Efeitos anátomo-fisiológicos da castração pré-púbere em felinos (Felis catus) – revisão de literatura

Revista Agrária Acadêmica

agrariacad.com

doi: 10.32406/v7n1/2024/32-43/agrariacad

 

Efeitos anátomo-fisiológicos da castração pré-púbere em felinos (Felis catus) – revisão de literatura. Anatomy-physiological effects of prepubertal castration in felines (Felis catus) – literature review.

 

Jessaneide Linhares da Silva1, Maria Joyce Mendes Dantas2, Ubiratan Pereira de Melo3, Cíntia Ferreira4

 

1- Bacharelanda de Medicina Veterinária pelo Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU), Campus Natal, RN, Brasil. E-mail: jessaneidevet@hotmail.com
2- Bacharelanda de Medicina Veterinária pelo Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU), Campus Natal, RN, Brasil. E-mail: mariajoycevet@gmail.com
3- Docente do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU), Campus Natal, RN, Brasil. E-mail: ubiratan_melo@yahoo.com.br (autor para correspondência).
4- Docente do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU), Campus Natal, RN, Brasil. E-mail: cinferre_vet@yahoo.com.br

 

Resumo

A castração pré-puberal em felinos é uma estratégia altamente eficaz para o controle de populações de animais de rua, beneficiando tanto a saúde pública quanto o bem-estar animal. Ajuda a evitar gestações indesejadas, minimiza conflitos entre humanos e animais de rua e reduz a disseminação de doenças transmitidas através da reprodução. No entanto, essa prática tem suscitado debates entre veterinários e proprietários de animais de estimação devido a possíveis efeitos adversos. Complicações cirúrgicas e anestésicas, incluindo hipotermia e hipoglicemia, são preocupações durante procedimentos pediátricos. Também há a possibilidade de alteração no desenvolvimento de características sexuais secundárias, embora essas mudanças geralmente não afetem o bem-estar geral dos animais. Metabolicamente, gatos castrados tendem a ganhar peso, aumentando o risco de obesidade e diabetes mellitus. Preocupações esqueléticas envolvem o fechamento ósseo retardado, mas a densidade óssea permanece em grande parte inalterada. Problemas do trato urinário inferior, como incontinência ou obstrução, também podem surgir, embora por meio de mecanismos complexos. Apesar dessas preocupações, os benefícios da castração pré-puberal no controle da superpopulação e de doenças reprodutivas superam os riscos. Com cuidados veterinários vigilantes e manejo pós-operatório adequado, os efeitos adversos podem ser mitigados, destacando a importância dessa prática no controle das populações de gatos de rua.

Palavras-chave: Bem-estar. Controle populacional. Gonadectomia pré-púbere. Sistema reprodutor.

 

Abstract

Pre-pubertal castration in felines is a highly effective strategy for managing stray animal populations, thereby benefiting both public health and animal welfare. It helps prevent unwanted pregnancies, minimizes human-stray animal conflicts, and curtails the spread of diseases transmitted through mating. However, this practice has sparked debates among veterinarians and pet owners due to potential adverse effects. Surgical and anesthetic complications, including hypothermia and hypoglycemia, are concerns during pediatric procedures. There is also a possibility of altered development of secondary sexual characteristics, although these changes typically do not impact the animals’ overall well-being. Metabolically, neutered cats tend to gain weight, raising the risk of obesity and diabetes mellitus. Skeletal concerns involve delayed bone closure, yet bone density remains largely unaffected. Lower urinary tract issues, like incontinence or obstruction, may also arise, albeit through complex mechanisms. Despite these concerns, the benefits of pre-pubertal castration in managing overpopulation and reproductive diseases outweigh the risks. With vigilant veterinary care and post-operative management, adverse effects can be mitigated, underscoring the importance of this practice in controlling stray cat populations.

Keywords: Welfare. Population control. Prepubertal gonadectomy. Reproductive system.

