Revista Agrária Acadêmica
doi: 10.32406/v9n3/2026/1-17/agrariacad
Caracterização e avaliação do manejo e bem-estar de cavalos (Equus ferus caballus) de vaquejada no Estado da Paraíba, Brasil. Characterization and evaluation of management practices and welfare of vaquejada horses (Equus ferus caballus) in the State of Paraíba, Brazil.
Ellen Vitória Barbosa do Carmo
1*, Haylla Silva Alves
2, Millena Araújo de Farias
3, Anadélia Pinto Viana Correia
3, Carlos Alberto Queiroz de Aquino
3, Jéssica Luana de Medeiros Silva
3, Edvaldo Sebastião da Silva
4, Ruy Brayner de Oliveira Filho
5, Isabella de Oliveira Barros
6, Natália Matos Souza Azevedo
7
1*- Discente de Medicina Veterinária, Centro de Ciências Agrárias – CCA
, Universidade Federal da Paraíba – UFPB , Areia/PB – Brasil. Autor para correspondência. E-mail: barbosaellen55@gmail.com
2- Mestranda em Ciência Animal, CCA, Universidade Federal da Paraíba – UFPB
, Areia/PB – Brasil.
3- Médico(a) Veterinário(a), CCA, Universidade Federal da Paraíba – UFPB
, Areia/PB – Brasil.
4- Mestrando em Ciência Animal, CCA, Universidade Federal da Paraíba – UFPB
, Areia/PB – Brasil.
5- Mestre em Ciência Animal Tropical, CCA, Universidade Federal da Paraíba – UFPB
, Areia/PB – Brasil.
6- Doutora em Ciência Animal, CCA, Universidade Federal da Paraíba – UFPB
, Areia/PB – Brasil.
7- Doutora em Medicina Veterinária, CCA, Universidade Federal da Paraíba – UFPB
, Areia/PB – Brasil.
Resumo
A vaquejada é uma prática tradicional do Nordeste brasileiro que envolve a utilização de cavalos em competições, com impacto significativo na economia e na cultura regional. Este estudo teve como objetivo caracterizar e avaliar as condições de manejo e bem-estar dos cavalos utilizados na vaquejada no Estado da Paraíba, com ênfase na alimentação, infraestrutura, cuidados veterinários e monitoramento da saúde. A metodologia consistiu na aplicação de um questionário estruturado a criadores de cavalos de diferentes municípios, abordando aspectos como acesso à água potável, frequência alimentar, monitoramento da condição corporal, cuidados sanitários, e adequação das instalações. Os dados foram analisados de forma descritiva, com base em frequências e porcentagens. Os resultados indicaram que, em geral, os criadores demonstram preocupação com as necessidades básicas dos animais, como alimentação adequada e oferta de água sem restrições. No entanto, foram identificados pontos críticos, como a ausência de enriquecimento ambiental e a presença de riscos estruturais, como pisos escorregadios e pregos expostos. A pesquisa também revelou que muitos criadores não realizam acompanhamento veterinário regular, o que pode comprometer o bem-estar dos cavalos. A conclusão do estudo destaca que, embora a maioria dos criadores esteja adotando boas práticas, há a necessidade de ajustes no manejo, especialmente no que se refere ao enriquecimento ambiental, segurança das instalações e cuidados veterinários, para garantir uma melhoria contínua nas condições de vida e no desempenho dos cavalos em competições de vaquejada.
Palavras-chave: Equinos. Desempenho de cavalos. Saúde de cavalos.
Abstract
Vaquejada is a traditional practice in Northeastern Brazil that involves the use of horses in competitive events, with significant impacts on the regional economy and culture. This study aimed to characterize and evaluate the management conditions and welfare of horses used in vaquejada in the state of Paraíba, Brazil, with emphasis on feeding practices, infrastructure, veterinary care, and health monitoring. The methodology consisted of applying a structured questionnaire to horse breeders from different municipalities, addressing aspects such as access to potable water, feeding frequency, body condition monitoring, sanitary care, and adequacy of facilities. Data were analyzed descriptively based on frequencies and percentages. The results indicated that, in general, breeders demonstrate concern for the animals’ basic needs, such as adequate nutrition and unrestricted access to water. However, critical issues were identified, including the absence of environmental enrichment and the presence of structural risks, such as slippery floors and exposed nails. The study also revealed that many breeders do not carry out regular veterinary monitoring, which may compromise horse welfare. In conclusion, although most breeders adopt good management practices, adjustments are still required, particularly regarding environmental enrichment, facility safety, and veterinary care, in order to ensure continuous improvement in both the living conditions and the performance of horses used in vaquejada competitions.
Keywords: Equines. Horse performance. Horse health.
