Perfil e percepção de consumidores sobre alimentos cultivados em sistema agroflorestal em Santarém, Pará

Revista Agrária Acadêmica

agrariacad.com

doi: 10.32406/v8n2/2025/88-107/agrariacad

 

Perfil e percepção de consumidores sobre alimentos cultivados em sistema agroflorestal em Santarém, Pará. Consumer profile and perception of food produced in agroforestry systems in Santarém, Pará.

 

Jamila Vieira Sousa1, Daniela Pauletto2, Diego Lima Aguiar3, Eliene Monique Dias Santos1, Samanda Thais Neves da Silva1, Ádria Fernandes da Silva4, Verena Santos de Sousa5, Anselmo Junior Correa Araujo6, Maria Lita Padinha Corrêa Romano2

 

1- Discente de Graduação no Instituto de Biodiversidade e Florestas – Universidade Federal do Oeste do Pará, Campus Tapajós, Santarém – PA, Brasil. E-mail: jamilavieirasousa@gmail.com  
2- Docente no Instituto de Biodiversidade e Florestas – Universidade Federal do Oeste do Pará, Campus Tapajós, Santarém, PA – Brasil. E-mail: paulettoflorestal@gmail.com
3- Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND/UFOPA), Santarém – PA, Brasil.  
4- Voluntária Profissional do Grupo de Pesquisa CEMI – Centro de Estudos em Manejo e Sistemas Florestais Integrados, Santarém – PA, Brasil.  
5- Universidade Federal do Paraná – UFPR, Curitiba – PR, Brasil.
6- Técnico de Laboratório no Instituto de Biodiversidade e Florestas – Universidade Federal do Oeste do Pará, Campus Tapajós, Santarém – PA, Brasil.

 

 

Resumo

 

A produção de alimentos em sistemas agroflorestais (SAFs) oferece várias vantagens. A introdução de espécies de ciclo curto gera renda nos primeiros anos de consórcio, o que auxilia na manutenção de espécies perenes. Portanto testar diferentes possibilidades de cultivo em SAFs é importante para reduzir custos de produção e promover a soberania alimentar familiar. Neste estudo, comparou-se a produção de alimentos em SAFs em relação a um sistema sem o consórcio, denominado a pleno sol (tratamento controle). O objetivo foi posteriormente avaliar o perfil e a percepção dos consumidores de alimentos provenientes destas modalidades de cultivo. Para isso foram aplicados 37 questionários junto ao público-alvo do Restaurante universitário para avaliar amostras de tubérculos (inhame – e cará roxo – Dioscorea alata L. e Dioscorea trifida L.f ) e a raiz tuberosa (gengibre – Zingiber officinale Roscoe.). Os resultados mostraram que o gengibre e o cará-roxo são amplamente conhecidos (100%), enquanto o inhame é habitual para 78% dos participantes. Quanto ao consumo, as porcentagens variaram de 19 a 38% para as diferentes espécies. Na escolha para eventual compra, caracteres anatômicos como cor, tamanho e forma das amostras foram atributos importantes para decisão final. O gengibre e cará-roxo foram bem aceitos a pleno sol, com porcentagens de 54% e 72,9%, respectivamente. Já o inhame, quando cultivado em consórcio, alcançou uma porcentagem significativa em relação a outras opções, atingindo 37,8% da preferência.

Palavras-chave: Produção agrícola. Tubérculos. Consumo.

 

 

Abstract

 

Food production in agroforestry systems (SAFs) has several advantages. The introduction of short-cycle species generates income in the first few years, which helps to maintain perennial species. Therefore, testing different cropping options in SAFs is important to reduce production costs and promote family food sovereignty. In this study, food production in SAFs was compared with a system without the consortium, called full sun (control treatment). The aim was to assess the profile and consumer perception of food from these farming systems. To this end, 37 questionnaires were administered to the target group of the university restaurant to evaluate samples of tubers (yams and purple yams – Dioscorea alata L. and Dioscorea trifida L.f) and the tuberous root (ginger – Zingiber officinale Roscoe.). The results showed that ginger and yam were widely known (100%), while yam was known by 78% of the participants. In terms of consumption, the percentages ranged from 19 to 38 per cent for the different species. When choosing which species to buy, anatomical characteristics such as colour, size and shape of the samples were important attributes in the final decision. Ginger and cará-roxo were well accepted in full sun, with percentages of 54 per cent and 72.9 per cent respectively. Yam, on the other hand, when grown in a consortium, achieved a significant percentage compared to the other options, reaching 37.8 per cent of preference.

Keywords: Agricultural production. Tubers. Consumption.

 

 

Introdução

 

Mesmo o Brasil sendo rico em biodiversidade, o padrão alimentar predominante é industrializado, com sustentação da matriz agrícola baseada em monoculturas, onde espécies que possuem potencial econômico e nutricional são negligenciadas (REINALDO et al., 2015; ROCHA; ETGES, 2019). Neste sentido os sistemas sustentáveis são apontados como um caminho para se reduzir a fome e desnutrição (PEREIRA et al., 2020; SALLES-COSTA et al., 2022) sendo a agricultura familiar a principal fornecedora de alimentos que impulsionam a economia local, o que é fundamental para desenvolvimento local e segurança alimentar em bases sustentáveis (MATTEI, 2017).

As variedades existentes e a riqueza natural de espécies subutilizadas, como raízes e tubérculos, têm potencial para contribuir na diversificação da alimentação com opções saudáveis e sustentáveis. No entanto, ainda existem lacunas em relação ao conhecimento desses alimentos em comparação com outros (VIEIRA et al., 2022; HUNTER et al., 2019).

