Trombose em membro torácico direito em potro da raça Quarto de Milha – relato de caso

Revista Agrária Acadêmica

agrariacad.com

doi: 10.32406/v9n1/2026/19-30/agrariacad

 

Trombose em membro torácico direito em potro da raça Quarto de Milha – relato de caso. Thrombosis in the right thoracic limb of a Quarter Horse foal – case report.

 

Anna Cristina Vieira Robinato1

 

1- Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade de Sorocaba – UNISO , Sorocaba – SP, Brasil. Pós-Graduação em Neonatologia Equina pelo Centro Universitário de Jaguariúna (IBVET), Tiete – SP, Brasil. Aprimoramento em Clínica, Cirurgia, Anestesiologia e Manejo de Equinos pelo Hospital Veterinário Crispim Stevanato (2022), Hospital Veterinário UNIMAX (2023) e Central e Pensionato RAAMA (2024). Médica Veterinária Residente no Haras do Drosa (2024) e atualmente Médica Veterinária na Fundação Butantan – Fazenda São Joaquim. E-mail: anna.robinato@gmail.com

 

Resumo

 

A sepse neonatal é marcada por distúrbios circulatórios que podem ocasionar a trombose da região distal dos membros. Este trabalho tem como objetivo relatar um caso de trombose em membro torácico direito, secundária à septicemia causada por enteropatia em um potro da raça Quarto de Milha. O relato destaca a importância do diagnóstico precoce da septicemia em neonatos e da atenção às possíveis complicações vasculares, como a trombose, que agrava o prognóstico clínico.

Palavras-chave: Neonatologia. Equino. Sepse. Enteropatia.

 

 

Abstract

 

Neonatal sepsis is characterized by circulatory disorders that can lead to thrombosis of the distal region of the limbs. This study aims to report a case of thrombosis in the right thoracic limb, secondary to septicemia caused by enteropathy in a Quarter Horse foal. The report highlights the importance of early diagnosis of septicemia in neonates and the need for attention to possible vascular complications, such as thrombosis, which worsens the clinical prognosis.

Keywords: Neonatology. Equine. Sepsis. Enteropathy.

 

 

Introdução

 

A gestação equina possui, em média, duração de 320 a 360 dias (MCCUE; FERRIS, 2012). Apesar do extenso período gestacional, os neonatos precisam realizar as próprias trocas gasosas, eliminar suas excretas, controlar a temperatura corporal e o fluxo sanguíneo, além de obter a capacidade de se levantar e mamar em um curto período de tempo (LANDIM-ALVARENGA et al., 2006). O período neonatal é caracterizado por uma fase de adaptações fisiológicas e metabólicas, a fim de atender as necessidades da vida extrauterina (ROSSDALE, 2004). Rossdale e Rickettts (1979) definem que esse período se inicia no nascimento e perdura até 31 dias de vida.

Os neonatos equinos nascem com baixa, ou até mesmo nenhuma, concentração de anticorpos, em decorrência da placenta epiteliocorial difusa microcotiledonaria, que impede a passagem de macromoléculas, como os anticorpos (HAGGETT, 2014; JAINUDEEN; HAFEZ, 2004). Dessa forma, esses indivíduos são altamente dependentes das imunoglobulinas presentes no colostro e da absorção a nível intestinal, para conseguirem responder de forma adequada aos desafios presentes do ambiente extrauterino (HAGGETT, 2014; MADIGAN, 2013; SENGER, 2005).

A falha de transferência de imunidade passiva pode levar a sepse, que é considerada causadora do maior número de perdas na criação de equinos. O termo sepse, por sua vez, é usado para designar uma inflamação sistêmica, gerada por agentes infecciosos que levam a uma resposta do organismo denominada Síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS) (TAYLOR, 2015; PALMER, 2014). Thomassian (2005) caracteriza a septicemia como um estado de invasão de microrganismos na corrente sanguínea, gerando assim o comprometimento de diversos órgãos. O termo SIRS, designa uma variedade de sinais clínicos graves, como a hipertermia, taquipneia, taquicardia e hipotensão (TAYLOR, 2015; PALMER, 2014).

Em 1997, nos Estados Unidos, os índices de mortalidade em equinos durante as primeiras 24 horas de vida variaram entre 0-35% (MELLOR; STAFFORD, 2004). Cameron et al. (2001), na Nova Zelândia, descreveram mortalidade em torno de 30% em potros no período pré e pós desmame. No Brasil, um estudo realizado por Frey Junior (2006), verificou a mortalidade de 2,5% em potros Puro Sangue Inglês do nascimento até o sexto mês de vida.

Entre as possíveis consequências da septicemia em potros está a trombose arterial, com destaque para as artérias digitais, em função da coagulopatia gerada na sepse, resultando em gangrena do membro (AXON et al., 2014; BRIANCEAU; DIVERS, 2003; FORREST et al., 1999).

O objetivo deste trabalho é relatar o caso de trombose em membro distal torácico direito, secundário a septicemia decorrente de uma enteropatia com múltiplos microrganismos patogênicos envolvidos, em um neonato equino.

 

Revisão de literatura

 

A sepse é a principal causa de óbitos em potros com até sete dias de vida (COHEN, 1994). Ela é caracterizada pela presença há dois ou mais sinais clínicos decorrentes de uma infecção, sendo algum desses sinais a temperatura superior a 38°C ou inferior a 36°C, taquipneia, taquicardia, leucopenia ou leucocitose (WONG; WILKINS, 2015).

As bactérias gram-negativas são as mais isoladas em hemoculturas de pacientes septicos, sendo a Escherichia coli a mais frequente, em aproximadamente 70% dos isolados, seguida de Klebsiella spp., Enterobacter spp., Salmonella spp. e Pseudomonas spp. Ocorrem, também, infecções por agentes gram-positivos com destaque para Enterococcus spp., Staphylococcus spp. e Streptococcus spp. (SANCHEZ, 2005; TAYLOR, 2015). Para Chirivi e Herrera (2014), embora menos frequente que as bactérias, o herpesvírus equinos tipo 1, Candida albicans e Histoplasma capsulatum podem ser os principais agentes isolados nestes casos. A exposição aos agentes infecciosos pode ocorrer, antes ou durante ao parto, sendo estes conhecidos com fatores pré-natais, ou mais tardiamente, conhecidos como fatores pós-natais (BECHT; SEMRAD, 1985).

Entre os fatores pré-natais estão as distocias, descolamento de placenta e placentite. Os fatores pós-natais são considerados a ingestão ou inalação de patógenos, e a contaminação do coto umbilical, os quais são portas de entrada da infecção. Ainda, deve-se considerar a falha da transferência de imunidade passiva, seja por fatores maternos ou neonatais, que está altamente correlacionada ao desenvolvimento de septicemia, onfaloflebites, diarreias e outras doenças infecciosas do período neonatal (SELLON, 2006; CHIRIVI; HERRERA, 2014; LANG et al., 2007; RIZZONI; MIYAUCHI, 2012).