Introdução
A vaquejada é uma prática tradicional brasileira, originada das atividades de manejo do gado no sertão nordestino, quando os vaqueiros utilizavam cavalos para conduzir, apartar e capturar bovinos em áreas extensas. Com o passar do tempo, essa prática deixou de se restringir ao cotidiano das fazendas e consolidou-se como manifestação cultural, modalidade esportiva e atividade de relevância econômica em diferentes estados do país (FELIX e ALENCAR, 2011). No Brasil, a vaquejada envolve uma ampla cadeia produtiva, incluindo criadores, competidores, treinadores, tratadores, médicos-veterinários, comerciantes e organizadores de eventos, sendo especialmente expressiva na região Nordeste (SANTOS, 2017). Ao mesmo tempo, a atividade tem sido alvo de discussões científicas, jurídicas e éticas, principalmente em relação ao manejo, ao desempenho e ao bem-estar dos animais envolvidos (FALEIROS e ALVES, 2016; BRASIL, 2017; BRASIL, 2019).
Estudos realizados em diferentes estados brasileiros têm abordado a vaquejada sob diversas perspectivas, incluindo aspectos fisiológicos, sanitários, produtivos e relacionados ao bem-estar animal (LOPES et al., 2009; SILVA, 2017). Essas pesquisas evidenciam que os cavalos utilizados nessa modalidade estão sujeitos a rotinas específicas de treinamento, transporte, alojamento, alimentação e competição, fatores que podem influenciar diretamente sua condição física, seu equilíbrio fisiológico e sua qualidade de vida. Dessa forma, a avaliação das condições de manejo dos equinos de vaquejada torna-se necessária para identificar fatores de risco, propor melhorias nas práticas adotadas e fortalecer uma abordagem mais ética e sustentável da atividade (SCARPELLI et al., 2023).
No Nordeste brasileiro, especialmente no Estado da Paraíba, a vaquejada apresenta expressiva relevância cultural e econômica (HOLANDA e SARAIVA, 2023). Nessa atividade, os cavalos (Equus ferus caballus) desempenham papel central na realização das provas, o que exige preparo físico, treinamento adequado, transporte seguro, alojamento apropriado, alimentação balanceada, assistência veterinária e períodos de descanso (MELO et al., 2022). Assim, as condições de manejo adotadas antes, durante e após os eventos podem influenciar diretamente a saúde e o bem-estar dos equinos, bem como seu desempenho nas competições (BRASIL, 2015).
Estudos indicam que práticas de manejo inadequadas podem afetar a saúde e o bem-estar dos cavalos, provocando alterações físicas, comportamentais e aumento da suscetibilidade a doenças (OLIVEIRA e BARBOSA, 2023). No contexto da vaquejada, portanto, é essencial avaliar as condições em que os animais são mantidos, treinados e utilizados, a fim de garantir sua qualidade de vida e reduzir possíveis impactos negativos decorrentes da atividade (GARCIA e CAMURÇA, 2018).
O bem-estar de cavalos de trabalho, como aqueles usados na vaquejada, é um tema amplamente discutido na literatura científica. Broom (2010) define o bem-estar animal como a condição do indivíduo em relação às suas tentativas de adaptação ao ambiente, envolvendo aspectos físicos, fisiológicos e comportamentais. Esse conceito inclui, entre outros fatores, alimentação adequada, condições ambientais que favoreçam a saúde física e mental, possibilidade de expressar comportamentos naturais e cuidados veterinários regulares. No entanto, estudos realizados por Melo et al. (2022) e Lopes et al. (2009) destacam que, em muitos contextos rurais no Brasil, os animais podem ser submetidos a condições de manejo que não atendem plenamente a esses critérios, o que pode resultar em estresse, doenças, desnutrição, lesões e comportamentos estereotipados.
A avaliação das condições de manejo de equinos deve incluir a análise de diversos fatores, como acesso à água potável, qualidade e frequência da alimentação, monitoramento da condição corporal, presença de sinais de desnutrição e adequação do espaço onde os animais permanecem (MARTINS et al., 2021). Além disso, a infraestrutura dos estábulos ou baias, a segurança do ambiente, a regularidade de cuidados como vermifugação, vacinação, manutenção dos cascos e acompanhamento médico-veterinário são aspectos essenciais para garantir o bem-estar dos animais (SCARPELLI et al., 2023).
