Análise quantitativa e qualitativa de oócitos produzidos por novilhas super precoce e sua conversão embrionária

Revista Agrária Acadêmica

agrariacad.com

doi: 10.32406/v8n4/2025/1-8/agrariacad

 

Análise quantitativa e qualitativa de oócitos produzidos por novilhas super precoce e sua conversão embrionária. Quantitative and qualitative analysis of oocytes produced by super precocious heifers and their embryonic conversion.

 

Lucas Martins Roveda1*, Lucas Winter de Almeida Soares2, Sallomão Dhankel dos Santos Lima2, Giancarlo Rieger3

 

1- Discente do Curso de Medicina Veterinária, Faculdade Marechal Rondon – FARON, Vilhena/RO, Brasil. E-mail: lucasrodevah@gmail.com
2- Discente do Curso de Medicina Veterinária, Instituto Federal de Rondônia – IFRO, campus Jaru, Jaru/RO, Brasil.
3- Docente do Curso de Medicina Veterinária, Faculdade Marechal Rondon – FARON, Vilhena/RO, Brasil.

 

Resumo

 

A eficiência reprodutiva desempenha nas fêmeas um papel fundamental na sustentabilidade econômica dos rebanhos de bovinos de corte, principalmente em características relacionadas a precocidade sexual de novilhas, com a crescente utilização da produção in vitro (PIVE) de embriões. O presente estudo teve como objetivo avaliar a qualidade oocitária e de embriões produzidos de novilhas nelore com idade de 11 e 12 meses submetidas ao desafio de precocidade, aspiradas previamente a estação de monta. O estudo foi realizado nos meses de setembro e outubro de 2023, em uma fazenda localizada no município de Vilhena-RO, os animais foram submetidos a um regime de pastagem predominantemente formada por Brachiaria e recebiam suplementação proteica com consumo 0,6% do peso vivo acrescido de silagem de capim Miyagi. As aspirações foliculares decorreram pela manhã, com intuito de não influenciar de forma negativa a temperatura ambiente. Para conduzir a pesquisa, foram utilizados 23 animais submetidos ao processo de aspiração folicular. Posteriormente, os oócitos foram encaminhados ao laboratório para seleção, maturação e fecundação. No laboratório, realizou-se a seleção desses oócitos para classificar os viáveis e fecunda-los, ao total foram coletados 562 oócitos viáveis que converteram em 129 embriões aptos a transferência. A conversão oócitaria foi de 22,9% número relativamente considerável se comparado a conversão de matrizes adultas. É evidente, portanto, que a aspiração folicular de novilhas super precoce pode ser utilizada em programas melhoramento genético, visto que a qualidade oócitaria desses animais viabiliza o processo de ganho genético e avanço de gerações.

Palavras-chave: Aspiração folicular. Produção de embriões. Reprodução.

 

 

Abstract

 

Reproductive efficiency in females plays a fundamental role in the economic sustainability of beef cattle herds, mainly in characteristics related to the sexual precocity of heifers, with the increasing use of in vitro production (IVP) of embryos. The present study aimed to evaluate the quality of oocytes and embryos produced from Nelore heifers aged 11 and 12 months submitted to the precocity challenge, aspirated before the assembly station. The study was carried out in the months of September and October 2023, on a farm located in the municipality of Vilhena-RO, the animals were subjected to a pasture regime predominantly formed by Brachiaria and received protein supplementation with consumption of 0.6% of live weight added with Miyagi grass silage. Follicular aspirations took place in the morning, with the aim of not negatively influencing the ambient temperature. To conduct the research, 23 animals were used that underwent the follicular aspiration process. Subsequently, the oocytes were sent to the laboratory for selection, maturation and fertilization. In the laboratory, these oocytes were selected to classify the viable ones and fertilize them. In total, 562 viable oocytes were collected, which were converted into 129 embryos suitable for transfer. Oocyte conversion was 22.9%, a relatively considerable number compared to the conversion of adult matrices. It is evident, therefore, that follicular aspiration of super early heifers can be used in genetic improvement programs, since the oocyte quality of these animals makes the process of genetic gain and generational advancement viable.

Keywords: Follicular aspiration. Embryo production. Reproduction.

 

 

Introdução

 

Para suprir as necessidades do mercado quanto a quantidade e qualidade, o pecuarista que tem como objetivo aumentar a eficiência reprodutiva de seus rebanhos, lança mão de investimentos em melhoramento genético juntamente com as biotecnologias da reprodução (FREITAS, 2023). Em 1982 nasceu e se desenvolveu normalmente o primeiro bezerro produzido através do processo de fertilização in vitro (FIV) (BRACKETT et al., 1982), porém com o financiamento das empresas Beabisa Agricultura LTDA e Gretec Tecnologia de Embriões para o fundo de inovações tecnológica deu início a comercialização no ano de 1998 (GALLI, 2003). As técnicas de PIVE na espécie bovina são aprimoradas constantemente devido as altas demandas de embrião pelo mercado da pecuária, o que torna a biotécnica um destaque no cenário mundial da reprodução animal, ultrapassando as outras biotecnologias reprodutivas (DAYAN, 2001). A utilização da PIVE permitiu que fosse encurtado o tempo do melhoramento genético em até 10 anos, pois possibilita explorar ao máximo o potencial reprodutivo das fêmeas bovinas de alto valor zootécnico e com isso, reduz os intervalos que existem entre as gerações e eleva o número de descendentes (SILVA et al., 2015; SOUZA, 2019).

