Revista Agrária Acadêmica
doi: 10.32406/v7n3/2024/93-101/agrariacad
Diferentes tipos de poda em videira associado ao uso de cianamida hidrogenada na variedade Marselan (Vitis vinifera L.). Different types of grapevine pruning associated with the use of hydrogenated cyanamide in the Marselan (Vitis vinifera L.) variety.
Sandro Morandi1, Marco Aurélio de Freitas Fogaça
2*, Renato Lazzari3, Marcelo Bergonsi4, Luis Henrique de Lima5, Ivanio Meazza6
1- Tecnólogo em Horticultura – IFRS – Campus Bento Gonçalves – Av. Osvaldo Aranha, 540, CEP: 95700-000 – Bento Gonçalves – RS, Brasil. E-mail: sandromorandi2009@hotmail.com
2*- Professor Doutor em Produção Vegetal – IFRS – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Campus Bento Gonçalves – Av. Osvaldo Aranha, 540, CEP: 95700-206 – Bento Gonçalves – RS, Brasil. E-mail: marco.fogaca@bento.ifrs.edu.br
3- Tecnólogo em Horticultura – IFRS – Campus Bento Gonçalves – Av. Osvaldo Aranha, 540, CEP: 95700-000 – Bento Gonçalves – RS, Brasil. E-mail: renato_lazzari@hotmail.com
4- Tecnólogo em Alimentos – IFRS – Campus Bento Gonçalves – Av. Osvaldo Aranha, 540, CEP: 95700-000 – Bento Gonçalves – RS, Brasil. E-mail: marbergonsi@gmail.com
5- Tecnólogo em Horticultura – IFRS – Campus Bento Gonçalves – Av. Osvaldo Aranha, 540, CEP: 95700-000 – Bento Gonçalves – RS, Brasil. E-mail: hluisdelima@gmail.com
6- Tecnólogo em Horticultura – IFRS – Campus Bento Gonçalves – Av. Osvaldo Aranha, 540, CEP: 95700-000 – Bento Gonçalves – RS, Brasil. E-mail: ivaniomezza@hotmail.com
Resumo
O objetivo do trabalho foi avaliar a produção da variedade de uva Marselan submetida a 3 tipos de poda e com e sem a aplicação de cianamida hidrogenada (CH), cultivada em espaldeira, com espaçamento de 1,25×3,2m e entre plantas de 1,0 m. O delineamento experimental foi um fatorial (2×3), inteiramente casualizado com 2 doses de CH (0% e 3%) e 3 sistemas de poda (Royat, Cazenave e Sylvoz e cinco repetições. Variáveis analisadas: índice de brotação (ib), índice de fertilidade (if), número e massa de cachos.planta-1, produção.ha-1,e teor de sólidos solúveis (0Brix). Os resultados mostraram que não houve interação entre poda e CH, mas individualmente dentro da poda Sylvoz houve aumento do ib, para as demais variáveis a poda em Sylvoz, apresentou melhor resposta para produção.ha-1 e planta. O if não foi afetado pelos tratamentos. O 0Brix foi menor no sistema de poda em Sylvoz, a poda Royat e Cazenave não diferiram. Considerando a resultados da produção e os 0Brix, a poda Sylvoz pode ser indicada como uma alternativa a poda curta para aumento de produção sem afetar a qualidade da uva.
Palavras chave: Manejo. Qualidade. Indutor de brotação.
Abstract
The objective of the work was to evaluate the production of the Marselan grape variety subjected to 3 types of pruning and with and without the application of hydrogenated cyanamide (CH), grown in espalier, with a spacing of 1.25×3.2m and between plants of 1. 0 m. The experimental design was a factorial (2×3), completely randomized with 2 doses of CH (0% and 3%) and 3 pruning systems (Royat, Cazenave and Sylvoz) and five replications per treatment. Variables analyzed: sprouting index (ib), fertility index (if), number and mass of bunches.plant–1, production.ha-1, and soluble solids content (0Brix). The results obtained showed that there was no interaction between pruning and CH, but individually within the Sylvoz pruning treatment there was an increase in the plants’ ib. Considering the other pruning variables in Sylvoz, it presented the best response for production per ha and per plant. The if were not affected by the treatments. The 0Brix was lower in the Sylvoz pruning system, the Royat and Cazenave pruning did not differ. Considering production results and 0Brix, Sylvoz pruning can be recommended as an alternative to short pruning to increase production without affecting grape quality.