Apesar da relevância cultural, esportiva e econômica da vaquejada no Brasil, especialmente no Nordeste, ainda são necessárias investigações regionais que caracterizem as condições específicas de manejo e bem-estar dos cavalos utilizados nessa atividade. A adoção de práticas inadequadas pode afetar negativamente a saúde dos animais, comprometendo não apenas seu bem-estar, mas também seu desempenho nas provas (OLIVEIRA e BARBOSA, 2023). Nesse sentido, melhorias nas condições de manejo podem contribuir para a redução de lesões, estresse e doenças, além de promover práticas mais éticas e sustentáveis na vaquejada (FALEIROS e ALVES, 2016).
A presente pesquisa visa preencher a lacuna existente sobre o tema no Estado da Paraíba, contribuindo com informações que possam subsidiar melhorias no manejo e no bem-estar dos cavalos utilizados na vaquejada. Este trabalho tem como objetivo caracterizar e avaliar o manejo e o bem-estar de cavalos de vaquejada no Estado da Paraíba. A hipótese deste estudo é que as condições de manejo dos cavalos utilizados em vaquejada, especialmente no que diz respeito à alimentação, espaço, cuidados veterinários e infraestrutura dos estábulos, estão próximas do ideal para garantir o bem-estar desses animais. Dessa forma, o estudo contribui para ampliar o conhecimento sobre a atividade no contexto regional e para subsidiar práticas mais sustentáveis e éticas, considerando a importância cultural e econômica da vaquejada.
Material e métodos
O presente estudo foi conduzido com enfoque exploratório-descritivo e abordagem quantitativa, visando avaliar as condições de manejo e o bem-estar de cavalos utilizados em vaquejada em propriedades rurais da Paraíba. A pesquisa foi baseada na aplicação de um questionário estruturado a criadores de cavalos de diferentes regiões do Estado, buscando contemplar diversidade regional e representatividade geográfica.
A população do estudo compreendeu cavalos adultos utilizados em atividades de vaquejada no Estado da Paraíba, sendo os criadores ou responsáveis pelo manejo diário dos animais os participantes da pesquisa. Para a caracterização dos equinos, foram consideradas informações referentes à raça, idade e sexo, obtidas por meio do questionário aplicado aos responsáveis. Foram incluídos animais de diferentes padrões raciais utilizados na vaquejada, incluindo equinos da raça Quarto de Milha, mestiços e animais sem raça definida, com idades compatíveis com a fase adulta e em plena atividade esportiva. Quanto ao sexo, foram considerados machos, fêmeas e machos castrados, conforme a composição dos animais mantidos nas propriedades avaliadas.
O questionário continha perguntas relacionadas ao acesso à água potável e limpa, frequência e qualidade da alimentação, condição corporal, infraestrutura das baias e estábulos, espaço disponível, abrigo, cuidados veterinários, manutenção de cascos, sinais de estresse e reações ao manejo humano. Também foram consideradas informações sobre as condições gerais de criação e manejo, permitindo avaliar aspectos associados ao bem-estar animal.
A seleção das propriedades e criadores ocorreu de forma a abranger diferentes regiões do Estado, permitindo uma análise abrangente das práticas de manejo e das condições de bem-estar dos cavalos. A aplicação do questionário foi realizada com o auxílio do pesquisador para esclarecimentos, garantindo que todas as informações fossem registradas de forma correta.
Os dados obtidos foram analisados de forma descritiva, por meio de frequência e porcentagem das respostas, permitindo identificar padrões gerais relacionados ao perfil dos animais, às práticas de manejo e às condições de bem-estar. A discussão dos resultados foi realizada com base nas referências teóricas, relacionando as práticas observadas com conceitos de manejo adequado e bem-estar animal.
Todos os procedimentos adotados seguiram as normas éticas de pesquisa com animais e seres humanos, garantindo a confidencialidade das informações, o consentimento dos participantes e o respeito às práticas culturais locais.
Resultados e discussão
A amostra composta por 49 respondentes, distribuídos em diferentes municípios da Paraíba, permitiu caracterizar as práticas de manejo de cavalos utilizados na vaquejada em distintos contextos produtivos, conferindo representatividade aos dados obtidos.
A maioria dos criadores relatou fornecer acesso irrestrito à água potável (93,9%) (Gráfico 1), aspecto fundamental em regiões de clima quente, onde a hidratação adequada contribui diretamente para a termorregulação e manutenção do desempenho dos equinos (PALUDO et al., 2002; AAEP, 2026).
Gráfico 1 – Disponibilidade de água potável para cavalos de vaquejada em propriedades rurais da Paraíba.

A hidratação constante é crítica para a saúde digestiva e para a prevenção de desidratação, condições associadas a distúrbios metabólicos e de performance. As recomendações de manejo em equídeos atletas reforçam esse ponto (AAEP, 2024).