A enterocolite pode ser um dos fatores desencadeantes para a sepse (MALLICOTE et al., 2012). Nos casos de enterocolites causadas por patógenos que degeneram a mucosa intestinal, a translocação bacteriana pode ocorrer, resultando em septicemia (BRIANCEAU; DIVERS, 2001; FORREST et al., 1999). Uma das consequências da septicemia é a alteração do sistema fibrinolítico e de coagulação, levando a apresentação, mesmo que em pequena porcentagem, de hemorragias ou trombose na aorta, artéria femoral ou artérias braquiais (SANCHEZ, 2014). Brianceau e Divers (2001), levantaram dados entre os anos de 1988 e 1998, e mostraram que entre os casos atendidos no Hospital Veterinário de Cornell, 5 foram o número de casos diagnosticados com trombose em membros distais.

A trombose arterial ou venosa ocorre quando há uma excessiva ativação de coagulação e um funcionamento inadequado das vias protetoras (WEITZ et al., 2004). A coagulopatia é resultado de um dano do endotélio vascular e das alterações em fatores presentes na cascata de coagulação, que fazem com que ocorra a formação de trombos microvasculares, que causam a isquemia e até disfunção multiorgânica (EPSTEINS, 2014; FRICK et al., 2007; DENK et al., 2012). Isso, decorrente de uma oclusão, que impede o suprimento sanguíneo da região ou órgão, causando assim a necrose celular (MONTENEGRO; FRANCO, 1999; AXON et al., 2014).

As três influências primárias reconhecidas que atuam em conjunto para predispor à formação de trombos, formam a tríade de Virchow. Estas influências são a lesão endotelial, estase ou fluxo sanguíneo turbulento e hipercoagulabilidade sanguínea (MITCHELL; COTRAN, 2003). Em potros, no primeiro mês de vida há uma menor concentração de fibrinogênio e antígeno de proteína C, que são antitrombina III, plasminogênio, alfa-2 antiplastina e atividades de plasminogênio tecidual (BARTON et al., 1997).

Na sepse, três fatores parecem contribuir diretamente para a desregulação da coagulação. Um desses fatores são algumas citocinas (especialmente a IL-6), que acabam induzindo a expressão do fator tecidual dos macrófagos e células endoteliais, que por sua vez induzem a produção de trombina. Colaborando ainda, Brianceau e Divers (2001), relataram que a endotoxina é um componente formado por lipossacarídeo, que exercem uma função prejudicial para os agentes pró-coagulantes e anticoagulantes, justificando assim a ocorrência em potros sépticos.

A sepse por microrganismos Gram-negativos e endotoxemias normalmente são acompanhadas pela perda entérica de antitrombina III, o que resulta em hipercoagulabilidade, podendo gerar trombose arterial. (BRIANCEAU; DIVERS, 2001). Em neonatos humanos, mesmo que com a baixa casuística de gangrena periférica em membros, quando a mesma ocorre, ela está altamente correlacionada a uma septicemia causada por Salmonella spp. (OKOKO et al., 2001). No homem, 75% dos êmbolos arteriais ocorrem nos membros inferiores (MITCHELL; COTRAN, 2003).

A trombose das artérias dos membros distais, assim como nos humanos, é passível de ser encontrada em equinos, principalmente em potros. Essa patologia pode gerar uma isquemia completa do membro distal e se faz normalmente em decorrência de processos de septicemia, que acabam resultando em uma trombocitopenia e hipercoagulabilidade (AXON et al., 2014). No estudo de Cotovio et al., (2008), aproximadamente 85% dos potros não sobreviventes apresentavam depósitos de fibrina.

Em potros, a trombose de membro distal, causa a oclusão dos vasos, gerando assim em gangrena do membro, que geralmente é acompanhada de claudicação, diminuição da temperatura na região, áreas de descamação de pele e até mesmo perda dos cascos (AXON et al., 2014; COOMER et al., 2007; GASTHUYS et al., 2007; TRIPLETT et al., 1996).

Sabendo-se que as bactérias são os agentes etiológicos mais envolvidos no quadro septicêmico, que por sua vez, é um dos principais causadores da trombose, o protocolo bactericida de amplo espectro é preconizado diante dessa suspeita (FIELDING; MAGDESIAN, 2015). O tratamento contra a septicemia neonatal envolve o controle da infecção, suporte hemodinâmico, intervenções imunomoduladoras, suporte respiratório e nutricional (PALMER, 2014).

O uso de antibioticoterapia de amplo espectro, infusão intravenosa de ringer com lactato, uso de antiinflamatórios não esteroidais, nutrição parenteral e tratamento dos sinais clínicos, são a base para um primeiro atendimento (THOMASSIAN, 2005).

A polimixina B (6000 U/kg) pode ser usada para tratar endotoxemia (MAGDESIAN, 2005). Antiinflamatórios não esteroidais, apresentam atualmente um efeito efetivo na terapia da endotoxemia de equinos, mas em potros devem ser usados com cautela devido ao risco de desenvolver efeitos adversos (BARTON, 2006), como o desenvolvimento ou exacerbação de úlceras gástricas e lesões renais (SANCHEZ, 2014).

Em humanos, a terapia trombolítica local tem sido eficaz e inclui infusão intra-arterial através do cateter de agentes fibrinolíticos, a aspiração de trombo mediada por cateter ou a trombectomia mecânica, com o objetivo de dissolução do trombo ou recanalização dos vasos injuriados ​​(KARNABATIDIS et al., 2011; PATEL et al., 2013). Entretanto, nos equinos, a trombólise farmacológica não é considerada bem-sucedida, dificultando assim o prognostico favorável (BAUMER et al., 2013; DIAS; LACERDA NETO, 2013).

O uso de cristaloides e coloides, a fim de manter a perfusão tecidual e diluir as toxinas, é uma possibilidade, visando a prevenção da formação de trombos caminho. O uso de Pentoxifilina (7,5 mg/kg), pode tornar os glóbulos vermelhas hemácias os mais deformáveis, diminuir a viscosidade do sangue e inibir algumas citocinas inflamatórias.

Ainda, o uso de lidocaína (1,3 mg/kg em bolus IV, seguido de 0,05 mg/kg/min) pode servir como inibidor da infiltração de granulócitos (BARTON et al., 1997, MCCAFFERTY et al., 2019). Ainda, a flunixina meglumina (0,3 mg/kg) pode ser usada para inibir a produção de tromboxano (BASKETT et al., 1997; PARVIAINEN et al., 2001).

 

Relato de caso

 

Foi admitido no Hospital Veterinário de Equinos, um neonato equino, da raça Quarto de milha, com aproximadamente 48 horas de vida, com queixa principal de letargia e baixa procura pela égua. O animal se apresentava em decúbito lateral, com região de períneo sujo com fezes líquidas e odor fétido. Apresentou frequência cardíaca (FC) em 120 bpm, frequência respiratória (FR) 80 mpm, tempo de preenchimento capilar (TPC) em 3’’ e temperatura corpórea em 39.2°C.

Após exame físico, foi colhida amostra sanguínea da veia jugula para realização do exame de Amiloide A Sérica (SAA), hemograma completo e bioquímico (creatinina, ureia, bilirrubinas (totais, indiretas e diretas), ALT e AST). Foi colhida amostra de fezes para realização de cultura e antibiograma. Para estabilização do paciente realizou-se a administração de dipirona (20 mg/kg), fluidoterapia (100ml/kg/dia) e plasmaterapia (500ml/animal).