Com a crescente demanda por produção sustentável de alimentos, os sistemas agroflorestais (SAFs) tornam-se uma alternativa a ser considerada pelo produtor, pois o uso da terra é destinado tanto para fins de produção, quanto para estabilidade do ecossistema visto que otimiza o uso dos recursos naturais e a sustentabilidade (PALUDO; COSTABEBER, 2012; COSTA et al., 2022). Os SAFs são sistemas de produção agrícola que integram espécies florestais e/ou madeireiras, frutíferas, com cultivos agrícolas e, em alguns casos, também animais na mesma área (ABDO et al., 2008). Este tipo de sistema proporciona uma série de benefícios, como maior eficiência no uso de recursos naturais, maior biodiversidade e menor impacto ambiental (SILVA et al., 2018), contribuindo para gerar serviços ecossistêmicos de regulação e suporte (SCHULER et al., 2018; CANUTO, 2017).

O plantio de SAFs faz-se importante na segurança alimentar pois o diversificado número de espécies cultivadas, ao longo do ano, garante variedade de alimentos (FERREIRA et al., 2016) tornando os produtores menos vulneráveis as oscilações do mercado e a fatores ambientais como as mudanças climáticas (DIAS FILHO et al., 2023).

A adoção de SAFs ainda é relativamente baixa e tem difusão limitada (ARANTES et al., 2017) pois esta modalidade de cultivo possui limitações de cunho técnico em sua implantação, como por exemplo, conhecimento sobre arranjo e manejo de espécies (COSENZA et al., 2016) onde o entendimento das interações biofísicas existentes poderá habilitar as pessoas a empregar e a manejar tais sistemas com maior sucesso (BERNARDES et al., 2009). Estes sistemas, são amplamente difundidos como uma das alternativas para promover agriculturas mais sustentáveis (FREDERICO; MORAL, 2022) e apesar de serem complexos, possuem uma semelhança estrutural com a floresta nativa (VASCONCELLOS; BELTRÃO, 2018). Um fator que seria importante para o fortalecimento dos SAFs está ligado ao reconhecimento e valorização, por parte dos consumidores, dos alimentos vindos de tais sistemas, com ações para expansões deste sistema (BRAGA et al., 2020).

A aprovação do cultivo agroflorestal, por parte da população, pode ser promovida por distintas formas de divulgação (MARTINELLI; CAVALLI, 2019), onde considerar parâmetros analisados pelo consumidor, no momento da escolha de alimentos, como a qualidade, aparência, frescor e o preço dos alimentos (MOREL et al., 2015) pode ser uma estratégia para alavancar este tipo de cultivo. Estes diagnósticos poderão gerar dados importantes sobre comportamento do cliente, contemplando também as constantes mudanças alimentares das pessoas (BALEM et al., 2017), o que pode impactar a decisão de compra, pois há uma crescente conscientização sobre a produção de alimentos e o meio ambiente e com a relação ética com o meio ambiente (ROSA et al., 2022).

Entender a percepção do consumidor sobre alimentos produzidos em sistemas agroflorestais é um fator importante para o desenvolvimento e crescimento dessa prática agrícola. Para isso estudos que apontem a visão dos consumidores sobre alimentos, produzidos em diferentes modalidades de cultivo são importantes, visto que o plantio de espécies de ciclo curto pode ser realizado de forma consorciada, junto a espécies florestais, em sistema agroflorestal. Para tal enfatizou o grupo de raízes e tubérculos que representam no ano de 2000 a 2020 de 9% a 11% do total mundial de produção de culturas (FAO, 2022).

No âmbito deste estudo, o objetivo foi avaliar o perfil de consumidores, características de consumo e o de que maneira atributos sensoriais e estéticos dos alimentos podem afetar a decisão de compra dos consumidores. Para essa análise, foram utilizados dados provenientes de amostras de gengibre (Zingiber officinale Roscoe), inhame (Colocasia suculenta L.s) e cará-roxo (Dioscorea trifida L.f), obtidas tanto de sistemas agroflorestais quanto de cultivo a pleno sol.

 

Material e métodos

 

O estudo teve como áreas de cultivo diferentes modalidades de plantio, incluindo sistemas agroflorestais e cultivo a pleno sol. O cultivo foi realizado na Fazenda Experimental da Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA, localizada na Rodovia PA-370 (Santarém/Curuá–una), com sede nas coordenadas -2.68838 – 54.53177 W, no município de Santarém, na região oeste do Pará.

Para este propósito, foram selecionadas três espécies: gengibre, cará-inhame e cará-roxo. Essas espécies são reconhecidas por sua importância na alimentação brasileira (CHANDRASEKARA; KUMAR, 2016; CASTRO et al., 2012), sendo produtoras de tubérculos e/ou raízes tuberosas que são fonte de carboidratos, fibras alimentares, proteínas, lipídios além de serem fonte de nutrientes e vitaminas (TBCA, 2023). Na tabela 1 estão descritas algumas características das espécies do estudo.