Keywords: Management. Quality. Sprouting inducer.
Introdução
A maior área da viticultura do Brasil está localizada na região sul do país, ocupando 62% da área de plantio de videiras, que somam 46.774 has entre espécies viníferas e americanas (IBGE, 2023). A Serra Gaúcha se destaca pelo volume e qualidade de uvas que produz, fazendo justiça a grande movimentação de turistas que visitam a região, e tendo a cidade Bento Gonçalves como a capital nacional da uva e do vinho. Embora a maior parte dos cultivos, caracteriza-se por variedades americanas (Vitis labrusca L.), localizadas em pequenas propriedades rurais (área média de 2,8 has), tendo como destino a produção para suco e vinho e consumo “in natura” (MELLO, 2017). Em especial os vinhos espumantes e tranquilos apresentaram um aumento da procura ao longo da pandemia, mantendo-se essa tendencia após esse período, crescendo 9,3% para os vinhos finos e 4,7% para os espumantes (STEINER; GOMES, 2023).
O enoturismo nessas regiões viabiliza a produção de variedades Vitis viniferas L., menos conhecidas que as francesas Merlot e Cabernet Sauvignon, como cultivar Marselan, criada na França, em Marselha, cujo o nome é uma referência a cidade, cruzamento das viníferas Grenache com Cabernet Sauvignon. Esta variedade foi criada pelo INRA – Institut National de la Recherche Agronomique, na França em 1961 (VCR, 2014), porém, ela começou a ganhar espaço no cenário mundial somente nas últimas três décadas. Na França é plantada principalmente no Languedoc e no Sul do Rhône, fora da França a Marselan é cultivada na Califórnia (Estados Unidos), Argentina, Uruguai e Brasil. O maior produtor dessa variedade no Brasil é o estado do Rio Grande do Sul (ARENHART, 2015).
A cv. Marselan é uma variedade produtiva, apresenta cacho grande, solto, bagas espaçadas que facilitam a ventilação, a penetração de luz e dos tratamentos fitossanitários, possibilitando menores perdas por doenças fúngicas, suas bagas são pequenas, o que aumenta a proporção de casca/polpa durante o processo de vinificação (Figura 1) e, consequentemente, aumenta a concentração de compostos polifenólicos (VCR, 2014). De acordo com Arenhart (2015), a Marselan apresenta perfis, sensoriais distintos, menos no aroma, cor translucida, ao sabor frutado, a adstringência e a persistência caracterizam a variedade

Figura 1 – Frutificação da variedade Marselan (Vitis vinifera L.), cultivada em espaldeira simples, com poda curta (Royat). Bento Gonçalves, 2022. Fonte: Autor, novembro de 2022.
A poda seca é uma das principais práticas de manejo da cultura da videira, a distribuição eficiente das gemas francas ao longo do tronco da planta e sua adequação dos sistemas de condução, considerando a localização das gemas férteis, que varia segundo a variedade e vigor dos ramos bem como o desenvolvimento das plantas nos clico anterior, período quando as gemas floríferas são formadas. A carga de gemas deixadas na planta tem relação direta com a produção e qualidade dos frutos, pois, afetam o índice de brotação e de índice fertilidade e por consequência, o equilíbrio vegeto produtivo das plantas ao longo do ciclo da cultura (FOGAÇA et al., 2020; FOGAÇA, 2022; SANTOS, 2017).
A poda é realizada de três maneiras, curta, onde deixarmos apenas ramos curtos na planta, 1 a 3 gemas, a poda longa onde utiliza-se ramos com média 4 a 8 gemas e a poda mista, que engloba os ramos curtos e longos, os ramos curtos quando pouco férteis, servem de produtores para a próxima safra, está poda relaciona-se com produções médias a elevadas.