Após os resultados de hemograma e bioquímico (Tabela 1), foi instituída a antibioticoterapia a base de amicacina (20mg/kg/SID) e ceftiofur (10mg/kg/BID). Ainda, foi administrado probiótico (5g/dia), glutamina (5g/dia/) e antiinflamatório, sendo esse o flunixina meglumina (1,1mg/kg/SID). Após sete dias de tratamento, o antibiograma (Tabela 2) determinou resistência aos antibióticos utilizados e, o exame de qPCR (Tabela 3) apresentou o Salmonella ssp., Giardia sp. e Rotavírus Equino A como agentes patogênicos presentes na amostra de diarréia.

 

Tabela 1 – Resultado de Hemograma, Leucograma, Bioquímico e Amiloide A Sérica (SAA).
Hemograma
Resultado
Referência
Hemácias (x10¹²/L)
10.5
7.8 – 11.4
Hemoglobina (g/dl)
13,3
11.5-16.7
Hematrócrito (%)
44,30%
30-46
VCM u²
42,2
37-52
CHMC (%)
30
31-35
Plaquetas
473.000
200.000-600.000
 
Leucograma
Resultado
Referência
Leucócitos (x10⁹)
13.200
5.1-10.1
Segmentados (x10⁹)
13.000
3.21-8.58
Linfócitos (x10⁹)
0
0.73-2.17
Monocitos (x10⁹)
200
0.08-058
 
Bioquímicos
Resultado
Referência
Creatina (mg/dl)
1.31
0.4-2.2
Ureia (mg/dl)
38,91
2-29
Bilirrubina Total (mg/dl)
0.88
0.5-3.9
Bilirrubina Direta (mg/dl)
0,10
0.2-0.8
Bilirrubina Indireta (mg/dl)
0,78
0.2-3.3
AST (UI/l)
196,71
80-580
CK (UI/l)
274,20
21-97
GGT (UI/l)
151,05
9-40
Amiloide A Sérica (SAA)
Resultado
Referência
 
2619
>100
Fonte: Arquivo pessoal.

 

Tabela 2 – Exame de antibiograma automatizada quantitativo (MIC) do microrganismo Salmonella ssp.
Fármaco
CIM/Conc
SIR (interpretação)
Amicacina
R
Ampicilina
>16
R
Ampicilina-Sulbactam
>16/8
R
Cefepima
<=1
S
Ceftazidima
>16
R
Ceftriaxona
>4
R
Ciprofloxacina
<=0,125
S
Colistina
<=1
S
Ertapenem
<=0,25
S
Fosfomicina
<=16
S
Gentamicina
>8
R
Imipenem
<=0,25
S
Levofloxacina
<=1
S
Meropenem
<=0,5
S
Piperacilina-Tazobactam
<=4/4
S
Trimetoprim-Sulfametoxazol
>2/38
R
Amoxicilina Ác. Clavulânico
S
Ceftiofur
R
Florfenicol
R
Enrofloxacina
S
Tetraciclina
R
Legenda: S (Sensível), sendo o antibiótico eficaz contra a bactéria e R (Resistente), sendo o antibiótico sem eficácia contra a bactéria. Fonte: Arquivo pessoal.

 

Tabela 3 – Resultado do exame de qPCR.
Nome do Exame
Identificação
Tipo de Análise
Resultado
Giardia sp
GIA
Real time PCR (qPCR)
Positivo
Cryptosporidium sp
CPP
Real time PCR (qPCR)
Negativo
Coronavírus equino
ECoV
Real time PCR (qPCR)
Negativo
Salmonella spp.
SALM
Real time PCR (qPCR)
Positivo
Clostridium difficile
CLD
Real time PCR (qPCR)
Negativo
Neorickettsia risticii
NEOR
Real time PCR (qPCR)
Negativo
Rotavírus A
ROTA
Real time PCR (qPCR)
Positivo
Clostridium difficile – Toxina B
CLD-B
Real time PCR (qPCR)
Negativo
Fonte: Arquivo pessoal.

 

Com base nos resultados dos exames, foi realizada a troca do antibiótico para o imipenem (15mg/kg/QID), realizada administração adsorventes, sendo eles o caulim/pectina (0,5ml/kg/SID) e subsalicilato de bismuto (4ml/kg/SID). Após cinco dias da instituição da nova terapia, o animal não apresentou melhora. Portanto, optou-se pela utilização de metronidazol (15mg/kg/TID).

Após cinco dias de tratamento, o animal apresentou AAS e parâmetros do leucograma dentro da normalidade, mas com diarreia persistente. Optou-se pela manutenção do tratamento com glutamina (5g/dia) até melhora do aspecto das fezes, visto que possui benefícios para recuperação das vilosidades intestinais.

Com aproximadamente 20 dias de internação, o animal passou a apresentar claudicação em membro anterior direito. Foi realizado o exame de radiografia, não sendo possível visualizar alterações ósseas compatíveis com o quadro apresentado. No dia seguinte ao início da claudicação, o animal passou a apresentar queda de pelo, diminuição da temperatura da porção distal do membro e descamação cutânea, chamando atenção para possível trombose distal no membro anterior direito.

Com resposta negativa ao estímulo doloroso em região de quartela, optou-se pela realização de angiografia, fazendo-se uso de contraste iodado em artéria digital lateral do membro anterior direito. Com base nas imagens radiográficas (Figura 1), foi diagnosticada perda de perfusão distal, sendo a mesma interrompida em região de falange proximal.

 

Figura 1 – Imagem de radiografia contrastada de membro torácico direito com visualização dos vasos sanguíneos até a região de falange proximal. Fonte: Arquivo pessoal.

 

Diante da situação e da decisão do proprietário, optou-se pela eutanásia. Durante a necrópsia, foi possível observar o trombo (Figura 2) interrompendo a circulação sanguínea em ramo de artéria lateral metacarpofalangeana.

 

Discussão

 

Relata-se neste trabalho a formação de trombo, decorrente de alterações hemodinâmicas secundárias a sepse, em um neonato equino. Breshears et al. (2007), relatou um caso similar, em que uma potra com diarreia, causada por Salmonella typhimurium, apresentou necrose isquêmica em membros distais.

Casos de trombose em membros distais podem ocorrer em decorrência de sepse, devido as alterações nos mecanismos de inibição da cascata de coagulação e a ação dos polissacarídeos que exercem ação em agentes pró coagulantes e anticoagulantes (ROY, 2004; BRIANCEAU; DIVERS, 2001).

 

Figura 2 – Achado em necropsia. Fonte: Arquivo pessoal.

 

Paradis (1994) afirma que o diagnóstico de um potro que apresenta os primeiros sinais de septicemia, é difícil, uma vez que os sinais são amplos e compatíveis com diversas enfermidades. Isso ocorreu no presente relato, uma vez que o paciente apresentou sinais gastrointestinais e, posteriormente, sinais do sistema musculoesquelético, sendo difícil detectar a septicemia.