A frequência alimentar predominante de três vezes ao dia (84%) (Gráfico 2), associada ao uso de ração comercial e pastagem como base da dieta (Gráfico 3), indica um manejo nutricional voltado ao atendimento das demandas energéticas dos animais. A combinação de concentrado e volumoso sugere equilíbrio entre aporte energético e saúde digestiva, conforme recomendado para equinos submetidos a esforço físico intenso (BROOM, 2010; RODRIGUES NETO, 2017).
Gráfico 2 – Frequência de alimentação de cavalos de vaquejada em propriedades rurais da Paraíba.

A alimentação fracionada, conforme apontam Oliveira et al. (2016), é uma estratégia crucial para controlar os picos glicêmicos e otimizar o aproveitamento de nutrientes pelos equinos, fatores fundamentais para seu bem-estar e capacidade de execução nas provas.
Gráfico 3 – Composição da dieta de cavalos de vaquejada em propriedades rurais da Paraíba.

A combinação dessas fontes alimentares, no entanto, precisa ser cuidadosamente balanceada. Em sistemas intensivos de trabalho, como a vaquejada, onde os cavalos realizam exercícios de alto impacto, a alimentação deve fornecer a quantidade adequada de energia para suportar o esforço físico, mas sem comprometer a saúde digestiva. A presença de feno (14,3%) e outras combinações menores, como capim e ração (4,1%), feno e ração (8,2%) e pasto e ração (4,1%), sugere que os manejadores tentam equilibrar as necessidades energéticas com os requisitos de fibra, essencial para o bom funcionamento do trato gastrointestinal (PINSETA, 2022). Isso é especialmente relevante em regiões como a Paraíba, onde o clima semiárido pode impactar a disponibilidade de pastagem natural, o que torna o uso de feno e ração uma estratégia vital para garantir a alimentação contínua e equilibrada (LOPES et al., 2009).
A escolha da ração comercial como base para a alimentação é particularmente significativa, pois ela oferece energia concentrada e uma nutrição balanceada, de acordo com as necessidades específicas de cavalos atletas. Rodrigues Neto (2017) ressalta que a suplementação com ração é especialmente importante para equinos em treinamento, pois a energia rápida fornecida pela ração ajuda a manter o desempenho durante atividades intensas, como as exigidas na vaquejada.
Ao mesmo tempo, o pasto é uma fonte vital de fibra que ajuda na manutenção da saúde digestiva e previne problemas como cólicas, um dos distúrbios mais comuns em cavalos. Broom (2010) destaca que o fornecimento de pasto de boa qualidade, juntamente com fenos de capim ou leguminosas, é uma prática recomendada para garantir que os equinos mantenham uma digestão saudável, especialmente quando estão em atividades de alta demanda, como a vaquejada.
No entanto, como destacam Rodrigues Neto (2017) e Mariz et al. (2023), a dieta deve ser constantemente ajustada de acordo com a condição física e o nível de atividade do animal. O ajuste fino da alimentação para atender às necessidades de energia e fibra deve ser realizado com base em monitoramento de condição corporal, como sugerem os resultados do Gráfico 4, onde 73,5% dos respondentes relataram monitorar a condição corporal de seus cavalos regularmente. Isso é crucial para evitar problemas relacionados ao sobrepeso ou desnutrição e garantir que os animais estejam em boas condições para realizar as provas de vaquejada.
Gráfico 4 – Monitoramento da condição corporal de cavalos de vaquejada em propriedades rurais da Paraíba.

A qualidade da alimentação, portanto, está diretamente ligada à performance dos equinos e ao bem-estar geral, pois a combinação adequada de rações e forragem garante uma digestão eficiente, mantém a energia estável e previne doenças (BROOM, 2010). Como os cavalos de vaquejada são submetidos a um esforço físico significativo, um manejo alimentar balanceado é crucial para garantir que eles tenham a energia necessária para o desempenho e a recuperação adequada após os exercícios intensos, mantendo sempre uma boa condição corporal.
Em termos de infraestrutura, a maioria dos respondentes informou ter instalações adequadas para os cavalos, com 93,9% relatando a presença de abrigos contra sol e chuva (Gráfico 5). Esse dado sugere que a maioria dos criadores se preocupam com as condições climáticas adversas que podem afetar a saúde e o bem-estar dos seus animais, especialmente em um estado com clima quente e de alta exposição solar, como é o caso do Estado da Paraíba.
Gráfico 5 – Disponibilidade de abrigo para cavalos de vaquejada em propriedades rurais da Paraíba.