Na poda curta ou Royat, mais conhecida como cordão esporonado, temos um número reduzido de gemas ao longo do cordão principal, no entanto, proporciona facilidade de realização (FOGAÇA et al., 2020). Na poda mista podemos citar a poda Cazenave, onde são deixados esporões e varas ao longo do cordão principal, as varas com cerca de seis gemas, são amarrados verticalmente na segunda corda da espaldeira. Canossa et al. (2022) obteve nos seus experimentos maior capacidade de cachos por planta, para essa forma poda em relação a poda em Royat.
Como uma opção a esses dois tipos de poda, temos a poda em Sylvoz, onde são utilizadas varas mais longas, arqueadas, possibilitando maior capacidade de carga que os sistemas de poda citados anteriormente. A poda em Sylvoz é indicada para plantas vigorosas, sendo conhecida na Austrália e Nova Zelândia, pois, facilita a mecanização, portanto, redução de custos de mão de obra nos vinhedos (ROBINSON; HARDING, 2014).
De acordo com Tonietto et al. (2002), o clima da Serra Gaúcha para Multicritério Geovitícola, apresenta-se um clima vitícola úmido, temperado quente, de noites temperadas. Considerando a condição de temperado quente, em plantas caducifólias, a ocorrência de invernos amenos, afetada a quantidade de horas de frio (HF), que são temperaturas abaixo de 7,2 0C ao longo do período de dormência, estas definem a qualidade da brotação e floração, sendo que, o número de HF necessárias a superação da dormência varia entre e as espécies e cultivares.
As variedades Vitis labrusca L., precisam de menos HF, se diferenciando das Vitis viníferas L., como a cv. Marselan, no entanto, quando a demanda de HF não é atendida, recomenda-se a utilização de produtos químicos para quebra de dormência, de forma que tenhamos brotação uniforme das gemas no início do novo ciclo.
Um dos produtos mais usados é a Cianamida hidrogenada (CH), produto comercial Dormex®), este atua sobre redução da atividade da enzima catalase, mas não altera a atividade da enzima peroxidase. Este complexo enzimático atua na fisiologia das gemas da videira, impedindo ou atuando na saída da dormência das gemas para a próxima estação de crescimento (SHULMAN et al., 1986). A CH é usada para estimular as auxinas provocando assim uma brotação com uniformidade, seu uso é recomendado quando as HF não suprem a necessidade da variedade.
O fatores do clima como umidade do ar, precipitação, luminosidade e temperatura afetam de forma decisiva a produção vitícola (BRIGHENTI et al., 2014) se destacando a temperatura do ar os que mais afetam a produção vitícola De acordo com Monteiro e Farias (2013), os dados projetados indicam redução de áreas com valores mínimos de horas de frio, o que implica em condições climáticas desfavoráveis para algumas cultivares de uva que são produzidas atualmente, o que incentiva a pesquisa com indutores de brotação.
Considerando a importância da variedade e da poda seca, o objetivo do trabalho foi avaliar o efeito da aplicação de cianamida hidrogenada e três sistemas de poda, na produção e qualidade da variedade Marselan produzida em sistema de espaldeira simples na Serra Gaúcha.
Material e métodos
O experimento foi realizado em 2022, em uma propriedade rural no distrito de São Pedro, em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, latitude 29°03 ’26’’S e 51°34’45’’W e altitude média de 480 m. Segundo Köppen, o clima da região é classificado como Cfb, que corresponde a um clima temperado quente. A precipitação pluvial média anual é 1.725 mm, com frequência média de 120 dias de chuva/ano, umidade relativa do ar média de 77%, temperatura média a região fica em torno de 17,2° C, com insolação anual média 2.200 horas e índice de horas de frio 410,20 horas (CZERMAINSKI; ZAT, 2011). A variedade utilizada no experimento foi a cv. Marselan (Vitis Vinifera L.) enxertada sobre o porta-enxerto Paulsen 1103, com dez anos de idade, com espaçamento de 1,25 m entre plantas e 3,2 m entre fileiras, possibilitando uma densidade de 3,333 plantas/ha.