O exame diagnóstico padrão-ouro para sepse é a hemocultura, mas exames como cultura e antibiograma podem auxiliar na tomada de decisão terapêutica, após a instituição de tratamento empírico até obtenção dos resultados (SANCHEZ, 2005; TAYLOR, 2015). A conduta terapêutica primária relatada neste trabalho foi definida de acordo com os antibióticos disponíveis no hospital, amplo espectro e via de administração eficaz.

A trombose de membro distal causa a oclusão dos vasos e geralmente tem como sinais clínicos a claudicação, diminuição da temperatura de extremidades, áreas de descamação de pele e até mesmo perda dos cascos (AXON et al., 2014; COOMER et al., 2007; GASTHUYS et al., 2007; TRIPLETT et al., 1996). Esses sinais apresentados pelo paciente do caso relatado levaram a equipe Médica Veterinária a suspeitar de trombose em região distal de membro torácico direito, utilizando-se da angiografia como método diagnóstico de tromboembolismo (FORREST et al., 1999).

Ainda que nos equinos, a trombólise farmacológica não seja bem-sucedida (BAUMER et al., 2013; DIAS et al., 2013), a mesma poderia ter sido utilizada no presente caso, uma vez que houve diagnóstico de suprimento sanguíneo insuficiente para manter a função orgânica da região acometida.

Ademais, os achados de necrópsia corroboraram com o diagnóstico baseado nos sinais clínicos e nas imagens radiográficas.

 

Conclusão

 

Pode-se concluir que a trombose em membro distal relatada no presente trabalho, foi decorrente a um quadro séptico secundário a enterite. Essa afecção deve ser uma preocupação em casos de potros que apresentem sinais de septicemia, uma vez que seus fatores pró-coagulantes e anticoagulantes ficam debilitados. Dessa forma, esse relato chama a atenção para a ocorrência dessa enfermidade, reforçando a necessidade de atenção para estabelecimento de seu diagnóstico e tratamento.

As terapêuticas instituídas que visam a prevenção estão ligadas ao controle da infecção e do processo inflamatório gerada pela mesma. Essas por sua vez, apresentam melhores resultados quando comparadas com as terapias trombolíticas. Vale ainda ressaltar a importância do conhecimento a respeito da patologia, a fim de diagnóstico precoce em casos de animais que apresentem sinais clínicos e históricos compatíveis com a trombose em membros.

 

Conflitos de interesse

 

Não há conflitos de interesse.

 

Contribuição do autor

 

Não se aplica.

 

Referências bibliográficas

 

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Recebido em 24 de novembro de 2025

Retornado para ajustes em 31 de janeiro de 2026

Recebido com ajustes em 17 de fevereiro de 2026

Aceito em 25 de fevereiro de 2026

Manejo orgânico na produção e qualidade das variedades de videira Isabel e Seibel 1077 (Couderc red wine)

Revista Agrária Acadêmica

agrariacad.com

doi: 10.32406/v9n1/2026/8-18/agrariacad

 

Manejo orgânico na produção e qualidade das variedades de videira Isabel e Seibel 1077 (Couderc red wine). Organic management in the production and quality of the Isabel and Seibel 1077 (Couderc red wine) grape varieties.

 

Marco Aurélio de Freitas Fogaça1, Ivanio Meazza2

 

1- Professor Doutor em Produção Vegetal – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – IFRS  Campus Bento Gonçalves – Av. Osvaldo Aranha, 540 – Bento Gonçalves – RS, Brasil, CEP 95700-206. E-mail: marco.fogaca@bento.ifrs.edu.br
2- Tecnólogo em Horticultura – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – IFRS Campus Bento Gonçalves – Av. Osvaldo Aranha, 540 – Bento Gonçalves – RS, Brasil, CEP 95700-206. E-mail: ivaniomeazza@hotmail.com

 

Resumo

 

O objetivo do experimento foi avaliar a produção das variedades Isabel e Seibel 1077, na produção orgânica. O trabalho foi realizado em 2016 e 2017, em vinhedo, conduzido em latada, com 2200 plantas.ha-1. O delineamento foi o inteiramente casualizado, com dois tratamentos, seis repetições. Variáveis: índice de brotação (IB) e fertilidade (IF), produção.planta-1 e ha, massa de cachos, ºBrix, e % de danos por fungos. O ºBrix ficou dentro da legislação vigente, a Seibel, apresentou maior °Brix em 2017, e a Isabel em 2018. A Seibel mostrou-se menos sensível as doenças. O IB foi maior nos esporões que nas varas e o IF foi maior nas varas, atingindo maior valor na Seibel. A produção não diferiu, indicando que ambas as variedades apresentam potencial para produção orgânica.

Palavras-chave: Vitis labrusca L. Cultivo alternativo. Suco integral. Rusticidade.

  

Abstract

 

The objective of this experiment was to evaluate the production of the Isabel and Seibel 1077 varieties in organic production. The work was carried out in 2016 and 2017 in a vineyard trained on a trellis system, with 2200 plants ha⁻¹. The experimental design was completely randomized, with two treatments and six replications. Variables: sprouting index (IB) and fertility index (IF), production per plant and ha⁻¹, bunch weight, °Brix, and % of fungal damage. The °Brix remained within the current legislation; Seibel showed a higher °Brix in 2017, and Isabel in 2018. Seibel proved to be less susceptible to diseases. The IB was higher in spurs than in canes, and the IF was higher in canes, reaching a higher value in Seibel. Production did not differ, indicating that both varieties have potential for organic production.

Keywords: Vitis labrusca L. Alternative cultivation. Whole juice. Hardiness.

 

 

Introdução

 

O estado do Rio Grande do Sul é responsável por cerca de 90% da produção de uvas destinadas à indústria (vinhos, sucos e espuma) no Brasil.

Se formos considerando o volume total de uvas produzidas no país, incluindo para processamento, consumo in natura e exportação, o estado representa aproximadamente 54.8% da produção nacional, na safra 2024 foram produzidas 1.071.234 toneladas, sendo considerado uma safra recorde (IBGE, 2024). A maior parte das uvas destinadas à industrialização pertence à espécie Vitis Labrusca L. (uvas comuns), destas, o maior volume é utilizado para a produção de suco e vinho (PEREIRA et al., 2020).

A cultivar Isabel responde pela maior área de plantio, ocupando 26,09% dos vinhedos, seguida pela Bordô que foi responsável por 23,10% da área total. Com quase metade da área vitícola do estado, estas duas cultivares são utilizadas principalmente para a elaboração de suco e vinho e consumo in natura (MELLO et al., 2015). Esta é conhecida por ser altamente fértil, podendo proporcionar ótimas colheitas sem a necessidade de muito manejo, ela é uma das variedades mais tradicionais da nossa região, sendo produzida a mais de 100 anos no Rio Grande do Sul. Ela é um híbrido natural de Vitis Labrusca e Vitis vinifera (LEÃO, 2021).