A PIVE é composta por diversas etapas as quais irão influenciar de maneira direta no resultado final, nessas etapas estão a aspiração folicular –colheita oocitária –e a seleção de oócitos imaturos, maturação dos oócitos in vitro (MIV), fertilização dos oócitos maturados com espermatozoides que foram capacitados e desenvolvidos in vitro (FIV) e depois, a transferência dos embriões a fresco ou a criopreservação. A colheita oocitária possibilita a obtenção dos oócitos em grandes quantidades (MACHATY et al., 2012). A colheita dos oócitos em bovinos pode ser realizada através da Ovum Pick Up, conhecida como aspiração folicular (OPU), a qual é realizada guiada por ultrassom com o auxílio de um transdutor vaginal, que irá perfurar os ovários e coletar os oócitos (GONÇALVES et al., 2008).

Após ser realizada a colheita dos oócitos o seguinte passo é rastrear e então classificar os oócitos, para classificá-los devem ser avaliados o aspecto morfológico dos complexos cumulus-oócitos (CCO). Viana et al. (2004) descreveu cinco graus de qualidade oocitária e segue alguns critérios os quais são avaliados para decidir se o oócito poderá ser levado a maturação e fertilização. Esses graus são: Grau I: O CCO é compactado e possui mais de três camadas de células do cumulus e os oócitos tem o citoplasma homogêneo. O núcleo apresenta uma coloração clara e aparente; Grau II: O CCO é compactado e possui três ou menos camadas de células do cumulus e os oócitos tem o citoplasma ligeiramente heterogêneo; Grau III: Halo transparente ao redor do ovócito e parcialmente desnudos; Grau IV: desnudos e com cúmulos expandido ao redor do oócito; Grau V: Atrésico, não apresentam células dos cúmulos e podem apresentar granulações. Mariano et al. (2015) e Penitente Filho (2013) afirmam que os oócitos classificados como Grau I e II são os ideais para serem maturados e fertilizados pois tem maior probabilidade de progredirem a um embrião e o Grau III pode ser utilizado em casos que forem recuperados poucos oócitos, porém apresentam baixa taxa de viabilidade, Grau IV e V são descartados pois não são viáveis.

Existem inúmeros fatores que podem contribuir para a redução da taxa de produção de embriões in vitro, como a obtenção dos oócitos imaturos in vivo, o fator idade da doadora, transporte dos oócitos até o laboratório e a má seleção dos oócitos (GOTTARDI, 2009). O método de classificação morfológica é imprescindível para a seleção dos embriões satisfatórios à transferência a fresco e/ou criopreservação. Estruturas que apresentam adequado crescimento são consideradas aptas ao desenvolvimento pós-implantacional e possuem maior tolerância ao congelamento (SOUZA, 2018). Os critérios de classificação são definidos pelas qualidades e estágios de desenvolvimento dos embriões, que são divididos em categorias (BATISTELA, 2023).

Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivo avaliar a viabilidade da utilização de novilhas super precoce no programa de aspiração e transferência de embriões. Tendo em vista a qualidade dos oócitos coletados e embriões produzidos in vitro por esses animais. A técnica de aspiração folicular (Ovum Pick Up – OPU), seguida pela seleção e classificação morfológica dos oócitos, é fundamental para garantir a viabilidade dos embriões produzidos.

 

Material e métodos

 

Este estudo foi conduzido através de dados retrospectivos disponibilizados pela fazenda Modotti localizada no Município de Vilhena-RO. Os animais foram submetidos a um regime de pastagem predominantemente formada por Brachiaria e receberam suplementação proteica com consumo 0,6% do peso vivo acrescido de silagem de capim Miyagi. Para conduzir a pesquisa, foram utilizados dados retrospectivos de 23 animais genotipados da raça Nelore com 11 e 12 meses de idade que foram submetidos ao processo de aspiração folicular nos meses de setembro e outubro de 2023. Após a aspiração, os oócitos foram encaminhados ao laboratório para seleção, maturação e fecundação. As aspirações foliculares foram realizadas com auxílio de equipamento de ultrassom portátil equipado com transdutor setorial de 7,5 MHz adaptado para exame intravaginal e com guia para agulha de biópsia. Agulhas descartáveis (20 G) acopladas a um sistema de vácuo com pressão aproximada de 50 mmHg ou equivalente ao fluxo de 11 ml por minuto. O líquido folicular e os complexos cumulus-oócitos foram aspirados para um tubo de 50 ml contendo 10 ml de Dulbecco’s PBS (DPBS), suplementado com 10% de soro fetal bovino (Nutricell) e 100UI de heparina sódica (Liquemine, Roche, Basileia, Suíça), e aquecido a 36ºC. Todos os oócitos recuperados foram mantidos em crio tubos devidamente identificados com meio tamponado, e transportados para o laboratório no intervalo de 3 a 12 horas a 37ºC.

