Revista Agrária Acadêmica
doi: 10.32406/v8n4/2025/67-76/agrariacad
Viabilidade econômica de terminação de bovinos em dieta de puro grão na região Meio Norte do Brasil. Economic viability of finishing cattle on a pure-grain diet in the Brazil Mid-North region.
Italo Franklin dos Santos da Silva
1, Tadeu Sampaio Carneiro2, Dinnara Layza Souza da Silva
3, Marcos Vicente Vieira da Silva4, Joao Victor Galvao da Silva4, Marcelo Richelly Alves de Oliveira
5, Mérik Rocha-Silva
3*
1- Bacharel em Zootecnia, Universidade Estadual do Piauí – UESPI, Teresina/PI – Brasil.
2- Engenheiro Agrônomo, Gerente Fazenda, Timon/MA – Brasil.
3- Docentes do Curso de Bacharelado em Zootecnia, Universidade Estadual do Piauí – UESPI, Teresina/PI – Brasil. E-mail: merikrocha@cca.uespi.br
4- Discentes do Curso de Bacharelado em Zootecnia, Universidade Estadual do Piauí – UESPI, Teresina/PI – Brasil.
5- Docente do Curso de Bacharelado em Medicina Veterinária, Centro Universitário Maurício de Nassau – UNINASSAU, Teresina/PI – Brasil.
Resumo
A terminação de bovinos em confinamento é influenciada pelas categorias e sexo dos bovinos, objetivamos avaliar a viabilidade econômica de bovinos machos inteiros, machos castrados e fêmeas de descarte sob sistema de terminação de dietas com alto grão. Foram envolvidos 156 animais anelorados, sendo 21 machos castrados, 96 machos inteiros (MI) e 39 fêmeas adultas em regime de engordar/terminação. Após a retirada de registro de animais com dados improváveis, o número de MI foi estabilizado em 90. A fim de estratificar os animais, os pesos iniciais foram transformados em arrobas de 30 Kg, e o investimento médio por animal do lote (valores supracitados) representados por arroba de cada animal. As fêmeas se apresentaram como a melhor opção para terminação dentre os animais avaliados. Identificou se que o peso no ato da aquisição interfere significativamente sob a lucratividade.
Palavras-chave: Confinamento. Nelore. Taxa de retorno.
Abstract
The finishing of cattle in confinement is influenced by the categories and sex of the cattle. We aimed to evaluate the economic viability of entire male cattle, castrated males and females for culling under a finishing system with high-grain diets. A total of 156 ringed animals were involved, including 21 castrated males, 96 entire males (IM) and 39 adult females in a fattening/finishing regime. After the removal of animals with improbable data, the number of IM was stabilized at 90. In order to stratify the animals, the initial weights were transformed into 30 kg arrobas, and the average investment per animal of the batch (above-mentioned values) represented by arroba of each animal. Females presented themselves as the best option for finishing among the animals evaluated. If it is possible to direct the heaviest animals of the batch (above average), profitability is favored.
Keywords: Confinement. Nellore. Return rate.
Introdução
Intensificar a bovinocultura propicia celeridade da produção de alimentos, sendo uma das alternativas estabular ruminantes fornecendo-os dietas totais. O confinamento é uma técnica que oferece controle e monitoramento mais precisos das condições de criação, que consiste em manter os animais em um espaço restrito, permitindo um maior controle sobre a nutrição dos animais, com dietas específicas, com quantidades exatas de nutrientes necessários para cada fase de produção, otimizando assim o ganho de peso e a eficiência produtiva, permitindo uma maior flexibilidade da oferta de alimentos independente da sazonalidade (GOMES et al., 2015; RODRIGUES et al., 2024). Apesar do potencial do confinamento bovino no Nordeste, alguns desafios precisam ser superados para sua plena efetividade, um desses desafios é a disponibilidade e o custo dos insumos, o que impactará na viabilidade econômica.
Os padrões alimentares de bovinos em confinamento são definidos pela composição e proporção dos alimentos fornecidos, com destaque para a presença de volumoso e concentrado na dieta (FERREIRA et al., 2021). A proporção entre esses componentes influencia diretamente a eficiência alimentar, a digestibilidade dos nutrientes e, consequentemente, o desempenho dos animais, assim como a avaliação da alimentação, que é uma ferramenta fundamental para monitorar e otimizar a dieta, além de identificar possíveis deficiências nutricionais ou problemas relacionados.