 

Tabela 1 – Características das espécies cultivadas em sistema agroflorestal na Fazenda Experimental da UFOPA, Santarém, Pará. Fonte: COUTO; FRAGA, 2023; ANDRÉ, 2023.
Informações
Cará-roxo
Cará-inhame
Gengibre
Família botânica
Dioscoreaceae
Dioscoreaceae
Zingiberaceae
Nome científico
Dioscorea trifida L. f
Dioscorea alata L
Zingiber officinale
Roscoe
Origem
Nativa
Cultivada
Cultivada
Forma de vida
Liana/volúvel/trepadeira
Liana/volúvel/trepadeira
Erva
Tipo de raiz
Tubérculo
Tubérculo
Raiz tuberosa
Forma tubérculo
Lobado/cilíndrico
Cilíndrico
Lobulado/fasciculado

 

A área utilizada para o cultivo das espécies deste experimento tem histórico de uso para pecuária bovina (> 20 anos), onde posteriormente contou-se com o estabelecimento de regeneração natural e predominância de vegetação secundária (PAULETTO et al., 2022). Para duas áreas do experimento (sistemas agroflorestais) o histórico consta de corte e queima da vegetação (2016) e introdução do plantio de teca (Tectona grandis L.f.) e mogno africano (Khaya grandifoliola), realizado no ano de 2017. Já para a terceira área (cultivo a pleno sol) houve em 2019, após cerca de 3 anos de pousio (regeneração natural da vegetação), uma nova retirada da vegetação, mas nesta ocasião, com uso de implementos agrícolas (trator com garfo acoplado) para posterior gradagem do solo. Nesta área, em 2020 e 2021, foram cultivadas leguminosas para melhoria das condições do solo como crotalária (Crotalaria juncea L.), feijão de porco (Canavalia ensiformis (L.) D.C.) e mucuna (Mucuna pruriens (L.) D.C. var. utilis).

A preparação da área experimental para este estudo teve início em novembro de 2021, com a seleção de dois reflorestamentos (área sombreada) e a implementação de um tratamento controle com cultivo a pleno sol. Em dezembro de 2021, procedeu-se ao plantio, o qual consistiu na associação das culturas de gengibre, inhame e cará-roxo com a espécie teca no tratamento 1 e a espécie mogno africano no tratamento 2. Ambas as espécies florestais foram cultivadas em um espaçamento de 3 x 2 metros e apresentavam aproximadamente 5 anos de idade.

No tratamento 3 o plantio das mesmas três espécies ocorreram entre as mudas de cumaru (Dipteryx sp.), as quais estavam dispostas em um espaçamento de 6 x 3 metros e com 1 ano de cultivo. Essa disposição evitou qualquer incidência de sombra sobre as plantas objeto deste estudo, uma vez que as mudas de cumaru possuíam aproximadamente 70 cm de altura.

Para o plantio das espécies de cará-roxo, gengibre e inhame, procedeu-se à preparação do solo por meio do revolvimento com o auxílio de enxada em toda a extensão das parcelas. Esta operação resultou na formação de leiras com um perfil levemente mais elevado em relação ao terreno circundante, atingindo aproximadamente 30 cm de altura. Em cada parcela, foram incorporados 1,25 kg de calcário dolomítico e 3,75 kg de substrato de fabricação regional, composto por cama de frango, terra preta com resíduos de queima, serragem curtida, carvão triturado e palha de arroz curtida. Adicionalmente, foram introduzidos elementos químicos, tais como ferticorretivo (NPK e calcário), visando à preparação do solo para o plantio.

O plantio foi conduzido em dezembro de 2021 com a abertura de 5 covas por parcela, as quais mantiveram uma distância entre si de 1 metro. Esta configuração de espaçamento foi adotada com base nas recomendações da literatura, que sugerem uma faixa de distância entre 0,80 e 1 metro (SILVA; LOPES, 1995; SOARES et al., 2005).

A colheita foi conduzida após 274 dias a partir do momento do plantio, o que corresponde a agosto de 2022, quando as espécies estudadas alcançaram o estágio de maturação fisiológica. Para estas espécies a indicação de colheita é no período de 10 a 12 meses, quando a parte aérea está totalmente seca (OLIVEIRA; NISHIMOTO, 2004). A colheita das raízes e tubérculos foi realizada manualmente revolvendo o solo com auxílio de enxada e facão/terçado para localizar as raízes das parcelas.

Após colheita as amostras foram acondicionadas e transportadas em sacos plásticos da desde a área experimental até as instalações do Laboratório de Sementes Florestais da UFOPA, onde passaram por processo de lavagem e posterior secagem ao ar livre.

As raízes tuberosas e tubérculos colhidos foram cuidadosamente subdivididos e classificados em quatro categorias distintas (Figura 1a, 1b, 1c e 1d). Essa classificação levou em consideração tanto aspectos táteis quanto visuais das amostras. Essa abordagem permitiu uma categorização abrangente e detalhada das amostras colhidas, facilitando a avaliação e o gerenciamento adequado de cada tipo de raiz ou tubérculo e ficou distribuída da seguinte forma:

i. Aptas para comercialização: amostras caracterizadas pela sua integridade física e uma boa aparência visual, adequadas para serem comercializadas.

ii. Íntegras, porém baixo do tamanho comercial: amostras que, embora mantenham sua integridade, não atendem às dimensões exigidas pelos padrões comerciais, tornando-as impróprias para venda.

iii. Danificadas, porém comercializáveis: amostras que apresentam fissuras, danos ou lesões causadas pelas ferramentas de colheita. Apesar dessas imperfeições, elas ainda podem ser consideradas comercializadas.

iv. Destinadas ao descarte: fragmentos de raízes que não atenderam aos critérios mínimos para aceitação no mercado e, portanto, devem ser descartados.