 

 

Introdução

 

Nos últimos anos a população de felinos vem aumentando gradativamente nos lares brasileiros e estima-se que já tenha ultrapassado mais de 25,6 milhões de felinos (BARBOSA, 2021). Desse modo, desde 1970, com o crescimento rápido e contínuo dessa população, surgiu a necessidade da implantação de um conjunto de medidas para o controle populacional. À vista disso, algumas alternativas eram: captura e extermínio, bem como, a aplicação de anticoncepcionais, mas sem sucesso (JERICÓ et al., 2015). Logo, a solução para tal problemática foi a castração cirúrgica em associação com medidas educativas (WHO, 1990).

Os veterinários e as organizações não governamentais voltadas a proteção animal têm demonstrado apoio para as campanhas de esterilização dos felinos como forma de controle populacional e prevenção da disseminação de doenças (MARCHINI et al., 2021). Diante disso, castração precoce, castração pré-pubescente e castração pediátrica são expressões similares que se referem a castração de felinos entre a sexta e a décima quarta semana de vida, procedimento adotado desde a década de 80 na Europa e nos Estados Unidos (SALMERI et al., 1991). Portanto, o termo “castração precoce” é definido como a castração realizada antes dos 12 meses de idade (MCKENZIE, 2010).

Embora a castração pré-púbere seja amplamente empregada como método de controle populacional e prevenção de doenças, no contexto brasileiro, ela continua a gerar considerável controvérsia entre os profissionais da medicina veterinária (SILVA, 2020). Tal debate decorre das poucas informações acerca de protocolos anestésicos e técnicas cirúrgicas apropriadas para pacientes pediátricos. Em consequência, nota-se que animais muito jovens apresentam maior suscetibilidade a complicações trans e pós-operatórias, tais como hipotermia, hipoglicemia, paradas cardiorrespiratórias e sensibilidade à superdosagem de medicamentos (SILVA et al., 2015). Não obstante, observa-se que muitas das vezes, esse procedimento é executado sem a devida consideração dos potenciais efeitos adversos, bem como a manifestação de estereotipias.

Nesse contexto, é relevante citar que, nas literaturas disponíveis, não são encontradas evidências que estabeleçam uma faixa etária especificamente segura para a realização da gonadectomia. Em resumo, é imperativo destacar que, embora haja alguns benefícios associados à castração pré-púbere, também se constatam malefícios de considerável magnitude (OLIVEIRA, 2021).

Diante desse cenário, o objetivo desta revisão bibliográfica é fornecer uma análise abrangente da castração pré-púbere em felinos domésticos, elucidando seus principais efeitos anátomo-fisiológicos. Além disso, busca-se sensibilizar os profissionais da medicina veterinária em relação às consequências indesejáveis de uma intervenção cirúrgica realizada em uma fase precoce da vida do animal. A presente revisão é do tipo narrativa, visando descrever e resumir o conhecimento existente sobre os efeitos anátomo-fisiológicos da castração pré-púbere em felinos. Para a realização da busca, foram utilizadas as bases de dados acadêmicas Scopus, Web of Science, CABI Abstracts, Scielo e Google Acadêmico. As palavras-chave utilizadas na busca foram “orquiectomia”, “ovário-histerectomia”, “puberdade” e “felinos”, a fim de identificar estudos relevantes relacionados à castração, puberdade e seus efeitos anátomo-fisiológicos em gatos.

 

Revisão de literatura

 

Anatomia e fisiologia do sistema reprodutivo dos felinos

 

Sistema reprodutivo das fêmeas

O sistema reprodutor feminino é notadamente mais complexo do que o dos machos, embora compartilhem funções semelhantes, tais como a produção de hormônios sexuais (COLVILLE; BASSERT 2010). Contudo, a fêmea requer um conjunto específico de órgãos para a recepção das células masculinas e proteção do concepto durante a gestação. Os órgãos genitais femininos englobam os ovários, as tubas uterinas bilaterais, o útero, a vagina, o vestíbulo da vagina e a vulva (OLIVEIRA, 2021).