Como ponto negativo, apresenta desuniformidade na maturação, com bagas com coloração variada, algumas em tom roxo escuro, outras rosadas, sendo função de ter brotação e floração desuniforme, as flores não se desenvolvem de forma que afetam o desenvolvimento das bagas. O microclima dos cachos, formado pelo sistema de condução de latada é outro fator negativo, pela diferença de exposição solar, as bagas mais expostas ao sol tendem maturar melhor em detrimento das que ficam sombreadas (NASROLLAHIAZAR; SABBATINI, 2023).

O híbrido Seibel 1077, chamado erroneamente de Couderc tinto, muito conhecida no RS e Santa Catarina, é um híbrido interespecífica, obtida pelo cruzamento entre plantas do gênero Vitis, mas de espécies diferentes: Vitis lincecumii (espécie de videira americana, vinda dos Estados Unidos), Vitis vinifera (cultivada amplamente em todo o mundo) e Vitis rupestris (espécie de videira silvestre americana). Apresenta boa produtividade, maturação tardia, produz vinhos de baixa acidez, pouca intensidade aromática e baixa capacidade alcoólica. Mesmo com essas características consideradas ruins de seus produtos, a Couderc, ainda é muito cultivada, pela sua adaptação às condições edafoclimáticas da região e pela sua resistência a doenças (principalmente as fúngicas) (CAMARGO, 2007).

As variedades americanas (Vitis labrusca L.), somado à porta enxertos resistentes, são a base da produção orgânica, no entanto, mesmo consideradas rústicas, se comparadas às variedades europeias, são necessários ao seu cultivo, uma estratégia de utilização criteriosa do solo, clima e das práticas de manejo ao longo de todo ciclo da videira para obtenção das uvas de qualidade.

Segundo a Classificação Climática Multicritério Geovitícola, o clima da Serra Gaúcha apresenta um clima vitícola úmido, temperado quente, de noites temperadas (TONIETTO; CARBONNEAU, 2002). Os solos são argilosos, sendo 30% situados na classe textural 2 (41 a 60% de argila) e 67% na classe 3 (21 a 40% de argila), bons níveis de matéria orgânica, onde 23,8% das áreas apresentam teores entre 2,5 e 6% (MELO; ZALAMENA, 2016), que aliado ao alto volume de precipitação pluviométrica anual; criam microclimas de elevada umidade, fator que dificultam cultivo de uvas orgânicas, que somado a baixa disponibilidade de produtos registrados para a agricultura orgânica (protetores e indutores de resistência), torna o controle das doenças fúngicas, que afetam a videira em todos os anos, o principal entrave à produção. Destas doenças, se destaca o míldio (Plasmopara viticola L.), é que causa mais a produção (GARRIDO et al., 2004), principalmente nos anos que ocorrem elevada precipitação durante o desenvolvimento vegetativo, o que faz com que, dificilmente a produção orgânica atinja índices de produtividade igual a produção convencional. Outra limitação na produção orgânica, é impossibilidade da utilização de fontes de nitrogênio prontamente assimiláveis, que dificulta a recuperação da folhagem em caso de desfolhamento precoce e o desenvolvimento inicial.

No tocante ao suco orgânico possui um público diferenciado que torna por isso possibilita agregar valor ao produto, viabilizando assim o maior custo da produção, principalmente em termos de mão de obra, pois, muitos dos produtos utilizados são produzidos pelo viticultor, além, da redução da produção nos anos de clima favoráveis às doenças fúngicas.

Desta forma, considerando que o sistema de produção orgânico, segue princípios, normas e decretos da Lei 10.831/2003, que trata da regulamentação da agricultura orgânica (FONSECA et al., 2009) e as condições para produção da Serra Gaúcha.

O objetivo do experimento foi avaliar a produtividade e qualidade das variedades Isabel e Couderc no sistema de produção orgânica para produção de suco integral.

 

Material e métodos

 

O experimento foi desenvolvido nos ciclos 2016/2017 e 2017/2018, em uma propriedade de cultivo orgânico, localizada em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, com altitude de 571m, Latitude: 29°11´46.26´´S Longitude: 51°36´06.28´´O. Clima subtropical e pluviosidade média anual de 1.736 mm e temperatura média de 17,2 ºC (CZERMAINSKI; ZAT, 2011).

Os tratamentos constaram da avaliação da produção e qualidade das uvas de duas variedades de videira, Isabel (Vitis labrusca L.) e Couderc [Vitis rupestris x Vitis lincecumii] x Vitis vinifera, submetidas ao cultivo orgânico. Foram avaliadas 6 plantas por variedade, distribuídas em um vinhedo de 30 anos conduzido em sistema de latada, com uma área de 2 ha de Isabel e 1 ha da Couderc, plantados na mesma encosta. O sistema de poda foi poda curta para Isabel (ramos curtos com 1 a 3 gemas francas) e mista (esporões e varas- ramos com 5 a 8 gemas) para Couderc no ciclo 2016 e poda mista (varas com ramos e esporões para ambas as variedades no ciclo 2017, e espaçamento de 1,5m entre plantas e 3m entre filas (2.220 plantas/ha). Em ambos os ciclos a poda da Isabel foi realizada na segunda quinzena de agosto e a variedade Couderc início do mês de setembro.

O vinhedo vinha de um sistema de produção convencional e foi submetido ao processo de transição de 18 meses, em 2012; pois, segundo Fonseca et al. (2010), “o Art. 12, § 1º da IN nº 64/08, estabelece este prazo, como o mínimo exigido para a conversão de vinhedos a produção orgânica”.

Como práticas de controle de invasoras e manejo de solo, foram realizadas duas roçadas, a primeira foi realizada após a colheita, ou seja, próximo ao período de plantio da cobertura verde, sendo realizada entre 07 e 19 de 04/2016 e 01 a 04 de 04/2017; a segunda roçada ocorreu próximo ao período de colheita, sendo realizada nos dias 02 e 03 de 01/2017 e 15 a 24 de 12/2017. Para semeadura da cobertura verde foi realizado o consórcio das espécies ervilhaca, nabo-forrageiro e aveia-preta.

A adubação de manutenção foi feita para ambas as variedades, juntamente com a semeadura de cobertura verde, de acordo com a análise de solo, onde foram aplicados 5m³/ha de cama de aviário certificada apenas no ciclo 2016/2017. Esta adubação teve como principal objetivo estimular a produção de massa verde, que por sua vez serve como fonte de adubação para videira, além de melhorar as condições físicas do solo e serve como uma barreira física, impedindo a germinação e desenvolvimento de plantas invasoras (MELLO et al., 2015).

A poda verde foi realizada a partir de 22/10/2016 e no segundo ciclo partir de 30/09/17, sendo retirados os ramos improdutivos, mal posicionados e doentes, a desfolha foi realizada em plena floração, retirando-se cerca de 2 a 3 folhas na região dos cachos. A escala de tratamentos fitossanitários foi realizada segundo as Tabelas 1 e 2, que obedecem às dosagens e os produtos regulamentados no Decreto 6.913/2009 que trata do uso de produtos fitossanitários permitidos para a cultura na agricultura orgânica (FONSECA et al., 2010).

 

Tabela 1 – Produtos, dosagens aplicadas como tratamentos fitossanitários nas plantas de Isabel e Couderc em sistema de cultivo orgânico.
 