 

Figura 1 – Distribuição de raízes tuberosas e tubérculos de gengibre, cará-roxo e inhame em categorias distintas.

 

Após esta classificação foram separadas as amostras da primeira categoria (qualificadas para o comércio) para a realização da análise de percepção do consumidor. Para tal foi conduzida a aplicação de um questionário no mês de agosto de 2022, administrado aos frequentadores do Restaurante Universitário da Universidade Federal do Oeste do Pará, em Santarém, Pará, inaugurado por meio do Programa Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN). Este estudo concentrou-se no público que habitualmente frequenta esse ambiente e que, de forma voluntária, se disponibilizou a participar e responder às perguntas propostas.

Adotou o uso de questionário pela facilidade de aplicação e padronização das respostas. Essa ferramenta metodológica de pesquisa, desempenha um papel fundamental na obtenção de informações relevantes de uma amostra da população, proporciona um ambiente que minimiza distorções nas respostas e que abrange uma extensa gama de informações (SANTOS; HENRIQUES, 2021).

Para entender a percepção dos possíveis consumidores, adotou-se a abordagem de coletar dados de 37 questionários estruturados, compostos por uma série de perguntas organizadas em três seções distintas.

A primeira seção abordou questões relativas a dados pessoais dos participantes visto que são importantes, pois segundo Banov (2020) o comportamento do consumidor varia conforme o sexo, idade, nível de escolaridade e profissão. A segunda seção concentrou-se nas informações sobre o conhecimento das espécies apresentadas no estudo enfatizando questões sobre conhecimento das espécies, bem como frequência de consumo, preferência para compra e onde costumam adquirir. Já a terceira e última parte do questionário tratou sobre escolhas das amostras do experimento em diferentes modalidades de cultivo, frente as características das mesmas.

Assim, este estudo adota uma abordagem descritiva pois como descrito por Nunes et al. (2016), realiza um estudo que envolve o registro, a análise e a interpretação de dados sem qualquer interferência por parte do pesquisador. Também se empregou uma abordagem quantitativa, por meio da qual as informações ou opiniões foram quantificadas e traduzidas em números para análise posterior (PRODANOV; FREITAS, 2013). A análise dos dados foi conduzida utilizando técnicas de estatísticas descritivas, com o suporte do programa Excel e do software Bioestat 5.0 (AYRES et al., 2007).

 

Resultados e discussão

 

Os resultados das entrevistas indicaram que, em relação a idade e sexo dos participantes a maioria é feminina (59,5%). Quanto a amplitude de faixa etária identificou-se que os participantes têm de 20 a 49 anos, sendo que a maioria tem menos de 30 anos, onde verificou-se que 40,5% (15 pessoas) tem 20 a 24 anos e 21,6% (8 pessoas) tem de 25 a 29 anos, evidenciando um público majoritariamente jovem envolvido na pesquisa. Os demais quatorze participantes (37,8%) apresentam distribuição uniforme com idade de 30 a 49 anos.

Os dados se assemelham com estudos realizados com discentes quilombolas da UFOPA, demonstrou que os estudantes são predominantemente mulheres com média de idade de 25,40 anos (FRANÇA et al., 2020). Além disso a prevalência do sexo feminino nas universidades continua se sobrepondo a do masculino, onde a mulher busca por sua carreira e redução da desigualdade social, enquanto o homem busca “precocemente” pelo mercado de trabalho devido a imposição social e cultural que lhe é mais exigida (BRAZ; PEIXOTO, 2018).

Os dados de naturalidade dos entrevistados indicaram que a maioria dos participantes (86,5%) é natural do estado do Pará, totalizando 32 respostas. As demais naturalidades e nacionalidades, como Amazonas, Rio Grande do Sul e outros países estão presentes em proporções inferiores, correspondendo a 2,7% do total para cada categoria. Quanto ao tempo de residência no município de Santarém, constatou-se que a maioria reside de 0 a 9 anos (15 respostas, 40,5%). Em seguida a categoria de 20 a 29 anos de residência aparece como a segunda mais frequente, com 11 respostas (29,7%). Apesar de existirem respostas nas categorias de 30 a 39 anos e 40 a 50 anos de residência, ambas representam proporções relativamente baixas do total, cada uma com 3 respostas (8,1%).

Com sede no município de Santarém a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), criada pelo programa de apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), possibilitou o acesso ao ensino superior em cidades do interior e a demandas da região (PESSOA et al., 2022), se destacando como um atrativo para desenvolvimento local, com efeitos significativos com sua instalação, fomentando desenvolvimento econômico em diversos segmentos pela relevância orçamentária no contexto local (RIGHI; RUPPENTHAL, 2013; CASQUEIRO et al., 2020). Isto possibilitou que a universidade atendesse principalmente a demandas de Santarém e região, como ficou demostrado pelos dados dos respondentes desta pesquisa onde a maioria é natural do Estado.

Em relação a ocupação do público-alvo da pesquisa, observa-se que a categoria “Estudante” foi a mais frequente (24 respostas), representando 64,9% do total. Por outro lado, as outras oito ocupações identificadas estão distribuídas de forma mais equitativa, com cada categoria contribuindo com uma proporção relativamente baixa (2,7 a 10, 8%). Neste item destaca-se respostas de ocupação como servidor público, serviços terceirizados ou prestadores de serviços ligados as atividades administrativa e de ensino da Universidade.

Constata-se que a implementação de diversas políticas destinadas à expansão do acesso dos jovens ao ensino superior, com iniciativas como REUNI, PROUNI e Lei das Cotas foram decisivas para o aumento do número de estudantes na graduação, com novos públicos estudantis, historicamente excluídos (TREVISOL; NIEROTKA, 2016).