Uma das estratégias utilizada no confinamento bovino é o uso de dietas contendo alto teor de grãos, como milho e outros cereais, juntamente com produtos comerciais na forma de pellets. Essa dieta visa aumentar a energia disponível para os animais, promovendo um rápido ganho de peso e reduzindo o tempo necessário para a terminação dos bovinos, resultando em uma produção de carne mais eficiente. No entanto, a inclusão de alto teor de grãos na dieta de bovinos confinados requer cuidados especiais, devido aos potenciais riscos associados a essa prática que pode levar a distúrbios metabólicos, que afetam negativamente a saúde e o desempenho dos animais.
Se optar por animais de raça taurina, a carne terá maior deposição de gordura e marmorização, quando comparadas aos zebuínos, pois os primeiros são mais precoces, se caracterizando com ganho de peso mais lento, porém com maior deposição de gordura e marmorização, já os zebuínos são animais mais tardios com ganho de peso mais rápido, mas com menor teor de gordura na carcaça (BRESSAN et al., 2016).
O confinamento bovino é uma boa opção para a produção de carne com melhor qualidade e menor tempo. Porém, se faz necessário atentar a escolha de características desejáveis dos animais, assim como o manejo e parâmetros adotados no sistema, para produzir carne lucrativamente. O sexo do animal: machos inteiros, machos castrados e fêmeas influencia os desempenhos. Fêmeas depositam gordura mais precocemente que novilhos castrados e, estes por sua vez, são mais precoces que novilhos inteiros (CHA et al., 2023). Dessa forma, a carne de bovinos machos inteiros geralmente é de menor qualidade, apesar de derem animais com melhor desenvolvimento e ganho de peso.
Objetivamos avaliar a viabilidade econômica de bovinos machos inteiros, machos castrados e fêmeas de descarte sob sistema de terminação de dietas com alto grão.
Material e métodos
O projeto de pesquisa foi previamente submetido ao Comitê de Ética no Uso de Animais da UESPI e devidamente aprovado sob protocolo 002420/2024-83.
Local e animais
Fazenda no município de Timon, Maranhão; com atividades agrícolas e pecuárias. Os animais permaneceram em baias em grupos por categoria animal, onde receberam a alimentação em cochos de concreto para consumo ad libitum conforme Figura 1. Tendo acesso à água fresca e sombra a vontade.

Figura 1 – Baia de confinamento, animais avaliados, rua de trato, ao fundo cobertura de proteção à insolação; Munícipio: Timon – Maranhão. Fonte: autores.
Foram envolvidos 156 animais anelorados, sendo 21 machos castrados, 96 machos inteiros (MI) e 39 fêmeas adultas em regime de engordar/terminação. Após a retirada de registro de animais com dados improváveis, o número de MI foi estabilizado em 90.
Dieta
A alimentação baseada no uso de grãos inteiros de milho, complementada com pellets comerciais para dieta para terminação de bovinos Qualicorte Optimaize Final®, conforme Tabela 1. Os animais foram arraçoados duas vezes ao dia, mantendo sobras durante 15 dias de adaptação e 90 dias experimentais.
Desempenho animais
Os animais adquiridos de terceiros, são pesados inicialmente, individualmente, dispostos em alimentação adaptativa pelo período de 1 ou 2 semanas; sendo mantidos sob alimentação a vontade do formulado constante na Tabela 1.
O GMD (Ganho Médio Diário em Kg dia-1) dos animais agrupados por categoria foram submetidos à avaliação da presença de outliers, via recursos do pacote Dplyr; e os pressupostos para uso do método de quadrados médios, distribuição aproximadamente normal (gaussiana) dos resíduos via RVAideMemoire do software R. Após a subtração de dados inconsistentes utilizou-se da análise de variância (ANOVA) para aferir se há diferenças entre as categorias animais para GMD.
Tabela 1 – Composição nutricional da dieta.
