Revista Agrária Acadêmica
doi: 10.32406/v8n3/2025/1-12/agrariacad
Conhecimentos de tutores de cães e gatos sobre manejo alimentar e nutrição animal no município de João Pessoa – PB. Knowledge of dog and cat owners about food management and animal nutrition in the city of João Pessoa – PB.
Luiz William Barreto Wanderley
1, Eveline de Oliveira Barros1, Kauã Uriah Ferreira Dantas
1, Schayrone Regina Rodrigues Ribeiro1, Maiza Araújo Cordão
2, Sebastião André Barbosa Junior
2
1- Discente do Curso de Medicina Veterinária – Centro Universitário UNIESP – Cabedelo/PB – Brasil. E-mail: luizwilliamenf@yahoo.com.br
2- Docente do Curso de Medicina Veterinária – Centro Universitário UNIESP – Cabedelo/PB – Brasil. E-mails: maizacordao@hotmail.com, sebastiaoandre.ater@gmail.com
Resumo
A nutrição animal, principalmente de cães e gatos está em constante atualização, com conhecimentos avançados em relação a exigências nutricionais, de acordo com a espécie animal e o estado fisiológico. No entanto, pode se perceber usos de alimentos e rações de forma inadequada nesses animais. Tornando essencial uma busca de informações aferentes quais tipos de alimentos estão ofertando a estes animais. Portanto, objetivou-se analisar o conhecimento de tutores sobre a alimentação de seus animais de companhia. Tratou-se de uma pesquisa quantitativa realizada com 14 tutores na cidade de João Pessoa, Paraíba, em que foi realizado um questionário com perguntas condizentes com o tema em questão. Destes tutores 57,1% foram do sexo feminino e 42,8% do sexo masculino, e afirmaram ter renda entre dois a três salários mínimos. Os resultados mostram que 71,4% eram tutores de caninos e 28,6% tutores de felinos. Sobre a alimentação 64,3% controlam a quantidade de ração consumida pelo seu pet, 57,1% oferecem ração três vezes ao dia, 71,4% não acrescentam outros alimentos ou suplementos na ração, 78,6% dos tutores conhecem a qualidade da ração que ofertam aos seus pets, 85,7% compram a ração pela qualidade, 78,6% disseram que conhece as rações que deverão ser utilizadas na faixa etária do pet e 50% dos tutores afirmaram que verificam o rótulo do pacote da ração no momento da aquisição. Quanto ao armazenamento da ração 57,1% armazenam a ração em potes. Conclui-se que o conhecimento dos tutores otimiza a saúde dos pets e é o diferencial para o crescimento, desenvolvimento e para atender as necessidades dos mesmos, além de fortalecer a imunidade do pet, prevenir doenças e mantê-los saudáveis, aumentando a longevidade dos animais de estimação.
Palavras-chave: Animais de Companhia. Bem-Estar Animal. Epidemiologia Veterinária. Extensão Universitária. Nutrição Animal.
Abstract
Animal nutrition, especially for dogs and cats, is constantly being updated, with advanced knowledge regarding nutritional requirements, according to the animal species and physiological state. However, it is possible to notice that food and feed are being used inappropriately in these animals. This makes it essential to seek information regarding which types of food are being offered to these animals. Therefore, the objective of this study was to analyze the knowledge of guardians about the feeding of their pets. This was a quantitative study carried out with 14 guardians in the city of João Pessoa, Paraíba, in which a questionnaire was conducted with questions related to the topic in question. Of these guardians, 57.1% were female and 42.8% were male, and they stated that they had an income between two and three minimum wages. The results show that 28.6% were guardians of felines and 71.4% of canines, and the age of 1 to 7 years prevailed with 78.6%, of which 57.1% were male and 42.9% were female. Regarding food, 64.3% control the amount of food consumed by their pet, 57.1% offer food three times a day, 71.4% do not add other foods or supplements to the food, 78.6% of owners know the quality of the food they offer their pets, 85.7% buy food based on its quality, 78.6% said they know the foods that should be used for their pet’s age group, 91.7% of owners said that food is given according to age, 50% of owners check the label on the food package and 50% said they do not. Regarding food storage, 57.1% store the food in containers. It can be concluded that the owners’ knowledge optimizes the health of their pets and is the differential for their growth, development and for meeting their needs, in addition to strengthening their pet’s immunity, preventing diseases and keeping them healthy, increasing the longevity of pets.
Keywords: Companion Animals. Animal Welfare. Veterinary Epidemiology. University Extension. Animal Nutrition.
Introdução
O Brasil ocupa o 3º lugar no ranking mundial de países com mais pets com um total de 149,6 milhões de animais de estimação, ficando atrás apenas da Argentina e do México. Os cães são a espécie mais criada, com 58,1 milhões de animais, seguidos das aves canoras, com 41 milhões, seguido pelos gatos, com 27,1 milhões, e por fim estão os peixes, com 20,8 milhões, e os pequenos répteis e mamíferos, com 2,5 milhões (IPB, 2022).
O crescimento da população de cães e gatos tem aumentado consideravelmente sendo, portanto, os tutores responsáveis por garantir uma alimentação favorável a uma boa condição de saúde do seu animal. Os animais assim como os seres humanos também necessitam de uma alimentação equilibrada com nutrientes em quantidades certas para não ocorrer prejuízos na saúde (GARCIA, 2009).
A nutrição, de um modo geral, é um conjunto de processos que envolvem várias reações químicas e processos fisiológicos que transformam os alimentos em substâncias necessárias aos tecidos corporais para o funcionamento dos órgãos e sistemas, e de atividades do dia a dia. Envolve digestão, absorção de nutrientes, transporte destes para todas as células corporais e a remoção dos produtos do metabolismo (CAMILO et al., 2014).
De acordo com Camilo et al. (2014) o excesso ou a falta de nutrientes na oferta dos alimentos para os pets podem deixá-lo com deformações como é o caso do excesso de vitamina D ou irritados com é o caso de deficiência de iodo, bromo, manganês e até malformação nos cães mais jovens quando a alimentação tem doses altas de nutrientes como o fosforo e cálcio.
A alimentação desses animais passou por uma evolução nítida nas últimas décadas. Nos anos 80 a maioria dos animais de companhia eram alimentados somente com os restos da comida de seus tutores, e existiam poucas indústrias de rações que investiam no Brasil (BORGES et al., 2015).
A Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (ABINPET) tem reforçado a importância do alimento completo para os pets. Isso porque, na proporção correta, vitaminas, sais minerais, proteínas e outros elementos garantem a nutrição e o desenvolvimento dos bichos, além de aumentar a longevidade. A alimentação saudável ainda ajuda a fortalecer o sistema imunológico, a deixar ossos e dentes mais fortes, e a melhorar a qualidade da pele e dos pelos.
Mesmo com essas recomendações percebe-se que tutores ainda estão distantes de fornecer uma alimentação saudável para os seus pets, seja por desconhecimento, seja por questões monetárias ou desinformações. Esse um problema que deve ser investigado com o propósito de desconstruir o conceito de animais devem comer qualquer alimento, qualquer ração ou resto de alimentos humanos, haja vista o fator que mais condiciona o animal a uma vida saudável é a nutrição.
Assim adequar o manejo alimentar de cães e gatos pode colaborar com um pleno conceito de saúde e bem-estar (OGOSHI et al., 2015). Nesse sentido, esta pesquisa foi desenvolvida como objetivo de analisar o conhecimento de tutores sobre a alimentação de seus animais de companhia (cães e gatos).
Material e métodos
O presente estudo trata-se de um estudo descritivo sobre uma vivência desenvolvida por um grupo de estudantes no contexto da curricularização da extensão na disciplina de Epidemiologia Veterinária e Planejamento em Saúde. A disciplina aconteceu no 3º período, durante os meses de fevereiro a junho de 2024, do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário UNIESP, localizado no munícipio de Cabedelo, Paraíba, Brasil.
De acordo com a resolução nº 7/2018, artigo 3º, do Conselho Nacional de Educação (BRASIL, 2018), a extensão universitária no contexto da educação superior é definida como:
“[…] é a atividade que se integra à matriz curricular e à organização da pesquisa, constituindo-se em processo interdisciplinar, político educacional, cultural, científico, tecnológico, que promove a interação transformadora entre as instituições de ensino superior e os outros setores da sociedade, por meio da produção e da aplicação do conhecimento, em articulação permanente com o ensino e a pesquisa.”
A resolução formaliza a proposta de curricularização da extensão universitária, na qual, 10% da carga horária dos cursos de graduação terão que ser constituídos por projetos de extensão universitária (BRASIL, 2018).
No presente estudo foi descrito a ação extensionista de um grupo de estudantes que participou da disciplina de Projeto Extensionista: Epidemiologia Veterinária e Planejamento em Saúde, e que ficou responsável pela temática da nutrição de cães e gatos. A ação extensionista foi dividida em duas etapas: uma etapa de diagnóstico epidemiológico e outra etapa de intervenção extensionista.
O diagnóstico epidemiológico foi realizado com base em um estudo de caráter transversal e descritivo (COSTA, 2024). A amostragem foi por conveniência, seguindo os critérios: ser maior de idade, morador do município de João Pessoa, acesso ao link eletrônico do questionário virtual e ser tutor de cão e (ou) gato (GOUVEIA, 2024).
O diagnóstico epidemiológico foi realizado através de um questionário virtual que foi elaborado com auxílio o Google Forms®. As perguntas do questionário abordaram os seguintes temas: faixa etária e sexo do tutor; quantidade de cães e gatos, faixa etária e sexo dos animais; manejo alimentar; nutrientes acrescentados a ração; conhecimento sobre a qualidade da ração; critérios para aquisição da ração; conhecimento sobre oferta de ração de acordo com a faixa etária; e modo de armazenamento da ração. O questionário virtual foi disponibilizado através de redes sociais e aplicativos de conversas, sendo realizado durante os meses de março a abril de 2024, com tutores de cães e gatos residentes em João Pessoa, Paraíba, Brasil.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, s/d), o município de João Pessoa é um município localizado na Região Nordeste do Brasil, sendo capital do estado da Paraíba. João Pessoa tem uma área territorial de aproximadamente 210.044 Km², com uma população estimada de 833.932 pessoas, em relação ao ano base de 2022 (Figura 1).
A análise dos dados obtidos foi realizada através de estatística descritiva, com descrição das frequências relativas e absolutas, com auxílio do programa Word Excel® 2010. Os dados qualitativos foram sistematizados por categorização dos conteúdos (GOUVEIA, 2024).
No momento que os tutores clicaram no link eletrônico para participar do projeto, antes do início do questionário virtual era mostrada uma tela com a carta de apresentação mostrando informações sobre o projeto extensionista da disciplina de epidemiologia veterinária e planejamento em saúde e as implicações da participação do tutor no questionário virtual. Após o tutor concordar com as informações era que ele era direcionado para a página com as perguntas.
Posteriormente ao diagnóstico epidemiológico foi realizada a etapa da intervenção, na qual foi organizado um vídeo extensionista com uma entrevista com um médico veterinário especialista em nutrição animal. O vídeo foi enviado para todos os tutores que participaram do diagnóstico epidemiológico. A etapa da intervenção aconteceu nos meses de maio e junho de 2024.