Os ovários se localizam dorsalmente no abdômen na face medial da região sub-lombar caudal aos rins. Diferentemente do que acontece em outras espécies, à exemplo da égua, vaca e porca, nas gatas, não se observa a migração ovariana para regiões mais ventrais do abdômen após seu desenvolvimento inicial. Cada ovário é fixado por duas estruturas ligamentares, o ligamento suspensor do ovário e o ligamento próprio. O pedículo ovariano (meso-ovário) engloba o ligamento suspensor, suas artérias e veias e certa quantidade de tecido adiposo (KONIG; LIEBICH, 2016).

As tubas uterinas pares têm a responsabilidade de receber e transportar os ovócitos para o útero, servindo como local de condução dos espermatozoides e, frequentemente, o local da fertilização. Cada tuba é suspensa pela mesossalpinge, conectando a cavidade peritoneal à cavidade uterina e, assim, ao ambiente externo. O útero, semelhante às tubas uterinas e à vagina, se origina a partir do ducto de Müller. Em mamíferos domésticos, adquire a forma intermediária de um útero bicornal (com dois cornos), embora sua anatomia varie consideravelmente em função da idade e atividade fisiológica (KONIG; LIEBICH, 2016).

A vagina constitui a porção cranial do órgão copulatório feminino, limitando-se ao trato reprodutivo, enquanto o vestíbulo da vagina representa a porção caudal, estendendo-se do óstio externo uretral até a vulva. O vestíbulo é menor que a vagina e grande parte dele se situa posteriormente ao arco isquiático. Finalmente, a vulva é composta por dois lábios que se unem em uma comissura dorsal e outra ventral, com a presença do clitóris nesta última parte, considerado o homólogo feminino do pênis (KONIG; LIEBICH, 2016).

Durante os ciclos ovarianos, estão presentes hormônios com funções específicas para cada ciclo estral. Sendo eles o estrogênio, a progesterona e as gonadotrofinas. O estrogênio faz parte de um grupo de hormônios esteroides sintetizados pelos ovários. Eles têm como função, a estimulação da proliferação das glândulas endometriais e dos ductos da glândula mamária. São responsáveis também, pelo aumento da atividade secretória dos ductos uterinos; pela receptividade sexual e possível regulação da secreção de PGF, além da união inicial das epífises dos ossos longos, depois da qual cessa o crescimento dos ossos longos (DUKES, 2017).

Já a progesterona é um hormônio sexual produzido pelo corpo lúteo, e é caracterizado como o principal hormônio progestacional. Normalmente a sua ação está associada com a atividade do estrogênio, e tem como funções estimular a proliferação das glândulas endometriais, estímulo das atividades secretórias do oviduto e das glândulas endometriais que tem como objetivo fornecer nutrientes ao embrião, além de estimular a proliferação lóbulo-alveolar das glândulas mamárias, induzir e manter a quiescência uterina durante a gestação, e regular a secreção das gonadotrofinas (DUKES, 2017).

Por fim, as gonadotrofinas, conhecidas como hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH). Nas fêmeas, a função principal do FSH é estimular o crescimento dos folículos, ao mesmo tempo que o LH atua no processo ovulatório e na luteinização da granulosa, que é essencial para a formação do corpo lúteo. Na etapa de estimulação e liberação das gonadotrofinas, tem-se a presença do hormônio de liberação das gonadotrofinas (GnRH). Ele é liberado quando os níveis de FSH e LH decaem, e estimula a secreção de um destes hormônios quando necessário (DUKES, 2017).