Item |
Milho Grão* |
Pelet Comercial |
Dieta |
Proporção |
85% |
15% |
100% |
Proteína Bruta |
8,99% |
32% |
12,44% |
NNP-Eq Proteína |
– |
15,3% |
2,30% |
Extrato Etéreo |
4,51% |
2% |
4,13% |
Fibra Bruta |
2,42% |
14% |
4,16% |
FDA |
3,37% |
18% |
5,56% |
Matéria Mineral |
1,29% |
20% |
4,10% |
Cálcio |
0,03% |
1% |
0,18% |
Fósforo |
0,34% |
0,3% |
0,33% |
Sódio |
0,03% |
0,4% |
0,09% |
Potássio |
0,35% |
– |
0,30% |
Magnésio |
0,11% |
– |
0,09% |
Enxofre |
0,04% |
0,35% |
0,09% |
Cobre |
3,48% |
– |
2,96% |
Cobalto |
0,02% |
0,01% |
0,019% |
Cromo |
– |
0,06% |
0,009% |
Iodo |
– |
0,03% |
0,005% |
Ferro |
0,55% |
0,33% |
0,52% |
Manganês |
0,88% |
1,5% |
0,97% |
Selênio |
0,07% |
0,01% |
0,061% |
Zinco |
1,88% |
2,50% |
1,973% |
VIT A |
– |
20.000 UI/kg |
20.000 UI/kg |
VIT D3 |
– |
3.200 UI/kg |
3.200 UI/kg |
VIT E |
– |
28 UI/kg |
28 UI/kg |
Virginiamicina |
– |
1,5% |
0,23% |
A Figura 2 demonstra como a mistura de puros grãos de milho e pellets com demais nutrientes são dispostos aos animais.
Classificação animais por ocasião da compra
Os animais foram adquiridos independente de peso, “por cabeça”. Por ocasião do processo de aquisição animais com variações no peso em um mesmo lote são adquiridos em conjunto com um valor igual por animal. Os machos castrados foram adquiridos independente do peso por R$ 3.226,66, incluindo despesas de transporte até a propriedade.
As fêmeas foram adquiridas por valores desde R$ 2.154,40 até R$ 2.578,03, valores por lotes, em função de negociação com quem esteva repassando-as. Os machos inteiros foram adquiridos por R$ 2.402,67 (7 animais), R$ 3.134,46 (5 animais) e R$ 3.226,66 (79 animais), influenciando minoritariamente as variações em função das diferentes distancias entre fornecedor e propriedade. Tendo o investimento por animal volatilidade associado a custo/oportunidade, comumente não dispondo da prerrogativa de escolher dentre os animais sendo adquiridos.
(a) |
(b) |
Figura 2 – (a) Dieta total de alto grão; (b) tomada de desempenho animal. Fonte: autores.
A fim de estratificar os animais, os pesos iniciais foram transformados em arrobas de 30 Kg, e o investimento médio por animal do lote (valores supracitados) representados por arroba de cada animal:
Arroba aquisicao = (Valor animal vivo) / (Peso Kg/30)
O valor médio pago por arroba em cada categoria animal (machos inteiros, machos castrados e fêmeas de descarte) criou dois grupos em cada categorias em função da vantajosidade e contribuição a lucratividade da atividade, classificando os em animais superiores (custo de arroba menor do que a média da categoria) e os inferiores (custo de arroba superior à média).
Considerando que na aquisição de animais de reposição normalmente não há possibilidade de escolha dentre os animais, devendo o comprador adquirir todo o lote; concebeu-se a hipótese de que, é pertinente o adquirente proceder destinações diferentes aos animais de um mesmo lote adquirido. Para tal avaliação segregamos as categorias animais em dois grupos. Assim, avalia-se a hipótese de que animais com custo de aquisição mais vantajosos podem apresentar lucratividade distinta dos demais em processo de terminação com dieta de alto grão, oportunizando outros encaminhamentos aos animais `inferiores`, classificados a partir da distribuição em função média.
Inferiores = Arroba aquisicao≥ media categoria
Superiores = Arroba aquisição < media categoria
As estimativas de lucratividade com dados reais foram promovidas separadamente e comparativamente para os dois grupos em cada categoria: machos inteiros (MI), machos castrados (MC) e fêmeas de descarte (FD).
Resultados e discussão
Os animais apresentam peso inicial acima de 7 arrobas (@) e indivíduos acima de 21@ ao abate, conforme disposto na Tabela 2.
Tabela 2 – Estatística descritiva das medidas ponderais por categoria animal.
Fêmeas Descarte |
Machos Castrados |
Machos Inteiros |
|||||||
Min |
Med |
Max |
Min |
Med |
Max |
Min |
Med |
Max |
|
Peso Entrada (Kg) |
228 |
308.9 ± 7.01 |
442 |
298 |
370 ±7.16 |
427 |
309 |
393.3 ± 3.83 |
468 |
GMD (Kg dia-1) |
0,62 |
1,19 ± 0,04 |
1,59 |
0,27 |
0,71 ±0,04 |
1 |
0,81 |
1,48 ± 0,04 |
2,49 |
Peso Saida |
394 |
454,7 ± 7,78 |
552 |
424 |
480 ± 8,85 |
550 |
494 |
575,6 ± 3,85 |
644 |
GMD: Ganho Médio Diário.