 

Contagem e seleção dos oócitos

Para a classificação foi utilizada a metodologia de Viana et al. (2004). Os oócitos foram classificados de acordo com citoplasma e o número de camadas de células do cumulus segundo os critérios a seguir:

Grau I: O CCO é compactado e possui mais de três camadas de células do cumulus e os oócitos tem o citoplasma homogêneo. O núcleo apresenta uma coloração clara e aparente;

Grau II: O CCO é compactado e possui três ou menos camadas de células do cumulus e os oócitos tem o citoplasma ligeiramente heterogêneo;

Grau III: Halo transparente ao redor do ovócito e parcialmente desnudos;

Grau IV: Desnudos e com cúmulos expandido ao redor do oócito;

Grau V: Atrésico, não apresentam células do cumulus e podem apresentar granulações.

 

Produção in vitro de embriões

A maturação in vitro dos COC foram realizadas em meio TCM 199 (Gibco) acrescido de 10% de soro fetal bovino, FSH, LH e estrógeno, piruvato e antibiótico, na estufa incubadora a 38,8 ºC, com 5% de CO2 em ar atmosférico e 95% de umidade, por 24 horas. Os oócitos de cada doadora foram colocados em gotas separadas em grupos de 1 a 30 por gota. Os COC maturados foram fecundados utilizando sêmen de touros provados. Para preparação dos espermatozóides foi utilizado o método do gradiente de Percoll (Invitrogen). A fecundação foi realizada em meio FIV contendo heparina, por um período de aproximadamente de 18-22 horas, nas mesmas condições atmosféricas da maturação. Para o cultivo dos presumíveis zigotos, foram utilizados CR4aa contendo, soro fetal bovino e BSA. No terceiro dia foi realizado o processo de clivagem, que é a separação das estruturas onde ocorreu a fecundação, as demais estruturas que não virarem zigoto foram desprezadas. Os embriões foram co-cultivados com células da granulosa nas mesmas condições da fecundação. No sétimo dia de cultivo os blastocistos foram avaliados, classificados quanto ao estágio de desenvolvimento (Mórula, blastocisto inicial, blastocisto, blastocisto expandido e blastocisto eclodido. Figura 1 representa a localização da fazenda Modotti em uma visão panorâmica ao Brasil.

 

Figura 1 – Localização da fazenda Modotti. Fonte: Google Maps.

 

Resultados e discussão

 

Em um total de 632 oócitos coletados, 89% estavam viáveis, o que corresponde a 562 oócitos submetidos ao processo de fecundação. Os oócitos que tiveram classificação de I a III seguiram para FIV, os mais IV e V foram desprezados. Os dados correspondem aos oócitos aspirados, viáveis e total de embriões produzidos (Tabela 1).

Oócitos considerados viáveis graus I, II e III; inviáveis grau IV e V degenerados ou expandidos. A porcentagem de oócitos viáveis aspirados das novilhas super precoce foi de 88,5%. Em um estudo conduzido por (BATISTA et al., 2016) obteve resultado similar, encontrando índices de 82 e 85% de oócitos viáveis em dois grupos de animais avaliados. Ademais, a qualidade dos gametas da categoria estudada justifica uma maior viabilidade se comparada a animais senis. Existem vários fatores que influenciam na coleta dos oócitos, os quais são fundamentais para a maximização da taxa de recuperação dos mesmos. O grau de qualidade e a quantidade dos oócitos podem ser alterados pela raça, idade, estádio reprodutivo, condições climáticas, características foliculares, e condições experimentais que envolvem todo o processo de  retirada  e  transporte  dos  ovários  até a aspiração folicular, incluindo a habilidade técnica e o tempo  que  leva  todo  esse  processo. Desse modo, em um estudo conduzido por Quintal et al. (2022) observou que a produção de oócitos de novilhas pré-puberes Holandesas foi inferior a produção das vacas a avaliadas.

 

Tabela 1 – Total de oócitos coletados e viáveis
Categoria
Total aspirado
Viáveis
Inviáveis
% de inviáveis
Novilha
632
562
70
11,5%

 

Um estudo conduzido por Silva (2021) avaliou a produção de oócitos de novilhas pré-puberes, com idade de 11 meses e obteve resultado de 28,93 oócitos aspirados por animal, valor similar ao encontro nesse estudo que foi de 27,47. Ademais, a viabilidade desses oócitos foi de 20,60 tendo viabilidade de 71%, valor inferior ao encontrado de 88,5% fato que se deve a nutrição dos animais, o autor cita que o escore de condição corporal dos animais avaliados influenciou nos resultados obtidos. Com relação aos folículos médios (5-8mm) e grandes (>8mm), foi observado menor quantidade nas novilhas se comparado aos animais adultos com dados da literatura. Esse resultado pode ser explicado devido as novilhas pré-púberes apresentarem imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise, que causa diminuição na concentração de hormônios responsáveis pelo crescimento folicular (SANTOS et al., 2016), acarretando em baixo desenvolvimento, e por isso as novilhas pré-púberes tendem a apresentar folículos com menor diâmetro quando comparado com doadoras mais velhas.

