualmente a inspeção de carnes é realizada por avaliação ante mortem e post mortem. O exame ante mortem é realizado entre 8 e 24 horas antes do abate, e a finalidade é averiguar anomalias do animal, como doenças, fadiga ou estresse, prevenindo a entrada do animal clinicamente doente na sala de abate. Já a inspeção post mortem é um exame visual, seguido de palpações e incisões múltiplas na carcaça, nos linfonodos e órgãos, além de exames complementares. Visando uma maior eficiência da inspeção da carne os exames ante e post mortem devem ser acompanhados por exames laboratoriais, sempre mantendo uma ligação entre matadouro e setor produtivo (PINTO, 2008).

No Brasil a pecuária bovina de corte está presente desde a época colonial. Com a ampliação de novas áreas de pastagens, a pecuária bovina de corte caracterizou-se pelo sistema extensivo. Os sistemas intensivos de produção cresceram nos últimos anos com a incorporação de novas tecnologias que visam ao aumento da produtividade (CEPEA, 2017). O Brasil é detentor do segundo maior rebanho mundial de bovinos com 214,9 milhões de cabeças em 2017, atrás apenas da Índia, e é o maior exportador e segundo maior produtor de carne bovina (IBGE, 2017). Segundo censo agropecuário IBGE (2017), Rondônia possuía 3.367 estabelecimentos agropecuários em (2017), com 228.392,742 hectares de pastagens naturais, 75.332 estabelecimentos agropecuários com 5.740.062,846 hectares de pastagens plantadas em boas condições e 4.534 estabelecimentos agropecuários com 120.815,072 hectares de pastagens plantadas em más condições.

As bactérias Mycobacterium bovis e M. tuberculosis foram descobertas como agentes causadores de tuberculose em animais e humanos por Robert Koch (MCVEY, 2016). Em bovinos, a infecção por M. tuberculosis causa a tuberculose pulmonar ou disseminada. Contudo, só se mantém quando os animais são mantidos na presença de portadores humanos da infecção. Além dessas espécies, outros Mycobacterium sp. podem infectar bovinos, mas geralmente a infecção é autolimitante e não resulta em lesões extensas (SANTOS; ALESSI, 2016).

Tuberculose é uma enfermidade infectocontagiosa, granulomatosa, de caráter crônico, constituindo-se em grave zoonose. Acomete, principalmente, bovinos, bubalinos, caprinos e suínos (MEGID, 2016). O agente da tuberculose em bovinos, bubalinos e caprinos é M. bovis, bactéria classificada como pertencente à ordem Actinomycetales, família Mycobacteriaceae, gênero Mycobacterium. Na classificação atual, M. bovis foi incluído no chamado complexo M. tuberculosis, juntamente com mais seis espécies: Mycobacterium tuberculosis, M. microti, M. africanum, M. canetti, M. caprae e M. pinnipeddi, pois essas espécies são muito semelhante geneticamente, apresentando 99,9% de homologia e sequência idêntica à do gene 16S ácido Ribonucleico Ribossomal (rRNA), mas possuem diferenças fenotípicas, epidemiológicas e patogênicas (JEMAL, 2016; MEGID, 2016).

Objetivou-se com esta pesquisa determinar a ocorrência de tuberculose bovina, diagnosticada em exame post mortem de rotina em um abatedouro frigorífico localizado na região central de Rondônia com Serviço de Inspeção Federal, no período de março de 2018 a fevereiro de 2019.

 

Material e métodos

 

O presente estudo foi realizado através de coleta de dados das condenações de bovinos abatidos no período de março de 2018 a fevereiro de 2019, em abatedouro frigorífico com Serviço Inspeção Federal (SIF), localizado na região central de Rondônia – Brasil, através de relatórios do SIGSIF (Sistema de Informações Gerenciais do Sistema de Inspeção Federal). Foram consideradas condenadas aquelas carcaças e também órgãos e vísceras que apresentaram alterações anatomopatológicas sugestivas de tuberculose, com base no Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal – RIISPOA (BRASIL, 2017).

