Dos livros para a vida real: Quais terapias para a saúde mental dos cavalos da série Heartland de Lauren Brooke são usados na prática?

Revista Agrária Acadêmica

Agrarian Academic Journal

doi: 10.32406/v4n5/2021/12-25/agrariacad

 

Dos livros para a vida real: Quais terapias para a saúde mental dos cavalos da série Heartland de Lauren Brooke são usados na prática? From books to real life: What mental health therapies for horses from Lauren Brooke’s Heartland series are used in practice?

 

João Paulo Novelletto Pisa1*, Sharon Muriel Zantut Jansen2, Denise Pereira Leme3

 

1*- Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas, Universidade Federal de Santa Catarina (USFC), Florianópolis -SC, Brasil. E-mail: joaopisamdv@gmail.com
2- Médica Veterinária, Alemanha.
3- Departamento de Zootecnia e Desenvolvimento Rural, Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

 

Resumo

Os livros de literatura podem ser um meio de estudar os animais, e esta área se chama zooliteratura. A série de livros Heartland, de Lauren Brooke, mostra um centro de reabilitação de equinos com problemas emocionais onde são usadas terapias para a busca da cura dos cavalos. Será que as terapias utilizadas nesta ficção são opções de uso real no meio equestre? Para responder isto, foi realizada uma revisão de literatura para verificar se há estudos científicos de plantas medicinais, remédios populares, Florais de Bach, aromaterapia e T-Touch® citados na série. Elas podem estimular pesquisas e práticas para a saúde mental dos animais, considerando um olhar crítico e científico sobre elas.

Palavras-chave: Equinos. Saúde mental. Terapias complementares. Zooliteratura. Zoopsiquiatria.

 

Abstract

Literature books can be a means of studying animals, the area is called zooliterature. The Heartland book series, by Lauren Brooke, shows a rehabilitation center for horses with emotional problems where therapies are used to find a cure for horses. Do the therapies used in fiction are real options for the equestrian sector? To answer this, a literature review was carried out to verify if there are scientific studies of medicinal plants, folk remedies, Bach flower remedies, aromatherapy and T-Touch® mentioned in the series. They can motivate research and practices for the mental health of animals, considering a critical and a scientific perspective.

Keywords: Horses. Complementary therapies. Mental health. Zooliterature. Zoopsychiatry.

 

 

Introdução

 

O estudo dos animais a partir de obras literárias que contém a relação entre humanos e animais não humanos pode ser referido como “Zooliteratura”, um novo ramo da ciência literária, que tem bases interdisciplinares e a dialética das ciências naturais e humanas, projetando reflexões sobre o antropomorfismo e animalidade humana (GUIDA, 2011; JUNQUEIRA, 2013; MACIEL, 2007). Há também obras que possuem personagens não humanos em casos veterinários, como o da personagem Baleia da obra Vidas Secas, escrita por Ramos (2006); como em Cavalo de Guerra (MORPURGO, 2011), onde o protagonista cavalo transpassa por diferentes condições de saúde; ou em Beleza Negra (SEWELL, 2015), onde o também protagonista sofre por diversas afecções. Assim, diferentes casos veterinários ocorrem nos livros da série Heartland (BROOKE, 2000-2009), entre muitos outros. A presença de casos clínicos veterinários em obras literárias pode contribuir para o ensino de medicina veterinária. Além das questões clínicas, as obras literárias apresentam percepções das ações humanas acerca dos não humanos e questões sociais, o que pode não ser completamente abordado nas aulas de ciências naturais e da saúde (PISA, TACITO, LEME, 2019).

A medicina integrativa engloba as terapias complementares e as terapias alternativas (O’BRIEN, 2004). As primeiras são aquelas utilizadas como complemento ou auxílio à medicina convencional. Em contrapartida, são chamadas terapias alternativas qualquer outra que não a convencional (NAVARRA, 2004), igualmente fundamentada em teorias e que resulte na saúde e no bem-estar individual e coletivo. Apesar do uso das terapias complementares na saúde veterinária ter aumentado ao redor do mundo, ainda ocorrem discriminações e preconceitos dessas práticas, o que impede o seu real entendimento e aproveitamento. A pouca aceitação do uso das terapias não alopáticas pela sociedade ocorre pela escassez de dados científicos e pelos custos (CARVALHO, 2018), além de várias desconstruções ao longo de séculos.

Heartland, onde as histórias da série são centradas, é um rancho de cavalos, onde estes animais não humanos podem ser tratados de sua saúde mental, principalmente dos traumas emocionais do passado. A protagonista dos livros é a jovem Amy Fleming, que aprendeu com a mãe as habilidades do seu trabalho, utilizando manejos e treinamentos que contribuem para o bem-estar animal, com o foco em confiança e com ajuda de terapias não convencionais (BROOKE, 2000a). Esta série de livros inspirou uma série na televisão de mesmo nome, mas, nos livros ela se passa na Virgínia (EUA) e na televisão, se passa no Canadá, nos estúdios da emissora CBC® (BROOKE, 2000a; IMDB, 2021). A série literária conta com 20 livros dos anos 2000 a 2005 e cinco livros especiais entre os anos 2004 e 2008 (WIKIPEDIA, 2021). Os livros foram publicados pela editora Scholastic® (EUA) e produzidos pela Working Partneers Ltd® (Reino Unido).

Já no livro de série especial “Amy´s Journal”, a história evidenciava como as práticas utilizadas no rancho de cavalos entraram na vida dos personagens, além de falar sobre a rotina em Heartland, receitas e sugestões de livros para estudar mais sobre comportamento e saúde mental de equinos e sobre as terapias utilizadas.

A série de livros Heartland (BROOKE, 2000a; 2000b; 2000c; 2001a; 2001b; 2009) tem como foco os problemas de comportamento (FRASER, 1992) e os tratamentos para a cura dos equinos. Além disso, a série aborda problemas físicos e mentais dos equídeos, que são tratados pelo uso da medicina veterinária complementar: plantas medicinais, Florais de Bach e aromaterapia, também usadas em humanos, inclusive no Sistema Único da Saúde (BRASIL, 2015); além dos remédios populares e o T-Touch® (Terapia de toque da Linda Tellington-Jones, em tradução livre).