As informações identificadas para escolaridade mostraram que a maioria dos participantes possui ensino médio (20 respostas), o que representa 54,1% do total, seguida pela categoria “Ensino Superior” totalizando 12 respostas (32,4%). Por outro lado, a categoria “Mestrado” possui uma presença menor, com 4 respostas (10,8%), e apenas um participante não informou sua escolaridade.

Considerando que o Restaurante Universitário na UFOPA foi criado dar maior amparo a instituição pela garantia de refeições saudáveis a estudantes e servidores (UFOPA, 2020) era esperado que o maior público abrangido na pesquisa fosse de estudantes com escolaridade de ensino médio completo. A distribuição de escolaridade entre os participantes pode ser relevante para a pesquisa, uma vez que a formação acadêmica dos participantes pode influenciar suas perspectivas, conhecimentos e abordagens em relação ao tema da pesquisa, pois conforme o nível de escolaridade aumenta, maior o discernimento de informações, que irá levar a influências quanto a nutrição e alimentação (CASTRO et al., 2010).

Para as espécies avaliadas os resultados indicam que a totalidade dos participantes estava familiarizada com o gengibre e o cará roxo, enquanto o inhame era reconhecido por 78,4% dos indivíduos. É importante ressaltar que produtos alimentares são entendidos como objetos culturais, pois fazem essa identificação de grupos sociais (SANTILLI, 2015). O cará roxo é amplamente conhecido na região amazônica, importante na economia por ser comercializável por produtores locais, e é comumente utilizado na alimentação, substituindo carboidratos no café da manhã ou sendo acompanhamento de refeições (SOARES et al., 2006; FERREIRA et al., 2010). Também é bastante cultivado por produtores locais nas roças brasileiras, devido suas características nutritivas, tanto para comércio como para subsistência (FERREIRA et al., 2020). Já o gengibre também se destaca pois é utilizado tanto como uso alimentar, como por suas propriedades farmacológicas e medicinais, amplamente comercializado devido seu emprego na medicina popular (RODRIGUES; LIRA, 2013). O inhame, por sua vez, mesmo com sua importância alimentar e farmacológica, são raros estudos que forneçam dados sobre como e onde esse tubérculo está sendo cultivado no Brasil (SIQUEIRA et al., 2014).

Em relação ao consumo, observa-se que 37,5% dos entrevistados informaram que consomem cará roxo com frequência, enquanto o gengibre é consumido regularmente por 27,0% dos participantes e o inhame por 18,9%.

O cará-roxo demonstra uma alta aceitabilidade, intenção de compra e aplicabilidade culinária (SANTOS et al., 2023), além de boa aceitação na fabricação de cookies com farinha de cará-roxo (COSTA et al., 2019). É um tubérculo muito conhecido na região amazônica, principalmente por produção local oriunda de pequenos agricultores, e comumente consumido como fonte de carboidratos, principalmente com café ou acompanhamento nas refeições, servindo de subsistência as comunidades locais (SIQUEIRA et al., 2014; SOARES et al., 2006).

O gengibre é muito utilizado para a saúde, diante de seus benefícios e eficácia, tanto pela medicina tradicional, como pela contemporânea (NICÁCIO et al., 2018). Na medicina tradicional, bem como em produções de quintais, é amplamente utilizada por suas propriedades terapêuticas, onde torna-se de fácil acesso para necessidades em saúde (DÍAZ-REVIRIEGO et al., 2016), alcança também bons níveis de produção e de mercado pelo seu amplo uso tanto industrial e artesanal (STEFEN et al., 2024). O artesanato do pão de gengibre da Croácia, reconhecido em 2010, está entre os alimentos reconhecidos pela UNESCO, como patrimônio imaterial, que apesar de ser uma receita simples, torna- se arte na Croácia, e um dos símbolos de sua identidade cultural (SANTILLI, 2015). Já o inhame pela falta de informações sobre áreas cultivadas e produtividade acaba sendo incluso no grupo de culturas de espécies negligenciadas ou subutilizadas (SIQUEIRA, 2011).

O gráfico 1 elucida as principais razões pelas quais as pessoas optam por não consumir os três alimentos da pesquisa – gengibre, inhame e cará-roxo. Observa-se que para o gengibre a “Falta de hábito” foi a razão mais citada, representando 50% das respostas, indicando que metade do público-alvo não consome gengibre simplesmente porque não estão acostumadas a incluí-lo em sua dieta.

 

Gráfico 1 – Razões apresentadas para não consumir gengibre, cará-roxo e inhame em pesquisa realizada no restaurante universitário da UFOPA em Santarém, Pará.

 

Também se destaca que 40% dos entrevistados não apresentaram uma razão para não consumir indicando uma falta de conhecimento sobre os benefícios da espécie ou por outros motivos não especificados.

Para o inhame a razão mais comum para não consumir foi o fato de não conhecer o alimento (37% – gráfico 1). Também se registrou “falta de hábito” e “não informado” com porcentagens de 16% e 26% dos entrevistados, respectivamente. Estes resultados indicam que uma parcela das pessoas não consome inhame porque não está familiarizada com ele ou não sabe como prepará-lo. Já para o cará-roxo tanto a resposta “Falta de hábito” quanto “Não gosta” foram as razões mais comuns, cada uma representando 33%. Da mesma forma, respostas como “Não conhece” e “Não informado” com porcentagens iguais (17%), também foram registradas para esta espécie.