Figura 1 – Mapa da área do estudo: mapa maior à esquerda – município de João Pessoa; mapa menor à direita em cima – Brasil; e mapa menor à direita em baixo – estado da Paraíba. Fonte: Elaborado pelos autores.
Resultados e discussão
Diagnóstico epidemiológico
Participaram da pesquisa 14 tutores, sendo 57,1% (8/14) do sexo feminino e 42,8% (6/14) do sexo masculino. Resultados semelhantes foram achados na literatura cientifica, na qual Lopes et al. (2019) em estudo com tutores de cães e gatos do munícipio de Maceió, Alagoas, verificaram que 58,33% eram do sexo feminino e 41,67% eram do sexo masculino. Bragança e Queiroz (2020) em estudo realizado com tutores de cães e gatos no estado de Rondônia, encontraram que 68,8% eram do sexo feminino e 28,4% do sexo masculino, e 0,8% não quiseram se declarar.
Quanto a renda todos os tutores desse estudo responderam receber renda entre dois e três salários-mínimos. Ribeiro et al. (2020) realizando pesquisa com 500 tutores de cães e gatos no estado da Paraíba, verificaram que a renda dos tutores em sua maioria foi de: 84,8% (424/500) entre um e três salários-mínimos; 13% (65/500) três a seis salários-mínimos; 1,2% (6/500) tinham renda entre seis e nove salários-mínimos; e 1% (5/500) tinham renda entre nove e doze salários-mínimos. Na pesquisa de Lopes et al. (2019), os principais resultados em relação a renda, mostraram que: 34,37% dos tutores recebiam entre dois e quatro salários-mínimos, 34,37% recebiam entre quatro e dez salários, e 18,75% recebiam de um a dois salários. Os resultados encontrados na presente pesquisa em relação a renda coincidem em parte com os encontrados na literatura, na qual um estudo coincidiu com prevalência de tutores com renda entre um e três salários-mínimos e o outro com maior prevalência de renda entre dois e quatro e de quatro a dez salários-mínimos.
Observa-se que dentre os 14 tutores que participaram da pesquisa 71,4% (10/14) eram tutores de caninos e 28,6% (4/14) eram tutores de gatos (Figura 2).

