Caracterização do perfil dos discentes dos cursos de Medicina Veterinária e Agronomia em relação ao consumo da carne suína e mitos relacionados

Revista Agrária Acadêmica

agrariacad.com

doi: 10.32406/v6n5/2023/35-47/agrariacad

 

Caracterização do perfil dos discentes dos cursos de Medicina Veterinária e Agronomia em relação ao consumo da carne suína e mitos relacionados. Characterization of the profile of students in Veterinary Medicine and Agronomy courses in relation to swine meat consumption and related myths.

 

Andressa de Freitas Guimarães1, Jailson Ferreira da Silva Júnior2, Flávia dos Santos3 , Paulo Roberto de Moura Souza-Filho3, Jonatas Campos de Almeida4, Larissa José Parazzi3

 

1- Médica Veterinária pelo Centro Multidisciplinar do Campus de Barra da Universidade Federal do Oeste da Bahia – CMB/UFOB – Barra/BA – Brasil. E-mail: andressadf.guimaraes@gmail.com
2- Discente do Centro Multidisciplinar do Campus de Barra da Universidade Federal do Oeste da Bahia – CMB/UFOB – Barra/BA – Brasil.
3- Docente do Centro Multidisciplinar do Campus de Barra da Universidade Federal do Oeste da Bahia – CMB/UFOB – Barra/BA – Brasil.
4- Docente da Universidade Federal de Alagoas – UFAL – Maceió/AL – Brasil.

 

Resumo

 

No Brasil, o consumo de carne suína é inferior comparado à média de consumo mundial. As perspectivas de origem sociocultural perpetuam os mitos que circundam a carne suína. Objetivou-se caracterizar o perfil de consumo de carne suína e conhecimento sobre o complexo teníase-cisticercose dos discentes dos cursos de Medicina Veterinária e Agronomia, verificando os possíveis aspectos que interferem no consumo. Um total de 137 estudantes foram entrevistados. Variáveis como preço, sabor e os aspectos culturais foram os principais motivos do baixo consumo pelos discentes, além do mito de que a carne suína esteja envolvida nos casos de cisticercose humana, o que justificam ações com esclarecimentos à população.

Palavras-chave: Consumidor de carne suína. Desmitificação. Complexo teníase/cisticercose. 

 

 

Abstract

 

In Brazil, pork consumption is lower compared to the global consumption. Perspectives of sociocultural origin perpetuate the myths that surround pork, claiming it to be a fatty protein and the transmission of human cysticercosis. The objective was to characterize the profile of pork consumption and knowledge about the taeniasis-cysticercosis complex among students of Veterinary Medicine and Agronomy courses, verifying the possible aspects that interfere with consumption. A total of 137 students were interviewed. Variables such as price, flavor, and cultural aspects were the main reasons for the low consumption of pork by students, in addition to the myth that pork is involved in cases of human cysticercosis, which justifies actions with clarification to the population.

Keywords: Pork consumer. Demystify. Taeniasis/Cysticercosis complex.

 

 

Introdução

 

A suinocultura brasileira tem se expandido ao longo dos anos, e atualmente, é uma atividade bem estabelecida, seguindo orientações de criação igualmente definidas nos países desenvolvidos (GUIMARÃES et al., 2017). Os progressos tecnológicos realizados ao longo da história da suinocultura, é extraordinariamente notável em aspectos como: genética, nutrição, manejo animal e sanitário, resultando em um produto com padrão de qualidade e segurança. A carne suína tem menor percentual de gordura e maior quantidade de carne, resultando no animal classificado como “tipo carne”, já que outrora, a criação de suínos era destinada principalmente à extração de banha (THOMS et al., 2010; NUNES et al., 2022).

Apesar da indústria de carne suína ter se tornado bastante competitiva e com grande relevância na economia de vários países, no Brasil o seu consumo ainda é significativamente inferior ao da carne de frango e bovina (ALBUQUERQUE et al., 2020; ABPA, 2023). Em 2022, o consumo médio mundial de carne suína foi equivalente a mais de 110 milhões de toneladas, enquanto, o consumo médio no Brasil correspondeu a 3 milhões de toneladas (USDA, 2023). Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (2023), o consumo per capita de carne suína pelos brasileiros correspondeu a 18 kg em 2022, e alcança aceitabilidade de 55% dos consumidores, enquanto a carne bovina (consumo per capita de 25,6 kg) e de frango (45,2 kg) possuem preferência de 93% e 90%, respectivamente (GUERRERO et al., 2018; SOARES; GHERARDI; ALMEIDA, 2022; CONAB, 2022).