As frequências das condenações estavam contidas em relatórios mensais, preenchidos por técnicos do serviço de inspeção federal durante a inspeção post mortem dos animais e após exame minucioso nas chamadas “linhas de inspeção”, de acordo com imposto pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Inspeção de carnes; Padronização de Técnicas; Instalações e Equipamentos (BRASIL, 2007), sendo utilizadas técnicas baseadas em exame visual, palpação e incisões em linfonodos específicos e parênquima dos órgãos, quando necessário (BRASIL, 2017).

Os dados dos relatórios estavam agrupados em condenações e destinação de carcaças,  partes de carcaças, condenações de órgãos (pulmões, rins, fígado, cabeça, língua, coração, intestino e cauda), e foram dispostos em tabelas e gráficos, com o auxílio de software Microsoft Excel e programa estatístico Action Stat.

 

Análise estatística

 

Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva. Para a formação e classificação de grupos trimestrais de acordo com o ranque das médias de ocorrências de lesões sugestivas de tuberculose, utilizou-se o teste Kruskal-Wallis (p<0,05).

 

Resultados e discussão

 

Foi abatido no período de março de 2018 a fevereiro de 2019, um total de 208.157 bovinos de ambos os sexos, provenientes de municípios do estado de Rondônia e Mato Grosso. Desse total, foram condenadas através da inspeção post mortem nas linhas de inspeção, 43 carcaças com lesões sugestivas de tuberculose, resultando numa ocorrência geral de 0,02%. Dos bovinos condenados 30 eram fêmeas e 13 foram machos, conforme demonstrado na figura 1.

 

Figura 1 –  Índice de condenações por classe sexual. Fonte: Dados da pesquisa.

 

Pereira et al. (2017), encontraram índices superiores de condenações em bovinos fêmeas em uma pesquisa realizada no estado do Pará, no ano de 2016, a partir de registros dos relatórios mensais de abate de três abatedouros com Serviço de Inspeção Municipal (SIM). O índice de condenações encontradas pelo autor foram 87,61% em fêmeas e 12,39% nos machos.

Grisi Filho et al. (2011), em uma análise epidemiológica das condenações de bovinos por tuberculose em abatedouros do estado de São Paulo, encontraram resultados indicando que bovinos tuberculosos são preferencialmente fêmeas, sem raça definida e com idade superior a 36 meses. Considerando que bovinos fêmeas, em geral, têm uma vida produtiva mais longa, e o tempo de exposição pode ser determinante para adquirir a enfermidade.

Os dados do presente trabalho foram agrupados trimestralmente, onde, foi analisado o total de bovinos abatidos, a média de ocorrência, a destinação de carcaças condenadas por achados de lesões macroscópicas sugestivas de tuberculose, no período de um ano, que compreende de março de 2018 a fevereiro de 2019. Os resultados estão demonstrados na tabela 1.

 

Tabela 1 – Média trimestral de bovinos abatidos, ocorrência de carcaças com lesões sugestivas de tuberculose diagnosticada durante o exame post mortem de bovinos abatidos e destinação, no período de março de 2018 a fevereiro de 2019, em um abatedouro frigorífico na região central de Rondônia.
Trimestre
Bovinos abatidos
Tuberculose
Ocorrência %
Conserva
Graxaria
1o
50.480
10
0,020ab
2
8
2o
58.825
28
0,048a
14
14
3o
48.547
3
0,006bc
1
2
4o
50.305
2
0,004c
2
Total
208.157
43
0,02
17
26
Médias de ocorrências seguidas por letras distintas se diferem entre si pelo teste de kruskal- wallis (p<0,05). Fonte: Dados da pesquisa.

 

Os resultados apresentados na tabela 2 demonstraram que foram abatidos a menor quantidade de bovinos no 3o trimestre, e o 2o trimestre foi o que abateu a maior quantidade de bovinos, comparado com os demais trimestre no período estudado. Os resultados demonstram que a quantidade de bovinos abatidos possui relação direta com a quantidade de carcaças condenadas por tuberculose no 2o trimestre com 28 carcaças condenadas por tuberculose bovina. Carcaças que apresentaram lesões sugestivas de tuberculose na inspeção post mortem, após o julgamento 39,54% foram destinadas a conserva e esterilização por calor e 60,46% foram destinadas a graxaria.