Os livros e a série televisiva “Heartland” trazem estas práticas terapêuticas contidas em seu enredo, o que pode influenciar os seus leitores a as usarem, principalmente o público do mundo equestre. Por isso, resolvemos confrontar as práticas apresentadas na obra literária com uma abordagem científica sobre elas, para que as pessoas possam encontrar neste artigo, informações concentradas das práticas que leram nessas obras de ficção, aceitá-las ou não a partir também de uma discussão com base científica. Com isto, o objetivo deste artigo é verificar se há base científica para as terapias utilizadas nos tratamentos dos equinos da série literária, a partir de uma revisão de literatura para casos descritos nos seis primeiros livros da série.

 

Material e métodos

 

Para checar a veracidade das práticas que estão nas obras, os cinco primeiros livros da série e um dos livros do especial “Amy´s Journal” (Quadro 1) foram lidos pelo primeiro autor do estudo. Dos casos apresentados nos cinco primeiros livros, foram identificados e selecionados oito casos, apenas aqueles focados na saúde mental dos animais, e os respectivos tratamentos utilizados nesses casos (Quadro 2).

A partir disso, foi feita uma revisão de literatura sobre os principais temas dos casos fictícios, pela busca de artigos científicos disponíveis e em livros que tratam sobre o tema. Foram também usados como fonte de revisão bibliográfica os livros sugeridos no próprio “Amy’s Journal”.

 

Quadro 1 – Livros da série Heartland (BROOKE, 2000a; 2000b; 2000c; 2001a; 2001b; 2009) utilizados no artigo
Nome do Livro
Número do livro
Ano de publicação
Número de páginas
Resumo
Coming Home
#1
2000
140
A mãe da Amy morre e a protagonista dá continuidade ao trabalho da mãe
After the Storm
#2
2000
171
Amy lida com o luto e tenta ajudar o cavalo Spartan, que também sofreu com o acidente que matou a mãe de Amy
Breaking Free
#3
2000
148
Amy tenta seguir com o trabalho de sua mãe, porém, deve encontrar seu próprio modo em fazê-lo
Taking Chances
#4
2001
175
Chega o personagem Ben, que com seu ceticismo causa confusões no trabalho e relações interpessoais de Heartland
Come What Way
#5
2001
157
Amy conhece seu pai e lida com uma nova égua prenha que chegou em Heartland
Amy´s Journal
Edição especial
2009
113
Um diário onde Amy descreve suas práticas e seu cotidiano em Heartland
Fonte: os autores

 

Resultados e discussão

 

Foram selecionados oito casos clínicos veterinários dos cinco livros estudados para este artigo. Foram escolhidos os casos nos quais havia apenas afecções da saúde mental e emocional dos equinos (não os de ordem física), entre eles, casos que envolveram medo, depressão, agressividade, comportamentos anômalos e alterações psicológicas causadas por diversas situações, inclusive por mau manejo, relações humano-equino desequilibradas e até maus tratos. Todos eles podem ser visualizados no Quadro 2, onde há o nome do personagem (paciente) equino, seu diagnóstico dado na história ou interpretado pelo primeiro autor e as possíveis terapias com as quais os cavalos foram tratados, como também os livros nos quais os casos aparecem.

 

Quadro 2 – Casos clínicos apresentados na série literária de Heartland
Nome do paciente
Casos clínicos
Livros em que são mencionados
Terapias utilizadas
Sugarfoot
Luto; anorexia
#1; #2
Florais de Bach, aromaterapia, T-Touch®
Pegasus
Trauma emocional; luto; depressão
#1; #2; #3
Florais de Bach, aromaterapia, T-Touch®
Spartan
Trauma emocional; nervoso; medo de pessoas
#1; #2
Florais de Bach, aromaterapia
Promise
Agressividade/medo quando selada; humanização,
tinha que pedir permissão para selar
#3
Fitoterapia
Dancer
Abandono/trauma
#4
Fitoterapia, T-Touch®
Red
Nervosismo; exaustão, sem descanso no treino
#4
T-Touch®
Flint
Mimado; coicear (agressivo)
#4
Florais de Bach, aromaterapia, T-Touch®
Gipsy
Pinote ou Bucking; teimosia
#4; #5
Florais de Bach, aromaterapia
Fonte: os autores

 

A seguir, os diagnósticos feitos pela protagonista Amy serão discutidos a partir da base científica.

 

Casos clínicos 

 

A série mostra diversos casos em que a saúde mental dos equinos foi afetada,  destacando-se problemas de nível emocional como depressão e comportamentos anômalos, com diversas causas.

Os problemas emocionais presentes em um indivíduo estão ligados às emoções de valência negativa; a depressão/tristeza, luto, agressividade, nervosismo e medo. Pisa (2020) verificou a descrição científica de emoções dos equinos a partir de duas obras literárias, Beleza Negra (SEWELL, 2015) e Cavalo de Guerra (MORPURGO, 2011), sendo que estas emoções estiveram presentes também em personagens da obra aqui estudada, dependente do momento em que viviam. Entre os problemas emocionais dos casos apresentados em Heartland, o luto dos animais não humanos não foi ainda confirmado cientificamente, embora haja estudos sobre o tema (NASCIMENTO, GOLOUBEFF, 2000). Por outro lado, o medo, a raiva e a tristeza são emoções primárias, descritas nos animais não humanos capazes de expressá-las assim como a depressão (FUREIX et al., 2012; 2015) e ansiedade (REID et al., 2017), e a obra literária pôde representar algo real de seus personagens. O trauma emocional foi visto em três casos de três equinos que vivenciaram acidentes físicos e abandono. O trauma emocional em equinos é possível, já que esta espécie é senciente e possui emoções, podem mantê-las na memória e ainda generalizar (SANKEY et al., 2010; FUREIX et al., 2009).

A humanização dos outros animais ocorre quando as pessoas os tratam de uma maneira diferente da etologia natural da espécie, mais aproximada dos seres humanos. No caso dos livros de Heartland, são apresentadas as consequências disso; em que equinos mimados eram mais difíceis de manejar. Este fenômeno é mais visto na clínica de pequenos animais, onde as pessoas os transformam em objetos de acordo com sua vontade, mudando a natureza do animal em favor de suas próprias questões, o que pode vir a ser um problema de saúde integral para as ambas as espécies da relação humano-animal (FERNANDES, 2015; VIDELA, 2017).