Tal circunstância, geralmente está associada às crenças de possíveis danos ocasionados pela carne suína, como também, o desconhecimento de grande parte das pessoas sobre o sistema em que consiste a criação dos suínos (BERTOL, 2019; HOLANDA et al., 2021). A influência social e cultural pode estar colaborando para conservação dos mitos que circundam a carne suína, como ser uma carne gordurosa e de alta ação inflamatória, acreditando-se também que seja responsável pela disseminação de doenças, sobretudo, em relação a transmissão da cisticercose em humanos (THOMS et al., 2010; PORTELA, 2011; BERTOL, 2019; HOLANDA et al., 2021).

A cisticercose e a teníase, são de grande relevância na saúde coletiva e impactam negativamente no desenvolvimento da suinocultura industrial, já que ainda é cultivado o conceito de culpa da carne de “porco” (OUMA et al., 2021; SOTO et al., 2021). Contudo, esclarecendo um dos principais mitos, a carne suína não transmite a cisticercose humana.  Por meio da ingestão de carne suína mal cozida infectada com cisticercos (C. cellulosae), o homem poderá desenvolver a teníase. O homem abriga o parasito em sua fase adulta no intestino, sendo o hospedeiro definitivo, portanto o mesmo elimina as proglotes grávidas do parasito com os ovos nas fezes, dando continuidade ao ciclo. As fezes humanas contaminadas com os ovos em locais inadequados contaminam água, verduras e frutas e desta forma o homem pode desenvolver a cisticercose. O suíno não é fonte de transmissão da doença, desenvolvendo apenas a fase larval (hospedeiro intermediário). A confusão é dada devido ao desconhecimento do ciclo do parasito, já que o mesmo está interligado com problemas de higiene e saneamento básico, o tratamento de pessoas contaminadas com tênia e o consumo de alimentos ou água contaminados (TOLEDO et al., 2018; HOLANDA et al., 2021; BARCELLOS; GUEDES, 2022).

Não há pesquisas que busquem avaliar o perfil de consumo da carne suína ou nível de compreensão do complexo teníase-cisticercose entre os discentes de ciências agrárias, público essencial para ajudar os produtores e população geral na resolução de dúvidas em relação à carne suína. Desse modo, os resultados obtidos neste estudo podem constituir ferramentas iniciais para elaboração de materiais didáticos e estratégias que tratam das dúvidas dos discentes sobre o tema. Portanto, o estudo teve como objetivo caracterizar o perfil de consumo de carne suína e o conhecimento sobre o complexo teníase-cisticercose dos discentes de graduação de Medicina Veterinária e Agronomia da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), verificando possíveis aspectos que interferem no consumo de carne suína.

 

Material e métodos

 

O estudo foi realizado no Centro Multidisciplinar Campus de Barra (CMB) da Universidade Federal do Oeste da Bahia. O município de Barra é pertencente à região do Médio do São Francisco do estado da Bahia, com população estimada de 54.225 habitantes (IBGE, 2021). A pesquisa teve como público, discentes de graduação dos cursos de Medicina Veterinária e Agronomia. Estes cursos apresentam disciplinas que tratam do tema complexo teníase-cisticercose, a exemplo de Parasitologia no curso de Medicina Veterinária e Manejo e Produção de Aves e Suínos no curso de Agronomia.

Trata-se de uma pesquisa descritiva com abordagem do tipo mista e amostragem não probabilística (por conveniência) (CRESWELL; CRESWELL, 2021). Um questionário foi aplicado aleatoriamente para discentes de Medicina Veterinária e Agronomia, que foram abordados na Universidade, no período de novembro a dezembro de 2022. O questionário aplicado apresentava 27 questões, dos quais 7 dispunham de informações gerais dos indivíduos como: sexo, idade, período de graduação e conclusão de disciplina que abordem o tema Complexo teníase/cisticercose, a produção de suínos e higienização dos alimentos; 11 questões com respostas de múltipla escolha, sobre aspectos relacionados ao consumo da carne suína a preferência de consumo de carne, frequência do consumo de carne suína, local de aquisição da carne, aspectos intrínsecos relacionados a carne suína, o local de compra e consumo de derivados suínos; e 9 questões sobre o complexo teníase-cisticercose, como, conhecimento de cada uma das enfermidades e as formas de transmissão. Ao final de cada entrevista, caso o estudante manifestasse dúvidas sobre o Complexo teníase/cisticercose, o assunto era explanado e as perguntas esclarecidas.