O abrigo contra sol e chuva é um fator essencial para reduzir o estresse térmico e garantir a saúde respiratória dos equinos, conforme relatado por Mariz et al. (2023), que enfatiza a importância do sombreamento e proteção contra a exposição direta à radiação solar, que pode causar desidratação, estresse térmico e outros problemas metabólicos. O bem-estar físico dos cavalos, especialmente em ambientes de trabalho intenso, está diretamente relacionado à qualidade do abrigo. O fato de 93,9% dos proprietários fornecerem abrigo adequado é um dado positivo, indicando que a maioria dos animais tem condições mínimas de proteção ambiental, que favorecem a recuperação do esforço físico e a manutenção de um desempenho saudável nas provas (BROOM, 2010).
No entanto, os 6,1% das propriedades que não fornecem abrigo aos seus cavalos representam um ponto crítico. Sem proteção adequada, os equinos ficam expostos ao calor excessivo e à chuva, fatores que podem prejudicar a saúde respiratória, aumentar a incidência de doenças térmicas e lesões musculoesqueléticas (SILVA e FRANCO, 2018). Lopes et al. (2009) relatam que a exposição prolongada ao calor excessivo e à umidade pode causar desidratação e excesso de suor, prejudicando a recuperação pós-atividade e afetando o desempenho atlético dos equinos.
O Gráfico 6 revela que 95,9% das propriedades fornecem espaço suficiente para que os cavalos possam se movimentar e descansar adequadamente. Apenas 4,1% dos respondentes indicaram que não há espaço suficiente para esses animais, o que representa uma pequena porcentagem dentro da amostra.
O espaço adequado para movimentação e descanso é essencial para o bem-estar físico e psicológico dos cavalos, permitindo que expressem comportamentos naturais, como caminhar e deitar-se confortavelmente. A falta de espaço pode gerar estresse e comportamentos estereotipados, como andar em círculos ou morder objetos, sinais de desconforto e falta de liberdade de movimento (BROOM, 2010; FIGUEIREDO et al., 2025).
A maioria dos criadores segue boas práticas de manejo ao oferecer amplo espaço, o que é crucial para a saúde muscular e esquelética, além de contribuir para a recuperação muscular após atividades intensas, como a vaquejada (MARIZ et al., 2023; SILVA e FRANCO, 2018). No entanto, as propriedades que não oferecem espaço suficiente correm o risco de prejudicar a saúde física e emocional dos cavalos, levando ao desenvolvimento de lesões e comportamentos indesejados, impactando negativamente o desempenho nas competições (PINSETA, 2022; BROOM, 2010).
Gráfico 6 – Disponibilidade de espaço para movimentação e descanso em propriedades rurais da Paraíba.

O Gráfico 7 revela que a maioria dos respondentes (89,8%) realiza a vermifugação regularmente, enquanto apenas 10,2% não seguem esse protocolo.
Gráfico 7 – Frequência de vermifugação em cavalos de vaquejada em propriedades rurais da Paraíba.

A alta taxa de vermifugação regular (89,8%) é um bom indicativo de que a maioria dos criadores está atenta à necessidade de prevenção de parasitas internos, que podem afetar a performance e o bem-estar geral dos cavalos.
Por outro lado, o dado de 10,2% dos respondentes que não realizam vermifugação regularmente aponta para uma possível lacuna no manejo sanitário em algumas propriedades. A ausência de vermifugação pode resultar em infestação por parasitas, o que pode prejudicar a saúde digestiva dos cavalos e afetar negativamente sua capacidade de recuperação após os esforços físicos da vaquejada (SILVA, 2015). A vermifugação deve ser parte de um protocolo de saúde integrado, que inclui o monitoramento da condição corporal e da saúde gastrointestinal, como recomendado por Oliveira et al. (2016).
Em comparação com outros estudos, como o de Broom (2010), que discute o manejo preventivo em equinos de trabalho, a alta taxa de vermifugação regular observada aqui é um ponto positivo, pois a prevenção de parasitas está diretamente ligada à melhoria do desempenho atlético e à longevidade dos animais. A vermifugação eficaz não só mantém os equinos livres de parasitas, mas também ajuda na manutenção da saúde geral, permitindo que os animais se apresentem nas melhores condições para as competições (RODRIGUES NETO, 2017).
De acordo com o gráfico, a maioria dos respondentes realiza a limpeza e manutenção dos cascos mensalmente (49,0%), seguida de semanalmente (28,6%) e diariamente (16,3%). Apenas 6,1% dos criadores indicaram que a limpeza dos cascos é feita raramente (Gráfico 8).
Gráfico 8 – Frequência de limpeza e manutenção dos cascos em cavalos de vaquejada em propriedades rurais da Paraíba.