As FD (fêmeas descarte) apresentaram peso médio inferior a 11@ o que inviabiliza a obtenção de carcaças tipo A segundo o CLASSIBOV (MAPA, 2022). Segunda a mesma classificação os MC (machos castrados) e os MI (machos inteiros) também se manteriam como “Tipo C”. Essa condição desfavorável tende a prejudicar a obtenção de preços especiais para os animais ao abate.
O acúmulo de massa individual dos animais esteve entre 0,270 e 2,490 Kg dia -1, ambos registros em animais do sexo masculino. Lopes et al. (2011) indicaram que a castração prejudica o desempenho dos bovinos em confinamento com relação ao ganho de peso. Segundo os mesmos, esse efeito desfavoreceu a rentabilidade da atividade, o GMD 0,93 Kg dia -1 acima do observado (0,71) e os inteiros inferior 1,13 Kg dia -1 em relação observados no presente estudo.
Entre os MI identificou-se outliears (corresponde à mais de 2 desvios padrões em relação à média), aferiu-se e trata-se de casos consistentes de desempenhos extraordinários, provavelmente em função da densidade nutricional da dieta ofertada.
A duração do confinamento 90 dias foi equivalente ao avaliado por Rodrigues et al. (2024) em que o desempenho, peso final, é condicionado ao grupo racial. Os MI que assim como os demais são anelorados, atendem os parâmetros para serem considerados Nelore, toda via, sem a chancela da associação de criadores, projetou animais com peso de 577, superior a machos inteiros de raças continentais como holandês e seus cruzamentos com zebus na investigação dos supracitados autores; indicando que o desempenho dos animais deste experimento no mínimo esteve no nível esperado, provavelmente com desempenho superior.
O desempenho dos animais esteve a contento, com GMD (Ganho Médio Diário) de 2,04; 1,21 e 1,62 Kg dia -1; respectivamente à MI, MC e F. Medeiros et al. (2024) imputam que a composição da dieta pode limitar o consumo em função do percentual e perfil das fibras; neste sentido, a dieta de puro grão tende a maximizar o desempenho dos animais em função de não haver previsão de limitar o consumo, principalmente pela alta densidade nutricional do consumido; otimizando a capacidade ingestiva e consequentemente o desempenho animal. Sendo a necessidade de fibras contornada pelo uso de agentes tamponantes e aditivos, entre eles os ionóforos.
Matos et al. (2025) indicam que o uso combinado de monensina sódica e virginiamicina foi mais eficiente na inibição de bactérias que promovem mudanças indesejáveis no ambiente ruminal.
Tem-se a percepção de que os desempenhos dos animais foram diferentes em função das três categorias animais, onde denota-se que os machos inteiros apresentaram ganho de peso mais acentuado conforme Figura 3.
(a) |
(b) |
Figura 3 – Ganhos de peso no período. (a) Dispersão dos dados; (b) Evolução das medias dos pesos das diferentes categorias.
Supõe-se que o efeito da testosterona propiciou peso inicial superior e manteve o potencial de ganho ao longo do período de terminação. Os indivíduos castrados apresentaram menor dispersão (Figura 3a), indicando possível efeito homogeneizador da anulação dos efeitos de testosterona. As fêmeas foram os únicos animais adultos neste experimento. Oriundas de descarte, principalmente associado a diagnóstico negativo de prenhez.
Classificação dos indivíduos na compra e a sua influência sob a rentabilidade da atividade
Os animais foram adquiridos com valor fixo por individuo, acrescido do frete; repercutido em investimentos iguais por animal. Utilizando a proporcionalidade dos pesos, estimou-se o preço de aquisição da arroba, sendo esta variável por indivíduo. Machos inteiros apresentaram os menores investimento médio por animal e os melhores ganhos de peso, apesar do menor valor obtida por arroba produzida (Tabela 3).
Tabela 3 – Medias de valores associados à atividade.