Os comportamentos repetitivos anômalos são os problemas de comportamento mais conhecidos no meio equestre (FRASER, 1992; FRASER, 2010). Em Heartland, um cavalo tinha o hábito de Bucking ou pinotear, movimentos que o equino realiza naturalmente em um momento aversivo de predação, mas se torna um problema comportamental a partir de um estímulo negativo. É um comportamento anormal classificado como reativo (FRASER, 2010; WARAN, 2007; McCREEVY, 2012). Pode ser um indicativo de dor (DYSON, THOMSON, 2021).

 

Terapias utilizadas na série

 

No livro especial da série, Amy´s Journal (Diário da Amy, em tradução livre) são contados mais detalhes sobre como a protagonista aprendeu como ajudar os cavalos que têm problemas comportamentais que chegam à fazenda Heartland. Em resumo, ela aprendeu tudo com a mãe, que tinha como visão a possibilidade de ensinar outras pessoas sobre os seus métodos, para estimular a formação de uma rede de pessoas que tratassem bem os equinos, e estas pudessem passar o conhecimento adiante e assim formar uma rede pelo bem-estar equino (BROOKE, 2009, pag. 77). Ela descreveu livros de não ficção na página 113 (BROOKE, 2009), entre eles do autor Monty Roberts, sobre comportamento equino, treinamentos e tratamentos complementares, como o de óleos essenciais, Florais de Bach, plantas medicinais e o T-Touch®. Isto é, apesar de ser uma série literária de ficção, ela foi escrita a partir de uma práxis de quem a escreveu. Mesmo que, nem sempre estes tratamentos mencionados fossem reconhecidos por toda comunidade científica e médica.

 

Plantas medicinais, fitoterapia e remédios caseiros

 

No especial Amy’s Journal (BROOKE, 2009), no capítulo 8, a protagonista conta sobre as principais plantas que utilizava nas alterações de comportamento, como menta e valeriana, a primeira para quando se come mais do que o desejado e a segunda como calmante ou para problemas físicos, como as plantas confrei, utilizadas para a parte óssea e tendínea, feno grego que ajuda no aumento do apetite, e o alho, que trata infecções no sistema respiratório. Já no capítulo 9, ela comenta outros remédios populares tradicionais como o mel, que é um dos mais conhecidos no Brasil (Quadros 3 e 4).

 

Quadro 3 – Remédios caseiros e a base de plantas medicinais utilizados na série de livros
Nome do paciente
Plantas medicinais e remédios populares utilizados nos tratamentos
Sugarfoot
Artemísia, alho e urtiga
Pegasus
Mel
Spartan
Mel
Promise
Valeriana
Dancer
Castanha, gritty gray, hortelã
Red
Mel e valeriana
Gipsy
Ervas (não especifica quais)
Fonte: os autores

 

Quadro 4 – Remédios naturais, sua utilidade nos livros e na pesquisa científica
Remédio/princípio*
Utilidade nos livros
Utilidade na pesquisa com equinos
Fonte
Mel
Calmante e energia
Feridas e antimicrobiano
Paganela et al. (2009); Bischofberger et al. (2012); Carnwath et al. (2014)
Valeriana
Calmante
Uma pesquisa etnobotânica para ansiedade em equinos
Lans et al. (2006)
Alho
Digestão e antimicrobiano
Anti Endoparasitário sem efeito; dermatofitose e associado ao gel de Aloe-vera, tendo um resultado positivo; é comumente inserido na alimentação de equinos, tem utilidade na saúde equina como potencial antimicrobiano, mas pode haver toxicidade; contribui no sistema respiratório, mas pode causar mudanças hematológicas após grandes períodos de uso
Buono et al. (2019); Ferdowsi, Afshar e Rezakhani (2012); Williams e Lamprecht (2008); Saastamoinen, Särkijärvi e Hyyppä (2019)
Artemísia
Estimulante de apetite
Não encontrado
Não encontrado
Hortelã
Calmante
Mudanças em marcadores da inflamação
Pearson, Fletcher e Kott (2011)
Urtiga
Estimulante de apetite
Não encontrado
Não encontrado
Castanha
Calmante
Não encontrado
Não encontrado
Legenda: *Os nomes das plantas ou remédios populares foram traduzidos para o português do inglês
Fonte: os autores

 

Foram encontradas poucas pesquisas em equinos, com exceção do alho e do mel, que têm como finalidade ação antimicrobiana em geral. Mas, a autora mencionou livros sobre o assunto para formar os casos clínicos dos livros dela, usou nome de remédios e plantas populares reais. Em um estudo etnobotânico veterinário, foi encontrada a batata-purga (Operculina hamiltonii) como estimulante de apetite para equinos na região no município de Bom Princípio, no estado brasileiro de Piauí (CASTRO et al., 2016). No caso de Heartland, a Urtiga foi utilizada como estimulante de apetite. Outro estudo nesta área, mas nos países de Trinidad e Tobago e no Canadá, as plantas para controle da ansiedade em equinos foram: Camomila, Maracujá, Lavanda, Valeriana, e outras poucas conhecidas do público brasileiro (LANS et al., 2006). Assim como utilizado por Lans e colaboradores (2006), Amy da obra literária utilizou Valeriana como terapia para ansiedade. É importante que cada vez mais tenham trabalhos empíricos nesta área, pois nem sempre há o uso correto das terapias, o que pode trazer prejuízos para a saúde equina, como é o caso da utilização prolongada do alho (SAASTAMOINEN, SÄRKIJÄRVI, HYYPPÄ, 2019).