Figura 2 – Percentual de espécie animal relatadas pelos tutores no município de João Pessoa – PB. Fonte: Elaborado pelos autores.
Aptekmann et al. (2013) entrevistou 496 tutores de cães e gatos na região sul do estado do Espírito Santo, verificou-se que: 85% (424/496) eram tutores de cães e 15% (72/496) tutores de gatos. Lopes et al. (2019) verificaram em seu estudo que 52,2% dos tutores tinham preferência por cães, 28,08% por cães e gatos e 19,80% por gatos. Ribeiro et al. (2020) observou em sua pesquisa que 67,4% (337/500) eram tutores de cães e 32,6% (163/500) eram tutores de gatos. Mota e Ott (2024) em estudo realizado com 165 tutores do estado de Rondônia, encontraram que 49,7% criavam cães, 25,5% cães e gatos, e 21,2% apenas gatos. A frequência relativa sobre a criação ou preferência sobre cães e gatos encontrada na presente pesquisa é semelhante à verificada na literatura, com a maioria da preferência relacionada aos cães.
Com relação a idade dos animais, observa-se que 78,6% (11/14) tinham entre um e sete anos, 14,3% (2/14) informaram faixa etária de oito anos ou mais e 7,1% (1/14) disseram que seus pets tinham menos de 12 meses (Figura 3).