Estudo conduzido por Guerreiro (2015), avaliou o número de folículos aspirados de doadoras de diferentes categorias e não observou diferença estatística, bem como Silva (2020) mencionou não ter diferença entre a idade da doadora e quantidade de oócitos produzidos, corroborando com os resultados obtidos nessa pesquisa, onde o produção folicular de novilhas com idade de 11 e 12 meses não divergiu com a literatura quanto a produção de oócitos de animais adultos viabilizando a utilização dessa categoria em programas de transferência de embriões em fazendas quanto a produção oocitária. Os dados provenientes da conversão embrionária estão correlacionados na Tabela 2.

 

Tabela 2 – Conversão embrionária
Categoria
Oócitos fecundados
Embriões obtidos
% de conversão
Novilha
562
129
22,9%

 

Um estudo realizado por Pires (2023), observou uma conversão embrionária de 30,8% em vacas da raça nelore, o que demonstra valores acima dos que foram encontradas na pesquisa realizado com novilhas, algo que pode ter relação com o método de coleta, cultivo ou pela qualidade dos sêmen utilizado e idade do animal. Segundo Pinheiro et al. (2024), a produção média de oócitos viáveis por doadora 29,94 e a conversão em embriões foi de 10,01 se tratando de animais adultos da raça Nelore e Senepol, valores acima dos encontrados na presente pesquisa, algo influenciado pela idade e categoria animal avaliada, A produção média por novilha precoce foi de 24,43 viáveis e a conversão de 5,60 embriões por doadora.

Em relação a produção embrionária, ou seja, blastocistos por OPU e taxa de blastocistos, Camargo et al. (2005) relataram que novilhas pré-púberes apresentaram menor taxa de blastocisto, quando comparadas a vacas. Desta forma, o resultado observado no presente estudo está de acordo com a literatura, mas pode-se interpretá-lo de maneira positiva, uma vez que o valor encontrado pode viabilizar a utilização desses animais. Quanto ao número de blastocistos produzidos e taxa de blastocistos, indica que a utilização de fêmeas pré-púberes ou púberes não afetará a PIVE. Diante disso, a utilização de novilhas super precoce como doadora no programa de transferência é critério de cada fazenda adotar ou não essa categoria, visto que os valores de produção embrionária desses animais é relativamente inferior. No entanto, doadoras jovens prossibilitam provar geneticamente esses animais de forma precoce, aumentando a confiabilidade do rebanho.

 

Conclusão

 

A categoria de novilhas super precoce possue uma taxa de produção oocitária e conversão embrionária inferior a produção de vacas. No entanto, a utilização estratégica dessa categoria pode ser adotada em programa de transferência de embriões visando menor intervalo entre as gerações.

 

Conflitos de interesse

 

Não houve conflito de interesses dos autores.

 

Contribuição dos autores

 

Lucas Martins Roveda – coleta de dados, interpretação dos resultados e redação; Lucas Winter de Almeida Soares – coeta de dados e interpretação dos resultados; Sallomão Dhankel dos Santos Lima – coleta de dados; Giancarlo Rieger – verisão do texto, orientação e correções.

 

Apoio financeiro

 

Faculdade de Medicina Veterinária Marechal Rondon – FARON.

 

Agradecimentos

 

A Faculdade de Medicina Veterinária Marechal Rondon – FARON – e as empresas fornecedoras dos insumos.

 

Referências bibliográficas

 

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Recebido em 2 de outubro de 2024

Retornado para ajustes em 22 de maio de 2025

Recebido com ajustes em 28 de maio de 2025

Aceito em 20 de junho de 2025

Desenvolvimento de couve manteiga (Brassica oleracea L. var. acephala) em sistema hidropônico “Wick System”

Revista Agrária Acadêmica

agrariacad.com

 

doi: 10.32406/v8n3/2025/111-120/agrariacad

 

Desenvolvimento de couve manteiga (Brassica oleracea L. var. acephala) em sistema hidropônico “Wick System”. Development of kale butter (Brassica oleracea L. var. acephala) in a hydroponic system “Wick System”.

Sabrina Aparecida Martins da Silva1, Cristiano Pereira da Silva2, Jonas de Sousa Correa3

 

1- Discente do Curso de Agronomia, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS, Campus Aquidauana/MS – Brasil. E-mail: sabrinamartins1971@hotmail.com
2- Docente do Centro Estadual de Educação Profissional Hércules Maymone – CEEPHM, Campo Grande/MS – Brasil. E-mail: cpsilva.cetec@gmail.com
3- Docente dos Cursos de Engenharias e Saúde, Centro Universitário Estácio de Campo Grande, Campo Grande/MS – Brasil. E-mail: jonas.scorrea@professores.estacio.br

 

Resumo

 

A produção de hortaliças a partir do sistema de irrigação por pavio é uma alternativa para a agricultura familiar, pois possibilita menor custo com mão de obra, economia no uso de água e energia elétrica. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar o desenvolvimento da couve manteiga em sistema de irrigação por pavio com diferentes dosagens de solução hidropônica. O delineamento experimental foi blocos ao acaso, com 6 tratamentos nas dosagens de 100%, 50%, 25%, 12,5%, 6,25% e tratamento controle composto por água de poço artesiano, com 12 repetições. Utilizou-se para composição do substrato, esterco bovino curtido e palha de arroz carbonizada nas proporções de 50-50% em volume. Dentre os parâmetros avaliados, destacam-se a altura de planta (AP), número de folhas (NF) e diâmetro das folhas (DF) em todos os tratamentos, assim como os valores de condutividade elétrica, devido a reposição da solução semanalmente. Dentre os resultados obtidos (p<0,05) percebe-se que o sistema de irrigação por pavio mostrou-se viável, nos tratamentos com doses de (100, 50 e 25)%, proporcionaram as melhores resultados para AP, NF e DF.