A manutenção adequada dos cascos é uma prática crucial para a saúde e desempenho dos cavalos, principalmente para aqueles que são submetidos a atividades intensas, como a vaquejada. A frequência mensal e semanal de cuidados indica que a grande maioria dos criadores está atenta à importância dessa prática preventiva. Gontijo et al. (2018) destacam que a limpeza regular dos cascos ajuda a prevenir o acúmulo de sujeira e umidade, que podem levar a infecções fúngicas e bactérias nocivas, além de problemas de mobilidade, como a laminites.
Por outro lado, a manutenção rara dos cascos pode estar associada a riscos elevados de lesões e problemas articulares, especialmente em animais com alta exigência física. Pinseta (2022) relata que a falta de cuidados regulares pode comprometer a saúde musculoesquelética, afetando diretamente o desempenho e o bem-estar dos animais durante as provas de vaquejada. O acúmulo de sujeira e o desgaste irregular dos cascos podem levar a lesões nos tendões e articulações, prejudicando a capacidade dos cavalos de competir de maneira eficiente e segura.
A frequência ideal de manutenção, portanto, é mensal ou semanal, como sugerido por Rodrigues Neto (2017), que observa que intervalos maiores de limpeza podem resultar em maior acúmulo de resíduos, o que comprometeria o desempenho e a saúde do animal. A prática recomendada de realizar a limpeza de maneira sistemática, especialmente antes das competições, garante que os cavalos mantenham os cascos em boas condições, reduzindo riscos de lesões e melhorando a performance atlética.
O Gráfico 9 revela que 59,2% dos respondentes afirmam realizar acompanhamento veterinário periódico para seus cavalos, enquanto 32,7% dos criadores buscam atendimento apenas em emergências, e 8,2% não realizam acompanhamento veterinário.
Gráfico 9 – Acompanhamento veterinário em cavalos de vaquejada em propriedades rurais da Paraíba.

A presença de acompanhamento veterinário periódico para 59,2% dos cavalos é positiva, pois cuidados regulares são essenciais para prevenir doenças, monitorar a condição física dos animais e garantir a saúde geral, especialmente para aqueles que participam de atividades intensas como a vaquejada. O acompanhamento contínuo permite detectar problemas de saúde precocemente, evitando complicações durante as competições e melhorando o desempenho atlético dos equinos (GONTIJO et al., 2018; FALEIROS e ALVES, 2016).
Por outro lado, o fato de 32,7% dos respondentes procurarem o veterinário apenas em situações emergenciais e 8,2% não realizarem acompanhamento veterinário regular é preocupante, pois a falta de cuidados preventivos pode resultar em doenças não diagnosticadas, comprometendo o desempenho e a longevidade dos animais. A verificação periódica é uma forma importante de monitorar a saúde musculoesquelética e metabólica dos equinos, prevenindo problemas como lesões nos tendões ou articulações, que podem ser comuns em animais submetidos a atividades de alto impacto, como as exigidas pela vaquejada (RODRIGUES NETO, 2017; MARIZ et al., 2023).
A atenção veterinária contínua também é importante para garantir que os cavalos recebam as vacinas necessárias, cuidados com os cascos e outros tratamentos preventivos, como a vermifugação, que são fundamentais para manter a saúde dos animais em boas condições. Estudos anteriores ressaltam que o acompanhamento regular reduz a incidência de doenças infecciosas e problemas ortopédicos que podem afetar diretamente o desempenho nas provas (BROOM, 2010).
O Gráfico 10 mostra que 81,6% dos respondentes afirmaram que os cavalos não demonstram comportamentos estereotipados, enquanto 12,2% indicaram que esses comportamentos ocorrem às vezes, e 6,1% afirmaram que os cavalos frequentemente apresentam tais comportamentos.
A grande maioria dos criadores observa que seus cavalos não exibem comportamentos estereotipados, o que sugere que as condições de manejo e ambiente proporcionadas são adequadas, permitindo que os cavalos expressem comportamentos naturais e minimizando o estresse (BROOM, 2010; FIGUEIREDO et al., 2025). Comportamentos estereotipados, como andar em círculos ou morder objetos, são frequentemente sinais de frustração ou desconforto, decorrentes de ambientes de confinamento inadequado ou da falta de estímulos ambientais, como discutido por Mason (1991).
Gráfico 10 – Ocorrência de comportamentos estereotipados em cavalos de vaquejada em propriedades rurais da Paraíba.

No entanto, 12,2% dos respondentes relataram que os cavalos apresentam esses comportamentos ocasionalmente, o que indica que, em alguns casos, ainda há lacunas em termos de enriquecimento ambiental e estratégias de manejo. A ocorrência de estereotipias, embora menos frequente, pode ser um indicativo de que ações adicionais de enriquecimento e maior variação nas atividades dos equinos seriam benéficas para reduzir o risco de comportamentos repetitivos, como sugerem Sarrafchi e Blokhuis (2013).