Figura 3 – Faixa etária dos cães e gatos no município de João Pessoa – PB. Fonte: Elaborado pelos autores.
Em pesquisa realizado por Aptekmann et al. (2013) foi identificado as faixas etárias de cães e gatos, sendo os cães: 62% com um a sete anos; 22% com menos de um ano; e 13% com mais de sete anos. Dentre os gatos, 56% entre um e sete anos; 35% tinham menos de um ano de idade, e 4% com mais de sete anos de idade. O restante dos entrevistados, 3% dos tutores de cães e 5% dos tutores de gatos não souberam informar a faixa etária dos animais. A maior ocorrência de faixa etária encontrada na literatura concorda com a verificada no presente trabalho, que foi de um a sete anos para cães e gatos.
No que se refere ao sexo dos animais, observa-se que 57,1% (8/14) eram do sexo masculino e 42,9% (6/14) do sexo feminino (Figura 4).

Figura 4 – Percentual machos e fêmeas de caninos e felinos, no município de João Pessoa – PB. Fonte: Elaborado pelos autores.
Foi observado que 64,3% (9/14) dos tutores controlam a quantidade diária da ração que o pet dele consome e 37,7% (5/14) disseram que não fazem esse controle (Figura 5). Resultado diferente foi encontrado na literatura científica, na qual Bragança e Queiroz (2020) argumentam quem 44% dos tutores de cães e gatos do estado de Rondônia não controlam a alimentação dos animais, 28,5% dos tutores afirmam que controlam e 27,5% controlam algumas vezes. De acordo Aptekmann et al. (2013) o controle de ração ofertada aos caninos e felinos devem estar de acordo com o peso do animal, daí a importância de saber o peso dos animais.

Figura 5 – Percentual de tutores que afirmaram controlar a quantidade de ração consumida pelo seu pet. Fonte: Elaborado pelos autores.
O número de vezes que os animais consomem a ração diária conforme relato dos tutores foi de: 57,1% (8/14) de três vezes ao dia; 35,7% (5/14) duas vezes ao dia; e 7,1% (1/14) apenas uma vez ao dia (Figura 6).