Os dados indicam que, entre os entrevistados que optam por não consumir os alimentos enumerados no estudo, existem diversas razões. Estas respostas podem ter relação com hábitos alimentares preexistentes, familiaridade com os alimentos e preferências pessoais. Adicionalmente, a decisão do consumidor pode ser influenciada por uma variedade de elementos, tais como a faixa etária, o nível de renda familiar, a percepção da qualidade dos alimentos, preocupação com questões de saúde, entre outros aspectos relevantes (MATTEI et al., 2006; VAZ; BENNEMANN, 2014; MISSAGIA et al., 2017). Acrescenta-se a isso que os hábitos alimentares também passaram por grande modificação onde ocorreu uma substituição dos alimentos enraizados na cultura e na produção local por alimentos industriais e globais, resultado do processo de “imposição” do consumo pela indústria alimentar (BALEM et al., 2017).

Houve tantas alterações em qualidade e quantidade de alimentação produzida nos últimos anos, impulsionadas, entre outros fatores, por mudanças tanto nos sistemas de produção, distribuição e consumo de alimentos ao redor do mundo, ao crescente processamento industrial dos alimentos e às transformações sociais, econômicas e culturais ocorridas na sociedade moderna (GARCIA, 2003; MENEGASSI et al., 2018). Estes resultados sugerem que a educação sobre os benefícios nutricionais desses alimentos poderia potencialmente, aumentar seu consumo entre a população.

As variedades de D. alata poderiam ser boas fontes de nutrientes para seus consumidores e poderiam ser muito úteis em aplicações nutricionais e formulações dietéticas (BAAH et al., 2009). A exemplo disso, cita-se da família das dioscoreáceas, que são amplas em diversidade, o cará-roxo, um alimento de alta qualidade e que não requer grandes custos para sua produção (ROCHA et al., 2020) e o inhame que tem alta qualidade nutritiva, e apesar da relevância, há relatos de desaparecimento em alguns países de muitas cultivares, que poderiam ter estudos mais abrangentes de sua importância, e serem transformadas em alternativa de produção e consumo pela sociedade tradicional e atual (SIQUEIRA, 2011).

Além disso, o inhame enfrenta um paradoxo: apesar de seu potencial, encontra-se frequentemente fragmentado em sua aplicação. A rica diversidade dentro do gênero tem sido fonte de confusão, obscurecendo a compreensão de seus benefícios. Uma análise abrangente revela que o inhame possui uma importância inestimável com capacidade de combate à fome e desnutrição, com papel considerável na melhoria da saúde global, atuando na nutrição e bem-estar (OBIDIEGWU et al., 2020). Ainda mais, o inhame possui estudos que indicam que ele pode desempenhar um papel preventivo no tratamento de doenças crônicas (DUFIE et al., 2013). O gengibre por sua vez, é uma planta de renome mundial, valorizado por suas qualidades culinárias, medicinais com inúmeros benefícios a saúde, é um alimento funcional e erva medicinal (HU et al., 2023).

Os resultados indicaram que o cará-roxo é dominantemente utilizado para fins alimentares (83,8%), enquanto para inhame esta destinação foi indicada por 51,4% e para gengibre foi menos mencionado com 27,0% (Gráfico 2). Para o uso combinado (alimentar e medicinal) o gengibre foi o único a registrar porcentagem (10,8%). O cará-roxo e o inhame não obtiveram respostas para essa categoria de uso. No entanto, o gengibre se destacou no uso exclusivamente medicinal, com 48,6% das respostas. Em contraste, tanto o inhame quanto cará-roxo não foram mencionados para uso estritamente medicinal. Por fim, a pesquisa também apontou para uma parcela de indecisão ou falta de conhecimento sobre o uso dessas espécies, com 13,5% dos participantes não respondendo sobre o gengibre, 48,6%, sobre o inhame e 16,2% sobre o cará-roxo.

Os dados coletados indicam que o cará-roxo é predominantemente consumido como alimento. Por outro lado, o gengibre tem uso significativo tanto para fins medicinais quanto alimentares. O inhame, embora tenha sido identificado exclusivamente como alimento na amostra estudada, a semelhança com o cará-roxo, a alta porcentagem de respostas omissas sugere a existência de uma oportunidade para educação e investigação científica sobre suas aplicações. Estas respostas podem ser influenciadas por variáveis como práticas culturais, disponibilidade local de espécies, ou percepções sobre seus benefícios para a saúde (OLIVEIRA; SANTOS, 2020).

 

Gráfico 2 – Uso indicado por entrevistados para alimentos como gengibre, cará-roxo e inhame em pesquisa realizada no restaurante universitário da UFOPA em Santarém, Pará.

 

A análise dos dados de aquisição do gengibre revela que as feiras e supermercados são os principais pontos de compra, ambos com uma frequência de 30,8% (tabela 2). O cultivo próprio é responsável por 7,7% das aquisições, enquanto a combinação de compras em supermercados e feiras corresponde a 11,5%. As modalidades que combinam cultivo e doação, feiras e cultivos, feiras e doação, supermercados/feiras/doação apresentam cada uma 3,8% de preferência dos consumidores.

Em continuidade à pesquisa sobre a fonte de aquisição das espécies, observa-se que o inhame se distingue do gengibre e do cará-roxo, em termos de compra pois 45% das aquisições de inhame são realizadas em supermercados em comparação com o cará-roxo que registra 3,4% nesse ambiente (tabela 2). Por outro lado, o cará-roxo é adquirido principalmente em feiras, com 75,9% dos consumidores optando por essa modalidade, enquanto o inhame também apresenta uma frequência de compra em feiras de 40%.