O delineamento experimental utilizado foi um fatorial (2×3), com 2 doses de Cianamida hidrogenada (52% de H2CN2), produto comercial Dormex® (0% e 3%) e 3 sistemas de poda (Royat, Cazenave e Sylvoz) e cinco repetições por tratamento, considerando uma planta como unidade experimental, em um total de 30 plantas analisadas. A poda seca foi realizada no período de dormência, no final de agosto. A aplicação de Dormex® a 3% mais 2% de óleo mineral, (gema dormente), estágio V05 (EICHORN; LORENZ, 1977), feita com um rolo de espuma, de forma homogênea em todas as gemas da planta.
Os tratamentos consistiram na condução da cultivar Marselan em espaldeira simples com poda em cordão esporonado (Royat) com e sem Dormex® (CH), (T1 e T4), sistema de espaldeira com poda em Cazenave com e sem Dormex® (T2 e T5 ) e sistema condução Sylvoz (T3 e T6) (Figura 2).

Figura 2 – Ilustração dos sistemas de podas avaliados para cultivar Marselna, cultivado em espaldeira: poda Royat (T1), poda em Cazenave (T2) e poda em Sylvoz (T3). Fonte: Adaptado de Fogaça et al., 2020.
O sistema de poda Cazenave (T2 e T5), apresenta além dos esporões, 4 varas com cerca de 6 a 8 gemas, estas são amarradas no segundo arame de condução, o sistema Sylvoz (T3 e T6), também poda mista, as varas com cerca de 9 a 12 gemas, são podadas e conduzidas em arco, e distribuídas ao longo do tronco da planta, sendo amarradas em um arame que se situa 25 cm do primeiro arame de sustentação do cordão bilateral (Figura 1).
A colheita foi realizada no dia 20/03/2022, quando se considerou que as uvas atingiram boas condições de maturação para a indústria. As uvas foram colhidas de forma manual com o auxílio de uma tesoura de poda e as bagas foram separadas para análise utilizando a metodologia descrita por Miele e Rizzon (2002).
As variáveis analisadas para a produtividade foram: número de cachos por planta (os frutos foram contados na colheita), produção por planta (medida da massa dos frutos por planta, realizado na colheita e pesado em balança eletrônica de precisão), a produção por ha (estimou-se a produtividade por ha a partir dos resultados da produção por planta, multiplicado pelo número de plantas por ha).
Também foram analisados o índice de brotação (relação entre o número de gemas brotadas e o número total de gemas deixadas na poda seca) e o índice de fertilidade (divisão do número total de cachos pelo número total de brotos por planta). O teor de sólidos solúveis totais (Grau 0Brix), foi determinado a partir de uma amostra de aproximadamente cem bagas por planta, com auxílio de um refratômetro portátil com auto compensação de temperatura, proposto por Carvalho et al. (1990).
Excetuando a poda de inverno diferente para cada sistema de condução e a aplicação de CH, todas as demais práticas de manejo foram realizadas da mesma maneira e na mesma época em ambos os tratamentos. Os dados foram submetidos à análise de variância, e as médias comparadas pelo teste Duncan a 5% de significância, utilizando o programa SASM – Agri (CANTERI et al., 2001).
Resultados e discussão
Os dados da análise estatística, demonstram que não houve interação significativa ao nível de 5% entre os fatores, indutor de brotação e sistemas de poda, excetuando para o índice de brotação (ib), os demais variáveis analisadas foram feitas baseados nos resultados dos diferentes sistemas de poda, que responderam de forma significativa aos fatores da produção e qualidade como: como 0Brix, produção por planta e por hectare, os diferentes sistemas de poda também se diferenciam sobre a capacidade carga da planta (Tabela 1).