Ciclo 2016/2017
Data de aplicação
 
Couderc
Isabel
Produto
Dosagem (%)
Produto
Dosagem (%)
25/07/2017
2
10
2
10
07/09/2017
1,3
1/1
1,3
1/1
13/09/2017
1,3,12
1/1/0,5
26/09/2017
1,3,5,9
1/1/0,75/0,3
1,3,5,9
1/1/0,15/0,3
03/10/2017
1,3,5
1/1,5/0,1
1,8,15
1/0,5/0,3
07/10/2017
1,3,8
1/1/0,5
1,2,8
1/0,5/0,3
10/10/2017
1,2,8
1/0,5/0,5
15/10/2017
1,8
1/0,7
1,2,8
1/0,7/0,5
16/10/2017
1,13
1/0,12
20/10/2017
1,3,8,15
1/1/0,5/0,3
1,2,3,8
1/0,5/1/0,5
22/10/2017
1,8,11
1/0,7/3
1,2,8
1/0,5/0,5
26/10/2017
14
2,5 l.ha-1
28/10/2017
1,8,3,15
1/0,5/1/0,3
1,2,3,8
1/1/1/0,5
01/11/2017
1,2,8
1/0,5/0,5
06/11/2017
1,3,8,11
1/1/0,7/3
1,2,8
1/0,5/0,5
10/11/2017
7
1,3 l.ha-1
7
1,3 l.ha-1
11/11/2017
8/12/1
0,8/0,3/1
13/11/2017
14
2,5 l.ha-1
19/11/2017
1,8,9
1/0,8/0,3
1,8,9
1/0,8/0,3
23/11/2017
1,8,11
1/0,8/2
05/12/2017
8,12,1
1/0,3/1
8,12,1
1/0,3/1
08/12/2017
1,8
1/1
1,8
1/0,5
11/12/2017
4,6,1
3/3/1
22/12/2017
1,8
1/0,5
1,8
1/0,5
28/12/2017
4,6,1
3/3/1
1 – Extrato de Figo da Índia; 2 – Calda Sulfocálcica; 3 – Água de Cinza; 4 – Melado; 5 – Kocide; 6 – Leite; 7 – Biocontrolador Tricoderma; 8 – Sulfato de Cobre; 9 – Sulfato de Magnésio; 10 – Chá de Cavalinha (Equisetum arvence); 11 – Biofertilizante Super-magro; 12 – Pó de rocha; 13 – Cloro (CL2) estabilizado a 8%; 14 – Serenade; 15 – Bórax.

 

Os produtos utilizados foram adquiridos no Centro Ecológico de Ipê e alguns em casas agrícolas. O extrato de cavalinha (Equisetum arvense), foi produzido segundo recomendação do centro ecológico de Ipê, onde, por decocção, usou-se 5 kg de planta fresca, para 100 litros de água durante uma hora, após esfriar, foi armazenado em garrafas plásticas de 2 litros.

Para o preparo da calda de Figo da Índia (Opuntia ficus-indica), utilizou-se 1kg de folhas picadas, em 10 litros de água, deixando-se de molho 24h, sendo utilizada nos tratamentos 1% de calda (Tabela 1 e 2). O produto de custo mais elevado utilizado foi o Serenade, fungicida, nematicida e bactericida microbiológico, tendo princípio ativo o Bacillus subtilis linhagem QST 713, objetivando controle da Botrytis (AGRO BAYER, 2025).

 

Tabela 2 – Produtos, dosagens aplicadas como tratamentos fitossanitários nas plantas de Isabel e Couderc em sistema de cultivo orgânico.
 
Ciclo 2017/2018
Data de aplicação
 
Couderc
Isabel
Produto
Dosagem (%)
Produto
Dosagem (%)
23/07/2016
2
10
2
10
07/09/2016
1,3,5
1/1/0,1
08/09/2016
1,4,6
1/1/3
1,4,6
1/1/3
15/09/2016
1,3,5
1/1/0,1
22/09/2016
1,3,5
1/1/0,1
1,3,5
1/1/0,1
27/09/2016
1,4,6
1/3/3
1,4,6
1/3/3
05/10/2016
1,3,5,12
1/1/0,15/0,3
06/10/2016
7
1,3 l.ha-1
7
1,3 l.ha-1
07/10/2016
1,8,3,9
1/0,5/1/0,3
1,2,8
1/0,5/0,5
13/10/2016
7
1,3 l.ha-1
14/10/2016
1,2,8
1/0,5/0,5
1,8,10
1/0,5/3
20/10/2016
1,8
1/0,5
1,2,8
1/0,5/0,5
24/10/2016
11
3
11
3
28/10/2016
1,8,12
1/0,5/0,3
1,8,12
1/0,5/0,3
03/11/2016
1,3,8
1/1/0,5
1,2,8
1/0,5/0,5
10/11/2016
1,8,11
1/0,5/1
1,8,2
1/0,5/0,5
12/11/2016
1,2,8
1/0,6/0,6
18/11/2016
1,8,11
1/0,8/3
1,2,8
1/0,5/0,5
24/11/2016
1,8,11
1/0,8/3
1,8,2
1/0,6/0,6
27/11/2016
1,8,13
1/1/0,15
1,8,13
1/1/0,15
29/11/2016
1,3,8
1/1/1
1,3,8
1/1/1
05/12/2016
1,8,12
1/1/0,3
1,2,8,12
1/0,6/0,6/0,3
21/12/2016
1,2,8
1/0,6/0,6
1,2,8
1/0,6/0,6
30/12/2016
1,8
1/1
1,8
1/1
06/01/2017
14
2 l.ha-1
1,8
1/1
19/01/2017
1,8
1/1
1 – Extrato de Figo da Índia; 2 – Calda Sulfocálcica; 3 – Água de Cinza; 4 – Melado; 5 – Kocide; 6 – Leite; 7 – Biocontrolador Tricoderma; 8 – Sulfato de Cobre; 9 – Sulfato de Magnésio; 10 – Chá de Cavalinha (Equisetum arvence); 11 – Biofertilizante Super-magro; 12 – Pó de rocha; 13 – Cloro (CL2) estabilizado a 8%; 14 – Serenade; 15 – Bórax.

 

As colheitas ocorreram entre 06/02/17 e 02/02/18 (Couderc) e 28/02/17 e 13/02/18 (Isabel), quando se considerou que as videiras atingiram boas condições de maturação para indústria de suco. As uvas foram colhidas de forma manual com o auxílio de uma tesoura de poda e as bagas foram separadas para análise utilizando a metodologia descrita por Rizzon e Miele (2002). Excetuando os parâmetros: produção.planta-1, peso médio de cacho, a produção.ha-1, teor de sólidos solúveis totais ou SST (ºBrix), no ciclo 2016/2017, que se realizou média aritmética de seis plantas por tratamento, as demais variáveis em ambos os ciclos, foram submetidos à análise de variância, e as médias comparadas pelo teste Tukey, a 5% probabilidade, utilizando-se o programa SASM – Agri. (CANTERI et al., 2001).