A combinação de feiras e cultivo é responsável por 5,0% das aquisições de inhame e 6,9% para o cará-roxo. No que diz respeito à junção de cultivo e doação, o inhame mantém uma taxa de 5,0% e o cará-roxo 3,4%. Nenhum destes tubérculos é adquirido através da combinação de feiras e cultivo, nem por cultivo próprio, e nem pelo arranjo supermercados/feiras/doação, todas com uma taxa de aquisição de 0% (tabela 2).

Os números indicam que a feira é o principal local de aquisição do cará-roxo. Esta razão pode estar relacionada com a variedade de produtos frescos, vindos direto de produtores locais, com preços mais competitivos e possibilidade de negociação direta com o vendedor (CARVALHO; GROSSI, 2019). Já a prática, por exemplo de cultivo próprio de raízes e tubérculos não é comum, tornando a compra desses produtos uma opção mais prática para a maioria das pessoas.

Nas feiras frequentemente o gengibre é encontrado fresco, e em supermercados além da raiz, em outras formas como em pó ou cristalizado. Cada ambiente de compra com diferentes vantagens, e a escolha pode depender da conveniência pessoal ou busca por experiência de compra (NEGRELLE et al., 2005; NICÁCIO et al., 2018).

 

Tabela 2 – Distribuição percentual dos locais de obtenção dos alimentos como gengibre, cará-roxo e inhame em pesquisa realizada no restaurante universitário da UFOPA em Santarém, Pará.
Locais de compra ou aquisição do alimento
Gengibre
Inhame
Cará-roxo
Percentual de escolha dos entrevistados
Cultivo
7,7
0,0
0,0
Cultivo e doação
3,8
5,0
3,4
Doação
3,8
0,0
3,4
Feiras
30,8
40,0
75,9
Feiras e cultivos
3,8
0,0
0,0
Feiras e doação
3,8
5,0
6,9
Supermercados
30,8
45,0
3,4
Supermercados e feiras
11,5
5,0
6,9
Supermercados/feiras/doação
3,8
0,0
0,0

 

O inhame, embora não seja amplamente disponível em feiras, apresenta variações na sua presença devido a fatores como localização geográfica e sazonalidade da produção e outros aspectos (SIQUEIRA, 2011). Segundo dados desta pesquisa, grande parte dos entrevistados adquire inhame por meio de feiras, o que demonstra essa variação na fonte de aquisição dependendo do local.

Considerando o parâmetro cor do alimento observou-se que para o gengibre a maior preferência de escolha para compra foi na modalidade cultivo em pleno sol (67,6 % – gráfico 3), o que pode sugerir uma coloração mais intensa ou apelativa sob estas condições. O menor valor para gengibre é observado sob o reflorestamento com teca, o que pode indicar uma coloração menos preferida ou menos intensa nesse contexto de cultivo. Já para o inhame a condição de cultivo sob a Teca é a que apresentou o maior valor de preferência (35,1%), enquanto o cultivo em pleno sol se mostrou o menos preferido para esta espécie. Para o cará-roxo, similarmente ao gengibre, houve preferência pelas condições de cultivo em pleno sol (51,4%). Para esta espécie os valores de preferência diminuem sob o cultivo em plantios florestais (teca e mogno africano), indicando que essas condições podem não ser as mais adequadas para a coloração desejada nesse tubérculo.

A identificação dos fatores de qualidade, como a cor, valorizados pelos consumidores é fundamental para o sucesso na produção e comercialização de alimentos. Compreender hábitos da população consumidora permite contribuição significativa para planejamento em diversos setores produtivos (TREVISAN et al., 2010). A cor dos alimentos desempenha um papel importante na percepção sensorial, servindo como um dos primeiros pontos de contato e atração para o consumidor. É uma das características que diferenciam a qualidade percebida dos alimentos e atua na decisão de compra, pois pode ser reflexo do frescor do alimento (LERMEN et al., 2015).

Para o critério vigor do alimento no cultivo consorciado com mogno africano, o gengibre obteve a preferência de 27% dos entrevistados, o inhame alcançou 21,6% de aceitação e o cará-roxo ficou com 10,8% (gráfico 4). No consórcio com teca, tanto o inhame quanto o cará-roxo foram selecionados por 18,9% dos participantes. O gengibre, por sua vez, foi escolhido por apenas 5,4%. Por outro lado, para este critério, o cultivo a pleno sol revelou diferentes preferências: 62,2% das pessoas optaram pelo gengibre, 59,5% pelo cará-roxo e o inhame alcançou 45,9% das escolhas. As respostas indiferentes (ou seja, “tanto faz”) expressaram 13,5% para o inhame, 5,4% para o gengibre e 10,8% para o cará-roxo.

 

Gráfico 3 – Escolha de compra indicada por entrevistados pelo critério “cor” para os alimentos gengibre, cará-roxo e inhame, cultivados em diferentes modalidades em Santarém, Pará.

 

Os resultados destacam a influência das diferentes modalidades de cultivo no critério de vigor dos alimentos. Enquanto o gengibre se destacou no cultivo a pleno sol, o inhame teve boa aceitação no consórcio com mogno africano. Essas alternativas expressam a ideia de que a preferência sobre as espécies varia conforme o tipo de consórcio, e as três espécies foram favorecidas a pleno sol nesse critério, porém o consórcio com mogno africano também teve resultados positivos para gengibre e inhame. Essas informações podem ser uteis para planejamento de práticas agrícolas mais eficazes.