 

Tabela 2 – Média, desvio padrão e amplitude das ocorrências trimestrais de carcaças condenadas por tuberculose.
Trimestre
Média
Desvio padrão
Amplitude
1o
3,33
1,53
2 – 5
2o
9,33
1,53
8 – 11
3o
1
1
0 – 2
4o
0,67
0,58
0 – 1
Fonte: Dados da pesquisa.

 

Depois de serem classificados os grupos trimestrais utilizando o método do teste kruskal-wallis (KW) foram avaliados as médias e desvio padrão individual de cada grupo.

Os órgãos que apresentaram lesões macroscópicas sugestivas de tuberculose ao exame post mortem foram os linfonodos: pré-escapular, pré-peitoral, pré-crural, poplíteo, mediastinal, mamário, isquiático, inguinal, hepático, ilíaco, parotidiano, apical, mesentérico, supra esternal e cervical profundo, foram encontrados também lesões em pulmão, fígado, rins e na pleura. A tabela 3 demonstra a quantidade e local das lesões da doença. Animais que apresentaram lesões em duas regiões da carcaça foram computadas duas vezes.

 

Tabela 3 – Órgãos que apresentaram lesões sugestivas de tuberculose no exame post mortem.
Local
1o Trimestre
2o Trimestre
3o Trimestre
4o Trimestre
Total
L. hepático
2
1
3
L. mediastinal
4
3
1
8
L. ilíaco
1
1
1
3
L. mesentérico
1
1
L. pré-peitoral
4
18
3
25
L. supra esternal
1
1
L. pré-escapular
14
23
3
1
41
L. poplíteo
5
3
8
L. mamário
5
3
8
L. parotidiano
2
1
3
L. pré-crural
4
2
1
1
8
L. isquiático
1
4
5
L. inguinal
3
3
6
L. cervical profundo
1
1
L. apical
2
1
3
L. traqueo brônquico
1
1
2
L. retrofaringiano
1
1
2
Pleurite
1
1
Rins
1
1
Fígado
1
1
Pulmão
1
1
Fonte: Dados da pesquisa.

 

Os linfonodos de carcaça pré-escapular e pré-peitoral foram os mais acometidos totalizando 50% das lesões sugestivas de tuberculose, observado neste estudo, corroborando com Salazar (2005) que encontrou 41,8% das lesões nos referidos linfonodos supracitados. França et al. (2013) em um estudo conduzido no estado da Bahia encontrou 51,5% das lesões sugestivas da doença somente no linfonodo pré-escapular.

O presente estudo mostrou que a ocorrência geral de carcaças condenadas no abatedouro frigorifico em questão, foram inferiores 6 vezes aos resultados obtidos por Vendrame (2013), que verificou a campo através de teste cervical comparado, que a prevalência de animais reagentes a tuberculinização foi de 0,120%, em um estudo da situação epidemiológica da tuberculose no estado de Rondônia no período de junho de 2009 a março de 2010.

Baptista et al. (2004), alerta para a possibilidade de, mesmo a ocorrência de lesões macroscópicas detectáveis em exame post mortem sendo baixa, os grupos de abate não constituem amostras aleatórias, sendo, só o levantamento da doença nas fazendas, em amostras representativas ou abrangendo a totalidade dos animais, pode proporcionar boas estimativas da frequência da doença. Portanto, seria esperado que a prevalência estimada, baseada em dados obtidos de inspeção post mortem, fosse inferior à obtida pelo diagnóstico in vivo (FURLANETTO et al., 2012).

Estudo realizado no estado de Minas Gerais, por Baptista (2004), em dez abatedouros frigoríficos, no período de 1993 a 1997, onde, foram abatidos 954.640 bovinos e desses foram diagnosticados na inspeção post mortem 681 casos de tuberculose com prevalência de 0,07%. Já a estimativa da prevalência aparente de animais infectados no mesmo estado, utilizando-se o exame in vivo da tuberculinização comparada, foi 11 vezes mais alta, com 0,8% dos animais positivos, conforme levantamento realizado em 1999, envolvendo 1.586 propriedades e 22.990 animais (BELCHIOR, 2000).