Categorias |
Custos Animal médio (R$) |
Valor Arroba aquisição (R$) |
Ganho de peso no período (Kg) |
Custo (R$) |
Valor arroba venda (R$) |
FD |
2.402,16 |
237,62 |
145,72 |
2.167,12 |
227,12 |
MC |
3.226,66 |
263,15 |
109,33 |
2.386,33 |
241,28 |
MI |
3.191,52 |
246,00 |
182,26 |
2.229,05 |
223,68 |
FD: fêmeas descarte; MC: machos castrados; MI: machos inteiros.
Valores praticados em 2024, primeiro semestre. Fêmeas adultas, desinteressantes à reprodução em rebanhos de cria apresentam idade variável, mas, sempre adultas. Por terem perdido a oportunidade de ganho de peso na fase jovem, sua terminação de forma intensiva tende a ser um risco, justificável pelo preço de aquisição, neste caso, em torno de 75% do valor do macho jovem. A fêmea apresenta remuneração reduzida, toda via, neste caso o valor pago pela arroba do MI foi ainda inferior as demais categorias.
Kuss et al. (2005) indicam que as fêmeas de descarte fazem parte de uma minoria relevante dos animais que contribuem para produção do alimento carne, sendo a taxa de abate das mesmas variável em função do mercado. Os produtos do abate das mesmas tendem a apresentar limitada qualidade segundo os autores, em que, corte de relevância comercial e até mesmo o rendimento de carcaça tendem a ser desfavoráveis as mesmas.
Rezende et al. (2019) esclarecem que o desempenhos da FD é influenciado pelo peso, em que animais com peso intermediários (370 a 400 Kg de peso vivo) apresentam rendimento de carcaça superior a animais leve (<370 Kg) ou pesados (>400 Kg). Provavelmente por ser possível que os animais leves tenham sofridos limitações no acesso à alimentos e os animais pesados tendem a terem atingidos os limites de hipertrofia possíveis.
Os testes estatísticos (p-valor ≤ 0,05) indicam que a lucratividade não foi influenciada significativamente pelo preço de aquisição, e parcialmente pela categoria animal (Tabela 4).
Tabela 4 – Lucratividades registradas, agrupadas.
Lucro (R$ animal) |
FD |
MC |
MI |
|||
Infer. |
Sup. |
Infer. |
Sup. |
Infer. |
Sup. |
|
-1147,46c |
-628,60a |
-1411,85d |
-1041,52 c |
-711,53b |
-1009,84 c |
|
Letras diferentes na mesma linha indicam diferenças estatísticas significativas pelo teste de Tukey HSD (p-valor ≤ 0,05).
Todos os grupos apresentam prejuízo à atividade. Considerando que o valor de venda e compra não estavam distantes da média do mercado, atribui-se impacto nos custos, provavelmente em função da estratégia alimentar adotada.
Foram significativas as influências das variáveis independentes em fatorial Categoria X Classificação sobre a lucratividade (p-valor 0,002). Os menores prejuízos adviram das FD com preço de aquisição da arroba inferior à média, classificadas como compra “superior”, seguida pelo MI inferiores.
O pior cenário constatado foi pela terminação dos MC com preço de aquisição da arroba maiores que a média, tidos como compras de “inferior” potencial de lucratividade.
Os animais com peso inferiores em cada categoria apresentaram as piores lucratividades dentre FD e MC; a exceção foram os MI. A princípio, os machos inteiros (MI) mais leves conseguiram apresentar resultados significativamente melhores, provavelmente pelo ganho de peso total destes (204,06 Kg) suportar a lucratividade frente ao MI adquiridos mais pesados que ganharam menos peso (160,46 Kg) no mesmo período e sob a mesma dieta.
Conclusão
A terminação de bovinos em dietas de alto grão apresentaram desvantagens e inviabilidade das atividades sob as condições observadas.
As fêmeas se apresentaram como a melhor opção para terminação dentre os animais avaliados. Caso seja for possível direcionar os animais mais pesados do lote (acima da média), favorece-se a lucratividade.
Conflitos de interesse
Não houve conflito de interesses dos autores.
Contribuição dos autores
Italo Franklin dos Santos da Silva e Tadeu Sampaio Carneiro – coleta de dados em fazenda; Italo Franklin dos Santos da Silva – análise e redação; Marcos Vicente Vieira da Silva – discussão dos resultados; Dinnara Layza Souza da Silva e Marcelo Richelly Alves de Oliveira – revisão do texto, Mérik Rocha Silva – orientação.
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Recebido em 24 de setembro de 2024
Retornado para ajustes em 21 de maio de 2025
Recebido com ajustes em 24 de junho de 2025
Aceito em 25 de junho de 2025