 

Gráfico 4 – Escolha de compra indicada por entrevistados pelo critério “vigor” para os alimentos gengibre, cará-roxo e inhame, cultivados em diferentes modalidades em Santarém, Pará.

 

Para as porcentagens relacionadas ao tamanho mais adequado das espécies, conforme influência de cada modalidade de cultivo, observou-se o inhame cultivado a pleno sol e em consórcio com mogno africano apresentaram porcentagem semelhantes de escolha (24,0 a 29,7%), enquanto para o consórcio com teca a porcentagem foi de 35,1% (Gráfico 5). O gengibre cultivado a pleno sol foi escolhido por 67,6% das pessoas, enquanto em consórcio com mogno africano e com teca apresentaram porcentagem menores (24,3 e 2,7%, respectivamente). O cará-roxo cultivado a pleno sol atingiu uma porcentagem significativa de 75,7%, enquanto no arranjo sombreado por mogno africano mostrou 10,8% e com teca obteve 8,1%. As respostas que indicaram indiferença quanto ao parâmetro tamanho variaram de 5,4 a 13,5% nas espécies.

 

Gráfico 5 – Escolha de compra indicada por entrevistados pelo critério “tamanho” para os alimentos gengibre, cará-roxo e inhame, cultivados em diferentes modalidades em Santarém, Pará.

 

Esses resultados mostram a relevância de planejamento de cultivo, considerando que o tamanho dos alimentos influencia na escolha das espécies, através de análises sensoriais. A análise sensorial desempenha um papel importante neste processo, avaliando a qualidade dos alimentos com base na percepção dos sentidos humanos, que se torna um indicador decisivo para a comercialização, viabilidade econômica, exigências de mercado e aceitação do consumidor (TEIXEIRA, 2009).

Quanto a escolha dos entrevistados sobre qual das amostras seria a sua intenção prioritária de compra para o gengibre o cultivo a pleno sol ficou com 54,1% das escolhas, o consórcio com mogno africano com 35,1% e o consórcio com teca e “indiferente”, ambas com 5,4% das respostas (Figura 7). Para o inhame se destacou a preferência pelo cultivo com teca com 37,8% das respostas. A modalidade pleno sol e mogno africano tiveram respostas semelhantes (27,0% e 24,3%, respectivamente). Para o cará-roxo o cultivo a pleno sol alcançou 72,9% da preferência, enquanto as demais categorias apresentaram de 5,4% a 13,5% (Gráfico 6).

Esses resultados destacaram a preferência das pessoas sobre o cultivo de gengibre e cará-roxo sob condições de pleno sol, onde ambos apresentaram altas taxas de aceitação pelas pessoas. Por outro lado, apesar de apresentarem tamanhos menores, os inhames cultivados em consórcio com a árvore de teca, foram os preferidos dos consumidores. Esse fenômeno ressalta a complexidade das preferências agrícolas e a necessidade de considerar uma variedade de atributos ao avaliar o sucesso das culturas.

 

Gráfico 6 – Escolha de compra indicada por entrevistados pelo critério “principal escolha” para os alimentos gengibre, cará-roxo e inhame cultivados em diferentes modalidades em Santarém, Pará.

 

Conclusão

 

Para a realização de trabalhos e pesquisas futuras, os resultados obtidos a partir desta pesquisa podem contribuir com informações sobre a percepção dos consumidores sobre alimentos cultivados em sistemas agroflorestais, características para preferência de compra e consumo. Desta forma, indica-se que haja aprofundamento neste tipo de pesquisa envolvendo outras variáveis e ainda estudos que consideram a dinâmica de consumo em diferentes públicos e época do ano.

Este estudo revelou uma variação nas preferências dos consumidores, influenciada pelos métodos de cultivo, seja consorciado ou a pleno sol e pelos parâmetros de qualidade dos alimentos utilizados nesta pesquisa.

Observou-se que embora o cultivo a pleno sol tenha favorecido a escolha do consumidor pelo cará-roxo e do gengibre, o inhame cultivado em consórcio coma teca também teve boa aceitação pelo seu tamanho reduzido.

Essas descobertas enfatizam a importância de compreender as percepções e preferências dos consumidores, que são fundamentais para direcionar as práticas agrícolas e as estratégias de cultivo.

 

Conflitos de interesse

 

Não houve conflito de interesses dos autores.

 

Contribuição dos autores

 

Jamila Vieira Sousa (redação e análise de dados), Daniela Pauletto (supervisão do trabalho), Diego Lima Aguiar (supervisão do trabalho), Eliene Monique Dias Santos (redação e análise de dados), Samanda Thais Neves da Silva (redação e análise de dados), Ádria Fernandes da Silva (delineamento experimental e coleta de dados), Verena Santos de Sousa (delineamento experimental e coleta de dados), Anselmo Junior Corrêa Araujo (revisão científica do texto), Maria Lita Padinha Corrêa Romano (revisão científica do texto).

 

Agradecimentos

 

A Fazenda Experimental Experimental da UFOPA pelo apoio no cultivo. Ao Restaurante Universitário pelo apoio logístico para a pesquisa.

 

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Recebido em 5 de junho de 2024

Retornado para ajustes em 11 de maio de 2025

Recebido com ajustes em 14 de maio de 2025

Aceito em 14 de maio de 2025