Em outro estado pertencente ao norte do país, Delgado (2011), obteve resultados superiores aos encontrados no presente trabalho, com a ocorrência de 0,82% de condenação de carcaça afetada por tuberculose em abatedouro, sob inspeção federal, no estado do Pará, no período de março de 2010 a fevereiro de 2011. Souza (2013) também, obteve resultados acima do encontrado no presente trabalho em estudo realizado no estado de Minas Gerais nos anos de 2011 e 2012. Dos animais testados no período mencionado, 25% apresentaram lesões macroscópicas sugestivas de tuberculose.

Estudos mostraram que a ocorrência e prevalência da tuberculose bovina, diagnosticadas no exame post mortem, no estado do Mato Grosso reduziram nos últimos anos. Em um estudo realizado por Salazar (2005), no estado do Mato Grosso a ocorrência de lesão presuntiva de tuberculose diagnosticada durante o exame post mortem de bovinos abatidos, foi de 0,05%, no período de novembro de 2004 a agosto de 2005. Em um trabalho realizado por Furlanetto et al. (2012), acompanhou-se o abate e a inspeção post mortem de 41.193 bovinos em seis abatedouros frigoríficos no estado do Mato Grosso, no período de maio a outubro de 2009, realizando a análise por meio de cultivo microbiológico e molecular, sendo relatadas 198 lesões julgadas pelo SIF como sugestivas a doença, estimando assim, uma prevalência de 0,007% da tuberculose bovina.

Os resultados encontrados por Maciel (2018) corroboram com os achados no presente estudo, em um trabalho realizado entre março e junho de 2018, em um matadouro frigorífico, Sob Inspeção Federal, localizado em Bagé no Estado do Rio Grande do Sul, constatou que, de 30.585 bovinos abatidos, 14 (0,05%) carcaças apresentam lesões sugestivas de tuberculose. Já França et al. (2013), encontrou resultados bem mais elevados, em um estudo conduzido na região Sudoeste da Bahia, no período de março a novembro de 2012, constatou ao exame post mortem, 70 bovinos de um total de 58.268 abatidos apresentaram lesões sugestivas de tuberculose, correspondendo à prevalência de 0,12%.

A grande variação espacial e temporal na prevalência da tuberculose bovina pode ser atribuída às condições técnicas e materiais de cada abatedouro e à procedência e categoria dos bovinos (idade, sexo, aptidão zootécnica e sistemas de criação) (BAPTISTA et al., 2004).

Neves et al. (2017), em um trabalho de revisão de literatura encontrou resultados relacionados à prevalência de tuberculose em abatedouros frigoríficos, demonstraram que no Brasil existem condenações de carcaças bovinas por tuberculose. Mesmo os animais não apresentaram sinais clínicos da doença no exame ante mortem, evidenciaram a importância da análise no exame post mortem, quanto à presença de lesões sugestivas para tuberculose, podendo, ou não, ser confirmadas nos exames laboratoriais.

 

Conclusão

 

Com este estudo, conclui-se que a ocorrência geral de lesões sugestivas de tuberculose bovina em carcaças no abatedouro frigorífico avaliado foi baixa, com o índice de condenações maior em bovinos fêmea, confirmando a importância da fiscalização e inspeção das carnes. A classificação trimestral demonstrou diferenças de ocorrência de tuberculose bovina entre os grupos, mas, a ocorrência mensal de condenações não demonstrou significância dentro de cada grupo. Os linfonodos pré-escapular e pré-peitoral foram os mais acometidos com lesões sugestivas de tuberculose, e das carcaças condenadas, a maioria foi destinada a graxaria.

 

Conflitos de interesse

 

Não houve conflito de interesses dos autores.

 

Contribuição dos autores

 

Paulo Henrique Gilio Gasparoto – ideia original, leitura e interpretação das obras, escrita e orientação; Ederson Alves de Souza, Rodrigo Lopes Medeiros, Alini Osowski, Jerônimo Vieira Dantas Filho e José Ivaldo de Siqueira Silva Júnior – escrita e correções; Maria das Dores Silva Araújo, Jomel Francisco dos Santos e Luiz Donizete Campeiro Junior – orientação, correções e revisão do texto.

 

Agradecimentos

 

Agradecemos ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Jaru, pelo aporte financeiro destinado à publicação da produção.

           

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Recebido em 28 de agosto de 2022

Retornado para ajustes em 20 de outubro de 2022

Recebido com ajustes em 25 de outubro de 2022

Aceito em 29 de novembro de 2022