Os critérios de inclusão para este estudo foram: cursar Medicina Veterinária ou Agronomia, ser maior de idade (acima de 18 anos) e assinar o Termo de Conhecimento Livre e Esclarecido (TCLE). O estudo foi realizado respeitando os princípios éticos e sigilosos, como descrito e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFOB sob o Protocolo de Nº 5.684.537.

As análises estatísticas das respostas das perguntas do questionário foram feitas no Software R (R Core, 2021). Para verificar se as diferenças dos resultados obtidos foram significativas, foi realizada para cada pergunta um modelo linear generalizado com distribuição quasi-binomial levando em consideração as variáveis: “resposta à pergunta” e o curso de graduação do entrevistado (Medicina Veterinária ou Agronomia). Foi realizada a análise de deviance (ANODEV) para testar a diferença entre os fatores pelo teste de qui-quadrado. Quando o fator “curso de graduação” não foi relevante ao modelo, este foi removido, e o novo modelo foi analisado novamente. Para verificar as diferenças entre as proporções foi realizado o teste de comparações pareadas das médias marginais estimadas para cada fator [pacote lsmeans (LENTH, 2016)].

 

Resultados

 

Um total de 137 discentes foram entrevistados (36,5% do total de discentes matriculados em novembro de 2022) com a seguinte distribuição: 72 questionários foram respondidos por discentes do curso de Medicina Veterinária e 65 por discentes do curso de Agronomia. A população amostral na sua maioria era do sexo feminino (65,69%), e se enquadrava na faixa etária entre 18-24 anos, correspondendo a 83,94% da idade dos entrevistados, 13,87% tinham entre 25-31 anos, e 2,19% entre 32-38 anos. Quanto ao período de graduação, 34,31% cursam entre o segundo e o quarto período, 35,77% entre o quinto e sétimo semestre; e 29,93% entre o oitavo e décimo (último período).

A base de estudo sobre doenças parasitárias é discutida na disciplina de “Parasitologia Veterinária” correspondendo ao terceiro período da matriz curricular do curso de Medicina Veterinária da UFOB. Essa disciplina foi concluída por 80,56% dos entrevistados discentes de Medicina Veterinária. Temas como, a cadeia produtiva de suínos, relação de consumo da carne e mitos, só são abordados para graduandos de Agronomia na disciplina de “Manejo e produção de Aves e Suínos”, que em geral é ofertada no nono período do curso. Essa disciplina foi cursada apenas por 15,38% dos entrevistados discentes do curso de Agronomia.

Em relação ao consumo de carnes, os entrevistados apresentam uma preferência pela carne bovina com 61,31%, seguida da carne de frango 23,36%, e a carne suína com apenas 12,41%, e a carne ovina ou caprina com 0,73% da preferência dos entrevistados. A predileção pela carne suína se deu igualmente distribuída entre os cursos de Medicina Veterinária e Agronomia, representando 12,5% e 12,31%, respectivamente. Do total dos entrevistados, 2,19% relataram não consumir nenhum tipo de carne.

Quando os entrevistados foram questionados “Na sua opinião, qual a carne que possui menor benefício à saúde?”, o estudo revelou uma variação quanto às respostas (p<0,001), na qual, 16,79% dos discentes atribuem a carne suína como um alimento de menor benefício para saúde humana, dentre os respondentes, sendo que 13,89% eram discentes do curso de Medicina Veterinária e 20% do curso de Agronomia. Ademais, um grupo de 44,52% dos entrevistados diz não haver uma carne específica para causar danos à saúde humana, e outras respostas incluem a carne bovina (15,33% dos entrevistados), de frango (15,33%) e caprina/ovina (8,03%).