Diferentemente de algumas espécies, as gatas são poliéstricas estacionais, ou seja, possuem ciclo estral controlado pelo fotoperíodo. Desse modo, em períodos mais quentes, as felinas entram no cio mais rotineiramente. Pode-se afirmar que, com a adequada presença da luz e a maturidade sexual, o primeiro ciclo estral ocorre entre seis e nove meses de idade (NELSON; COUTO, 2001). É visto também, que a puberdade pode ser influenciada pela estação do ano de nascimento da gata, onde só haverá estímulo pelo fotoperíodo se estiver com o peso e a idade adequados. Por se tratar de um animal poliéstrico estacional, elas possuem vários ciclos estrais durante a época de reprodução, ficando somente em anestro nos períodos de menor fotoperíodo do ano (SILVA, 2020). Convém ressaltar que a ovulação felina é a partir da estimulação induzida pela cópula, o que provoca a liberação do LH (NELSON; COUTO, 2001). No entanto, há relatos de que houve ovulações espontâneas em algumas gatas, o que ocorre esporadicamente (SILVA, 2020).

 

Sistema reprodutivo nos machos

Os órgãos do sistema reprodutor masculino consistem em um conjunto de estruturas que incluem um escroto (bolsa escrotal), dois testículos, dois cordões espermáticos, dois epidídimos, uma próstata, dois ductos deferentes, uma uretra, um pênis e um prepúcio (HAFEZ, 2004). Esses órgãos desempenham papéis cruciais no desenvolvimento, maturação, transporte e armazenamento de gametas masculinos, com funções primárias relacionadas à produção de hormônios sexuais e células reprodutivas (COLVILLE; BASSERT et al., 2010). O escroto é uma estrutura composta por tecido músculo-cutâneo que envolve os testículos e se localiza na região sub-anal em gatos (DYCE et al., 2010).

Os testículos estão localizados no interior do escroto e são separados por um septo em duas cavidades, cada uma ocupada por um testículo, a parte distal do funículo espermático e o epidídimo. Os testículos, ou gônadas masculinas, surgem durante o desenvolvimento embrionário a partir do primórdio gonadal na face medial do mesonefro na região lombar, de forma semelhante ao desenvolvimento dos ovários. Após um estágio de desenvolvimento embrionário, os testículos migram da cavidade abdominal para o processo vaginal, um episódio denominado de deiscência testicular (KONIG; LIEBICH, 2016; MELO; FERREIRA, 2021). No entanto, existe a possibilidade de um ou ambos os testículos não realizarem adequadamente essa a descida, caracterizando um caso de criptorquidia, uma condição considerada hereditária (KONIG; LIEBICH, 2016). Porém, nenhum estudo tem apoiado um mecanismo genético plausível até o momento (MELO; FERREIRA, 2021).

O epidídimo é um tubo enovelado firmemente aderido ao testículo, formando uma massa compacta intimamente associada à face dorsolateral dos testículos (KONIG; LIEBICH, 2016). O ducto deferente é uma extensão do epidídimo e tem início na porção inferior do testículo, partindo da cauda do epidídimo, onde conduz os espermatozoides até a uretra pélvica (COLVILLE; BASSERT, 2010). A uretra possui funções tanto reprodutivas, quanto urinárias, e é constituída por uma estrutura tubular com uma camada muscular espessa (KONIG; LIEBICH, 2016).

 

Propósito da castração em felinos

A castração precoce, também conhecida como castração pré-pubescente ou castração pediátrica, refere-se à prática de realizar a castração de felinos entre a 6ª e a 14ª semana de vida do animal. Essa abordagem começou a ser adotada na década de 80 na Europa e Estados Unidos (SALMERI et al., 1991). O termo “castração precoce” foi estabelecido como a castração realizada antes dos 12 meses de idade (MCKENZIE, 2010).

A castração, especialmente em felinos, é uma técnica cirúrgica amplamente empregada na medicina veterinária. Apesar de sua natureza tradicional é notável a escassez de dados baseados em evidências cientificas que definam a idade ideal para a realização desse procedimento (PALESTRINI et al, 2021). Atualmente, a gonadectomia pré-púbere é um tema de significativo debate entre médicos veterinários, pesquisadores e tutores (SERIN; ULUTAS, 2010). Esse intenso debate se justifica pelo fato de que as fêmeas felinas podem manifestar até quatro ciclos estrais por ano, o que pode levar a uma estimativa de 174 descendentes em sete anos. A castração é, portanto, o método mais recomendado para o controle populacional de gatos e, consequentemente, para a redução do número de animais de rua ou em situação de vulnerabilidade (SERIN; ULUTAS, 2010).