Ainda, 6,1% dos criadores relataram que seus cavalos frequentemente apresentam comportamentos estereotipados. Esse dado é preocupante, pois comportamentos repetitivos podem indicar que os cavalos estão sendo submetidos a níveis elevados de estresse ou falta de estímulos adequados, o que afeta diretamente o seu comportamento e bem-estar emocional. Broom (2010) salienta que a falta de socialização e a falta de estímulos físicos e mentais são causas primárias desses comportamentos.
Portanto, enquanto a maioria dos criadores parece estar implementando práticas de manejo adequadas, o aumento do enriquecimento ambiental e a diversificação das atividades para os cavalos podem ser soluções importantes para reduzir a incidência de comportamentos estereotipados. Esses ajustes podem proporcionar aos cavalos mais oportunidades de expressar seus comportamentos naturais e reduzir o risco de frustração e estresse, promovendo um ambiente mais saudável e adequado para o seu desempenho nas competições de vaquejada (PINSETA, 2022; FIGUEIREDO et al., 2025).
Os dados indicam que 73,5% dos respondentes não oferecem enriquecimento ambiental para seus cavalos, enquanto 26,5% implementam algum tipo de estímulo ambiental, como brinquedos, variação no ambiente ou interações com outros animais (Gráfico 11). A ausência de enriquecimento é preocupante, pois a ociosidade e a falta de estímulos podem gerar comportamentos estereotipados, como andar em círculos ou morder objetos, sinais de desconforto emocional e estresse (SARRAFCHI e BLOKHUIS, 2013).
Gráfico 11 – Presença de enriquecimento ambiental para cavalos de vaquejada em propriedades rurais da Paraíba.

Em contrapartida, a prática de enriquecimento ambiental, adotada por 26,5% dos criadores, é essencial para reduzir o estresse e melhorar o comportamento dos cavalos. Enriquecimentos como comedouros lentos, bolas de atividade e espelhos aumentam o forrageio e a locomoção e reduzem comportamentos de frustração, favorecendo o bem-estar de equinos estabulados (BRAUNS et al., 2025). Além disso, Sarrafchi e Blokhuis (2013) apontam que a interação social e exposição a novos estímulos são cruciais para reduzir a agitação e o estresse nos equinos de trabalho, como os utilizados em vaquejada.
Embora a maioria dos criadores ainda não implemente essas práticas de enriquecimento, os criadores que o fazem estão oferecendo condições para o bem-estar psicológico dos cavalos, o que pode impactar positivamente no desempenho físico durante as competições.
O Gráfico 12 revela que 77,6% dos respondentes afirmaram que não observam sinais de medo ou agressividade ao lidar com os cavalos, enquanto 20,4% relataram que os cavalos demonstram esses sinais às vezes, e 2% indicaram que os cavalos apresentam medo ou agressividade com frequência.
Gráfico 12 – Ocorrência de sinais de medo ou agressividade em cavalos de vaquejada durante a interação com humanos.

A grande maioria dos criadores relataram que seus cavalos não demonstram medo ou agressividade, o que é um reflexo de manejos tranquilos e respeitosos, fundamentais para garantir o bem-estar psicológico dos animais. Broom (2010) enfatiza que a condução suave e paciente dos equinos reduz os níveis de estresse e melhora a interação entre tratadores e animais, criando um ambiente mais saudável para ambos. O trato gentil e cuidadoso não só previne respostas agressivas, mas também promove um desempenho mais equilibrado durante as provas de vaquejada.
Contudo, a presença ocasional de medo e agressividade (20,4%) sugere inconsistências no manejo humano–equino. Interações coercitivas, impacientes ou com sinais ambíguos tendem a elevar a reatividade e as respostas defensivas dos animais; em contraste, abordagens baseadas em aprendizado com sinais claros e reforço positivo estão associadas a menor medo e a comportamentos mais estáveis, com melhor relação tratador–cavalo (STARLING, 2016; HENDERSON, 2007).
Além disso, os 2% dos respondentes que indicaram que seus cavalos frequentemente apresentam sinais de medo ou agressividade alertam para a necessidade urgente de ajustes no manejo, como a implementação de treinamento baseado em reforço positivo. Evidências mostram que o reforço positivo melhora a percepção do cavalo sobre o humano e reduz comportamentos de evasão e estresse (SANKEY et al., 2010).
Sobre os sinais de estresse, os dados mostram que 85,7% dos respondentes não observam sinais frequentes de estresse em seus cavalos, enquanto 8,2% indicaram que esses sinais ocorrem ocasionalmente e 6,1% afirmaram que os sinais de estresse são frequentes (Gráfico 13).