Ao questionar sobre o consumo de carne suína, 84,67% afirmam consumir essa carne, sendo destes, 54,31% discentes de Medicina Veterinária e 45,69% discentes de Agronomia. Os discentes consumidores de carne suína foram questionados sobre a frequência de consumo, os dados estão expressos na Figura 1.

 

Figura 1 – Percentual de respostas quanto a frequência do consumo de carne suína pelos 116 discentes consumidores (cursos de Medicina Veterinária e Agronomia) do Centro Multidisciplinar Campus de Barra em 2022.

 

Na tentativa de justificar o não consumo da carne suína ou a menor frequência da mesma, 40,14% dos discentes disseram não consumir mais vezes na semana devido ao alto preço da carne suína, sendo assim considerada menos acessível financeiramente, quando comparada a outras carnes. Outros resultados em relação ao modo de preparo da carne pelos consumidores, local de compra, motivos e o consumo de derivados cárneos também estão presentes na Tabela 1. Foi constatado que 71,43% dos entrevistados que não fazem o consumo da carne suína, manifestaram consumir ao menos um dos derivados suínos mencionados no questionário (bacon, mortadela, presunto, apresuntado, salsicha e linguiça).

 

Tabela 1 – Percentual de respostas dos questionamentos em relação às características de aquisição e consumo da carne suína e derivados pelos 137 discentes (cursos de Medicina Veterinária e Agronomia) do Centro Multidisciplinar Campus de Barra em 2022.
Questão
% Curso
% Total
 
Medicina Veterinária
Agronomia
Por qual motivo você não consome (ou com maior frequência) a carne suína? (N=137)
Aspectos religiosos
1,46 ns
2,92 ns
4,38 B
Carne gordurosa e com altos índices de colesterol
8,03 ns
8,03 ns
16,06 B
Não gosto do sabor
7,30 ns
9,49 ns
16,79 B
Preço
25,55 ns
14,60 ns
40,14 A
Transmite doenças
2,19 ns
4,38 ns
6,57 B
Outro: Facilidade
6,57 ns
8,03 ns
14,60 B
Outro: Vegetarianismo/Veganismo
1,46 ns
0,00 ns
1,46 B
Qual o modo de preparo que você costuma consumir a carne suína? (N=116)
Assada/Frita
38,79 ns
32,76 ns
71,55 A
Bem passada/Assada
6,90 ns
6,03 ns
12,93 B
Cozida
4,31 ns
6,03 ns
10,34 BC
Grelhada
3,45 ns
0,86 ns
4,31 BC
Malpassada
0,86 ns
0,00 ns
0,86 C
Onde você costuma comprar a carne suína para consumo? (N=116)
Açougue
29,31 ns
29,31 ns
58,62 A
Direto do produtor
4,31 ns
6,03 ns
10,34 B
Feira livre
0,00 ns
1,72 ns
1,72 B
Supermercado
12,93 ns
5,17 ns
18,10 B
Sítio/Roça própria
0,86 ns
2,59 ns
3,45 B
Não faz a compra da carne
6,90 ns
0,86 ns
7,76 B
Motivo pelo qual compra neste local. (N=116)
Facilidade
23,28 ns
19,83 ns
43,10 A
Higiene
9,48 ns
10,34 ns
19,83 B
Não faz a compra da carne
6,90 ns
0,86 ns
7,76 B
Preço
6,90 ns
5,17 ns
12,07 B
Proximidade
7,76 ns
9,48 ns
17,24 B
Quais desses derivados cárneos você costuma consumir? (N=174)
Bacon
6,32 ns
3,45 ns
9,77 B
Mortadela
1,72 ns
4,60 ns
6,32 B
Presunto/Apresuntado
6,32 ns
6,90 ns
13,22 B
Salsicha/Linguiça
8,62 ns
6,90 ns
15,52 B
Todos
25,86 ns
22,99 ns
48,85 A
Nenhum
2,87 ns
3,45 ns
6,32 B
ns – Símbolo está relacionado a não significância no fator Curso de Graduação. Letras maiúsculas diferentes representam diferença significativa entre níveis (p<0,05).