Por décadas, as autoridades públicas tentaram, mas sem sucesso, controlar a superpopulação de gatos por meio da captura e eutanásia. Essa abordagem teve origem em recomendação da Organização Mundial de Saúde – OMS, datada de 1973. No entanto, além de ter sido considerada antiética, a OMS classificou a prática como ineficaz, pois não abordava a causa fundamental do problema que era a alta taxa de natalidade (OMS; MAHLER, 1974). Portanto, desde 1992, a OMS recomenda a esterilização cirúrgica como o método mais eficiente para o controle populacional de felinos (OMS, 2015).

Além de medida de controle populacional, a castração também é realizada com o propósito de prevenir doenças, como neoplasias (mamárias, ovarianas e uterinas), piometra, hiperplasia endometrial cística, torção e prolapso uterino, e hiperplasia benigna de próstata em machos (HOWE, 2006). No entanto, é importante notar que a castração pré-púbere pode levar a complicações e efeitos adversos à longo prazo, tornando os animais suscetíveis a alterações urogenitais, obesidade, diabetes mellitus, distúrbios comportamentais, alterações ósseas, frouxidão ligamentar, lesões articulares e desenvolvimento de neoplasias (KUSTRITZ, 2002; SPAIN et al., 2002; REICHLER, 2009, MARCHINI et al., 2021).

Diferenças fisiológicas e anatômicas entre filhotes e adultos devem ser consideradas durante o procedimento cirúrgico e anestésico, especialmente em felinos. Existem diferenças funcionais nos sistemas respiratório, cardiovascular, hepático, renal, metabólico e termorregulatório entre filhotes e gatos adultos. Os pacientes jovens possuem reserva orgânica limitada, menor capacidade de resposta a desafios ou alterações fisiológicas e são mais sensíveis a drogas anestésicas, manifestando respostas exageradas ou efeitos prolongados após administração de doses adequadas para adultos. Isso aumenta o risco de complicações anestésicas, exigindo cuidadosa titulação das drogas utilizadas e monitorização constante (PETTIFER; GRUBB, 2007).

 

Efeitos da castração precoce

 

Generalidades

No Brasil, as castrações geralmente são realizadas por volta dos seis meses de idade, marcando o final da primeira fase de maturidade sexual (SILVA et al., 2015). Alguns fatores podem influenciar a idade à puberdade e incluem estação do ano ao nascimento, ambiente, taxa de crescimento, nutrição, além da presença de doenças infecciosas ou metabólicas. A puberdade pode ser antecipada em gatas que convivem com fêmeas e machos sexualmente ativos. Comumente, as gatas atingem a puberdade com peso corporal de 2,3 a 2,5 kg (cerca de 80% do peso adulto), a menos que isso ocorra numa época do ano em que o período de luz está diminuído e a maioria das gatas está em anestro (JESUS, 2021).

É importante destacar variações no momento da puberdade entre raças. Raças como Siamês e Burmês podem entrar na puberdade mais precocemente, em média aos quatro meses. No entanto, quando comparadas a raças de pelo longo e pelo curto, as de pelo longo tendem a amadurecer sexualmente mais tarde, geralmente entre 11 e 21 meses (JESUS, 2021). Embora haja uma convenção entre médicos veterinários de que a idade ideal para a castração seja a partir dos seis meses, essa recomendação não é respaldada por evidências científicas na literatura (JERICÓ et al., 2015).

A castração pré-púbere é considerada mais simples e rápida em comparação à realizada após a puberdade, uma vez que os animais jovens possuem peso corporal, tamanho, percentual de gordura e calibre dos vasos sanguíneos reduzidos. Isso facilita a visualização das gônadas e resulta em menor risco de sangramento, bem como em procedimentos cirúrgicos mais curtos (SILVA et al., 2016).