Palavras-chave: Substrato. Fertirrigação. Análise de crescimento.

 

 

Abstract

 

The production of vegetables using a wick irrigation system is an alternative for family farming, as it allows for lower labor costs and savings in water and electricity use. Thus, the objective of this study was to evaluate the development of kale in a wick irrigation system with different dosages of hydroponic solution. The experimental design was randomized blocks, with 6 treatments at dosages of 100%, 50%, 25%, 12.5%, 6.25% and a control treatment composed of artesian well water, with 12 replicates. The substrate composition used was cured cattle manure and carbonized rice straw in proportions of 50-50% by volume. Among the parameters evaluated, the following stand out: plant height (AP), number of leaves (NF) and leaf diameter (DF) in all treatments, as well as electrical conductivity values, due to weekly replacement of the solution. Among the results obtained (p<0.05) it is clear that the wick irrigation system proved to be viable, in treatments with doses of (100, 50 and 25)%, providing the best results for AP, NF and DF.

Keywords: Substrate. Fertigation. Growth analysis.

 

 

Introdução

 

A produção de hortaliças no Brasil é uma cadeia extremamente diversa e abrangente com cerca de uma centena de espécies de plantas que são cultivadas ao longo do ano em todo o território brasileiro. As regiões Sudeste e Sul dominam a produção e o consumo de hortaliças em larga escala produtiva no país (VILELA; LUENGO, 2022).

Para Silva et al. (2024), o cultivo de hortaliças é uma atividade importante, tanto do ponto de vista econômico, pela geração de emprego e renda, quanto pela questão social e nutricional, pois a maioria dessas espécies, entre elas as brassicas, são utilizadas diretamente na alimentação humana e animais, sendo importante fonte de nutrientes e compostos importantes para a saúde.

A couve manteiga (Brassica oleracea L. var. acephala) é uma hortaliça arbustiva anual ou bienal, da família Brassicaceae.

O consumo no Brasil tem aumentado gradativamente, provavelmente devido às novas maneiras de utilização na culinária e às recentes descobertas da ciência quanto às suas propriedades nutracêuticas (NOVO et al., 2010). Comparada a outras hortaliças folhosas, destaca-se quanto ao maior conteúdo de proteínas, carboidratos, fibras, cálcio, ferro, iodo, vitamina A, niacina, vitamina C e baixas propriedades calóricas. O principal sistema de produção ainda é o de campo com múltiplas colheitas, quando são retiradas as folhas bem desenvolvidas com 20 a 30 cm de comprimento e comercializadas na forma de maços (TRANI et al., 2015; LUENGO et al., 2018).

Fernandes (2024) destaca em seu trabalho que essa cultivar possui vida útil curta, devendo ser colhida e consumida rapidamente, antes que ocorram perdas significativas nutricionais e aspectos organolépticos.

A maior parte da produção de hortaliças é caracterizada por pequenos e médios produtores principalmente a agricultura familiar, tanto para comercialização, quanto para subsistência. Geralmente, suas propriedades são pequenas e os recursos limitados (MOURA, 2018).

Cardoso et al. (2017) destaca que a maioria dos produtores utilizam substratos feitos a partir das fibras de coco, palha de arroz carbonizada, mistura de terra e areia de construção a fim de custeio produtivo, e destaque especificamente para a fibra de coco como um substrato pobre em nutrientes essenciais, com a necessidade de fornecê-los de acordo com as exigências da espécie a ser cultivada, podendo ser adicionado adubo em pré-plantio ou, principalmente, em fertirrigação. Citam ainda que trabalhos que tratam de adubação de mudas conduzidas em substratos pobres em nutrientes ou produção em sistema inovadores são escassos, destacando a necessidade de pesquisa com fertirrigação.

Assim, é indispensável a busca por técnicas e inovações que otimizem a produção de olerícolas, visando uma melhoria dos sistemas produtivos, maior aproveitamento em um menor espaço, maior ganho de produtividade e com isso a possibilidade de ampliar as opções produtivas locais.

Dentre as tecnologias utilizadas, a hidroponia apresenta um conjunto de técnicas empregadas para cultivar plantas sem solo, com ou sem substrato de forma que os nutrientes minerais essenciais são fornecidos às plantas através de uma solução nutritiva na proporção adequada e vem sendo praticada com fins comerciais em todo país (BEZERRA NETO; BARRETO, 2011).

Entre os vários sistemas hidropônicos existentes, destaca-se o sistema de pavio ou capilaridade onde a solução nutritiva permanece estática junto ou próxima as raízes. O fenômeno da capilaridade manifesta-se elevando a água através do cordão até as raízes da cultura (SILVA et al., 2005). O sistema pode ser utilizado como um complemento afim de otimizar a produção, onde apresenta como uma das vantagens, a independência do uso da eletricidade.