 

Ao serem perguntados quanto ao nível de gordura da carne suína considerando-a uma carne gorda, magra ou intermediária, a maioria dos entrevistados declararam ser uma carne intermediária (52,55%), que apesar do percentual muscular acredita-se que ainda há taxas significativas de gordura na sua composição; outros 27,01% consideram uma carne gorda; 10,95% afirmam ser magra; e 9,49% não souberam responder à pergunta. Mas, os entrevistados também afirmam ser fonte de minerais, proteínas e vitaminas na alimentação humana (85,40%), entretanto, 15,60% responderam não haver benefícios no seu consumo.

Com a finalidade de compreender se os entrevistados atribuem o consumo da carne suína com danos à saúde humana, além de aspectos como gordura e composição nutricional, os entrevistados foram indagados quanto à possibilidade de transmissão de doenças por meio do consumo dessa carne (Tabela 2). Dentre as doenças transmitidas pela carne suína foram mencionadas com maior frequência pelos discentes de Medicina Veterinária: a cisticercose, teníase e teníase-cisticercose. Entre os discentes de Agronomia, as principais respostas foram: a teníase e a cisticercose. As informações quanto ao conhecimento dos entrevistados sobre as enfermidades teníase e cisticercose estão descritas na Tabela 2.

 

Tabela 2 – Percentual de respostas dos questionamentos sobre o Complexo teníase/cisticercose pelos 137 discentes (cursos de Medicina Veterinária e Agronomia) do Centro Multidisciplinar Campus de Barra em 2022.
Questão
% Curso
% Total
Medicina Veterinária
Agronomia
Na sua opinião, a carne suína transmite alguma doença?
(N=137)
Não
20,44 ns
2,92 ns
23,36 AB
Sim
27,74 ns
39,42 ns
67,15 A
Não sei
4,38 ns
5,11 ns
9,49 B
Já ouviu falar do “Verme do porco”? (N=137)
Não
8,03 ns
12,41 ns
20,44 B
Sim
44,53 ns
35,04 ns
79,56 A
Já ouviu falar em “pipoquinha”, “canjiquinha”? (N=137)
Não
29,20 ns
35,04 ns
64,23 A
Sim
23,36 ns
12,41 ns
35,77 B
Na sua opinião, como ocorre a transmissão do verme de porco ao ser humano? (N=137)
Água e alimentos contaminados
6,57 ns
3,65 ns
10,22 B
Consumo de carne de porco mau cozida ou mau passada
16,06 ns
21,17 ns
37,23 A
Má higiene das mãos
2,92 ns
0,73 ns
3,65 B
Todas as alternativas
24,82 ns
19,71 ns
44,52 A
Não sei
2,19 ns
2,19 ns
4,38 B
Você sabe o que é a teníase? (N=137)
Não
2,92 ns
5,84 ns
8,76 B
Sim
47,45 ns
39,42 ns
86,86 A
Não sei
2,19 ns
2,19 ns
4,38 B
Já ouviu falar em cisticercose/Neurocisticercose? (N=137)
Não
4,38 ns
14,60 ns
18,98 B
Sim
47,45 ns
31,39 ns
78,83 A
Não sei
0,73 ns
1,46 ns
2,19 B
ns – Símbolo está relacionado a não significância no fator Curso de Graduação. Letras maiúsculas diferentes representam diferença significativa entre níveis (p<0,05).

 

A concepção de que o suíno seria o grande responsável pela transmissão da cisticercose e neurocisticercose humana foi igualmente distribuída entre as alternativas “sim” e “não”, evidenciando que 30,66% ainda acreditam ser o suíno causador dessas doenças, do total de entrevistados, 10,95% corresponderam aos discentes do curso de Medicina Veterinária e 19,71% aos discentes do curso de Agronomia, sendo que 35,04% afirmam não saber a resposta. A Figura 2 apresenta a frequência de respostas dos entrevistados quando questionados sobre a transmissão da cisticercose ao homem.

 

Figura 2 – Percentual de respostas quanto ao questionamento sobre a transmissão da cisticercose ao ser humano pelos 137 discentes (cursos de Medicina Veterinária e Agronomia) do Centro Multidisciplinar Campus de Barra em 2022.

 

Uma vez questionados em relação aos hábitos de higiene antes de consumir frutas e verduras, observou-se que 52,55% dos entrevistados afirmam lavar somente com água antes do consumo; 28,47% lavam os alimentos com água e higienizam com água sanitária; 15,33% afirmam lavar com água e escova; e 3,65% não lavam os alimentos antes de consumir, sendo as porcentagens diferentes significativamente (p<0,001), e não diferindo entre os discentes dos cursos (p=0,45).