Entretanto, devido ao tamanho menor e à maior fragilidade das estruturas envolvidas, é necessário manipulação cuidadosa durante a cirurgia, tanto das estruturas que serão removidas cirurgicamente quanto das próximas a elas, para evitar complicações no pós-operatório. O útero dos animais jovens é mais delicado, com uma junção entre o corno uterino e o ovário bastante frágil, tornando-os mais suscetíveis a rompimentos (HAUGHIE, 2001).

Os animais pediátricos podem ser submetidos a procedimentos anestésicos e cirúrgicos, desde que suas características fisiológicas específicas sejam respeitadas (HOWE, 2006). Filhotes têm maior predisposição à hipoglicemia, hipotermia, excitabilidade, sobredosagem de medicamentos, parada cardiorrespiratória, regurgitação e aspiração (HOWE, 1997; KUSTRITZ, 2002).

 

Controle populacional e comportamental

A castração de gatos oferece uma série de benefícios, incluindo o controle da superpopulação de animais errantes, sendo método eficaz amplamente praticado em vários países (OLIVEIRA, 2021). Por exemplo, nos Estados Unidos, a prática regular de castração em abrigos resultou em redução de 18,9 milhões de animais abandonados que, de outra forma, poderiam ter sido submetidos à eutanásia entre as décadas de 1970 e 2000, demonstrando assim a importância dessa abordagem para o bem-estar animal (MCKANZIE, 2010).

Além disso, a castração ajuda a reduzir comportamentos sexuais indesejados, como montagem em objetos e pessoas, bem como marcação territorial com urina, especialmente comum em machos. Também diminui a incidência de agressividade, algo frequente em fêmeas no cio e machos que demarcam território (OLIVEIRA, 2021). Relatos também indicam que a castração após a puberdade pode contribuir para reduzir a ansiedade de separação, fugas e perambulação (SALMERI et al., 1991; STUBBS et al., 1996; MAARSCHALKERWEERD et al., 1997). Além disso, observa-se aumento na afetividade dos gatos em relação aos humanos (ROOT et al., 1996; STUBBS et al., 1996; HOWE et al., 2001; SPAIN et al., 2004).

 

Obesidade e Diabetes Mellitus

A castração, independentemente de ser realizada em animais jovens ou adultos, é uma fonte de preocupação para médicos veterinários e tutores devido às doenças frequentemente associadas a ela. Pesquisas identificaram alterações metabólicas, geniturinárias, osteomusculares, comportamentais e do sistema nervoso após a castração (OLIVEIRA, 2021). Além disso, estudos associam o sobrepeso, comum em animais castrados, à castração precoce. Acredita-se que o metabolismo desses animais se torne mais lento, contribuindo para o desenvolvimento de Diabetes Mellitus (Zoran, 2010; MAIOCHI et al., 2015). A Diabetes Mellitus ocorre quando há deficiência ou insuficiência de insulina, o hormônio responsável pela regulação da glicose no sangue (SCOTT, 2010; MAIOCHI et al., 2015). Gatos castrados tendem a consumir mais alimentos, o que eleva os níveis plasmáticos de insulina (SILVA et al., 2015).

O sobrepeso também pode resultar em acúmulo de gordura no fígado, resultando, em alguns casos, em lipidose hepática felina (SCARAMAL et al., 1997; REICHLER, 2009).  No entanto, Rand e Corine (2008) destaca que o ganho de peso não está diretamente relacionado ao momento da castração, mas sim à redução da taxa metabólica dos animais castrados. Durante o diestro e a gestação de gatas, ocorre aumento na concentração de progesterona, que influencia a ação da insulina no transporte de glicose para os tecidos. Além disso, a maior produção de somatotrofina pelo epitélio ductal hiperplásico das glândulas mamárias pode desregular o controle da glicemia, levando a uma intolerância à glicose e resistência à insulina (SCARAMAL et al., 1997; REICHLER, 2009). Portanto, independentemente da idade, a castração é considerada uma medida preventiva para o desenvolvimento de Diabetes Mellitus em gatas (SILVA et al., 2015).