Figura 6 – Frequência com que os tutores dão ração para seus pets. Fonte: Elaborado pelos autores.
Estudo realizado por Ribeiro et al. (2020) também obtiveram dados semelhantes onde os tutores escolheram a opção de alimentar os seus animais três vezes ao dia com maior frequência que as demais formas. Aptekmann et al. (2013), ressaltaram que houve grande variação na frequência com que os alimentos foram oferecidos aos animais, preferencialmente duas vezes ao dia, com 49% dos cães e 33% dos gatos, ou alimento à vontade, várias vezes ao dia, com 26% dos cães e 51% dos gatos. A frequência de consumo alimentar é importante para que o profissional passe a entender a relação do metabolismo animal com a frequência alimentar, os diferentes tipos de alimento e, principalmente, as diferenças entre as espécies. Os gatos têm necessidade de serem alimentados mais vezes ao dia para que consigam manter a sua glicemia e atividade metabólica constantes (DENG et al., 2014).
Sobre o acréscimo de algum suplemento na ração aos cães e gatos, foi verificado que 71,4% (10/14) dos tutores realizam alguma suplementação e que 28,6% (4/14) não o faziam este manejo (Figura 7). Uns disseram que acrescentam vitaminas, outros misturam a ração com “cenoura, carnes, fígado bovino ou sache” e outros acrescentam “saches algumas vezes’. A ração comercial de qualidade não necessita ser misturada com outros alimentos, principalmente se estes alimentos forem provenientes de sobras da alimentação do ser humano, pelo fato da possibilidade de intoxicação alimentar especialmente se forem temperadas com alho e cebola (PEDRINELLI et al., 2017).

Figura 7 – Percentual de tutores que acrescentam algum na ração dos pets. Fonte: Elaborado pelos autores.
Observou-se que 78,6% (11/14) dos tutores conhecem a qualidade da ração que ofertam aos seus pets, enquanto 21,4% (3/14) desconhecem o que estão comprando (Figura 8).

Figura 8 – Percentual de tutores que conhecem a qualidade da ração dos pets. Fonte: Elaborado pelos autores.
Resultados semelhante foi identificado por Ribeiro et al. (2020) onde a maioria dos tutores de cães e gatos afirmaram conhecer a qualidade da ração de seus animais de estimação. Esses dados sugerem que existe certo interesse de parte dos tutores na qualidade da alimentação oferecida aos seus animais, e o entendimento do alimento como parte importante da manutenção da saúde dos seus animais, apesar da maioria ainda não se interessar. Vem sendo observado entre os tutores de diversos países um aumento da preocupação pela qualidade dos alimentos para os animais, principalmente após episódios de intoxicação alimentar de animais pelo consumo de ração contaminada com agentes pesticidas usados na agricultura (SAAD; FRANÇA, 2010).
Sobre o(s) critério(s) utilizado(s) pelos tutores para aquisição da ração dos pets, foi verificado que: 85,7% (12/14) disseram que compram pela qualidade; 64,3% (9/14) informaram que compram a ração pelo valor monetário, 42,9% (6/14) afirmaram que compram por indicação do médico veterinário e 14,3% (2/14) disseram outros motivos, porém não especificaram (Figura 9).

Figura 9 – Percentual de critérios utilizados pelos tutores para aquisição da ração dos pets. Fonte: Elaborado pelos autores.
Lopes et al. (2019) verificaram principalmente em seus resultados que 21,36% dos tutores compram principalmente pelo melhor preço, 18,08% devido a qualidade nutricional e 9,57% por ser a marca preferida do seu animal. Mota e Ott (2024) encontraram que os tutores do estado do Rio de Janeiro, dentre os principais resultados, preferiram adquirir a ração pelos motivos de: 53,3% composição nutricional do produto e 54,3% pela preferência do animal.
Conforme argumenta Beça (2013) é importante verificar a qualidade das rações e não levar em consideração o preço isso porque as rações que são formuladas com ingredientes de menor qualidade tendem a utilizar aditivos para torná-la mais atrativa ao animal, mantendo o nível nutricional e preço comercial baixo em relação às rações comerciais que usam ingredientes de melhor qualidade.
Acerca do conhecimento dos tutores sobre o tipo de ração a ser utilizada de acordo com a idade, foi observado que 78,6% (11/14) conhecem as rações que deverão ser utilizadas na faixa etária do seu pet e 21,4% (3/14) que não sabem identificar o tipo da ração em relação a faixa etária do seu pet (Figura 10).