 

Óleos essenciais (aromaterapia) e Florais de Bach

 

A aromaterapia e os Florais de Bach (Quadros 5 e 6) são apresentados no capítulo 9 do livro “Amy’s Journal” (BROOKE, 2009). De modo geral, a personagem Amy apresenta seus remédios favoritos e como medicar os equinos com esses remédios. Na aromaterapia, ela indica os óleos essenciais de Lavanda (calmante), Tea Tree (infecções e antifúngico), Pine (doenças respiratórias), Black Pepper (doenças do sistema locomotor) e Neroli (depressão, luto e tristeza), em preparados de 8 gotas do óleo essencial em um óleo base (Sweet almond), e de uso tópico para fazer massagens nos equinos. Algo interessante, assim como visto na série televisiva, era que o próprio animal escolhia a essência de seu medicamento: antes do tratamento há uma pré-seleção dos mais indicados ao caso, depois deixava-se o equino sentir o aroma, e era selecionado aquele que ele mais demonstrou interesse. Ainda há a explicação sobre os Florais de Bach, que tratam mais especificamente as questões de saúde, porém como foi relatado por Amy, há necessidade de entender muito bem o caso e estudar cada remédio, para uma melhor escolha. Ela dá exemplos, como o Rescue, que serve para momentos de emergência; o Larch que é mais utilizado para ansiedade e perda de confiança, e em caso de equino com fobia, pode se dar o Mimilus, assim como para ansiedade e nervosismo generalizado, ou o Rock Rose se há estado de pânico, como também o Cherry Plum se o medo está relacionado à agressividade, e por fim, se o equino tem medo de outro de sua espécie, o mais indicado seria o Red Chesnut.

 

Quadro 5 – Florais e óleos essenciais utilizados nos tratamentos dos animais na série
Nome/paciente
Florais de Bach
Óleos essenciais/ aromaterapia
Sugarfoot
Rescue
Malaleuca; Neroli
Pegasus
Rescue
Neroli, bergamota, Yarrow
Spartan
Walnut
Lavanda
Flint
Nenhum
Violeta
Gipsy
Nenhum
Lavanda
Fonte: os autores

 

Somente foram encontradas na literatura pesquisas aplicadas à aromaterapia de Lavanda e Malaleuca. O uso da lavanda condiz exatamente com o usado nas obras de Lauren Brooke. Contudo, o uso de Malaleuca na obra literária não condiz com o uso na prática. Quanto aos demais óleos essenciais, há estudos científicos na área da medicina humana, efeitos em microrganismos vivos e principalmente na fitoquímica. Na área veterinária, há o uso de óleo de Neroli para fungos que causam doenças de pele em cães em um ensaio in vitro, porém sem efeito desejado por este óleo, enquanto outros óleos foram efetivos (BISMARCK et al., 2019).

 

Quadro 6 – Óleos essenciais, sua utilidade nos livros e pesquisa científica
Óleo essencial
Utilidade nos livros
Pesquisa em equinos
Fonte
Lavanda
Calmante
Em pesquisas com os equinos, há o efeito de diminuição de estresse e até mitiga a estereotipia do passo de urso
Poutaraud et al. (2017); Ferguson, Kleinman e Browning (2013); Muñoz et al. (2018)
Neroli
Sistema respiratório, depressão/luto
Não encontrado
Não encontrado
Malaleuca
Sistema respiratório
Tratamento de dermatofitoses
Frye et al. (2019); Pisseri et al. (2009)
Bergamota
Depressão/luto (foi o escolhido pelo cavalo, mas sua ação é imunoestimulante, e equilibrador e motivador de emoções)
Não encontrado
Não encontrado
Yarrow
Depressão/luto
Não encontrado
Não encontrado
Violeta
Calmante
Não encontrado
Não encontrado
Fonte: os autores

 

Óleos de outras espécies vegetais foram estudados para animais não humanos. Ellse e Wall (2013) fizeram uma revisão de uso de aromaterapia para controle de ectoparasitas, mostrando-se uma terapia promissora, mas que deve ser mais pesquisada em nível de campo. Já para endoparasitas, foram testados óleos de Eucalipto (MACEDO et al., 2010) e Alecrim-pimenta (CAMURÇA-VASCONCELOS et al., 2008). Todavia, no caso dos livros de Heartland, a aromaterapia era voltada para problemas comportamentais. Novamente, cabe ressaltar que nessa obra literária, os cavalos eram quem escolhiam o óleo para seu tratamento. Em um estudo do comportamento desta espécie, foram dispostos nove diferentes tipos de óleos essenciais para que os animais cheirassem, e foi verificado o interesse diante deles, mediante o tempo em que cheiravam a essência, e assim foi visto que preferem os óleos das espécies Lavanda, Valeriana, Violeta, e Hortelã-pimenta dentre os óleos apresentados a eles (HURLEY et al., 2008). Isso pode sugerir que eles possuem mesmo preferência por determinadas essências.

Um artigo recente mostrou que há mudanças comportamentais e físicas nos equinos em contato com este tipo de tratamento, resultando em um efeito calmante (KOSIARA, HARRISON, 2021). Portanto, é plausível a aromaterapia, vista nas obras ficcionais estudadas neste artigo, sejam verídicas na realidade, mas deve ser destacado que há poucas pesquisas empíricas. No livro “Amy´s Journal” (BROOKE, 2009) são mencionados os livros usados e mais informações sobre os diversos usos que os óleos essenciais podem ter.

Quanto ao uso de Florais de Bach, nos livros de Heartland, foram identificados o uso do Rescue e Walnut (Quadro 5). O primeiro, Rescue, é utilizado em casos de necessidade urgente; em situações emocionais como estresse e medo físicos, em acidentes com animais, feridas e dor de cabeça (BEAR, BELLUCO, 2004) e o segundo, Walnut, em situações de mudanças com necessidade de adaptação (GRAHAM, VLAMIS, 2001). Na obra literária estudada, o floral Rescue foi o utilizado para o personagem Spartan, que sofreu um trauma emocional e precisou se adaptar à sua nova vida.

São poucas as referências do uso de Florais de Bach em equinos. Há algo em livros, mas em pesquisa empírica, foi encontrado apenas um artigo de relato de caso, no qual foram utilizados Florais de Bach e outras terapias não alopáticas em um pônei com o problema comportamental de agressividade, tendo sucesso somente após dois anos de tratamento (UNGLAUBE, 2013). Mesmo com poucas referências científicas do uso de Florais de Bach como forma terapêutica, há profissionais que utilizam os florais em terapias com humanos e não humanos, o que pode sugerir preferências ou satisfação daqueles que utilizam os Florais de Bach, apesar do ceticismo acerca desse tema no meio científico.