 

Discussão

 

Os resultados apresentados, compreendem de um importante recurso de análise do nível de informação dos discentes dos cursos de Medicina Veterinária e Agronomia quanto à temática complexo teníase-cisticercose, dado que, ainda são mantidos os mitos que intervêm no consumo da carne suína. De modo geral, não houve diferenças significativas entre as respostas quando se levou em consideração o curso de graduação dos discentes.

Mediante às comparações realizadas, a preferência da carne suína pelos entrevistados ocupou o terceiro lugar, ficando atrás da carne bovina e de frango. Estes resultados indicam uma divergência ao considerar o consumo de carne suína em escala mundial, que em 2022 representou 42% do consumo em comparação com a carne bovina (21%) e de frango (37%) (NATIONAL PORK BOARD, 2022; USDA, 2023). Entretanto, estes resultados estão de acordo com o consumo nacional, sendo que os brasileiros preferem consumir carne bovina e de frango, quando comparado com a carne suína (GUERRERO et al., 2018; SOARES; GHERARDI; ALMEIDA, 2022; CONAB, 2022). Apesar do grande potencial de produção de carne suína pelo Brasil, o seu consumo não ultrapassa 18% do consumo total do país (USDA, 2022).

Neste estudo, grande parte dos entrevistados consomem a carne suína, entretanto isso ocorre raramente, e fatores como alto preço, sabor e os aspectos culturais são os principais motivos desse menor consumo da carne suína pelos discentes. Estes resultados demonstram a importância da promoção e divulgação de maiores informações corretas acerca dos atributos mercadológicos, de como são criados os suínos e da sanidade da carne suína, que necessitam ser constantemente desmistificadas (BERTOL, 2019).

A variável “preço” foi de maior prevalência e corroboram com a afirmação de Merlino et al. (2018), que alegam que a percepção de custo é um fator determinante para decisão de compra do consumidor, no entanto, essa percepção pode ser influenciada pelas estratégias criadas pelos próprios varejistas para uma concepção de valores mais favoráveis ao consumidor, o que não é percebida entre os discentes, pois declararam ser um produto de alto custo. Destaca-se que a carne suína é opção intermediária aos consumidores ao comparar os preços da carne bovina e de aves, e mais barata entre as carnes vermelhas, mas em março de 2023 o preço da carcaça especial suína obteve queda de 15,8% do seu preço, favorecendo a competitividade da proteína suinícola até mesmo em relação ao frango (CEPEA, 2023). Por isso, é interessante que as redes varejistas criem estratégias que permitam um comportamento de vendas proporcional entre os estabelecimentos, gerando uma percepção de preço semelhante e de fácil acessibilidade pelos consumidores (SOUZA; ROQUE-SPECHT; GOMES, 2020).

De maneira geral, os resultados analisados possibilitaram verificar que as características nutricionais da carne suína pela presença de proteínas, vitaminas e minerais parece ser bem compreendida pelos discentes. E por mais que haja um grau de conhecimento sobre esses benefícios, este ainda é difundido de modo insuficiente entre profissionais de saúde, consumidores e em setores como o varejo (ABCS, 2019), ao constatar que muitas crenças ainda prevalecem no cotidiano. A ideia da carne “gorda” foi relatada e em maior frequência pelos discentes de Agronomia, tendo visões como essas, geradas no passado onde a criação de suínos com alto teor de gordura era destinada especialmente para produção de banha (GUIMARÃES et al., 2017; HOLANDA et al., 2021). Atualmente, com o melhoramento genético, as carnes produzidas possuem menor percentual de gordura saturada em sua composição, reduzindo cerca de 31% da gordura corporal do suíno e maior concentração desse tecido adiposo no subcutâneo, logo, comer carne “gorda” dependerá da forma de preparo (grelhada, assada, frita em óleo) e não da composição da carne suína produzida (GUIMARÃES et al., 2017; HOLANDA et al., 2021). A carne suína é fonte de gorduras insaturadas (poli e mono), potássio e cálcio, auxiliando no controle da pressão arterial e na redução dos níveis do colesterol; rica em tiamina e vitaminas do complexo B, potencializando as atividades do sistema nervoso, neuromuscular e cardíaco; e contém altos teores de creatina e leucina, que otimizam o desenvolvimento da massa magra e muscular (BERTOL, 2019; TAMANINI et al., 2020; HOLANDA et al., 2021).