Figura 10 – Percentual de tutores conhecem a ração de acordo com a idade dos pets. Fonte: Elaborado pelos autores.
Lopes et al. (2019) em estudo com tutores de cães e gatos em Maceió, Alagoas, verificaram que 81, 92% dos tutores não conhecem sobre a qualidade e classificação das rações. Ribeiro et al. (2020) argumentam que para uma dieta apropriada deve-se considerar a idade do animal, peso, nível de atividade física, disponibilidade dos tutores, preço final, entre outros. Além de conscientizar os tutores quanto à importância de uma alimentação específica balanceada e de qualidade, visto que as necessidades nutricionais dos caninos e felinos são bastante diferentes. Para cães e felinos saudáveis, a quantidade de ração para cachorro mais indicada varia principalmente de acordo com peso, porte e idade do pet.
Com relação a verificação do rotulo do pacote de ração, 50% (7/14) dos tutores afirmaram que fazem essa verificação e 50% (7/14) afirmaram que não. Em estudo realizado por Lopes et al. (2019) foi encontrado que 79,16% dos tutores observam a forma de armazenamento e que 80,20% observam o prazo de validade das rações. Ribeiro et al. (2020) afirmaram que as informações nutricionais presente nos rótulos confere a qualidade da ração e é importante pois essas informações estão diretamente relacionadas à prevenção ou causa de doenças.
Com relação ao armazenamento da ração: 57,1% (8/14) dos tutores disseram que armazenam em potes para ração, 21,4% (3/14) na embalagem original, 14,3% (2/14) armazenam em outras embalagens e 7,1% (1/14) armazena no saco de ração, conforme visto na figura 11.

Figura 11- Modo como os tutores armazenam a ração de seus animais no município de João Pessoa – PB. Fonte: Elaborado pelos autores.
Intervenção: produção de um vídeo extensionista
A intervenção do projeto foi realizada através do desenvolvimento de um vídeo extensionista. O vídeo foi organizado a partir de uma entrevista realizada pelo grupo de estudantes com um médico veterinário especialista em nutrição e nutrologia animal. Durante a intervenção foram abordados temas relacionados a nutrição animal, escolhas da ração e importância da ração para cada idade. O vídeo teve uma duração de 15 minutos e em seguida foi enviado para todos os tutores que participaram do projeto.
Conclusões
Nesse estudo observou-se que os tutores tem um conhecimento eficaz sobre a alimentação dos caninos e felinos, visto que a maioria controlam a quantidade de ração consumida pelo seu pet, oferecem ração três vezes ao dia, não acrescentam outros alimentos ou suplementos na ração, conhecem a qualidade da ração que ofertam aos seus pets, compram a ração pela qualidade, conhece as rações que devem ser utilizadas de acordo com a faixa etária do pet, verificam o rótulo do pacote da ração e armazenam a ração em potes.
Percebe-se que o conhecimento dos tutores é eficaz no cuidado com seus pets e são atentos a eficiência de uma alimentação equilibrada e balanceada e são cuidadosos com relação a alimentação.
Compreende-se que os tutores são uma peça fundamental para manter a saúde de seu animal de estimação. Esse conhecimento otimiza a saúde deles e é o diferencial para o crescimento, desenvolvimento e para atender as necessidades dos mesmos, além de fortalecer a imunidade do pet, prevenir doenças e mantê-los saudáveis.
Conflitos de interesse
Não houve conflito de interesses dos autores.
Contribuição dos autores
Luiz William Barreto Wanderley, Eveline de Oliveira Barros, Kauã Uriah Ferreira Dantas e Schayrone Regina Rodrigues Ribeiro – ideia inicial, realização do diagnóstico epidemiológico, realização da intervenção extensionista e escrita; Maiza Araújo Cordão e Sebastião André Barbosa Junior – orientação para o diagnóstico epidemiológico, intervenção extensionista, correções e escrita final.
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Recebido em 29 de novembro de 2024
Retornado para ajustes em 23 de maio de 2025
Recebido com ajustes em 25 de maio de 2025
Aceito em 6 de junho de 2025