 

T-Touch®

 

Na obra literária estudada, aos 13 anos, a personagem Amy aprendeu a fazer a Técnica T-Touch® com a mãe, que havia feito um curso com a criadora da técnica, Linda Tellington-Jones (personalidade real). Em Heartland, a técnica é mencionada como fácil de se fazer, e que mostra resultados visíveis no comportamento dos animais. A técnica consiste em fazer círculos com os dedos no corpo do cavalo, principalmente na cabeça, relaxando-os (BROOKE, 2009). Na série de livros, este modo complementar de tratamento foi utilizado nos casos Sugarfoot, Pegasus, Dancer, Red e Flint, que além da saúde, o método também servia para criar laços afetivos entre as pessoas e os cavalos.

O método da Linda Tellington-Jones pode ser visto a partir de livros de sua autoria, como o The Ultimate Horse Behavior and Training Book (TELLINGTON-JONES, 2006) e em seu website (TELLINGTON-JONES, 2021), onde ela apresenta esta técnica em diversas espécies animais, além dos equinos, nos seus livros, cursos, eventos e casos. Na literatura científica, há poucos estudos referentes à técnica T-Touch®, porém os existentes demonstram resultados positivos. Em um estudo realizado com um equino, foi verificado que em um cavalo com problemas comportamentais, este método ajudou a diminuir o medo e a relaxar, auxiliando no manejo e contribuindo para uma melhor interação humano-cavalo (LUŠTREK, MAJERLE, POTOČNIK, 2017), e em outro estudo com equinos, foi verificado algo semelhante em um equino também com problemas de comportamento (POTOČNIK, MAJERLE, 2015). Em um estudo do uso do T-Touch® em cães, para diminuir o estresse na aferição da pressão sanguínea provocada pelo medo do veterinário, concluiu-se que a aplicação do T-Touch® reduziu o valor da pressão arterial nos cães (SCHWEBL, 2016). Em um zoológico, a técnica T-Touch® se mostrou um método interessante para trazer bem-estar e controlar a dor em girafas (PHELPS, 2008). Assim, a técnica T-Touch® utilizada nos tratamentos dos equinos na obra de ficção pode ser aplicada na realidade, de acordo com bases empíricas. Porém, são necessários mais trabalhos científicos que comprovem os benefícios da aplicação desta técnica e assim dar a ela mais visibilidade.

 

Conclusão e considerações finais

 

Na série de livros de ficção Heartland de Lauren Brooke, há casos clínicos comportamentais de cavalos, sendo que os diagnósticos e os tratamentos presentes nos livros podem ser considerados como plausíveis na realidade. Contudo, há poucos estudos científicos dos tratamentos utilizados nos livros na medicina equina e na medicina como um todo, contando mais com o conhecimento popular e livros práticos sobre o assunto. Isso pode levar à utilização de tratamentos não adequados ou de formas errôneas, podendo prejudicar a saúde dos cavalos. A falta de bases científicas também leva ao ceticismo das terapias por profissionais, inviabilizando o uso de técnicas que poderiam trazer bons resultados aos pacientes. Portanto, é necessária uma visão crítica ao ler as obras ou assistir a séries televisivas. Porém, estas obras de literatura de ficção apresentam ao público terapias e criam também uma ideia da importância do bem-estar dos equinos, ao conhecer mais das emoções e subjetividades desses animais, e da influência da relação humano-cavalo neste contexto. Assim, as obras literárias de ficção podem também contribuir com o desenvolvimento de pesquisas científicas e estimular uma melhor interação com os animais não humanos.

 

Agradecimentos

 

À CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) pela bolsa de doutorado concedida e pelos livros e a série televisiva Heartland por terem sido uma inspiração profissional e de uma busca para um contato melhor com os equinos.

 

Conflitos de interesse

 

Não houve conflito de interesses dos autores.

 

Contribuição dos autores

 

João Paulo Novelletto Pisa – ideia original, leitura e interpretação das obras e escrita; Sharon Muriel Zantut Jansen – escrita e correções; Denise Pereira Leme – orientação, correções e revisão do texto.

 

Referências bibliográficas

 

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Recebido em 7 de agosto de 2021

Retornado para ajustes em 3 de setembro de 2021

Recebido com ajustes em 3 de setembro de 2021

Aceito em 8 de setembro de 2021

Diagnóstico de ectima contagioso em pequenos ruminantes através da Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real

Revista Agrária Acadêmica

Agrarian Academic Journal

doi: 10.32406/v4n5/2021/4-11/agrariacad

 

Diagnóstico de ectima contagioso em pequenos ruminantes através da Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real. Diagnosis of contagious ecthyma in small ruminants through the Real Time Polymerase Chain Reaction.

 

Rosana  Léo  de  Santana1

 

1- Médica Veterinária, Doutora em Ciência Veterinária pelo Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária, UFRPE, Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n – Dois Irmãos CEP.: 52.171.900 – Recife-PE. E-mail: rosanaleosantana@gmail.com

 

Resumo

O vírus do ectima contagioso (ECV), também conhecido como orf vírus (ORFV), é o  agente  etiológico  do  ectima  contagioso  (EC)  dos  ovinos  e  caprinos,  e  pertence  ao  gênero Parapoxvírus, da   família Poxviridae.   Em   certos   casos,   o   EC   pode   ser   confundido   com enfermidades vesiculares, havendo assim, a necessidade de sua diferenciação, sobretudo porque, segundo as normas do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA), os caprinos e  ovinos  não  são  vacinados  contra  a  Febre  Aftosa  (FA),  atuando  como  animais  sentinelas. Embora  estudos  iniciais  tenham  demonstrado  a  utilidade  da  reação  em  cadeia  de  polimerase (PCR) como teste diagnóstico, ainda não há estudos sobre sua utilização envolvendo amostras de campo brasileiras, que podem ser geneticamente diferentes das já estudadas. Este  trabalho  foi  conduzido  com  o  objetivo  de  padronizar  uma PCR  em  tempo  real  (qPCR) utilizando  o  corante  SYBR  Green  I  para  diagnóstico  molecular  de  EC diretamente  a partir  de DNA  extraído  de  lesões  do  animal  afetado  ou  de  cultivo  celular  inoculado  com  amostras  de campo. Os  produtos  da  qPCR  foram  detectados  com  a  análise  da  curva  de  dissociação  que mostrou  um pico  a 88 ºC,  indicativo  de  que  as  amostras  positivas  têm  apenas  um  produto  de amplificação  específico. Todas  as  amostras  de  DNA  testadas  (crostas  de  29  animais  e  seus respectivos  cultivos  celulares)  foram positivas  na  qPCR.  A  qPCR  foi  capaz  de  detectar  o  DNA até, no mínimo, a diluição de 10.000 vezes, correspondendo a 0,056 ng do DNA. Acredita-se que com  as  adicionais  validações  a  qPCR  relatada  neste  trabalho  poderá  ser  empregada  para  o diagnóstico diferencial nas ações de vigilância sanitária do PNEFA.