Segundo Ferrarezi et al. (2010), o sistema de irrigação por capilaridade consiste no suprimento hídrico por meio de uma solução disponível abaixo do substrato em que estão inseridos. Geralmente, isso é possível em cultivo de plantas sobre dutos verticais de fundo falso, que têm a função de armazenar e disponibilizar a solução nutritiva ao substrato. Assim, para que esse sistema seja eficiente, a demanda hídrica das culturas deve ser atendida durante todo o seu desenvolvimento.

Um dos cuidados que se deve tomar é a escolha correta do substrato, já que este deve fornecer um bom amparo mecânico e distribuição de umidade, capaz de garantir a germinação de sementes e o desenvolvimento de plantas uniformes.

Para Araujo et al. (2022), dentre as técnicas  hidropônicas, o  “wick  system”, ou  sistema  de pavio,  é uma  técnica  semi hidropônica, que possui sistema de irrigação passivo, sem uso de eletricidade, irrigando por capilaridade a solução nutritiva através dos  fios  (Algodão  ou  Seda)  em potes, perfis  ou  vasos  que  contenham  substrato  inerte.  Assim o próprio vegetal regula o fluxo de solução nutritiva, em função da demanda de umidade da interação raiz-substrato, dispensando o uso de controles monitorados.

Segundo Moura (2018) e Oliveira et al. (2023), a utilização de substratos comerciais para produção de olerícolas geralmente, apresenta um elevado custo de aquisição. Com isso, o uso de substratos que tenham como base resíduos bovinos, casca de arroz carbonizada e entre outros, torna-se uma alternativa para reduzir os custos de produção, garantir um bom desenvolvimento da cultura aliado a uma boa produtividade e proporcionar a reutilização de materiais que seriam descartados com facilidade de manejo.

Queiroz et al. (2017) destacam o aumento da produtividade em espaços menores a cada ano, buscando métodos inovadores de produção com o maior aproveitamento da área e fertilização irrigada, como é realizado na hidroponia orgânica, tornará uma alternativa eficiente na produção de hortaliças de qualidade.

Dessa forma, o uso de novas técnicas de cultivo como a hidroponia através do sistema de pavio, o emprego de soluções nutritivas manejadas corretamente e a utilização de diferentes composições para formação de substratos, a fim de apresentarem alternativas à produção de hortaliças, podem elevar a produtividade, minimizar os custos de produção e garantir a renda de muitas famílias. Diante disto, o trabalho teve como objetivo avaliar o desenvolvimento da couve folha manteiga em sistema de irrigação por pavio sob diferentes dosagens de solução hidropônica nutritiva.

 

Material e métodos

 

O experimento foi realizado nas dependências do laboratório de Resíduos de Origem Animal da Unidade Universitária de Aquidauana (UUA/UEMS), estado de Mato Grosso do Sul, nas coordenadas geográficas aproximadas de 20º27’S e 55º40’W, durante o período de 1 de março a 24 de abril de 2019. O clima da região é descrito segundo Köppen-Geiger como Aw, tropical de savana. As precipitações pluviométricas são superiores a 750 mm anuais, atingindo 1.800 mm e a temperatura média anual é de 23,3º C (CPTEC, 2025).

Durante o experimento, as condições climáticas de acordo com o CEMTEC (2019), foram: temperatura média de 33,4º C, sendo 20º C de mínima e 35,8º C de máxima e umidade média relativa do ar em 93,32%, sendo 30 de mínima e 96% de máxima (Figura 1). Foram registradas precipitações pluviométricas nos dias após o transplante (DAT) com total de 80,2 mm de chuva e máxima de 27,8 mm.

 

Figura 1 – Temperatura (º C) e Umidade Relativa do Ar (%) nos dias após transplante.

 

A solução nutritiva utilizada nesse experimento foi composta por macro (N, P, K, Ca, Mg e S) e micronutrientes (B, Fe, Mn, Zn, Mo e Cu), proposta por Furlani (1998) e foi utilizada para preencher o perfil dos canos de acordo com cada tratamento (Tabela 1).

 

Tabela 1 – Concentração dos elementos químicos micro e macronutrientes da solução hidropônica
N-NO-3
P
K
Ca
Mg
S
B
Cu
Fe
Mn
Mo
Zn
——————————————mg.L-1 ————————————–
40
19,5
45,8
35,5
9,5
13
0,3
0,02
2
0,4
0,06
0,06
Fonte: FURLANI, 1998.

 

Foi utilizada água do poço artesiano da Universidade para preparação da solução nutritiva, para completar os canos com os tratamentos controles e dosagens da solução nutritiva diluída na proporção de cada tratamento (Tabela 2).

 

Tabela 2 – Características físicas e químicas da água do poço artesiano utilizado
pH
CE
Ca
Mg
N
P
K
Alcalinidade
mS.cm-1
—————————–mg.L-1 ————————
mg.(CaCO3).L-1
8,56
125
34
12
1,2
0,023
0,92
45

 

O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso, com 6 tratamentos e 12 repetições com diferentes dosagens da solução hidropônica, e valores iniciais de pH e CE da solução nutritiva (Tabela 3).