Outro ponto determinante na escolha de um alimento é a possibilidade de preparo rápido e fácil, e está correlacionada com a rotina dos indivíduos, pois os discentes passam a maior parte do tempo fora, e buscam facilitar o preparo de suas refeições, sugerindo a preferência dos discentes pelo consumo da carne assada ou frita (SOUZA; ROQUE-SPECHT; GOMES, 2020). Os resultados evidenciam consumidores que estão atentos às mudanças de hábitos, buscando a praticidade, por isso, é preciso que as indústrias e as redes varejistas tenham em foco a padronização e agregação de valor da carne suína com a inserção de cortes suínos menores e maior vida de prateleira, além de orientações para seu preparo (ABCS, 2019).

Açougues e supermercados foram os locais de maior frequência para aquisição da carne suína devido a fatores de facilidade e higiene dos alimentos, segundo os entrevistados. Enfatiza-se que a acessibilidade dos mais variados produtos e os cuidados de higiene são aspectos definitivos para a compra em supermercados, como verificado no estudo (SOUZA; ROQUE-SPECHT; GOMES, 2020). Carnes compradas em supermercados e frigoríficos comumente possuem as referências nutricionais e de origem, diferentemente de carnes compradas em açougues clandestinos ou quando direto do produtor (SANTOS et al., 2019). Neste contexto, é essencial que os consumidores conheçam a ação do serviço de inspeção dos produtos de origem animal que possui papel fundamental na avaliação da qualidade da carne e derivados, garantindo a higiene desses produtos e a prevenção contra zoonoses veiculadas por alimentos (GARRO et al., 2015), porquanto, muitos desconhecem as diferenças de qualidade entre uma carne abatida clandestinamente e uma abatida em frigorífico que passou por várias etapas de fiscalização, sendo que as assessorias técnicas de profissionais e discentes da área na divulgação dessas informações contribuem para melhor segurança alimentar da população em geral.

O elevado consumo de derivados suínos foi verificado no decorrer do presente estudo e possivelmente ocorre em função do processo de industrialização e de embalagem desses produtos, passando maior confiança ao consumidor no que se refere à higiene e a praticidade de utilização (FARIA; FERREIRA; GARCIA, 2006; SILVA; SILVA, 2009). Essas observações denotam que o incentivo ao consumo da carne suína in natura demanda ser mais ativo em vista da desinformação frente aos benefícios e as tecnologias utilizadas na produção da carne suína. Melhorias na caracterização visual dos cortes suínos e a adoção de estratégias de marketing e divulgação em açougues e supermercados, são métodos básicos de incentivo para a compra da carne suína. 

A percepção de um potencial de transmissão de doenças por meio do consumo da carne suína também foi notabilizada entre os discentes e o fator do curso foi determinante entre as respostas, apontado negativamente pelos discentes de Agronomia. Dentre os questionamentos aos discentes, sobre quais enfermidades podem ser transmitidas pelo consumo da carne suína e que interferem no consumo, a cisticercose foi a resposta mais considerada. A cisticercose ou a neurocisticercose na maioria das vezes é erroneamente referida pela expressão popular “verme de porco”, cuja desinformação quanto ao ciclo biológico do parasito explica a associação da sua transmissão com o consumo da carne pelos estudantes. Os dados representam uma opinião comum da maioria da população brasileira sobre o mito de que a carne suína é fonte de disseminação da cisticercose humana. No entanto, a ingestão da carne suína crua ou malpassada com cistos viáveis de Taenia solium favorece o desenvolvimento da teníase, posto que os seres humanos são os únicos hospedeiros definitivos e naturais desse cestódeo, albergando a sua fase adulta no intestino delgado. Em contrapartida, a aquisição da cisticercose humana somente ocorre com a ingestão dos ovos de T. solium em alimentos, água ou em superfícies contaminadas, e a localização dos cistos na região cerebral constitui a manifestação mais grave da doença, denominada neurocisticercose (OUMA et al., 2021; ACEVEDO- NIETO et al., 2022).