 

Desordens no Trato Urinário Inferior

A obstrução uretral em machos é uma preocupação frequente para muitos médicos veterinários. Acredita-se que a castração precoce seja um fator predisponente. Entretanto, estudos mostram que não há diferença no diâmetro da uretra pré-prostática e peniana entre gatos castrados na idade tradicional, intactos e castrados precocemente. Portanto, não há relatos de que gatos castrados sejam mais propensos ao desenvolvimento de obstrução uretral em comparação com gatos não castrados (HOWE et al., 2001; HAUGHIE, 2001; RAND, CORINE, 2008). Em um comparativo com as fêmeas, os machos têm maior predisposição a essa condição, devido ao menor diâmetro da uretra e à presença do osso peniano (ZAGO, 2013).

Outra desordem gênito-urinária muito frequente é a incontinência urinária. De natureza debilitante, que afeta fêmeas castradas e intactas, bem como os machos, essa condição é caracterizada por animais que são continentes quando acordados, mas urinam involuntariamente quando relaxados. É comum que animais incontinentes se encontrem em poças de urina ou que urinem em momentos de excitação (LIEHTLER, 2014). Acredita-se que essa alteração esteja relacionada à falta de estímulo do estrogênio no trato urinário, especificamente no esfíncter uretral externo, onde o hormônio atua aumentando a resposta desse músculo ao sistema nervoso simpático (SPAIN et al., 2004).

Há indícios de que essa condição esteja ligada à castração realizada precocemente. Após a cirurgia, os animais apresentam redução na função do esfíncter uretral externo, alterações hormonais, aumento na deposição de colágeno na musculatura lisa da bexiga, diminuição na contratilidade do músculo detrusor e redução na resposta à estímulos elétricos, o que leva à incontinência urinária (LIEHTLER, 2014). Todavia, o sobrepeso, o comprimento uretral e a posição de repouso da bexiga, cria um diferencial de pressão ao longo da uretra, o que contribui para maior incidência dessa doença em animais castrados (LIEHTLER, 2014).

 

Genitália infantil

Após a orquiectomia, assim como a ovariosalpingo-histerectomia (OSH), há redução significativa da concentração plasmática dos hormônios sexuais, tais como: estrogênio, progesterona, gonadotrofinas e testosterona (nos machos), o que leva ao desenvolvimento inadequado dos órgãos genitais externos. O que resulta em alterações na vulva e no pênis, que pode levar a uma aparência infantilizada, característica também conhecida como genitália infantil (DANTAS, 2017). Essa condição pode causar dificuldade na micção e na exposição do pênis em machos. Entretanto, a vulva, o vestíbulo e a vagina tendem a atrofiar, independentemente da idade em que a castração é realizada, embora a castração precoce possa influenciar (LIEHTLER, 2014).

Por outro lado, a castração em felinos machos adultos resulta em uma redução mínima no tamanho do pênis, pois o osso peniano continua crescendo até cerca de 50 semanas de vida. Portanto, a orquiectomia realizada antes desse período pode resultar em órgãos genitais menores (LIEHTLER, 2014). Dessa maneira, pode haver dificuldade na exposição do pênis, especialmente quando a castração é realizada antes dos seis meses de idade, como recomendado por alguns autores (DANTAS, 2017). A prega balanoprepucial, que conecta o pênis ao prepúcio em neonatos, requer estimulação androgênica para se romper e separar essas estruturas, o que permite a exposição do pênis. A diminuição dos andrógenos devido à castração pode retardar ou interromper esse processo, levando a alterações no desenvolvimento peniano, tornando-o infantilizado (KUSTRITZ, 2002).