 

Tabela 3 – Tratamentos, porcentagens de dosagens e valores de pH e CE da solução hidropônica nutritiva
Tratamento
Solução Nutritiva (%)
pH
CE
T1
100
6,49
± 0,4
2,91
± 0,41
T2
50
6,38
± 0,4
2,13
± 0,08
T3
25
6,86
± 0,3
1,34
± 0,07
T4
12,5
6,8
± 0,7
1,09
± 0,02
T5
6,25
7,39
± 0,7
0,72
± 0,01
T6
0
7,88
± 0,6
0,42
± 0,01

 

Cada bloco experimental foi composto por um sistema biopônico com 40 plantas, constituído por um cano de irrigação PVC de bitola 40 mm, 4 metros de comprimento, perfurados a cada 0,5 m para acoplar o suporte da planta a partir de garrafa PET cortada ao meio (1 L de volume útil), disposta de forma invertida para encaixe nas perfurações e o volume útil de solução em cada cano foi de 2 litros (Figura 2).

Em cada suporte (garrafa PET), havia uma perfuração ao meio da tampa e nela, inseridos quatro cordões de barbante a base de algodão que, por capilaridade, nutria a planta com a solução nutritiva. A estrutura apresentava uma altura de aproximadamente 0,7 metros e 0,3 metros de distância entre cada cano. A área foi coberta com tela do tipo sombrite com 50% de sombreamento e nos períodos chuvosos, a estrutura era totalmente coberta por plástico para evitar possíveis danos com o acúmulo de água da chuva nos suportes com as plantas.

O substrato utilizado para obter uma melhor fixação e crescimento da couve manteiga foi a mistura de esterco bovino curtido e palha de arroz carbonizada na proporção de 50- 50% de volume, preenchendo cada suporte (garrafa PET) com volume útil de 1 L e aproximadamente 18,5 cm de altura envolto por uma folha de jornal (Figura 2).

 

Figura 2 – Sistema hidropônico tipo pavio composto por tubos de PVC e garrafa PET invertida. Fonte: Autor, 2025.

 

A olerícola escolhida para o experimento foi a couve de folhas (Brassica Oleracea L. var. acephala) cultivar manteiga, que logo foi semeada em bandejas de polietileno com 128 células. As mudas mais vigorosas e melhor desenvolvidas foram transplantadas 20 dias após a semeadura para os suportes de garrafa PET, onde já continham o substrato e os cordões de barbantes a base de algodão dispostos para nutrir a planta por capilaridade.

Semanalmente, foram repostas as dosagens da solução nutritiva nos canos e em todos os tratamentos foram analisados: Altura das Plantas (AP) obtida com régua graduada em cm, a partir do nível do substrato até a extremidade das folhas mais altas; Número de Folhas (NF) obtido por meio da contagem de todas as folhas da planta; Diâmetro Foliar (DF) obtido com utilização de régua graduada em (cm), a partir das medidas de largura e comprimento foliar. Também foram realizadas as medições de pH com o auxílio do pHmetro e Condutividade Elétrica (CE) com o auxílio do condutivímetro.

Constatou-se a presença da lagarta Spodoptera Cosmioides e o mais rápido possível foi realizado o controle e posterior prevenção com a aplicação direta e semanal de um inseticida natural a base de água, detergente e alho sobre as folhas. Não houve danos severos. Os resultados foram interpretados a partir da análise de variância através do programa PAST. As médias das variáveis de produção foram analisadas por teste de média, com base no Teste de Tukey a 5% de probabilidade.

 

Resultados e discussão

 

Os valores médios de AP, NF e DF, foram observados efeitos significativos para todos, assim como encontrados em trabalhos de Ramos (2015) e Ferreira et al. (2017), que utilizaram irrigação com biofertilizantes com mesma cultivar.

Sousa et al. (2021) registraram efeitos significativos com adubação de esterco bovino, apenas para a variável diâmetro de caule, o que reforça a importância do cultivo por fertirrigação e hidroponia a absorção ocorre com maior facilidade.

Luengo et al. (2018) apontam que mesmo que os teores de elementos químicos estejam com altas concentrações no solo, a transferência destes para o interior das plantas, via absorção radicular, nem sempre é uma relação direta, pois quando presentes em solução, são passíveis de absorção pela planta e esse mecanismo pode se dar por difusão, fluxo de massa e interceptação radicular, ressaltando a importância do cultivo por hidroponia e fertirrigação e sua facilidade de absorção radicular. Destacam ainda que muitas vezes, a adubação realizada pela maioria dos produtores de couve é baseada no empirismo, sem considerar os aspectos de fertilidade do solo e as necessidades das plantas, além da não utilização de fertilizantes que possuam fontes desses micronutrientes de maior solubilidade.

Assim como Noboa et al. (2019), o presente trabalho calcula a produtividade da parte aérea da planta, isto é, considera-se também o pecíolo e caule, que são partes comestíveis não convencionais, podendo ser retirados ou não para consumo (salada ou refogado). O talo da couve possui alta qualidade nutricional e propriedades antioxidantes (MELO; FARIA, 2014). Apesar de convencionalmente não consumível, um processamento da couve hidropônica pode trazer um aproveitamento maior da planta do que consumo in natura, sendo neste estudo uma produção em neste tipo de sistema o aproveitamento da hortaliça é maior.

É possível observar que as doses dos tratamentos T1, T2 e T3 proporcionaram melhores resultados em relação em AP, NF e DF (Tabelas 4, 5 e 6).