Variáveis: número de gemas deixadas na poda (varas e esporões), número de brotos (após a poda verde), índice de brotação (relação entre o número de número de brotos /número gemas deixadas na poda, e índice de fertilidade (relação entre o número total de total de brotos (varas e esporões)/número de cachos, produção por planta (massa de cachos por planta, realizado na colheita, e pesado em balança eletrônica,) número de cachos por planta (contados na colheita), massa média de cacho (produção por planta/número de frutos), produção estimada por ha (produção por planta, multiplicado pelo número de plantas por ha) e SST foi obtido pela metodologia proposta por Carvalho et al. (1990).

 

Resultados e discussão

 

Os resultados obtidos pela análise estatística demonstraram que em ambos os ciclos de produção houve diferenças nas variáveis resposta diferiram tanto nos aspectos produtivos, quanto a resposta ao manejo orgânico considerando o fator rusticidade (Tabela 1).

Na safra 2017, a variedade Isabel (T1) foi superior a Seibel 1077 (T2), considerando, as variáveis número de gemas, brotos, índice de brotação (IB) e produção. No ciclo 2018, foi analisado separadamente os elementos de poda, esporões (ramos com 1 a 2 gemas francas) e varas (ramos com 5 a 8 gemas), esta análise demonstrou que embora ambas as variedades sofrendo poda mista, ao a variação da quantidade de esporões e varas em T1 e T2, influenciou nos dados de produção e respostas ao controle fitossanitário.

O índice de brotação (IB) total foi maior no ciclo 2017, embora as plantas apresentassem na poda o mesmo número de gemas, no ciclo 2018, o IB superior nos esporões e o índice de fertilidade (IF) foi maior nas varas. A variedade Isabel (T1), apresentou melhor resposta para essas variáveis em relação a Seibel 1077 (Tabela 3). Estes resultados podem ser constatados pelo maior número de cachos produzidos pelo tratamento T1, em ambos os ciclos, a produção foi similar entre as variedades, mesmo que a Isabel na poda tenha apresentado maior número do que na poda seca e maior IB, e número de cachos.

Com relação ao tipo de poda, na Couderc, foram deixadas mais varas, estas apresentam com frequência, brotações irregulares, devido ao efeito de dominância apical, consequência da a quantidade de carboidratos que chega nas gemas da ponta da vara em relação às da base, sendo que a brotação normalmente inicia na gema da ponta do ramo, sendo sempre o ramo mais vigoroso e com maior capacidade de dreno em relação aos demais. O IF foi maior nas varas, e o tratamento T1, que foi superior ao T2, apresentando 2,46 cachos por broto, em detrimento dos 1,66 de T2, indicando maior fertilidade para a variedade Isabel (Tabela 3), esta informação permite indica a poda mista (varas e esporões) como mais adequada para estas variedades, considerando que a poda com varas reduz a densidade de folhagem sem afetar a produção.

No tratamento T2, em função do tipo de poda, a produção se concentrou nas varas, atingindo cerca de 70 %, ao contrário do que ocorreu em T1, essa produção nas varas, que propicia um microclima (menor densidade de vegetação, maior luminosidade e ventilação) melhor para desenvolvimento dos cachos, além da brotos advirem de gemas mais bem posicionadas no dossel vegetativa, resultados que concordam a pesquisa de Fogaça et al. (2021), que obteve maior IF para gemas das varas. A fertilidade das gemas está relacionada com a genética da variedade, a disponibilidade de fotoassimilados no período vegetativo, além dos fatores já citados, um melhor IF nas varas, relaciona-se com a melhor exposição solar da parte superior da cortina verde no ciclo anterior, o que favorece o acúmulo de carboidratos, e por consequência IF das gemas (PEDRO JÚNIOR; HERNANDES, 2011).

Com relação a produção por ha, na safra 2016, obteve-se em médias 24,6 t/ha e 19,6 t/ha a 2017 23,3 t/ha e 26,7 t/ha para Isabel para Couderc respectivamente (Tabela 3), ambas as safras ocorrem com padrões de precipitação dentro da normalidade para região (EMBRAPA, 2018). Segundo Camargo (2004), a Isabel atinge produções de 25 a 30t/ha, e a Couderc entre 15 e 25 t/ha, resultados do experimento foram ligeiramente abaixo desses valores, indicando um bom potencial produtivo considerando que as uvas orgânicas e seus derivados atingem valores de comercialização superiores a uvas produzidas pelo manejo convencional.

 

Tabela 3 – Aspectos produtivos e qualitativos das variedades Isabel e Couderc (Vitis labrusca. L), cultivado em sistema orgânico.
Variáveis analisadas
 
Isabel
2017
Couderc
2017
CV%
 
Isabel
2018
Couderc
2018
CV%
 
Número de gemas.planta-1
75,0a
66,67a
24,5
97,16a
67,5b
9,5
Número de gemas.esporões-1
—-
—-
—-
86,66a
19,66b
10,31
Número de gemas.varas-1
—-
—-
—-
15.75b
47,83 a
17,6
Número de varas
0
6
—-
2,5b
7a
6,8
Número de brotos
98,67a
52,00b
26,5
—-
—-
—-
Número de brotos.varas-1
—-
—-
—-
10,25b
34,16a
23,77
Número de brotos.esporões-1
—-
—-
—-
116a
41,33a
26,35
Índice de Brotação
1,32a
0,8b
13,9
—-
—-
—-
Índ. brotação das varas
—-
—-
—-
0,65aC
0,72aC
21,2**-33,3
Índice brotação-esporão
—-
—-
—-
1,54bB
2,15aA
31,59
Índice de Fertilidade
1,17a
1,28a
20,2
—-
—-
—-
Índ. fertilidade-varas
—-
—-
—-
2,46aA
1,66bB
9,42-4,5***
Índ. fertilidade -esporões
—-
—-
—-
1,2aB
1,21aB
27,61
Número de cachos planta-1
98,60a
66,33b
26,5
132,66a
97,16b
20,67
Peso médio (kg. planta-1)
10,9*
7,85*
—-
10,5a
10a
28,02
Peso médio (g.cacho-1)
90,4*
107,1*
—-
80,46b
101,07a
14,34
Massa de cacho.esporão-1 (g)
—-
—-
—-
7,88aA
3,33bB
33,33-8,45
Massa de cacho.vara-1 (g)
—-
—-
—-
2,62 bB
6,67aA
38,02
Produção (t.ha-1)
24.63
18,34*
—-
23.34a
26,66a
27,23
Teor de sólidos solúveis (°Brix)
16,3*
17,13*
—-
18,25a
16,41b
3,2
* Dados da média aritmética da safra 2017. ** Coeficiente de variação dos dados da linha e *** CV dos dados da coluna. Médias seguidas de mesma letra minúscula na linha e maiúscula na coluna não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey, com 5% de probabilidade de erro.

 

No entanto, a média da produção dos vinhedos convencionais, bem manejados, normalmente atingem produções superiores aos da pesquisa, considerando variedades Labruscas. Lazzari (2023) obteve média 32,5 t/ha nas safras 2020 e 2021, mesmo com restrição hídrica elevada na safra 2021, na mesma região, considerando as variedades Labruscas. Lerin et al. (2023), trabalhando com a BRS Cora (Vitis labrusca L.), obteve produção média de 52,14 t/ha na safra 2022.