Gráfico 13 – Ocorrência de sinais de estresse em cavalos de vaquejada em propriedades rurais da Paraíba.

A maioria dos criadores relataram que os cavalos não demonstram sinais de estresse frequente, o que é um indicativo de manejo adequado, com os cavalos sendo expostos a condições que favorecem a recuperação e o bem-estar geral. Equinos bem cuidados, com descanso adequado e um ambiente controlado, têm menor propensão a desenvolver sinais de estresse, como suor excessivo, inquietação e tremores, que são frequentemente indicativos de sobrecarga física (PINSETA, 2022; MARIZ et al., 2023). Como ressaltam Figueiredo et al. (2025), o manejo adequado e a gerenciamento de recuperação são fundamentais para reduzir o impacto do estresse térmico e físico em equinos de trabalho, principalmente os usados em atividades intensas como a vaquejada.
No entanto, 8,2% dos criadores observaram sinais de estresse ocasional em seus cavalos, o que sugere que em algumas propriedades ainda existem picos de esforço excessivo ou falta de descanso adequado após as competições. A falta de monitoramento constante da temperatura ambiente e do nível de esforço físico pode resultar em sintomas de estresse, como observado por Oliveira et al. (2016), que destacam a importância de ajustar as rotinas de treinamento para prevenir fadiga excessiva nos animais.
Por fim, a presença de 6,1% de cavalos com sinais de estresse frequentes indica a necessidade de ajustes imediatos de manejo. Evidências mostram que estímulos estressores repetidos, especialmente em contextos de competição e deslocamento, elevam marcadores fisiológicos e alteram respostas imunes, o que pode repercutir no desempenho e na susceptibilidade a enfermidades (PADALINO e RAIDAL, 2020; MILLER et al., 2021). Em cenários específicos de vaquejada, já se observaram sinais compatíveis com estresse durante as provas, reforçando a importância de protocolos de recuperação (LOPES et al., 2009).
Os resultados deste estudo destacam a importância de práticas adequadas de manejo para o bem-estar físico e psicológico dos cavalos utilizados na vaquejada. A maioria dos criadores segue práticas de manejo que garantem condições favoráveis fator essencial para a saúde e o desempenho dos cavalos. No entanto, situações pontuais de enriquecimento ambiental, ao manejo sanitário preventivo e à padronização das interações humano–animal, indicam que ainda há lacunas em alguns manejos que precisam ser corrigidas. O ajuste dessas práticas pode não apenas melhorar a qualidade de vida dos cavalos, mas também otimizar seu desempenho nas competições de vaquejada, garantindo que os animais sejam tratados com o respeito e os cuidados necessários para o sucesso a longo prazo.
Conclusões
Os resultados indicam que, de modo geral, os criadores adotam práticas adequadas de manejo, especialmente quanto à oferta de água, alimentação e condições de infraestrutura, contribuindo para a manutenção do bem-estar e do desempenho dos cavalos utilizados na vaquejada.
Entretanto, foram identificadas lacunas relevantes, principalmente relacionadas à ausência de enriquecimento ambiental e à baixa adesão ao acompanhamento veterinário periódico. Esses fatores podem comprometer o bem-estar físico e psicológico dos animais, bem como sua longevidade e desempenho.
Dessa forma, recomenda-se a adoção de medidas voltadas à melhoria das condições ambientais, à segurança das instalações e ao fortalecimento do manejo sanitário preventivo. A implementação dessas práticas é essencial para promover avanços no bem-estar animal e contribuir para a sustentabilidade das atividades de vaquejada.
Conflitos de interesse
Não houve conflito de interesses dos autores.
Contribuição dos autores
Ellen Vitória Barbosa do Carmo – coleta de dados, interpretação dos resultados e redação; Haylla Silva Alves – coleta de dados e redação; Millena Araújo de Farias – coleta de dados e redação; Anadélia Pinto Viana Correia, Carlos Alberto Queiroz de Aquino, Jéssica Luana de Medeiros Silva, Edvaldo Sebastião da Silva e Ruy Brayner de Oliveira Filho – revisão do texto; Isabella de Oliveira Barros e Natália Matos Souza Azevedo – orientações e correções.
Apoio financeiro
Os autores declaram que não houve apoio financeiro para a realização deste estudo.
Agradecimentos
Os autores agradecem a todos que contribuíram para a realização deste estudo, em especial aos entrevistados, pela disponibilidade e colaboração na coleta de dados.
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Recebido em 29 de abril de 2026
Retornado para ajustes em 18 de maio de 2026
Recebido com ajustes em 19 de maio de 2026
Aceito em 12 de junho de 2026