 

Tabela 4  – Valores médios de altura de planta (AP) de acordo com a concentração de cada tratamento
T1
T2
T3
T4
T5
T6
AP (cm)
26,6 a
28,6 a
27,9 a
22,1 b
24,1 b
24 b
C.V.%
6,55
6,37
6,48
8,46
5,59
5,05

 

De acordo com Filgueira (2008), a couve manteiga apresenta porte alto, variando de 60 a 90 cm na fase de colheita em sistema convencional. Para sistemas hidropônicos, Noboa et al. (2019) realizaram análise de crescimento de três variedades de couves Darkibor, Starbor e Butter Green obtiveram valores 35% maiores de massa fresca e seca da parte aérea. Para altura da planta observaram altura entre 14,83 cm e 10,93 cm.  Segundo os mesmos autores, para o número de folhas as médias encontradas foram entre 23,35 e 15,05.

 

Tabela 5 – Valores médios de número de folhas (NF) de acordo com a concentração de cada tratamento
T1
T2
T3
T4
T5
T6
NF
10 a
9 a
10 a
6 b c
8 c
9 c
C.V.%
14,14
15,99
15,81
24,58
18,39
18,76

 

Araujo et al. (2022) encontraram resultados para AP de couve manteiga no sistema hidropônico, entre 23,40 cm e 21,90 cm, para NF entre 19,8 e 17,6 e DF entre de 8,34 e 5,00. Já no presente trabalho para a variável NF foram observados os melhores resultados nos tratamentos (T1, T2 e T3) conforme a tabela 5. Pereira et al. (2021) observaram nos tratamentos de couve manteiga no sistema hidropônico médias de AP entre 49,58 e 48,50 cm, para tamanho da folha médias entre 14,58 cm e 14,84 cm, pecíolo médias entre 11,83 cm e 12,56 cm, raízes médias entre 26,79 cm e 28,19 cm.

 

Tabela 6 – Valores médios de diâmetro foliar (DF) de acordo com a concentração de cada tratamento
T1
T2
T3
T4
T5
T6
DF (cm)
262,6 a
291,2 a
286,7 a
244 b
247,3 b
252,2 b
C.V.%
7,69
6,90
7,11
7,53
6,64
6,69

 

Quanto a CE, as medidas ideais são na faixa aproximada de 1,5 a 3,5 ms.cm-1, valores utilizados no experimento realizado. Esses valores devem variar de acordo com a cultivar adotada, bem como com as condições climáticas, que influencia na absorção de água e nutrição ao vegetal. A relação entre CE e temperatura é direta, a cada 1°C de aumento de temperatura a CE aumenta 2%. Com isso, se faz então necessário medir a CE regularmente (COMETTI et al., 2008; ALVES et al., 2019).

Lacerda et al. (2012) destaca que a solução nutritiva utilizada com macro e micronutrientes para a produção de couve manteiga, responderam na atividade fisiológica fotossintética, o que garante vigor nas plantas, principalmente com o aumento na concentração de nutrientes na solução nutritiva em sua dosagem de 84% de concentração.

Quanto ao pH, de modo geral, as plantas conseguem se desenvolver em uma faixa bastante ampla, de 4 a 8. Segundo Braccini et al. (1999), o pH ideal para a maioria das culturas se encontra na faixa de 5,5 a 6,5 e sua importância está em manter na solução todos os elementos disponíveis às plantas. Ressaltando ainda que um pH acima do indicado pode fazer com que alguns elementos precipitem. Logo, faz-se necessário o monitoramento da solução nutritiva com aparelhos medidores de pH confiáveis e correção adequada. De acordo com Zambolin (1990), a faixa ótima de pH para a cultura da couve é de 5,7 a 7, a mesma que foi utilizada nos tratamentos que obtiveram melhores resultados.

E a produção de couve em sistema hidropônico na forma de maços de plantas jovens traz consigo folhas de tamanhos menores do que o padrão comercial. Uma forma de buscar maior produção e produtividade das culturas seria o condicionamento dessas plantas em um ambiente agradável e controlado. As hortaliças produzidas em ambiente protegido e com tecnologia moderna fazem parte do início de uma nova olericultura, mais eficiente e capaz de garantir a continuidade, a competitividade e o crescimento do agronegócio brasileiro. A busca por maiores produtividades é o principal foco de pesquisa em trabalhos científicos (LACERDA et al., 2012).

 

Conclusão

 

A inclusão de gordura inerte em diferentes níveis na dieta de cabritos mestiços leiteiros, não afetou de forma negativa o desempenho dos animais bem como o comportamento ingestivo.

 

Conflitos de interesse

 

Não houve conflito de interesses dos autores.

 

Contribuição dos autores

 

Sabrina Aparecida Martins da Silva – condução do experimento, coleta de dados, interpretação dos resultados e redação; Cristiano Pereira da Silva – interpretação dos resultados e redação; Jonas de Sousa Correa – ideia original, orientação e correções.

 

Agradecimentos

 

Ao Laboratório de Resíduos de Origem Animal da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Unidade Universitária de Aquidauana/MS.

 

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Recebido em 12 de março de 2025

Retornado para ajustes em 11 de junho de 2025

Recebido com ajustes em 16 de junho de 2025

Aceito em 18 de junho de 2025