A análise individual CH dentro de cada tratamento de poda, demonstrou que não houve efeito sobre a brotação das gemas deixadas na poda nos tratamentos T1 (Royat) e T2 (Cazenave), mas aumentou o ib de brotação de T3. A falta de resposta para a CH, em T1 e T2, pode ser função do elevado número de horas de frio ocorridas entre abril e setembro de 2022, atingindo 425 HF (INMET, 2022), resultados que concordam com Lerin et al. (2023), que também, não obteve resposta para aplicação de CH, outro fator a ressaltar é que normalmente a poda em cordão esporonado apresenta bons níveis de brotação em detrimento de podas mistas (FOGAÇA, 2022).
A resposta da CH ao tratamento T3, pode estar relacionado com o comprimento das varas e que apresentam um número de gemas significativamente superior a T2, onde o efeito da dominância apical se torna mais acentuado e, que limita a quantidade de carboidratos que chega a cada gema, portanto, mais acentuado a necessidade dos indutores de brotação.
Esta resposta da CH, no aumento do ib das videiras, principalmente em variedades europeias, tem sido obtido por muitos autores (WERLE et al., 2008; FOGAÇA et al., 2021), sendo mais efetiva nos invernos com poucas HF. O índice de floração (if) não diferiu entre os tratamentos, com valor médio de 1,42, indicando que a variedade apresenta boa fertilidade das gemas basais, pois, a poda mista (varas e esporões) em T2 e T3, apresentou a mesma quantidade de cachos emitido por ramo, para T1 (Tabela 1), onde são deixados de 2 a 3 gemas francas por esporão. Esses valores são similares aos obtidos por Varela (2016) e Sautchuk (2022), que atingiram 1,5 e 1,45 respectivamente, e diferem de resultados de Fogaça et al. (2021), que obteve maior if para gemas das varas. A fertilidade das gemas está relacionado com a genética da variedade, a disponibilidade de fotoassimilados no período vegetativo, além dos fatores já citados, um melhor if nas varas, relaciona-se com a melhor exposição solar da parte superior da cortina verde no ciclo anterior o que favorece o acúmulo de carboidratos, e por consequência if. Na poda dos tratamentos T1, T2 e T3 (Figura 3), foram deixados 39.4, 58.2 e 72.7 gemas/plantas, respectivamente.
A poda em Sylvoz, em função das varas longas, com maior número de gemas/planta, e curvadas e curvadas em direção ao solo, que reduzem a velocidade que a seiva com que chega nas gemas, possibilitou um aumento do número de brotos/planta, seguido do tratamento poda em Cazenave, a poda Royat, apenas esporões, limitou o número de gemas/ha (Figura 2).
Tabela 1 – Aspectos vegeto-produtivos da cultivar Marselan (Vitis vinifera L.) submetidos a três tratamento de poda seca, sendo eles: T1 – poda Royat (cordão esporonado), T2 – poda em Cazenave e T3 – poda em Sylvoz. Com e sem aplicação de CH no índice de brotação. Bento Gonçalves/RS, 2023.
Variáveis |
Poda Royat |
Cazenave |
Sylvoz |
CV% |
Número de varas/planta |
4 |
4 |
||
Gemas por planta |
39,4b |
57.23b |
72,7a |
14,81 |
Número de ramos/planta |
36,4a |
53b |
62,7a |
12,37 |
Número cachos/planta |
47,75b |
65,75ab |
83a |
19,1 |
Número cachos/vara |
45,65a |
61a |
18,2 |
|
cachos esporão |
45,4a |
27,2a |
34,55a |
29,32 |
Massa de cacho/esporão(kg) |
4,3aA |
2,2 abB |
2,4abB |
28,7 |
Massa de cacho/vara(kg) |
3,17aB |
4,55aA |
18,6 |
|
Índice de fertilidade |
1,25a |
1,37a |
1,64a |
27,5 |
Massa de cacho/planta |
4,32b |
5,23b |
7.09a |
20,2 |
Produção t/ha |
11,95b |
15,25b |
21,47a |
17,67 |
Teor Sólidos Solúveis (0Brix) |
25,2b |
24,9b |
23,6a |
|
Dormex 0 – 3% |
||||
Índice de brotação |
0.91a 0,89a |
0,89 a 0,87a |
0,83b 0,91a |
3,63 |
*CV%: coeficiente de variação. **Médias seguidas de mesma letra na linha letra minúscula e na coluna letra maiúscula, não diferem estatisticamente pelo teste Duncan, na linha e coluna, com 5% de significância.