Palavras-chave: Parapoxvírus. qPCR. Vírus ORF.

 

Abstract

The  virus  of  contagious  ecthyma  (CEV),  also  known  as  orf  virus  (ORFV)  is  the etiological agent of contagious ecthyma (CE) in sheep and goat and belongs to the Parapoxvirus genus, family Poxviridae. In some cases, CE can be confused with vesicular diseases so there is need  for  differentiation especially  because,  according  to  the  standards  of  the  National  Program for  the  Eradication  of  FMD  (PNEFA),  goats  and  sheep are  not  vaccinated  against  Foot  and Mouth  Disease  (FMD),  acting  as  sentinel  animals.    Although  initial  studies  have  demonstrated the  usefulness  of  the  polymerase  chain  reaction  (PCR)  as  a  diagnostic  test,  there  are  no  studies involving  its  use  on  Brazilian  field  samples,  which  may  be  genetically  distinct  from  previously studied  samples,  as  described  in  a  study  of  restriction  sites analysis  of  Brazilian CE samples. This work  was  conducted  with  the  goal  of standardizing  a  PCR  (qPCR)  test  using SYBR  Green  I  dye  for molecular  diagnosis  of  EC  in  DNA  extracted  from  lesions  of affected animal  or  cell  culture  inoculated  in  field  samples.  The  products  were  detected  with  qPCR dissociation curve analysis which showed a peak at 88 ºC indicating that positive samples have only one specific amplification product. All DNA samples tested (29 animals crusts and their cell cultures)  were  positive  in  the  qPCR.  The  qPCR  was  able  to  detect  the  DNA  of at  least  10,000 times  dilution  corresponding  to  0.056  ng  of  DNA.  It  is  believed  that  with  the  additional  qPCR validations reported  in  this  study,  it can  be  used  for  differential  diagnosis  in  the  health surveillance of PNEFA.

Keywords: Parapoxvírus. qPCR. Orf virus.

 

 

Introdução

 

Ectima contagioso (EC), também conhecido como ORF, é uma virose aguda que acomete caprinos  e  ovinos,  amplamente  disseminada  em  todo  mundo,  inclusive  no  Brasil, onde foi descrito   pela   primeira   vez   em   São   Paulo   (GUIMARÃES,   1939)   e,   posteriormente,   em Pernambuco (TORRES, 1943) e Rio Grande do Sul (GUERREIRO, 1954). Tem sido descrito no Ceará (ARITA et al., 1986), Minas Gerais, Rio de Janeiro (MAZUR e MACHADO, 1990), Rio Grande  do  Sul  (SALLES  et  al.,  1992),  São  Paulo  (LANGONI  et  al.,  1995;  CARTROXO  et  al., 2002), Pernambuco (OLIVEIRA et al., 1998) e Mato Grosso (ABRAHÃO et al., 2009). A doença pode  ainda  afetar  o  homem,  sendo  considerada  uma  doença  de  interesse  à  saúde  pública (BARRAVIEIRA et al., 2005; NANDI et al., 2011).

O vírus do ectima contagioso (ECV) pertence à família Poxviridae, gênero Parapoxvírus, estreitamente   relacionado   aos   vírus   da   estomatite   papular   bovina, pseudocowpox vírus   e parapoxvírus da  corça  vermelha na Nova  Zelândia  (PVNZ)  (NANDI  et  al.,  2011).  O  vírus  é epiteliotrópico e  altamente resistente às  condições  ambientais,  geralmente  adversas  para  a maioria dos vírus, como o ressecamento (PASTORET e BROCHIER, 1990). A mutação do vírus e como isso poderia afetar a saúde pública não é conhecida (CÁRDENAS, 2020).

A cepa mais estudada sob o ponto de vista molecular é a NZ2, isolada na Nova Zelândia. O genoma  apresenta  de  139  a  160  quilo pares  de  base  (kpb) e  é estreitamente  relacionado  ao genoma de outros poxvírus (DELHON et al., 2004). A organização do genoma do ECV exibe o padrão geral de outros poxvírus, consistindo em uma região central, que contém genes essenciais e conservados, e   terminais,   que   contém   genes   geralmente relacionados   à virulência   e à patogênese  (NANDI  et  al.,  2011). O  gene  B2L é  conservado, compreende  cerca  de  1.206  pb, codifica  uma  proteína  do  envelope  viral  de  42  kDa  e  está  situado  na  região  central  do  genoma, sendo  o mais  usado  para  detecção  de  ECV pela  reação  em  cadeia  da  polimerase (PCR)  em amostras clínicas, devido sua alta conservação entre as espécies (INOSHIMA et al., 2000).

A PCR é  reconhecida  como  um  método  de  diagnóstico  molecular  estável,  rápido  e sensível para a detecção de ácidos nucléicos e pode ser utilizada mesmo quando a disponibilidade de  amostra  é  pequena.  A  PCR  identifica  animais  verdadeiramente  infectados  e  não  apenas soropositivos  (NITSCHE et  al., 2006). Ensaios  de diluição seriada e  de  placa já foram bastante utilizadas para quantificar o vírus. Porém são demorados e trabalhosos e, geralmente, não podem ser  usados para amostras de  campo  de ECV que  não se  adaptaram  ao crescimento in  vitro. Portanto, a PCR convencional baseada na amplificação de parte do gene B2L (SULLIVAN et al., 1994) foi desenvolvida para detectar as espécies de parapoxvírus conhecidas e, em conjunto com o sequenciamento de DNA, podem ser utilizadas para diferenciação das espécies (INOSHIMA et al.,  2000). Diferentes  protocolos  de  PCR  convencional  foram  desenvolvidos  para  diagnóstico rápido de infecções por  ECV (TORFASON  et al., 2002; ABRAHÃO  et  al., 2009,  INOSHIMA et  al.,  2000). Atualmente,  além  dos  usos  da  PCR  convencional, a PCR  em  tempo  real (qPCR) tem-se revelado precisa e eficiente  para  quantificação  de  DNA,  permitindo  estabelecer sua correlação com  o  título  viral,  inclusive  do ECV,  mesmo  de  amostras  de  campo  que  não  se repliquem in vitro (GALLINA et al., 2006). As qPCRs desenvolvidas para detecção do DNA do ECV usam sondas específica  para região mais interna do gene B2L (NITSCHE et al., 2006; GALLINA   et   al.,   2006;   BANKOWSKI   et   al.,   2004). Embora   estudos   iniciais   tenham demonstrado  sua  utilidade  como  teste  de  diagnóstico,  ainda  não  há  estudos  sobre sua  utilização envolvendo  amostras  brasileiras,  que  podem  ser  geneticamente  diferentes  das  já  estudadas, conforme previamente descrito em um estudo com análise de restrição.