Os dados de produção na safra 2022, respectivamente, para T1 e T2, quanto a massa média de cacho/planta, foram de 10,5 a 8,92 kg/planta, que não deferiram entre si independentemente do tipo de poda realizada (Tabela 3) e foram inferiores aos 22,05 kg/planta para Isabel (Vitis labrusca L.) e considerando a massa de cacho, T2 foi superior, atingindo 104,10g em detrimento dos 85g de T1 (LAZZARI, 2023). Rizzon et al. (2000) obteve peso médio do cacho de 156,70 g, e cita também que os valores variaram de 114,00 g em 1988 a 210,10 g em 1992, indicando resposta melhor do manejo convencional. Segundo Döring et al. (2015), a área foliar, massa seca da poda (vigor), foram maiores no manejo convencional, considerando a mesma condição climática, que no Riesling italico (Vitis vinifera L), aumento de 29% de produção para o manejo convencional em 3 das duas safras.

Com relação ao °Brix, os valores ficaram acima dos padrões exigidos para produção de suco de uva que é valores acima 14 °Brix, segundo o decreto nº 8.198, de 20 de fevereiro de 2014, que regulamenta a Lei n° 7.678, de 8 de novembro de 1988, que dispõe sobre a produção, circulação e comercialização do vinho e derivados da uva e do vinho, sendo que a Couderc apresentou melhor resultado na safra 2016 e a Isabel em 2017 (Tabela 3).

Outro fator que beneficiou a variedade é a colheita antecipada, em cerca de duas semanas, o que também reduz a necessidade de tratamentos.

No ciclo 2017/2018, foram realizadas 23 aplicações na variedade Isabel e 17 na Couderc (Tabela 1 e 2), ou seja, 23% a menos aplicação na variedade Couderc; já no ciclo seguinte esta diferença atingiu 26%, denotando maior rusticidade que a variedade Isabel para o manejo orgânico. Sendo importante frisar, neste aspecto que a maior facilidade para o controle de “míldio”, para a Couderc, principal doença que reduz a produção no manejo orgânico da videira.

No ciclo 2017/2018 as condições climáticas foram melhores, proporcionando uma redução no número dos tratamentos fitossanitários, embora no final do ciclo ocorresse elevado índice de chuva ocasionando perdas de produção superiores pouco maiores que o ciclo anterior.

Na variedade Couderc, em ambos os ciclos ocorreu níveis de infecção menores que na Isabel, para o míldio (Plasmopara viticola L.), que apresentou infecções nas folhas e alguns cachos, nos dois ciclos (Tabela 4), sendo atacados no a fase 71 a 75, grão chumbinho a ervilha segundo a escala Lorenz et al. (1995), período em que ocorreram condições favoráveis à doença. Neste período, para prevenção e controle desta doença, foram usados os cobres, calda sulfocálcica e cloro, sempre combinados com o extrato de figo da Índia, conforme indicação no (Tabela 1 e 2).

 

Tabela 4 – Registro de aparecimento de doenças e suas respectivas perdas de produção, das variedades Isabel e Couderc, em sistema de cultivo orgânico.
 
 
Doenças
Couderc
Ciclo 2016-2017
Isabel
Ciclo 2016-2017
Couderc
Ciclo 2017-2018
Isabel
Ciclo 2017-2018
% de perdas aproximadas na produção
Míldio*
2% a 5%
7% a 10 %
3% a 6%
10% a 15 %
Podridões de cacho**
3%
0%
5%
2%
Antracnose***
2% a 5%
2% a 5%
2% a 5%
2% a 5%
*Plasmopora viticola, ** Glomerella cingulata, Botrytinia fuckeliana, ***Elsinoe ampelina.

 

No caso das podridões, a variedade Couderc, mostrou-se mais sensível que a Isabel, por ser uma planta bem vigorosa e sensível a doenças de cachos, seu controle é dificultado por apresentar cachos compactos que dificulta a penetração do sol, aeração e a eficiência dos tratamentos fitossanitários. O controle foi feito de forma preventiva, com uma aplicação do produto Serenade (Bacillus subtilis), no primeiro ciclo, no ciclo 2017/2018, quando ocorreram condições de elevada umidade no final da primavera e início do verão (EMBRAPA, 2018) e o aparecimento de focos da doença, realizou-se duas aplicações, a primeira no final da floração e a segunda no enchimento de cacho, porém, ocorreram superiores ao perdas, um pouco maiores que o ciclo anterior (Tabela 4).

A incidência de antracnose (Elsinoe ampelina), foi pequena em ambas as variedades, nos dois ciclos avaliados (Tabela 4). Para controle e prevenção deste, o principal produto é a água de cinza a 1%, combinada com adesivo figo da Índia (Tabela 1), não sendo feita diferenciação nas dosagens, nas aplicações dos produtos, para ambas as variedades, nos dois ciclos de produção, resultado que demonstrou efetividade dos produtos aplicados.

Em relação ao valor pago pela indústria a variedade Couderc, tem sido reduzida, como consequência a redução nas áreas de produção. Esta variedade na maioria das vezes tem sido usada em pequena quantidade para corte no suco e vinhos, devido às suas características organolépticas marcantes (cor, aroma e sabor).

O principal fator determinante para o manejo produção orgânico foi o controle das doenças, sendo o míldio a doença que causa maior dano (Tabela 4). Pedro Júnior e Hernandes (2020) obtiveram severidade de 68 % no míldio (folhas e cachos) no cultivo da Isabel sem fungicidas, o que demonstra que mesmo com a rusticidade das variedades, adequado manejo do vinhedo (poda verde eficiente) e a limitação dos produtos que são preventivos e de contato (Tabela 1 e 2), embora em % baixo, houve perdas. No entanto, nestes dois ciclos a produção ficou próximo do média da produção indicada para as variedades, porém, inferior às produtividades obtidas na produção convencional (DÖRING et al., 2015).

 

Conclusão

           

Nos dois ciclos de produção a variedade Couderc necessitou de menos tratamentos fitossanitários, apresentou maior sensibilidade às podridões e menor ao míldio, quando comparada com a variedade Isabel.

A quantidade de gemas da poda influenciou no índice de brotação, sendo este maior nos esporões que nas varas. O IF foi maior nas varas, sendo que a variedade se apresentou superior a Couderc 1077. O Brix, em ambas as safras, ficou dentro da legislação para produção de suco integral.

A produção não diferiu entre as variedades, sendo que os valores obtidos indicam que ambas as variedades apresentam bom potencial para produção orgânica.

 

Conflitos de interesse

 

Não houve conflito de interesses dos autores.

 

Contribuição dos autores

 

Marco Aurélio de Freitas Fogaça e Ivanio Meazza – proposta do projeto, instalação do experimento, interpretação dos dados, redação e revisão do manuscrito.

 

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Recebido em 25 de novembro de 2025

Retornado para ajustes em 2 de fevereiro de 2026

Recebido com ajustes em 19 de fevereiro de 2026

Aceito em 25 de fevereiro de 2026