 

Neoplasias hormônio-dependentes

Dentre as neoplasias hormônio-dependentes, destacam-se as neoplasias mamárias, uterinas (endométrio e musculatura lisa), ovarianas, testiculares, prostáticas, tireoidianas e o osteossarcoma (ZAGO, 2013). A incidência de tumores benignos e malignos de mama aumenta com a idade e o uso contínuo de progestágenos, sendo a castração precoce uma medida altamente protetora contra o desenvolvimento de tumores mamários (LIEHTLER, 2014). Mais de 90% dos tumores de mama em gatas são malignos, e gatas não castradas têm sete vezes mais chances de desenvolver neoplasia mamária quando mais velhas. Por meio disso, convém salientar que a castração realizada antes de um ano de idade reduz em 86% o risco de desenvolvimento do carcinoma mamário (LIEHTLER, 2014).

A neoplasia prostática é rara em gatos, mas em um estudo de casos, sete dos oito gatos com neoplasia prostática eram castrados, independentemente da raça (LIEHTLER, 2014). A piometra não está relacionada às neoplasias em fêmeas felinas, mas é uma doença que afeta gatas não castradas ou que passaram por procedimentos cirúrgicos, nos quais fragmentos do tecido uterino foram abandonados. Essa condição é caracterizada por uma infecção bacteriana e exsudato mucopurulento no lúmen uterino (ZAGO, 2013).

 

Interferências no sistema musculoesquelético

Sabe-se que os hormônios sexuais desempenham um papel significativo no desenvolvimento muscular, ósseo, de órgãos reprodutivos e comportamento animal (JERICÓ et al., 2015). A maturação esquelética é afetada pelos esteroides sexuais, como o estradiol, que possui efeito anabólico e calciotrópico, promovendo a formação e inibindo a reabsorção óssea. A testosterona, por sua vez, retém cálcio e aumenta a matriz óssea (STUBBS; BLOOMBERG, 1995).

Além disso, os hormônios sexuais, juntamente com a somatotrofina, são responsáveis pelo fechamento das placas de crescimento nas extremidades dos ossos longos (KUSTRITZ, 2002; SYED; KHOSLA, 2005). A castração pré-púbere retarda o fechamento dessas placas de crescimento, resultando em um período de crescimento mais prolongado (SALMERI et al., 1991). No entanto, é menos comum em gatos, embora haja relatos de atraso no fechamento da placa de crescimento radial distal em gatos castrados, em comparação com gatos não castrados (ROOT et al., 1996; STUBBS et al., 1996).

Em relação aos músculos, os hormônios sexuais têm efeitos anabólicos que estimulam a fixação de nitrogênio no tecido muscular, que promovem o seu crescimento através do aumento da síntese proteica. À vista disso, a castração está associada à redução do tônus muscular e da massa muscular (SHAHIDI, 2001). Estudos em camundongos machos castrados mostraram atraso no desenvolvimento muscular em comparação com não castrados (IGWEBUIKE, 2002). Em gatos, é possível observar que os castrados, independentemente da idade, têm maior acúmulo de gordura, diminuição do tônus e massa muscular em comparação com os não castrados (SILVA, 2020).

 

Considerações finais

 

A castração de felinos desempenha papel fundamental no controle de animais errantes. Do mesmo modo, é uma medida profilática primordial para diversas condições de saúde. Antes de optar pela esterilização cirúrgica, o médico veterinário deve levar em consideração as características individuais do animal, tais como idade, peso e raça; benefícios e riscos associados à castração; se o animal é de rua ou domiciliado, se há outros animais contactantes. Além do tipo de dieta, se há estímulo a atividades físicas, entre outros. Por fim, o médico veterinário é o profissional habilitado para determinar o protocolo de castração mais adequado para cada animal, seguindo os princípios éticos da profissão e garantindo o bem-estar dos seus pacientes. Logo, é de sua total responsabilidade minimizar ao máximo os possíveis efeitos adversos desse procedimento cirúrgico.

 

Referências bibliográficas

 

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Recebido em 28 de outubro de 2023

Retornado para ajustes em 11 de março de 2024

Recebido com ajustes em 14 de março de 2024

Aceito em 16 de março de 2024