A falta de conhecimento geral sobre o complexo teníase-cisticercose foi evidenciada nos dois grupos entrevistados, que associaram a ocorrência da cisticercose e a neurocisticercose em seres humanos com a ingestão de carne de “porco” crua ou malpassada mesmo ao alegarem terem conhecimento sobre a teníase e a cisticercose. É demonstrado a importância de inserir métodos educativos contínuos para melhor formação epidemiológica e preventiva dos discentes, uma vez que esses resultados sugerem que a população em geral não possui o acesso adequado às informações de prevenção (ASSENCIO-FERREIRA; NANCI; SANTOS, 2003). A área de vigilância de zoonoses, bem como, discentes e educadores devem orientar a população acerca de medidas que visam a interrupção do ciclo de vida de T. solium, sendo algumas dessas medidas: orientações de boas práticas de higiene e manipulação de alimentos, sobretudo aqueles consumidos crus, o consumo de produtos inspecionados e a detecção e tratamento de portadores desse helminto (BRASIL, 2016; FARIAS et al., 2012). A higienização adequada de frutas e verduras é essencial para a prevenção da cisticercose humana. Entretanto, ficou evidente neste estudo que metade dos discentes realiza essa higienização somente com água corrente. Portanto, a promoção de ações e extensos trabalhos educativos em escolas e comunidades são de extrema relevância no que diz respeito a desmistificação da carne suína, incluindo as enfermidades e suas medidas preventivas (BRASIL, 2016).

Por fim, os dados do questionário usado neste estudo poderão auxiliar na elaboração de atividades lúdicas, palestras e materiais didáticos para que as informações sejam repassadas de maneira acessível e usual, considerando o contexto social e cultural do público-alvo (BRASIL, 2016), e o apoio de profissionais e discentes de Medicina Veterinária e Agronomia são imprescindíveis para aumentar a perspectiva de consumo da carne suína. A execução de tais ações e o contato do estudante com a comunidade poderá contribuir positivamente para a formação acadêmica, concedendo novos conhecimentos e melhor informação dos mesmos gradativamente, proporcionando compreender e informar adequadamente os benefícios da carne suína e o mecanismo de infecção nas distintas doenças, visto que a grade curricular abrange eventualmente esses problemas. Assim sendo, atuarão como agentes transformadores na comunidade assistida pelas atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas pela Universidade.

 

Conclusões

 

A carne suína se encontra na terceira posição de preferência entre os discentes dos cursos de Medicina Veterinária e Agronomia da UFOB, devido aos estereótipos que ainda persistem acerca do seu consumo, sendo os mitos relacionados ao alto preço, carne com altos níveis de gordura e ao alto potencial de transmissão de doenças citados no estudo como motivos que acabam interferindo no aumento do consumo de carne suína pelos discentes.

A grande maioria dos participantes da pesquisa, afirma conhecer as enfermidades teníase e cisticercose, contudo, acabam interligando o consumo da carne suína com a transmissão da cisticercose. Médicos veterinários e agrônomos possuem o papel fundamental de orientar produtores e cidadãos comuns para o esclarecimento desses mitos que ainda envolvem os suínos e a função de incentivar cada vez mais o comércio e o consumo da carne suína. Ao disseminar as informações conforme a temática de estudo, a comunidade poderá compreender que o suíno não é o agente determinante da cisticercose. Logo, é imprescindível que estes discentes sejam continuamente instruídos quanto ao assunto abordado, para que o público obtenha correto discernimento dos benefícios da carne suína.

 

Conflitos de interesse

 

Não houve conflito de interesses dos autores.

 

Contribuição dos autores

 

Andressa de Freitas Guimarães – ideia original, execução da pesquisa de campo, leitura e interpretação das obras e escrita; Jailson Ferreira da Silva Júnior – execução de pesquisa de campo; Flávia dos Santos, Paulo Roberto de Moura Souza-Filho, Jonatas Campos de Almeida, Larissa José Parazzi – orientação, correções e revisão do texto.

 

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Recebido em 24 de agosto de 2023

Retornado para ajustes em 18 de outubro de 2023

Recebido com ajustes em 21 de outubro de 2023

Aceito em 26 de outubro de 2023