O   controle   da   enfermidade se   fundamenta, principalmente,  na  vacinação  dos  animais  em  áreas  endêmicas (HONORATO et al., 2018); porém, dentre os entraves tecnológicos para a produção de vacinas, destaca-se a dificuldade de replicação do vírus em cultivo celular (SANTANA, 2019) e estudos in  vitro utilizando  amostras  de  ECV  têm  sido realizados, entre elas, células  de  córnea  fetal  caprina (SANTANA, 2021).

Baseado no exposto, este trabalho foi conduzido com o objetivo de padronizar uma qPCR utilizando  o  corante  SYBR  Green I  para  diagnóstico  molecular  de  EC  em  amostras  clínicas  e isoladas em culturas de células.

 

Material e métodos

 

Amostras

 

Foram  utilizadas amostras  de  DNA  extraídas  de crostas  de  22  ovinos  e  de  sete  caprinos com sintomatologia  clínica  de  EC,  originários  dos  Estados  de  Pernambuco,  Paraíba,  Bahia  e Sergipe,  bem  como  de  cultivos  de  células  CorFC  inoculadas  com essas  amostras. A quantidade de  DNA  nas  amostras  foi determinada por  espectrofotometria,  de  acordo  com  as  instruções  do fabricante (Qubit Fluorometrer; Life Tecnologies, USA).

 

Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real (qPCR)

 

Para a realização da qPCR foram utilizados os primers PPP-3 (5’-gcg agt cc gaga aga ata cg-3’) e PPP-4 (5’-tac  gtg  gga  agc  gcc  tcg  ct-3’), denominados pan-parapoxvírus,  descritos  por Inoshima et al. (2000), que amplificam um fragmento de 235 pb do gene B2L do ECV.

A  reação  qPCR  foi  realizada  no  termociclador  em  tempo  real – Line-Gene K-software (Hangzhou Bioer Technology Co., Ltd-China) utilizando o corante SYBR Green I, inespecífico que se liga a  qualquer  DNA  dupla  fita  (e  ROX  como  referência  passiva).  Os  produtos  da  qPCR  foram detectados  com  a  análise  da  curva  de dissociação,  realizada  posteriormente à corrida  da  PCR, aumentando a temperatura lentamente 60-95 ºC (0,5C/s) e através da medição da fluorescência de forma contínua. A  Line-Gene K-software FQD-48 foi utilizada para a análise e interpretação dos  resultados.  A  reação  incluiu  2 L  do  DNA  extraído,  primers  PPP3 –PPP4  (10  pmols  de cada),  12,5 L  Quantifast  SYBR  Green  Master  Mix  (Qiagen,  Alemanha),  água  adicionada para um volume final de 25 L.

Foram   testadas   algumas   condições   de   ciclagem,   onde   diferentes   temperaturas   de anelamento, número de ciclos e tempo de extensão foram modificados. Após experimentação, os melhores  resultados  foram  obtidos  com  a  PCR  realizada  nas  seguintes  condições  de  ciclagem: uma etapa de desnaturação inicial a 95 ºC por 5 min, seguido por 35 ciclos de amplificação  (95 ºC  por  10 s  e  60 ºC por  30  s). Controles sem  o  DNA  alvo (no  template  control – NTC)  foram incluídos em cada PCR, para detectar resultados falso-positivos devido à contaminação. Todos os ensaios foram realizados em duplicatas.

 

Sensibilidade e especificidade analíticas da qPCR

 

A sensibilidade analítica da qPCR foi determinada com base  em uma curva de detecção, onde foram realizadas diluições seriadas (1:10, 1:100, 1:1.000, e 1:10.000) em duplicata, a partir de uma concentração inicial do DNA de 560 ng a partir da amostra BrSE1.01 considerada como controle  positivo.  A  especificidade  analítica  foi  avaliada  com  base  no  sequenciamento  do fragmento  de  DNA  de  235  pb  correspondente  ao  gene  B2L  do  ECV  de  26  amostras utilizando ABI 3100 (Applied Biosystems, EUA).

 

Resultados e discussão

 

Foi proposto aperfeiçoar uma qPCR para diagnosticar ECV diretamente a partir de DNA extraído de lesões do animal afetado ou de cultivo celular inoculado com amostras de campo. Os produtos  da  qPCR  foram  detectados  com  a  análise  da  curva  de dissociação.  Uma  vez  que  foi usado  SYBR  Green  I  como  corante  intercalante  de  DNA, a análise  da  curva  de  dissociação  é essencial para determinar a especificidade dos resultados. A presença de  pico a 88 ºC no gráfico mostra que as amostras positivas tem apenas um produto de amplificação específico (figura 1), e controles negativos não tem nenhum produto.

 

Figura 1. Curva de sensibilidade (ou detecção) utilizando diluições seriadas (1:10, 1:100, 1:1000, 1:10.000) com concentração inicial do ECV de 560 ng da amostra BrSE1.0, em duplicata.