Este fator apresentou relação direta com o número de cachos, produção por planta e por ha, considerando que o if, não diferiram entre si, que também influenciam significativamente na produção (Tabela 1). Würz et al. (2018) afirma que a carga de gemas deixadas na poda seca define o potencial produtivo das plantas.
A carga de gema mais elevada possibilitou produções superiores para T3, em detrimento de T1 e T2 que não diferiram. A massa de cacho/planta para T1 e T2, atingiu média de 4,8kg e o T3 atingiu, 7,1kg/planta, sendo que a maior parte da produção se concentrou nas varas para T1 e T2, característica comum na poda mista (LERIN et al., 2023; LIMA et al., 2024). A utilização das varas aumenta o número de gemas por ponto de produção, o que possibilita concentrar a produção nesses elementos de poda.
Com relação a produção estimada por ha, os valores ficaram em média 13,6 t/ha para T1 e T2 e 21,5 t/ha para T3 (Tabela 1). Estes valores são superiores aos 10,7 t/ha para Marselan em espaldeira obtidos por Varela (2016), e aos 19,8 t/ha, obtidos por Sautchuk (2022), no sistema em latada, mas são similares a produção por planta de 4,8 e 8,9 kg/ha obtidos. Considerando o aumento do número de gemas planta, Greven et al. (2015), obteve aumento na produção por planta no Sauvignon blanc de 4,8 para 12 t/ha, com aumento da carga de gemas na poda de 24 para 72 gemas.
Os SST não se diferenciam entre os tratamentos T1 e T2, sendo que T3, apresentou menor resposta a esta variável, os valores variaram entre 23,6 e 25,2 0Brix. O valor menor 0Brix em T3, pode estar associada a elevada produção por ha, que atingiu 21,45 t/ha, valor elevado para cultivo em espaldeira, pois, apresenta área foliar pequena, onde a relação fruto/folha pode afetar o grau 0Brix em maior ou menor grau. No entanto, os valores obtidos, geram um potencial de álcool acima de 14,1%v/v enquadrando-se na designação de ‘vinhos nobres’, segundo as normas da legislação brasileira (BRASIL, 2018).
Sautchuk (2022), mesmo em ambiente protegido, obteve 21,83 0Brix para Marselan em Nova Trento – SC, na safra 2022, valores inferiores aos obtidos na pesquisa e que fogem ao padrão da Serra Gaúcha, às excelentes condições de maturação da safra 2022-2023; apresentou elevada insolação e períodos de restrição hídrica (INMET, 2022), principal fator que propiciou os elevados SST; esta condição climática também propiciou a colheita em 20 de março, permitindo um período de maturação longo, colaborando também com aumento do SST.
Conclusão
O sistema de poda em Sylvoz, apresentou a produção por ha e por planta, superior aos demais tratamentos, que não diferiram entre si, a massa de cacho e o índice de fertilidade não foram afetados pelos tratamentos.
A cianamida hidrogenada aumentou o índice de brotação na poda em Sylvoz, não tendo efeito sobre os demais tratamentos.
Baseados nos resultados óbitos para produção e os SST, para cultivar Marselan, a poda Sylvoz pode ser indicada como uma alternativa a poda curta para aumento de produção sem afetar a qualidade da uva.
Conflito de interesses
Não houve conflito de interesses entre os autores.
Contribuição dos autores
Sandro Morandi e Marco Aurélio de Freitas Fogaça – proposta do projeto, instalação do experimento, escrita e interpretação dos dados, revisão do manuscrito; Renato Lazzari, Ivanio Meazza e Luis Henrique de Lima – ajudaram na instalação do projeto e coleta dos dados; Marcelo Bergonsi – realizou as análises químicas e leitura e correção do artigo.
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Recebido em 10 de abril de 2024
Retornado para ajustes em 23 de setembro de 2024
Recebido com ajustes em 25 de setembro de 2024
Aceito em 30 de setembro de 2024