 

Todas  as  amostras  de  DNA testadas  (crostas  de  29  animais  e  seus  respectivos  cultivos celulares) foram positivas na qPCR, com base na curva de dissociação. Na Figura 2A observa-se o  resultado  obtido  para  a  curva  de dissociação das  amostras  dos  Estados  de  Sergipe,  Bahia  e Paraíba;  Estado  de  Pernambuco  (Figura 2B  e  2C), onde  observa-se  o pico  gerado  entre  as temperaturas  de 88 ºC resultado  da amplificação  de  produto  específico  para ECV  e  controle negativo (NTC)  sem  amplificação  de  produtos. Essas  amostras foram  testadas  previamente utilizando-se uma PCR convencional adaptada de Inoshima et al. (2000) e apresentaram resultado positivo.

 

Figura 2. Curva de dissociação. (A) Amostras positivas com produto de amplificação específico para  ECV  dos Estados  de  Sergipe  (BrSE1.01,  BrSE1.02,  BrSE1.03,  BrSE2.01,  BrSE2.02); Paraíba  (BrPB  1.01,  BrPB1.02,  BrPB  1.03,  BrPB  1.04)  e  Bahia  (BrBA  1.01,  BrBA  1.02)  e controle negativo. (B) Amostras positivas com produtos de amplificação específico para ECV do Estado de Pernambuco (BrPE1.01, BrPE3.01, BrPE3.02, BrPE4, BrPE2.01, BrPE2.02, BrPE2.03, BrPE2.04,  BrPE2.05,  BrPE2.06)  e  controle  negativo. (C) Amostras  positivas  com  produtos  de amplificação  específico  para  ECV do  Estado  de Pernambuco (BrPE2.12,  BrPE2.13,  BrPE2.14, BrPE1.02, BrPE2.10, BrPE2.11, BrPE2.07, BrPE2.08, BrPE2.09, BrPE5) e controle negativo.

 

Existem  alguns  estudos utilizando a qPCR para  a  detecção  de ECV e Parapoxvírus (GALLINA et al.,  2006; NITSCHE et al.,  2006)  utilizando  sondas  específicas  para  o  vírus.  Nossos resultados  são os  primeiros  a utilizar o  corante SYBR Green I  ao  invés  de sondas. O SYBR Green  I  é  a  alternativa  mais  viável  para  o  diagnóstico  de  amostras  de  campo  em  larga  escala, sendo  por  isso,  o  produto  selecionado para  realização  do  presente  estudo,  o  que  torna  o diagnóstico por qPCR economicamente viável. Adicionalmente, a qPCR oferece várias vantagens em  relação  à  PCR  tradicional,  por  se  tratar  de  um  sistema  fechado,  no  qual  a  amplificação  de DNA é  realizada  e detectada em um único tubo  que permanece fechados durante  a execução de todo   o   processo,   evitando   processamento   pós-amplificação,   como   a   eletroforese   em   gel, diminuindo o risco de contaminação (GOMES et al., 2006).

A figura  1 apresenta  a  curva  de  sensibilidade analítica da  qPCR,  onde  foram  realizadas diluições  seriadas do  DNA  de  uma  amostra. A qPCR foi  capaz  de  detectar  o  DNA  até, no mínimo,  a  diluição  de  10.000  vezes,  correspondendo a  0,056 ng  do  DNA. A  análise  das sequências  demonstrou  similaridade  de 93% com a  sequência de  referência AY386263.1  e  de 99%  entre si,  o  que  confirma  a  alta  especificidade  analítica  da  qPCR.  Para  se  validar  um  teste diagnóstico,   além   da   sensibilidade   e   da   especificidade   analíticas,   deve-se   determinar   a sensibilidade e a especificidade diagnósticas, com base em testes de um número significativo de animais  da  população  onde  o  teste  será  aplicado  (OIE  Terrestrial  Manual,  2021).  A  qPCR apresentou  resultado  positivo  em  todas  as  amostras  processadas  a  partir  das  crostas  de  animais clinicamente afetados, o que sugere ser um teste altamente sensível. Para definitiva validação da qPCR  é  necessário  testar  maior  número  de  amostras  de  animais  afetados  e  de  animais  de rebanhos livres de EC.

Para o diagnóstico  de parapoxvírus exames  sorológicos  ou  moleculares  podem  ser utilizados. Existem limitações nos testes sorológicos, pois se trata de uma doença geralmente de evolução  aguda  e devido  ao  fato  de  que  membros  do  gênero parapoxvírus são  intimamente relacionados  antigenicamente  e,  muitas  vezes,  estes  ensaios  sorológicos  não  são  eficazes  para detecção de qual agente etiológico está causando a dermatite nos animais (NANDI et al., 2011).

Segundo as normas do PNEFA (2017) caprinos e ovinos não devem ser vacinados contra  a  Febre  Aftosa,  permanecendo  como  animais  sentinela.  Essa  condição  é  essencial  para  a realização  dos  inquéritos  sorológicos  durante  os  processos de  certificação  pela  OIE,  bem  como para  detecção  de  circulação  viral  nos  casos  de  introdução  do  vírus  da  Febre  Aftosa  em  uma determinada região. Nesses casos deve-se dispor de um teste rápido e direto de diagnóstico, que possa ser empregado em certa escala, como a qPCR. EC é uma doença que pode ser confundida com  as  enfermidades  vesiculares,  como  a  Febre  Aftosa. Acredita-se  que  com  as  adicionais validações  a  qPCR  relatada  neste  trabalho  poderá  ser  empregada  para  o  diagnóstico  diferencial nas ações de vigilância sanitária do PNEFA.

 

Conclusões

 

O aperfeiçoamento da técnica de Reação em Cadeia da Polimerase  em Tempo Real para fins de diagnóstico de campo indicou ser um método eficiente para confirmação de infecção por ECV em amostras clínicas, demonstrando a presença de cepas de ECV circulando nos Estados de PE, SE, BA e PB. E que nossos atuais resultados são pioneiros em utilizar o corante SYBR Green I ao  invés  de  sondas  específicas,  proporcionando  teste  diagnóstico  menos  oneroso  para  os laboratórios  veterinários,  uma  vez  que  o  corante  SYBR  Green  I  apresenta  um  custo  cerca  de três vezes  menor  que o  das  sondas  específicas,  viabilizando  assim  o  uso  desta  técnica  para  fins diagnósticos.

 

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Recebido em 28 de março de 2021

Retornado para ajustes em 30 de maio de 2021

Recebido com ajustes em 2 de agosto de 2021

Aceito em 31 de agosto de 2021